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1990; Veras, 1993; Lessa et al., 1998; Travassos e Carvalho, 2002; Carvalho, 2003). Neste contexto, apesar de todas as dificuldades acima mencionadas, a pesca em Fernando de Noronha ainda desempenha um papel importante na economia local, sendo uma das principais atividades produtivas do arquipélago (Lessa et al., 1998). No final da década de 80, quando a pesca ainda era a principal atividade econômica do arquipélago, foi criada, em 10 de julho de 1988, durante a administração do Sr. Fernando César Mesquista30, a Associação Noronhense de Pescadores (ANPESCA), com o objetivo de promover e incentivar a pesca não predatória na área de entorno do Arquipélago de Fernando de Noronha. No entanto, mesmo com todas as expectativas, diversos problemas de ordem política e econômica fizeram com que a Associação passasse por sérias dificuldades já na primeira metade da década de 90, as quais contribuíram para o encerramento de suas atividades em 1996. Dentre os principais problemas enfrentados, a perda da ajuda financeira proporcionada pelo Governo Federal, quando o Estado de Pernambuco assumiu novamente a administração do arquipélago (1988), pode ser considerada como a mais importante. Além disso, problemas de ordem técnica, principalmente relativos à falta de material de pesca e às condições precárias de manutenção das embarcações utilizadas, também ocasionaram uma diminuição acentuada na oferta de pescado, obrigando a população e, posteriormente, os donos de restaurantes e pousadas, a importar peixe de Recife e Natal (Araújo31, com. pess.). Como conseqüência desses problemas, alguns pescadores começaram a se transferir para outras atividades econômicas, tendo o setor turístico, que se encontrava em plena expansão naquele momento, absorvido a maioria deles. Desta forma, boa parte dos pescadores locais passou, em tempo parcial ou integral, a se dedicar às atividades ligadas ao turismo em conseqüência das vantagens econômicas que o setor lhes proporcionava. É importante salientar que, além da perda de mão-de-obra qualificada para o setor turístico, a ausência de renovação de pessoal para promover a continuidade da atividade pesqueira contribuiu ainda mais para agravar a situação. Este fato está diretamente associado à falta de interesse dos jovens locais de se engajar na pesca, assim como no desaparecimento gradativo da tradicional transferência de conhecimentos de geração em geração, principal responsável pela permanente disponibilidade de mão-deobra especializada na pesca artesanal. 30 O Arquipélago de Fernando de Noronha era, na época, Território Federal, passando a Distrito Estadual do Estado de Pernambuco apenas a partir de 1989. 31 René de Araújo foi o Presidente da ANPESCA na administração anterior, sendo seu atual Vice-Presidente. 242