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Perfil Personalístico e de Saúde Mental de Abusadores Sexuais de Crianças
2010/2011
Somando e integrando estas premissas, urge a necessidade de esclarecer um aspecto crucial relativo
aos grupos que podem ser incluídos no espectro de elaboração de um Profiling. De forma mais objectiva,
o Profiling embora obedecendo ao estudo de pessoas que cometeram determinado crime, o mesmo pode
ser alargado através do estabelecimento de um paralelismo investigativo de natureza comparativa – em
termos das diferenças e semelhanças - entre um grupo de sujeitos em reclusão e um grupo de pessoas
que vivem em sociedade, e que não cometeram qualquer tipo de crime (Morales, Muñoz-Delgado,
Santillán, Arenas & De León, 2007).
1.6. Estado da Arte: Conceitos de Saúde Mental e Personalidade
De modo preambular, pode declarar-se que a par da Abordagem Clínica subjacente à
técnica do Profiling, revela-se de todo pertinente enquadrar e caracterizar de modo teóricocientífico os constructos que se encontraram sob foco de estudo e análise, designadamente a
Saúde Mental e a Personalidade. Objectivou-se portanto, compreender ambos os domínios em
estudo, mediante a explicitação de conhecimentos postulados pela comunidade científica,
não suprimindo o crucial enfoque clínico diagnóstico categorial, sustentado pelo Manual de
Diagnóstico e Estatísticas das Perturbações Mentais (doravante, DSM-IV-TR).
1.6.1. Saúde Mental
No que diz respeito à conceptualização científica de Saúde Mental, a sua primeira
definição remonta a 1958 pela Organização Mundial de Saúde (doravante OMS), na qual se
defendia que o bem-estar mental fazia parte integrante da postulada concepção de Saúde.
Atendendo a este facto, a OMS definiu portanto Saúde como sendo um estado de completo
bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença e/ou enfermidade.
Esta mesma conceptualização foi-se demonstrando resistente à inevitável passagem do
tempo, sendo defendida ainda hoje pela mesma organização mundial. Deste modo, pode
declarar-se que desde a sua formulação remota, a mesma conceptualização permite extrair
três premissas centrais e amplamente actualizadas, isto é, a Saúde Mental consiste numa
parte integrante da saúde; a Saúde Mental equivale a muito mais do que a mera ausência de
doença ou de enfermidade; e não menos importante, a Saúde Mental encontra-se
intimamente relacionada com a saúde física e com o comportamento. Assim, a SM, a saúde
física e a saúde social correspondem a ―fios de vida‖ estreitamente interligados e
profundamente interdependentes, tornando-se cada vez mais perceptível, que a Saúde Mental
é indispensável para que os indivíduos das sociedades dos diversos países alcancem um estado
de bem-estar geral (Cardoso, 2001; OMS 2003).
Todavia, o domínio da SM prevalecia somente referenciado na definição de saúde, e a
nível transcultural a tarefa de definição de Saúde Mental de uma forma mais independente
permanecia enquanto utopia. Neste sentido, em 2001 a OMS propôs uma definição de Saúde
Mental que parece reunir consenso em termos da sua interpretação, não só pela comunidade
cientifica, como pelos povos de diferentes culturas, existindo como que um certo significado
universal inerente à mesma conceptualização. A Saúde Mental foi portanto definida, como um
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