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Aos Militares das Transmissões Permanentes,
que nunca se poupando a esforços,
sempre estabeleceram a “LIGAÇÃO”,
dignificando o Exército
e as Forças Armadas Portuguesas
aquém e além mar.
AGRADECIMENTOS
Um agradecimento especial ao Grupo da História das Transmissões, ao Grupo dos Amigos
do Museu das Transmissões e aos antigos Comandantes do Regimento de Transmissões,
que identificando-se com o nosso propósito de produzir esta obra, se associaram ao
Regimento e permitiram, com os seus contributos e testemunhos, trazer ao prelo este
projecto e deixar aos vindouros, narrações e crónicas do antigamente e do passado recente,
que perpetuarão as recordações, as memórias e os factos do Regimento de Transmissões
e de outras Unidades que nos precederam e de que somos legítimos herdeiros.
A todos os que devotadamente servem o Regimento de Transmissões, o reconhecimento
pelo seu labor intenso e pela dedicação invulgar, que permitiram concretizar os desígnios
propostos, demonstrando que a divisa do Regimento, SEMPRE MELHOR, está presente e
bem viva.
Àqueles que mais activamente emprestaram o seu esforço, determinação e hipotecaram
os seus tempos de lazer para realizar esta obra, um tributo e uma expressão de particular
apreço e gratidão.
FICHA TÉCNICA
DIRECÇÃO
Coronel Tm (Eng.º) Henrique José da Silva Castanheira Macedo
PROPRIEDADE
Regimento de Transmissões
COORDENAÇÃO
Tenente-Coronel Tm (Eng.º) Carlos Jorge de Oliveira Ribeiro
DESIGN
Atelier Formas do Possível > www.formasdopossivel.com
REDACÇÃO E EDIÇÃO
Estado-Maior do RTm
IMPRESSÃO
M2
Batalhão de Comunicações e Sistemas de Informação
Centro de Segurança da Informação
REVISÃO
Tenente-Coronel Tm (Eng.º) Vítor Manuel Pires Terras
Capitão Tm (Eng.º) Paulo Sérgio Madaleno Soares
Professora Assistente da Academia Militar Sofia de Freitas e Menezes
TIRAGEM
500 Exemplares
DATA
14 de Setembro de 2007
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01
02
1810 - 1977
1977 - 2007
DO CORPO TELEGRÁFICO
AO RTm
O REGIMENTO
DE TRANSMISSÕES
006
EDITORIAL
018
As Origens e sua Evolução
060
Caracterização da Unidade
010
PREFÁCIO
031
História do Quartel da Cruz
062
Localização e Infra-estruturas
012
MENSAGEM
dos Quatro Caminhos (Contributos)
064
Heráldica e Vexilologia
014
PERSPECTIVA
Os Principais Meios, Figuras
068
Patrono da Unidade
e Factos
069
Galeria dos Ilustres
052
Estandartes e Símbolos Diversos
072
Missão, Orgânica e Efectivos
055
Os Ancestrais Comandantes
095
Acervo Histórico
SEMPRE MELHOR
040
ÍNDICE
03
30 ANOS DE ACTIVIDADE
OPERACIONAL
102
Enquadramento
104
Modernização e Expansão da Rede
Analógica (1977-1986)
114
04
TESTEMUNHOS
DE EX-COMANDANTES
182
184
Digitalização da Rede com
Integração de Serviços (1984-2006)
156
Actividade das Subunidades
162
Apoio às Forças Nacionais
Cursos e Estágios
177
Participação em Exercícios e
Grupos de Trabalho
178
GLOSSÁRIO
E BIBLIOGRAFIA
Major-General
214
GLOSSÁRIO
António Luís Pedroso de Lima
218
BIBLIOGRAFIA
COR Tm Eng.º
Fernando Eduardo Tinoco Barradas
186
Tenente-General
João Carlos de A. Araújo Geraldes
190
Destacadas
176
.
Coronel Tm Eng.º
Manuel da Cruz Fernandes
196
Major-General
João Manuel Maia de Freitas
198
Actividades e Apoios Diversos
Major-General
Francisco José F. Bastos Moreira
200
Coronel Tm Eng.º
António João Mousinho dos Santos
202
Major-General
José Ribeirinha Diniz da Costa
204
Major-General
Edorindo dos Santos Ferreira
208
Coronel Tm Eng.º
José António Henriques Dinis
210
Tenente-Coronel Tm
António José C. A. do Sacramento
004 > 005
EDITORIAL
Comandante do RTm
Coronel Tm (Eng.º) Henrique José da Silva Castanheira Macedo
O Regimento de Transmissões comemora este ano o seu 30º aniversário.
Esta comemoração reveste-se de particular relevância, pela singularidade que resulta da
condecoração do Estandarte Nacional da Unidade com a Medalha de Serviços Distintos Grau Ouro, como forma de distinguir e realçar de forma pública, os serviços altamente meritórios, reconhecidamente relevantes e distintos, praticados ao longo dos seus cerca de
trinta anos de existência.
A conjugação destes dois factos impunha-nos o dever de mostrar e divulgar os valorosos
antecedentes históricos, as acções desenvolvidas e os serviços prestados pelo Regimento
de Transmissões que, na prática de actos que o orgulham, sublimam e creditam, tem dignificado todos quantos nele servem e serviram, fazendo jus ao seu lema: “SEMPRE MELHOR”.
