Download revista 36

Transcript
A Alemanha e a Suécia, que desenvolvem
expressivos esforços educativos, com grande
difusão de qualificações técnicas pela sociedade, fazem consideráveis investimentos em Ciência e Tecnologia. O “ethos” predominante é o
cooperativo, com mecanismos bem estabelecidos para favorecer as associações entre os agentes e sua participação na vida econômica e social. O Estado é bastante integrado na sociedade
civil, sendo importante investidor em áreas de
interesse coletivo, sem fugir às regras de uma
economia de mercado. São abertos a toda espécie de trocas, evitando, no entanto, penetração
estrangeira excessiva.
O Japão realiza grandes esforços educativos,
estimulando a difusão de qualificações técnicas
pela sociedade, com relativa prioridade à investi-gação científica nos moldes ociden-tais. Apresenta forte “ethos” cooperativo, com cada indivíduo assumindo elevado senso de responsabilidade em nome da comunidade. O governo
é completamente integra-do à sociedade, aparentando que o Poder está repartido entre o conjunto de indivíduos que compõem a nação, como
que se o Estado nela se dissolvesse. O país é
relativamente fechado, não tanto por barreiras
regulamentares, mas por razões cultu-rais, quanto
aos costumes, produções e valores nacionais. Ao
mesmo tempo, o Japão demonstra alta
receptividade quanto às ciência e tecnologia ocidentais.
Percebe-se que os países que melhor responderam, nos últimos anos, ao desafio da forte concorrência econômica mundial, têm alguns pontos em comum: a) possuem mão-de-obra com
boa instrução formal; b) apresentam um “ethos”
econômico mais baseado na cooperação do que
no individualismo; c) o Estado é bem integrado
à sociedade; d) sua econo-mia é relativamente
bem protegida contra o mundo exterior, embora
harmoniosamente inserida nas corren-tes internacionais; e) seus parques industriais são expostos a forte concorrência, interna e externa.
Na reformulação de suas políticas de Ciência
e Tecnologia, estes países têm preocupação crescente com alguns aspectos relevantes:
·
questões sociais - priorizando meio ambiente, saúde e condições de vida;
·
melhoria de qualidade do nível de ensino em particular, o primário e o secundário;
·
descentralização dos investi-mentos - estimulo às iniciativas de programas de P&D nas
adminis-trações locais;
·
participação em redes inter-nacionais - forte
cooperação, inter-câmbio e divulgação científica com os demais países;
·
difusão de conhecimento e capacidades de
P&D por todo o país;
·
articulação entre os centros de pesquisa, as
universidades e a indústria, dando ênfase ao
apoio, sob forma de fomento e suporte técnico, à pequena e média empresa;
·
criação de órgãos ou comitês responsáveis
pela formulação e coordenação da implantação das políticas nacionais no setor, sob a
coordenação do governo, com a participação da comunidade cientí-fica, do segmento
industrial e da sociedade.
Considerando os aspectos men-cionados,
pode-se compreender a relação entre o estágio
de desen-volvimento em Ciência e Tecnologia e
o grau de abertura da Economia de um país em
relação à exportação quando confrontada com o
PIB respectivo. A Tabela 1 a seguir mostra esta
variação entre 1990 e 1995, que ressalta algumas das economias fortes e mais desenvol-vidas tecnologicamente.