Download educador - Biblioteca Digital da PUC-SP

Transcript
260
No discurso de Marta, a metáfora “Eles se sentem acolhidos” já indica a adesão dos
educandos-pobres a esta instituição. Esta adesão institucional é fruto de uma identificação do
educando com a instituição, uma vez que ele vê algumas de suas necessidades atendidas por
ela. Esta visibilidade conferida pela instituição ao educando é expressa na apóstrofe “só pelo
fato deles falarem assim: “eu estou no EPSA” para eles já é um valor muito grande”. Não
obstante, a educadora reforça a ação da instituição ao construir uma epanalepse, com a
repetição da última frase “Já é um valor muito grande, daí é...” no discurso, ampliando,
assim, a importância da instituição como marca identitária dos educandos que participam de
suas atividades. O seu grupo social, a sua família e todo o restante da sua comunidade o
enxerga de forma ‘diferente’ – como já foi citado no discurso de Jó – porque ele é afetado
pelas atividades institucionais a tal ponto de reconhecerem a necessidade de sua existência,
pelo que a constitui, ou seja, a diferença na condução de seus trabalhos. Desta forma, faz
sentido a metáfora “esse aluno já vê que é uma escola diferente”, porque ele também se sente
em uma situação diferenciada, por ser beneficiado com as relações desenvolvidas nesta
instituição caritativa. Veja neste outro trecho do discurso de Marta.
Por que eles pensam... o meu filho está em uma instituição
e... Eu conheço a instituição, eu coloquei lá porque eu
acredito nela. Eu quero que a instituição educacional me
ajude a educar meu filho. (Marta)
Para os educadores, os responsáveis pelos jovens envolvidos no processo sócioeducativo acreditam no valor da instituição e na ação que ela pode realizar na vida dos seus
filhos, marcando-os com o benefício de uma educação destinada as suas necessidades. Na
metáfora “Eu conheço a instituição, eu coloquei lá porque eu acredito nela”, o substantivo
‘instituição’ representa um grupo de ações e relações que podem beneficiar estes pobres. A
instituição representa, para as camadas empobrecidas, um auxílio para a educação da sua
prole, de maneira diferenciada das demais instituições que eles freqüentam no seu cotidiano.
A metáfora “Eu quero que a instituição educacional me ajude a educar meu filho” passa a ser
uma atribuição dada pela camada empobrecida, que confia na instituição e nos educadores, e
nas relações diferenciadas que ajudem na criação de seus filhos para a vida de forma mais
ampla.