É assim que nasce esta publicação, cujo título “Regimento de Transmissões – 30 Anos de
Serviços Distintos”, se justifica e que, não tendo como intenção nem objectivo escrever a
história do Regimento, estou certo de que o seu conteúdo, baseado e fundamentado na informação que foi possível recolher e seguindo de perto os testemunhos encontrados, constituirá um valioso contributo para a preservação da memória do seu passado.
Contudo, escrever somente sobre o Regimento de Transmissões, cingindo-nos apenas ao
período que decorre a partir da sua criação em 1977, seria ignorarmos as nossas verdadeiras e longínquas origens, a sua evolução, os factos e os feitos que, enquadrados no espaço
e no tempo, contribuíram indelevelmente para aquilo que hoje somos, razão pela qual, esse
passado é também aqui abordado.
As nossas origens remontam ao ano de 1810, data em que é criado o Corpo Telegráfico, responsável pelo Serviço de Telégrafos e representante da origem dos Telegrafistas Militares
em Portugal.
A inauguração da primeira Rede Telegráfica Militar em 17 de Setembro de 1837, marca o
início do Serviço Telegráfico Militar e das Transmissões Permanentes no Exército, tendo sido, por este motivo, escolhida esta data para o dia festivo do Regimento de Transmissões.
A partir de então, o Serviço Telegráfico Militar, fruto de evoluções tecnológicas, mutações
doutrinárias, organizações e reorganizações sucessivas do Exército, evoluiu num quadro
de múltiplas dependências (funcionais e disciplinares), no qual as suas Unidades de Praça e
de Campanha, ora se constituíam como Unidades independentes ora se fundiam num corpo
SEMPRE MELHOR
EDITORIAL
Coronel Tm (Eng.º) Henrique José da Silva Castanheira Macedo
único, marcando, no entanto e ao longo dos tempos, uma diferenciação variável
entre estas duas áreas de actividade.
Nesta dicotomia, foram os Telegrafistas de Praça que se evidenciaram desde
muito cedo. Integrados no Serviço Telegráfico do Corpo Expedicionário Português, durante a Campanha da Flandres (1917-1918) em França, guarneceram os
Postos Telefónicos e Telegráficos das trincheiras e enquadraram os Sinaleiros
de outras armas. Na apreciação do General Comandante do Corpo, o serviço
que os Telegrafistas de Praça prestaram nesta campanha, mercê da sua melhor
formação e treino como especialistas, valeu-lhes o reconhecimento de ter sido
aquele que melhor funcionou.
No entanto, toda a actividade das Transmissões Permanentes, no passado, pa-
O BT e o STM, constituíram uma
Escola de Formação e Treino
de excelência, que marcou
profundamente gerações
sucessivas de militares e que
permitiu abrir definitivamente
novos caminhos e novos espaços
de intervenção às Transmissões
Permanentes.
rece estar ligada de forma clara e inequívoca a uma Unidade e a um Serviço do
Exército, cujos nomes parecem eternizar-se – o Batalhão de Telegrafistas (BT) e
o Serviço de Telecomunicações Militares (STM). O BT, criado em 1937, instalouse no Quartel de Sapadores, local onde nos encontramos ainda hoje, assumindo a responsabilidade do Serviço Telegráfico Militar, que mais tarde, em 1951,
evoluiu para Serviço de Telecomunicações Militares. O BT e o STM, constituíram
uma Escola de Formação e Treino de excelência, que marcou profundamente gerações sucessivas de militares e que permitiu abrir definitivamente novos caminhos e novos espaços de intervenção às Transmissões Permanentes.
A instalação, a partir de 1961, de um Sistema de Transmissão por Feixes Hertzianos ligando Lisboa ao Porto; as primeiras transmissões por Fac-Simile (Fax)
e Telefotografia entre essas duas cidades, associado à automatização crescente da Rede Telefónica e Telegráfica, são alguns dos exemplos que marcaram o
início de um período de profunda modernização e expansão das Transmissões
Permanentes no Exército.
A par deste esforço no espaço continental, o eclodir da Guerra do Ultramar
(1961-1974), impôs que esse esforço fosse reorientado para o apoio às Tropas
Nacionais nos quatro Teatros de Operações (TO) nas províncias ultramarinas
– Angola, Moçambique, Guiné e Timor. O STM desempenhou um papel fulcral no
006 > 007
desenrolar desta guerra ao criar, manter e explorar as redes de comunicações intra e inter TO, e destes com a
Metrópole (Portugal Continental), escoando enormes volumes de tráfego estratégico, logístico e operacional.
Podemos mesmo afirmar sem grande risco, que na sua essência, as Transmissões, nesta Guerra se circunscreveram principalmente ao STM.
A importância do STM, advém ainda da sua intervenção no espaço político. O papel que este Serviço desempenhou no apoio em comunicações e guerra electrónica, quer à Revolução do 25 de Abril de 1974, quer às operações do 25 de Novembro de 1975, foi determinante para o sucesso das acções militares. No entanto, este sucesso, dadas as circunstâncias difíceis e delicadas que se viviam, só foi possível pelo elevado profissionalismo
e dedicação exemplar dos seus militares.
Com a criação da Arma de Transmissões em 1970, integrando todas as actividades das Transmissões do Exército (até então da responsabilidade da Arma de Engenharia e onde se incluía o STM), inicia-se um processo de
profunda reflexão sobre a problemática da recém-criada Arma. Esta reflexão, fruto de uma visão estratégica
e da participação e contributo de todos os quadros da Arma, originou uma completa redefinição das áreas funcionais a atribuir às Unidades e Órgãos da Arma, de que resultou, nomeadamente, a criação do Regimento de
Transmissões em 1977.
