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No entanto, quando em situação de risco, frente a falta de condições para a
sua reprodução, a agricultura familiar pode vir a atuar de forma nociva ao meio
ambiente, desenvolvendo atividades mais impactantes sobre os recursos naturais
(ALTAFIN, 2013;
SOARES, 2001). Conforme visto anteriormente é o próprio
processo de modernização da agricultura que induz a essa atividade mais
impactante, pois a agricultura familiar, ao abandonar as práticas tradicionais de
cultivo e adotar as mesmas práticas do processo de modernização, também começa
a estar sujeita às mesmas críticas e aos mesmos dilemas e vulnerabilidades do
modelo convencional (SHIKI, 2010).
As políticas públicas para o rural tendem a não considerar as especificidades
da agricultura familiar em função de seu maior potencial de conservação ambiental,
pois de forma geral a agricultura familiar é
considerada como um setor econômico ou uma forma de produção que se
insere – ou deveria se inserir – nas regras gerais de funcionamento, tal qual
se apresentam nas sociedades modernas capitalistas ou, mais
particularmente, na sociedade brasileira” (WANDERLEY, 2003, p10).
Nesse sentido Souza et al. (2010) consideram que mesmo atualmente, em
que aparecem novas preocupações sociais e ambientais em textos e objetivos das
políticas públicas, elas ainda encaram a agricultura familiar pura e simplesmente
como um setor econômico, em que o sucesso muitas vezes é medido pela
quantidade de insumos consumidos, ou seja, da adoção de pacotes tecnológicos,
visando a produção em larga escala.
Na medida em que se afasta dos sistemas tradicionais e se intensifica a
exploração dos recursos, visando a produção em larga escala, altamente
especializada e voltada para o mercado, fragiliza-se ainda mais o setor rural. Este
modelo “moderno” de produção, baseado na imposição de pacotes tecnológicos,
simplifica e artificializa extremamente o meio, comprometendo a própria base da
qual a agricultura depende, que são os recursos naturais. A degradação do solo, o
desmatamento, a perda da biodiversidade, a contaminação das águas, entre outros
impactos, deteriora as próprias condições para que os sistemas agrícolas
mantenham sua capacidade produtiva (CARMO, 1998; GLIESSMAN, 2000).
Nesse sentido, segundo Ferreira e Zanoni (1998), além das diferentes formas
sociais de apropriação dos meios de produção e organização do trabalho que