Download Linda Howard - Intimo e perigoso

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concentrar em objectivos a curto prazo.
— Pensei que o avião se incendiasse — prosseguiu Bret. — Restam sempre alguns litros de
combustível inutilizável nos tanques. Mesmo que restassem provas, sabia que Seth seria o suspeito
devido àquele telefonema idiota, mas, além disso, mais nada o ligaria ao avião. Achei que nem
sequer seria preso.
— O MaGuire disse que foste tu quem referiu que o avião não tinha combustível suficiente.
— Sim. Achei que, se fosse eu a indicá-lo, ninguém suspeitaria de mim. — Esfregou as
mãos na cara e enfrentou o olhar de Cam. — E agora? — perguntou, pondo-se de pé. — Quando
achei que estavas morto, que te tinha assassinado, fiz o que pude para cobrir o rasto. Mas és um
piloto demasiado bom para morrer facilmente, não és? Não sabia se havia de rir ou chorar quando
soube. Acho que fiz as duas coisas. Mas aceito o que quiseres fazer. Entrego-me se for o que
queres.
— É isso que quero — Cam não vacilou. Não havia forma de voltar atrás, não poderia
deixar que anos de amizade e bons tempos o influenciassem porque alguns caminhos são de sentido
único. — Tentativa de homicídio, fraude... vais para a prisão.
— Sim. Se não me matarem antes. Seja o que for. — Bret parecia um homem incapaz de se
perdoar a si próprio. Cam não se importava com isso porque também nunca seria capaz de o
perdoar.
— Mais uma coisa — disse.
— O quê? — perguntou Bret.
Cam esmurrou-o na cara com toda a sua força, aplicando naquele murro tudo o que tinha e
com uma raiva animalesca apoderando-se dele naquele instante. A cabeça de Bret foi projectada
para trás e caiu sobre a cadeira, derrubando-a e ao cesto de papéis. Acabou esticado no chão entre o
lixo espalhado.
— Isto foi por quase teres matado a Bailey — disse-lhe.
Bailey esperara ver muita gente, mas não Seth Wingate. De qualquer forma ali estava ele, de pé à
porta da casa do seu pai, pouco antes da meia-noite.
Ela estava a fazer as malas, ou melhor, procurava o que restava dos seus objectos pessoais
porque Tamzin lhe esvaziara o armário e deitara fora as roupas, bem como tudo o resto que
estivesse certa de lhe pertencer. Além disso, a casa fora vandalizada. Bailey sentiu tamanha fúria
que ponderou chamar a polícia, mas deixou passar algum tempo para acalmar antes de o fazer.
As horas anteriores haviam sido intensas. Ainda lhe custava aceitar que Bret tentara matar
Cam pelo dinheiro do seguro e, se ele sentia dificuldades, não conseguia imaginar como se sentiria
Cam. Bret parecera devorado pela culpa, mas isso não alterava os factos. MaGuire tratou de tudo,
mesmo estando igualmente chocado. Bret fora voluntariamente com MaGuire até à polícia para se
entregar, mas as formalidades jurídicas da dissolução da sociedade e as dúvidas quanto à
sobrevivência da empresa permaneciam no ar. Mesmo que sobrevivesse, passaria a ser conhecida
apenas como Transporte Aéreo Executivo, porque J&L deixara de fazer sentido.
Bailey tinha algumas ideias a esse respeito, mas queria tempo para pensar. Precisava de
reavaliar a sua decisão relativa à gestão dos fundos, agora que sabia que não fora Seth a tentar matála. Por outro lado, depois de descobrir o que Tamzin fizera, quis ser ela própria a assassinar alguém,
livrando-se permanentemente de ambos. Uma decisão que não se alterou foi a de não querer passar
mais uma noite naquela casa que não lhe pertencia.
Logan e Peaches estavam com ela, assim como Cam. Tinham vindo ajudá-la a fazer as
malas, mas restava pouca coisa dos seus pertences. Cam ficou branco de fúria, mas conseguia
controlar-se. Era Peaches quem estava à beira da explosão e Logan observava-a enquanto ia de
quarto em quarto.
Até que Seth chegara e, mesmo sabendo que não tentara matá-la, não sentia vontade de o
aturar naquele momento. Abriu a porta de rompante e manteve-se imóvel, sem o convidar a entrar.
Atrás de si, ouviu Cam avançando para ela.
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