O Regimento então criado, assumiu, em Lisboa e no Quartel de Sapadores, as Transmissões Permanentes à
responsabilidade do STM, competindo à Direcção da Arma a responsabilidade de coordenação da doutrina e
do emprego táctico, estratégico e logístico das Transmissões do Exército.
Desde a criação do Regimento e até 1986, o STM procurou redimensionar as Transmissões Permanentes do
Exército, adaptando-as ao espaço nacional resultante da descolonização, mantendo no entanto e sempre uma
estratégia de modernização e expansão das suas redes. Esta estratégia, foi também ela acompanhada e orientada pela visão de autonomia e independência do Sistema de Comunicações Militares, relativamente ao Operador Público de Telecomunicações. Neste contexto, os circuitos e terminais de operação que lhe estavam alugados, foram sendo progressivamente substituídos por meios e equipamentos militares, instalados, geridos,
controlados e mantidos por militares do STM.
Pese embora o reduzido número de recursos humanos e materiais à disposição do RTm, bem como uma resposta lenta da indústria nacional aos requisitos militares, até 1986 foi desenvolvido um enorme esforço, no
sentido de reequipar e ampliar as Redes do STM, visando não só a melhoria da qualidade dos vários Serviços
(Telefónico, Telegráfico, Sonoro e de Apoio), mas também a cobertura de todo o Território Nacional. O número
e tipo de realizações efectuadas, expressos neste livro, revelam bem esse enorme esforço e a intensa actividade de mudança que foi desenvolvida. No entanto, o paradigma tecnológico caracterizado pelos sistemas
analógicos estava a mudar. A entrada na era do digital constituía uma realidade perceptível e a revolução que
iria introduzir nos Sistemas de Comunicações, seria determinante para o seu futuro.
Foi com este sentir e com esta percepção que em 1984, foi apresentado e aprovado superiormente um conceito que caracterizava o que viria a ser o Sistema Integrado de Telecomunicações do Exército Português (SITEP). O SITEP introduziu as tecnologias emergentes da época, apontando para a implementação das tecnologias digitais (Comutação, Transporte e Terminais) com a integração de voz e dados, devendo o Sistema ter uma
capacidade de cobertura de todo o Território Nacional e dar resposta aos requisitos operacionais do Exército.
Este foi um conceito inovador e estratégico para o desenvolvimento das Comunicações Permanentes no apoio
ao Comando e Controlo no Exército, que abriu o caminho para a digitalização das Redes Militares. Esta digitalização foi iniciada em 1987, com a instalação de duas Centrais de Comutação Digital com Integração de Serviços (voz, dados e texto): uma no RTm e outra no EME, interligadas por transmissão óptica.
A definição das tecnologias, da topologia, do modelo hierárquico e da arquitectura das Redes Militares, que
caracterizou o SITEP como Sistema Global de Comunicações para o Exército, constituiu um guião que moldou,
até aos nossos dias, todos os grandes e pequenos projectos que conduziram à materialização desse Sistema
SEMPRE MELHOR
EDITORIAL
Coronel Tm (Eng.º) Henrique José da Silva Castanheira Macedo
e que permitiu ao Exército assumir a vanguarda neste domínio. No entanto, esta vanguarda só foi possível alcançar e manter, fruto de um enorme esforço de
investimento nos meios e equipamentos e na formação e preparação dos técnicos do STM, dotando-os com as indispensáveis capacidades para projectar, explorar e manter os novos e complexos sistemas.
À semelhança do que tem ocorrido ao longo dos tempos, com a prática de emprego dual do pessoal das Transmissões Permanentes, o Regimento de Transmissões, desde 1993, tem contribuído significativamente com os seus efectivos e a sua acção no apoio às Forças Nacionais Destacadas (FND) que actuaram
e actuam em diversos Teatros de Operações. Este contributo, ora assumido pelas acções de projectar, instalar e manter as necessárias infra-estruturas de voz
(...) esta vanguarda só foi
possível alcançar e manter,
fruto de um enorme esforço
de investimento na formação
e na preparação dos técnicos
do STM, dotando-os com as
indispensáveis capacidades para
projectar, explorar e manter os
novos e complexos sistemas.
e dados, com os requisitos de segurança que lhes são exigidos, ora sob a forma
de estágios ministrados a todo o pessoal destinado a operar e manter os módulos de comunicações e de segurança que integram essas missões, tem merecido
o reconhecimento público pelo mérito e pelas capacidades técnicas e profissionais demonstradas pelos especialistas das Transmissões Permanentes.
A intensa, complexa e exigente actividade desenvolvida, reflectindo o grande
esforço que tem sido realizado pelo Regimento, ainda que com limitados recursos, é bem expressa pela dimensão e qualidade do Sistema de Comunicações,
de Informação e de Segurança da Informação, que o Exército dispõe hoje e que
constitui um dos maiores sistemas privados ao nível nacional, de que o Regimento tem sido responsável pela sua instalação, gestão, controlo e manutenção.
A esta actividade e a este esforço, que não esgota o espaço de intervenção do
Regimento, acresce ainda, a responsabilidade pelo desempenho de um serviço
exigente de Apoio de Som a diversas entidades militares e civis, a nível nacional
e a participação dos seus quadros em exercícios militares e grupos de trabalho
nacionais e NATO, com o reconhecimento público do elevado profissionalismo e
excelente desempenho.
