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Actualidade 3ª Feira · 4 de Setembro de 2007 www. Destak .pt 03 «Em termos de ocultação de cadáver [a mãe e o tio] fizeram um trabalho perfeito. Embora não sendo pessoas inteligentíssimas, adaptaram-se bem aos factos à medida que foram ocorrendo» «Todos nos indignamos às oito da noite com as notícias que vemos na televisão, mas às 8h30 já estamos mais preocupados com o sítio onde vamos beber a bica depois de jantar» IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII PAULO PEREIRACRISTÓVÃO O ex-inspector da Polícia Judiciária partilha com o Destak o que o motivou a escrever A Estrela de Joana, livro posto à venda hoje, e que revela o ser humano que existe em todos os agentes da polícia portuguesa. «Nós ignoramos as Joanas do País» PATRÍCIA FERREIRA/DESTAK IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII PATRÍCIA SUSANO FERREIRA [email protected] O que o levou a escrever AEstrelade Joana? O livro passa essencialmente por ser uma sentida homenagem a alguém que nunca conheci, que é a ‘pequena grande Joana’, uma menina que sofreu muito mais nos seus poucos anos de vida do que muitos adultos em muitos anos. O livro acaba por ser também uma homenagem aos muitos polícias que fazem excelentes trabalhos e que não são reconhecidos. quer, que também tem mulher e filhos e que se preocupa com a hipoteca da casa. Porque acha que todos têm culpa pelo que aconteceu? Andamos, como sociedade, muito ocupados para olhar para as Joanas deste país. Todos nós as ignoramos. É culpado o vizinho que vê certos sinais e não os interpreta bem; os responsáveis das comissões de protecção de menores que relativizam o que não podia ser relativizado; já sem falar da família directa; mas todos somos culpados. Qual o objectivo do livro? O que faltou na investigação? Ser uma chamada de atenção para casos destes e para que as pessoas vejam a vida de um polícia, que é um ser humano como outro qual- Há-de sempre faltar qualquer coisa a qualquer investigação, mas o importante para um polícia é chegar ao final e dizer que foi feito tu- do o que era possível face às circunstâncias. O importante não era tanto o corpo aparecer, mas sim provar que tinha havido um homicídio. Existe um paralelismo entre o caso de Joana e o de Maddie? O único paralelismo é a zona do País e o facto de ser uma criança do sexo feminino. É forçado estabelecer outros paralelismos, pois as pessoas que privavam com cada uma são muito diferentes. Vale a pena ser polícia e privar-se da vida pessoal? No livro, peço desculpa aos meus filhos pelo tempo que não passei com eles, mas continuo a achar que é a mais bela profissão do Mundo. A polícia deu-me uma visão transversal da sociedade. Quando decidiu sair da PJ? O clique que me fez decidir sair foi estar por detrás de um vidro com Leonor Cipriano do outro lado a apontar quem a tinha agredido. Com a ponta do dedo ela podia decidir o que ia ser o meu futuro. Quando me ilibou das agressões, imaginei como seria se não o tivesse feito. Aí pensei: «Eu não tenho necessidade disto, já dei muito à PJ, já dei muitas horas, um casamento…», mas não me arrependo de nada. Se o caso da Joana tivesse os mesmos meios que o da Maddie seria diferente? Não. Porque não sentimos falta de pessoas no terreno. Nestes casos, não é por se ter 100 ou 200 inspectores que as coisas se resolvem. IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII PUB