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Capítulo 6 Atentando nas várias relações apresentadas na figura 6.47, divisamos que, quando a humidade relativa é elevada (normalmente superior a 80%), os valores de Rc são geralmente mais baixos e exibem uma variação menor, em resultado da grande probabilidade da superfície estar molhada. À medida que a humidade relativa diminui, Rc aumenta substancialmente, seguindo em alguns casos uma tendência linear e noutros uma variação nitidamente exponencial consentânea com a obtida por Erisman et al. (1994a). Apesar da análise anterior demonstrar, até certo ponto, que o SO2 é efectivamente removido de forma mais eficiente em condições de elevada humidade, há também claras indicações de que a deposição de SO2 não é necessariamente elevada na presença de películas ou gotículas aquosas depositadas na superfície. De facto, segundo o proposto por vários investigadores (Wesely et al., 1990; Erisman e Draaijers, 1995) e de acordo com o descrito na secção 3.3.3, o SO2 é um gás razoavelmente solúvel em água pura, mas a absorção de SO2 em camadas aquosas está associada a uma série de reacções fortemente dependentes da composição das soluções aquosas, em termos de componentes ácidos e oxidantes. Mesmo quando a composição química promove a remoção de SO2, à medida que a oxidação prossegue, a humidade superficial torna-se acídica, o SO2 menos solúvel e, por conseguinte, para este mecanismo ser significativo a capacidade tampão da superfície aquosa deve ser suficientemente elevada. Esta dependência conduz geralmente a uma grande variabilidade dos valores de Rc nas condições experimentais de campo. Por exemplo, os baixos valores de Rc, medidos na Holanda em superfícies com vegetação rasteira, foram atribuídos ao clima húmido e aos níveis elevados de amónia prevalecentes naquele país (Erisman et al., 1993). Estas sugestões estão também em conformidade com as ideias discutidas nos estudos de Brimblecombe (1978) e Chameides (1987), os quais enfatizam a importância da presença de químicos nas camadas aquosas. Centrando novamente a nossa atenção na figura 6.46, podemos deduzir que o comportamento sazonal dos valores nocturnos de Rc, relativos a Sarrazola, parece estar relacionado com a provável variação da composição química das superfícies aquosas do Inverno para o Verão. Esta hipótese é sustentada pelo contraste sazonal registado no regime de pluviosidade e na potencial relação entre a composição química da humidade da superfície e a sua origem. Quando a humidade da superfície é determinada pela queda de chuva ou outros eventos de precipitação, a concentração de H+ nas gotículas de água é sobretudo influenciada pela acidez da própria água da chuva, sendo esta geralmente superior em comparação com a resultante da condensação de vapor de água nos elementos da superfície. Alguns estudos de campo, principalmente aqueles realizados nos EUA indicam que a superfície é um sorvedouro fraco de SO2, quando esta se encontra molhada devido a eventos de precipitação (Hicks et al., 1987; Wesely, 1989). Wesely et al. (1990) _____ 220