Termino com a profunda convicção de que a imensa e louvável obra que foi realizada tem um cunho especial: a Escola do STM. Esta Escola, responsável pela
formação e treino de militares, com uma cultura e um modo de estar e sentir as
Transmissões, de forma peculiar, transmitindo o testemunho de geração em geração, permitiu ao Regimento de Transmissões, na adversidade dos tempos que
correm, enfrentar com sacrifício, mas também com determinação e empenho, o
desafio de honrar o seu passado com da publicação deste livro.
Quartel em Lisboa, 14 de Setembro de 2007
O Comandante
Henrique José da Silva Castanheira Macedo
COR Tm Eng.º
008 > 009
PREFÁCIO
Director Honorário da Arma de Transmissões
Tenente-General Francisco António Fialho da Rosa
Resumir trinta anos de vida de uma Unidade de Transmissões constitui não só tarefa louvável pelo muito que nela se fez nesse período, mas igualmente pelo que esse resumo contribui para a história das Transmissões e do Exército.
O actual Regimento de Transmissões “nasceu” sobre o que foi a primeira Escola Prática de
Transmissões, criada na sequência do DL 364/70, de 4 de Agosto, anteriormente Batalhão
de Telegrafistas e Serviço de Telecomunicações Militares.
Não é meu propósito tratar destes antecedentes, mas não gostaria de deixar de referir o
quanto estas Unidades marcaram gerações de Oficiais e de Sargentos de Transmissões que
posteriormente serviram no Regimento.
Gerações que lembram o espaço militar centrado em Sapadores, singular zona de Lisboa,
gerações que recordam as personagens que nele constituíram referência, gerações que
sentiram a inovação tecnológica que ali acontecia e que servia de tema em ambientes académicos e nas empresas de comunicações existentes à época e, ainda, uma geração que se
associa ao contributo discreto mas eficaz na madrugada de 25 de Abril de 1974.
Em particular, invocar o Laboratório de Electrónica e Telecomunicações da Unidade de Sapadores, onde dezenas de Oficiais Tirocinantes e sucessivos Assistentes do Instituto Superior Técnico, então Oficiais Milicianos de Transmissões, experimentaram e consolidaram
o seu saber, lembrar ainda o Serviço de Telecomunicações Militares que complementava,
SEMPRE MELHOR
PREFÁCIO
TGEN Francisco António Fialho da Rosa
de alguma forma, os CTT e os TLP, é também reconhecer as origens do actual
Regimento de Transmissões em cujas raízes estão segmentos de criatividade,
de inovação, de novas tecnologias.
Trinta anos constituem apenas um
princípio. Foi um bom princípio!
Nestas raízes devem ser reconhecidas, ao que me parece, algumas das orientações que constituem, nos dias de hoje, o cerne da missão do actual Regimento
de Transmissões.
Experimentamos um Mundo onde o átomo cede lugar ao bit e onde opções fazem mais sentido se alinhadas em direcção ao digital.
O Regimento de Transmissões está nesta trajectória, que se reforça com a integração na sua estrutura do Centro de Informática do Exército e, por isso, em
privilegiadas condições de melhor entender e preparar o Futuro no Exército,
exercendo uma apropriada pedagogia de modernidade.
Trinta anos constituem apenas um princípio. Foi um bom princípio!
Que dele resulte uma longa vida, saudável e vigorosa na senda de uma tradição
que nunca se afastou da procura continuada de novas e modernas soluções, com
o objectivo determinado de mais e melhores Comunicações e Sistemas de Informação para o Exército, ao serviço de Portugal.
010 > 011
MENSAGEM
Director da Direcção de Comunicações e Sistemas de Informação
Director da Comissão Técnica da Arma de Transmissões
Presidente do Conselho da Arma de Transmissões
Major-General José Artur Paula Quesada Pastor
É com particular satisfação que na qualidade de Director das Comunicações e Sistemas
de Informação do Exército, me associo aos 30 anos do Regimento de Transmissões.
Numa mensagem que se pretende institucional caberá uma nota pessoal. Os anos já são
suficientes para o permitir e a sinceridade justifica-o. É que poucos meses depois de me
ter apresentado no Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos, então Escola Prática de Transmissões, como primeira colocação após ingresso no Quadro Permanente, tive a oportunidade de assistir e participar na fundação do Regimento de Transmissões. Posso por isso
dizer que, ainda muito novo, o vi nascer.
Ali fui capitão, mais tarde 2.º Comandante e quis o destino e a vontade dos homens que,
no actual modelo, o Regimento de Transmissões dependa do Comando Operacional através da Direcção que tenho o privilégio de dirigir.
Coincidiram assim os meus 30 anos de serviço efectivo após o ingresso no QP com os 30
anos do Regimento. A ele sempre estive directa ou indirectamente ligado. O Regimento
de Transmissões é bem “O meu Regimento”.
Muito mudou durante estes anos e mais certamente irá mudar. Mas os homens passam e
a sua actuação é sempre mais efémera do que eles pensam; as estruturas transformamse e adaptam-se; também elas são efémeras.
Ainda assim, há princípios e lógicas que persistindo no tempo nos atenuam o desconforto do efémero e do tempo que já passou. Uma delas é o espírito e a maneira de estar e de
sentir o Exército do nosso pessoal do Regimento de Transmissões.
No dia a dia, as tarefas e missões são cumpridas com regularidade e com discrição. São
qualidades que muito aprecio porque características de quem serve abnegada e desinteressadamente.
SEMPRE MELHOR
MENSAGEM
MGEN José Artur Paula Quesada Pastor
Na continuidade do Batalhão de Telegrafistas, que já não conheci mas de que muito
ouvi falar, mantém-se em traços vigorosos a figura do Homem das Transmissões,
imortalizado por André Brun nas suas Crónicas de Guerra – a Malta das Trincheiras.
Missões também há, que pelo seu carácter inopinado e necessidade de urgência de actuação, requerem o empenhamento do pessoal, muitas vezes com prejuízo do seu justo e merecido descanso. Sempre
observei que, quando tal acontece, o pessoal se agiganta e com disponibilidade e entusiasmo transbordante se voluntariza para o seu cumprimento.
É certamente uma perspectiva pessoal e como tal subjectiva, mas não deixa de, para mim, constituir o
traço mais marcante e humano que tenho das pessoas que aqui serviram e servem. Na continuidade do
Batalhão de Telegrafistas, que já não conheci mas de que muito ouvi falar, mantém-se em traços vigorosos a figura do Homem das Transmissões, imortalizado por André Brun nas suas Crónicas de Guerra – a
Malta das Trincheiras.
Os novos desafios são importantes e exigentes. A consolidação das actividades relacionadas com a Segurança das Transmissões, o início da assunção das responsabilidades ao nível do Exército antes atribuídas ao Centro de Informática do Exército e a sustentação da Rede de Comunicações, são tarefas
para as quais há que aliar à tradicional generosidade do pessoal e a capacidade técnica necessária ao
seu desempenho.
Estão assim concentrados no Regimento de Transmissões os dois factores essenciais para que a obra
se materialize: Capacidade e Vontade.
É pois com a certeza de que o Regimento continuará a ser “SEMPRE MELHOR” que, com confiança e optimismo, perspectivamos o seu futuro.
012 > 013
PERSPECTIVA
Sargento-Mor do RTm
Sargento-Mor José Manuel Rodrigues Marques
Trinta anos se passaram...
e parece que não foi nada.
Muitas coisas aconteceram,
nesta Unidade aqui aquartelada.
Homens e mulheres trabalharam,
com afinco, técnica e sabedoria,
e “Sempre Melhor” o fizeram,
para que de forma empenhada,
se pudesse “levar a carta a Garcia”.
Tinha este Regimento apenas três anos de idade, quando aqui fui colocado para desempenhar funções da especialidade de Operador de Teleimpressor, após ter frequentado a Escola
de Recrutas e Especialidade na EPT, em Janeiro de 1980. Fiquei desde então a pertencer ao
Serviço de Telecomunicações Militares (STM), com a sua sede nestas instalações e várias
Secções a nível nacional, das quais saliento a 2ª Secção do STM em Coimbra, onde prestei
serviço até à frequência do Curso de Formação de Sargentos e ingresso no QP, o que aconteceu em 1982.
Como Sargento do QP, acompanhei portanto de uma forma mais ou menos intensa, as mudanças que se foram verificando ao longo dos tempos nesta Unidade, até porque passei por
aqui diversas vezes, em estágios e na preparação da componente de Exploração de Transmissões, para as Missões de Apoio à Paz em Moçambique e Angola, tendo sempre desempenhado funções directamente ligadas às Transmissões Permanentes e consequentemente
ao RTm, inclusivé nas Missões ONUMOZ (ABR93-DEC94) e UNAVEM III/MONUA (MAI95ABR99) onde desempenhei funções de Chefe de Centro de Comunicações. Excepção feita ao
período em que estive colocado na Brigada Mecanizada Independente, actual Brigada Mecanizada (cerca de 36 meses), onde desempenhei funções operacionais no âmbito de Redes
Rádio-Teletipo (RATT) e Centro de Mensagens, nas quais foi importante a minha passagem
pelo STM. Actualmente, o RTm é a minha Unidade desde 1999.
Desde a sua criação até aos dias de hoje, e porque a evolução das tecnologias não perdoa,
foram vários os Sistemas de Comunicações utilizados para que todas as UEO pudessem
dispor de meios capazes de estabelecer as ligações ao nível dos vários escalões, sendo de
salientar; as Redes Telefónica, a Telegráfica e a de Dados do Exército, todos eles com encargos de instalação, manutenção, formação e operação cometidos ao RTm, sendo ainda da sua
responsabilidade até há pouco tempo a gestão do pessoal do Sistema Integrado de Telecomunicações Permanentes do Exército (STM/SITEP), o que traduz de uma forma bem visível
o empenhamento desta Unidade no sentido de manter o Exército em permanente comunicação entre si e a ligação aos outros Ramos e mais recentemente às Forças Nacionais Destaca-
SEMPRE MELHOR
PERSPECTIVA
SMOR José Manuel Rodrigues Marques
das (FND). Por outro lado, o RTm tem ainda apoiado em Serviço de Som, diversas
Meu RTm, que lindo nome,
entidades militares e civis a nível nacional, e ainda participado em Exercícios na
com a idade que tens.
componente Transmissões de Campanha.
Aqui ficam simples palavras,
para expressar, os meus Parabéns.
Estamos claramente na presença de uma Unidade muito importante para o Exér-
Servir as Transmissões, é tua Missão.
cito, em que todos os recursos materiais e humanos têm que ser geridos ao por-
Teu lema é, “Sempre Melhor”.
menor, com uma permanente actualização do ponto de vista tecnológico, e natu-
Sê forte, nos tempos que aí virão.
ralmente um elevado esforço financeiro, para fazer face a todas as solicitações
São os votos, do teu Sargento-Mor.
de apoio por parte das diversas UEO. A quantidade de meios empenhados nas
solicitações, gera também na componente administrativa, um elevado volume de
trabalho, nas tarefas de suporte aos meios técnicos e vida corrente da Unidade,
que dada a escassez de recursos, leva por vezes ao desvio de elementos da componente técnica para a administrativa. Esta última tem também acompanhado
a evolução tecnológica com a utilização de várias aplicações, nomeadamente
informáticas, que têm como suporte a Rede de Dados do Exército, exigindo níveis de formação específica, que só com elevado profissionalismo, competência
técnica e ambiente estável se têm conseguido conciliar e interagir estas duas
componentes.
Assim, o RTm conta 30 anos de existência e, apesar de jovem, por ele passaram
várias gerações que lidaram com diversas tecnologias; desde Sistemas Mecânicos, passando pelos Electromecânicos e pelos Electrónicos até aos Sistemas
Digitais. A todas estas tecnologias é comum a aptidão técnico-profissional, a
formação constante e a evolução dos homens e mulheres, a par de uma entrega
extraordinária e uma inequívoca vontade de bem servir, de todos quantos passaram nesta ímpar Unidade, que foi no passado, é no presente e esperamos seja no
futuro a vanguarda das Telecomunicações Militares.
014 > 015
SEMPRE MELHOR
01
DO CORPO
TELEGRÁFICO
AO RTm
1810 - 1977
As Origens e sua Evolução
História do Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos (Contributos)
Os Principais Meios, Figuras e Factos
Estandartes e Símbolos Diversos
Os Ancestrais Comandantes
016 > 017
AS ORIGENS E EVOLUÇÃO
INTRODUÇÃO
As origens do Regimento de Transmissões (RTm) estão inequivocamente ligadas
a duas áreas de actividade das Transmissões do Exército:
- As Transmissões de Campanha;
- As Transmissões Permanentes ou de Guarnição.
As evoluções tecnológicas, as mutações doutrinárias e as organizações e reorganizações do Exército, marcaram ao longo dos tempos uma diferenciação variável entre estas duas áreas de actividade. Mas, a aceitar esta dicotomia, é nas
Transmissões Permanentes1 que o Regimento de Transmissões encontra as suas
1 As Transmissões Permanentes, ao permitir o exer-
raízes mais profundas, onde alicerça a sua Missão e concentra o seu esforço pri-
cício do Comando e Controlo, funcionam, quer em
tempo de paz, interligando o Comando do Exército
às suas UEO, quer em tempo de guerra, onde constituem o suporte e a base de apoio às Transmissões
de Campanha.
mário.
Ao longo deste capítulo procurámos as nossas origens e a sua evolução que,
desde a criação do Real Corpo de Engenheiros e do Corpo Telegráfico Militar,
conduziram até à criação desta Unidade. Neste percurso ao passado e ao longo do tempo, apresentamos a organização e o enquadramento das Unidades de
Transmissões, e prestamos homenagem aos seus Comandantes. Realçamos a
importância militar e política das Transmissões Permanentes, e sem pretensões
históricas, providenciamos contributos para a história da Unidade onde nos encontramos – Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos (primeira designação deste
Aquartelamento), ou como é actualmente conhecido, Quartel de Sapadores.
O CORPO TELEGRÁFICO
Em Lisboa, no ano de 1810, com a aprovação de Sua Alteza o Príncipe Regente de Portugal, foi executada na Impressão Régia uma publicação contendo a
“Organização e Regulamento de Disciplina do Corpo destinado ao Serviço dos
Telégrafos”. É assim constituído o Corpo Telegráfico, anexo ao Real Corpo de Engenheiros, criado em 1781, que representa a origem dos Telegrafistas Militares
em Portugal.
SEMPRE MELHOR
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
As Origens e sua Evolução
Em 1863, e no âmbito de uma remodelação do Corpo Telegráfico, este é colocado na dependência do Ministério da Guerra para efeitos disciplinares e do Ministério das Obras Públicas para efeitos de serviço. Nesta altura, este Corpo já
dispunha de 1 Director, 17 Oficiais e 300 Sargentos, Cabos e Soldados.
No ano de 1873, procedeu-se à montagem de linhas e Estações Telegráficas em
vários organismos militares de Lisboa, formando uma rede destinada a ligar o
Ministério da Guerra com as suas Unidades da Guarnição de Lisboa. É assim ins-
2 Constituída por treze estações:
talada a primeira Rede Telegráfica Militar2, planeada e executada pela Direcção
Ministério da Guerra,
Quartel-General da 1.ª Divisão Militar,
Ajuda (Regimento de Infantaria n.º 1),
Belém (Regimento de Lanceiros n.º 2 da Rainha),
Boa-Hora (Regimento de Artilharia n.º 1),
Campo de Ourique (Regimento de Cavalaria n.º 4),
Campolide (Regimento de Cavalaria n.º 4),
Cruz dos Quatro Caminhos (Batalhão de Engenharia),
Castelo de S. Jorge (Batalhão de Caçadores n.º 5),
Graça (Regimento de Infantaria n.º 5),
S. João de Deus (Regimento de Infantaria n.º 2),
Torre da Pólvora (Regimento de Infantaria n.º 7)
e Vale do Pereiro (Batalhão de Caçadores n.º 2 da
Rainha), (PAÇO, Afonso: 1938, p. 18).
Geral de Telégrafos do Ministério das Obras Públicas tendo esta sido entregue
“ao Exército às 11 horas da manhã do dia 17 de Setembro” desse mesmo ano,
“procedendo-se nesse momento à sua inauguração”
(PAÇO, Afonso: 1938, p. 18).
Esta
data marca indelevelmente o início do Serviço Telegráfico Militar e das Transmissões Permanentes no Exército, tendo sido por este motivo escolhida para o
dia festivo do Regimento de Transmissões, herdeiro histórico do Serviço Telegráfico Militar.
Esta Rede estendeu-se mais tarde ao Campo Entrincheirado de Lisboa, às Guarnições do Porto e Praça-forte de Elvas, tendo como passo seguinte, a ligação
destas Guarnições entre si e sua ligação com o Ministério da Guerra.
DIRECÇÃO DO SERVIÇO TELEGRÁFICO MILITAR
Em 1874, Fontes Pereira de Melo, Oficial do Real Corpo de Engenheiros, então
Ministro da Guerra, cria a Direcção do Serviço Telegráfico Militar, colocando nela
como Director o Capitão de Infantaria D. Fernando da Câmara Leme, do Real Corpo de Engenheiros. Nesta data, o Corpo Telegráfico não só já tinha as funções de
órgão executivo, como possuía uma Direcção de Serviço, dependente directamente do Gabinete do Ministro.
Em 1880, Fontes Pereira de Melo nomeia na sua dependência directa, em substituição do Capitão Câmara Leme, o Capitão de Infantaria Bon de Sousa, Director
Poste do Serviço Telegráfico Militar
018 > 019
do Serviço Telegráfico Militar,que se instala no Quartel da Penha de França (actual sede da Direcção Nacional da PSP), podendo por isso este local ser considerado o berço da Telegrafia Militar em Portugal. Nesse mesmo ano, e através da
OE n.º 22, foi publicado o “Regulamento do Serviço Telegráfico de Guarnição”.
Bon de Sousa exerceu ainda, na Direcção Geral de Telégrafos do Reino, o cargo de
Director do Serviço Telegráfico de Guarnição, o qual foi precursor dos Correios,
Telégrafos e Telefones.
REGIMENTO DE ENGENHARIA
Em 1884, e pela mão de Fontes Pereira de Melo, é criado o 1.º Regimento de
Engenharia a três Batalhões, dois no activo e um na reserva.
Dos Batalhões no activo, um era o Batalhão de Sapadores Mineiros e o outro, o
Batalhão Misto, do qual fazia parte uma Companhia de Telegrafistas de Campanha3 que constituíu a primeira Unidade de Transmissões no seio da Engenharia.
A organização do Regimento de Engenharia deveria ainda incluir a Direcção dos
Telégrafos de Guarnição e Pombais Militares, que correspondia à evolução da
Direcção do Serviço Telegráfico Militar, depois de esta ter passado pela desig-
3 Já existia há 74 anos um Corpo de Telegrafistas
fora da Engenharia e sem qualquer relação com esta
Arma, a não ser servi-la no estabelecimento da ligação das suas Unidades de Guarnição. Esta Companhia de Telegrafistas é considerada a primeira Unidade de Transmissões de Campanha.
nação de Direcção dos Telégrafos Militares do Continente.
Após a reorganização de 1884, o pessoal do Corpo Telegráfico e da Direcção dos
Telégrafos de Guarnição e Pombais Militares, deveria ser integrado na Companhia de Telegrafistas do Regimento de Engenharia, mas tal não veio a acontecer
em virtude de grande parte desse pessoal ter abandonado o Serviço Telegráfico
Militar e ter regressado às suas Unidades de origem.
DIRECÇÃO DO SERVIÇO TELEGRÁFICO
DE GUARNIÇÃO E POMBAIS MILITARES
Uma Portaria da Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra, publicada na Ordem do Exército n.º 22, de 1888, trata do Regulamento do Serviço de Telégrafos
de Guarnição e Pombais Militares.
A Direcção do Serviço, abrangendo todo o Território Continental do Reino, foi
incumbida a um Oficial devidamente habilitado, coadjuvado por dois Adjuntos,
um no Porto e outro em Lisboa, nomeados pelo Ministro da Guerra.
O Director dos Telégrafos e Pombais Militares, foi responsável perante o Ministro da Guerra, pela execução do serviço a seu cargo, recebendo ordens do Ministro por intermédio da Repartição de Gabinete.
Verificou-se então, a necessidade de regular o Serviço Telegráfico de Guarnição
há muito estabelecido em Lisboa, Porto e Elvas.
Rede de Pombais Militares em 1899
SEMPRE MELHOR
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
As Origens e sua Evolução
INSPECÇÃO DO SERVIÇO TELEGRÁFICO
DE GUARNIÇÃO, DE AEROESTAÇÃO E DE POMBAIS MILITARES
Em 1899, a Ordem do Exército n.º 9 (1.ª Série) refere-se à Organização do Exército, segundo a qual, dentro da Arma de Engenharia, seriam criadas dez Companhias das quais uma de Telegrafistas que seria responsável pelas montagens.
Esta Organização do Exército considera ainda o seguinte: “junto à Direcção do
Serviço de Engenharia será organizada a Inspecção do Serviço Telegráfico de
Guarnição, de Aerostação e de Pombais Militares a cargo de um Oficial Superior
da Arma” (MOREIRA, Cor Bastos: 1986, p.167).
INSPECÇÃO DOS TELÉGRAFOS MILITARES
A Ordem do Exército n.º 21 (1.ª Série) de 15 de Dezembro de 1900 apresenta
o Regulamento do Serviço Telegráfico Militar, segundo o qual os Serviços de
Telegrafia, Telefonia, Aeroestação e Pombais Militares, estavam a cargo da Inspecção dos Telegrafistas Militares, dependente da Direcção Geral do Serviço de
Engenharia.
Rede de Heliógrafos na Área de Lisboa em 1900
Eram da sua competência a exploração das Estações Telegráficas e Telefónicas
das Fortificações, Estabelecimentos Militares, Quartéis-Generais e Quartéis
das Unidades do Exército. À sua responsabilidade estavam também os projectos, estimativas, guarda, conservação e reparação das linhas.
A esta Inspecção, competia-lhe ainda o Serviço de Telegrafia Óptica Militar e
dispunha da Companhia de Telegrafistas de Praça como órgão executor.
Em 1901, o Exército Português recebeu o primeiro Emissor/Receptor de Telegrafia Sem Fios fornecido pela marca Ducretet, tendo os primeiros testes sido
realizados pelo Capitão Severo da Cunha, entre as extremidades Norte e Sul da
Parada e terrenos anexos do Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos.
No dia 9 de Janeiro de 1901, Bon de Sousa, então General de Brigada, reformado, deu posse ao Tenente-Coronel Engenheiro António Maria Mimoso Gouveia
Prego, do cargo de Inspector do Serviço Telegráfico Militar. Esta data marca a
passagem efectiva do Serviço Telegráfico Militar para a Arma de Engenharia, razão pela qual, foi escolhida mais tarde para o dia festivo do Batalhão de Telegra-
Primeiras Experiências TSF
fistas, que haveria de formar-se em 31 de Dezembro de 1937, e de cujo Serviço
a Engenharia Militar considerou ser seu legitimo herdeiro.
020 > 021
Rede Telegráfica e Telefónica de Lisboa por ocasião da Inspecção dos Telégrafos Militares
LEGENDA:
A
AJ
B
BC
BBS
BP
C
CAX
4C
CO
Chs
CL
Col
Cr
CS
DB
GR
H
IE
IT
LAG
LAZ
LIS
MG
MM
MS
QL
RAP
SCA
SCE
SJ
SJB
TP
VP
Alto do Duque (Forte)
Ajuda (Quartel de Infantaria n.º 1)
Belém
Barcarena (Grupo de Batarias a Cavalo)
Bom Sucesso (Est. Telegráfica Mil. Central)
Braço de Prata
Castelo de S. Jorge
Caxias
Cruz dos 4 Caminhos
Campo de Ourique
Chelas
Campolide
Coleginho
Carmo (Est. Telegráfica e Telefónica Mil.)
Cais dos Soldados (Arsenal)
Duque de Bragança
Graça
Hospital Militar
Inspecção do Serviço de Engenharia (1.ª Div.)
Inspecção dos Telégrafos Militares
Lage
Lazareto
Lisboa
Ministério da Guerra
Manutenção Militar
Monsanto
Queluz
Trafaria (Raposeira-Reg Art Costa n.º 10)
Depósito de Fardamentos
Santa Clara Engenharia
Janelas Verdes (S. João de Deus)
São Julião da Barra
1º Grupo Companhias de Administração Mil.
Vale do Pereiro (Caçadores n.º 2)
SEMPRE MELHOR
Estação Civil
Estação Telegráfica Militar Principal
Estação Telefónica Militar
Estação Telefónica Militar que está fechada
Estação Telegráfica Militar Central
Estação Telegráfica Militar
Estação Telegráfica Militar que está fechada
Estação Telefónica e Telegráfica Militar
Estação MIlitar de Serviço Limitado
Cabo sub-fluvial
Linha Telegráfica Projectada
Linha Telegráfica Militar
Linha Telefónica Militar
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
As Origens e sua Evolução
COMPANHIA DE TELEGRAFISTAS DE PRAÇA
A criação desta Companhia foi publicada na Ordem do Exército n.º 1 (1.ª Série)
de 8 de Janeiro de 1902. Tratava-se de uma Unidade exclusivamente destinada
ao Serviço Permanente de Guarnição, cuja criação é justificada pelo facto de terem surgido inúmeras dificuldades de pessoal na Companhia de Telegrafistas do
Regimento de Engenharia para fazer executar o Serviço de Inspecção.
A subordinação da Companhia de Telegrafistas de Praça ao Inspector dos Telégrafos Militares foi definida na Ordem do Exército (1.ª Série) de 30 de Janeiro
de 1902.
Nesta altura, e sob o comando do Regimento de Engenharia, passam a existir:
- Uma Inspecção de Telégrafos Militares, com os Pombais incluídos;
Telégrafo
- Uma Companhia de Telegrafistas de Praça;
- Uma Companhia de Telegrafistas do Regimento de Engenharia.
A Companhia de Telegrafistas de Praça permaneceu no Quartel da Penha de França, anterior sede do Corpo Telegráfico, tendo as restantes subunidades do Regimento de Engenharia permanecido no Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos.
INSPECÇÃO DO SERVIÇO TELEGRÁFICO MILITAR
A Reorganização do Exército, publicada na Ordem do Exército n.º 11 (1.ª Série)
de 26 de Maio de 1911, considera que o Serviço Telegráfico Militar, compreendido na Arma de Engenharia, incluía as seguintes entidades:
- A Inspecção do Serviço Telegráfico Militar;
- Comissão Técnica de Telegrafia Militar;
- Tropas de Telegrafia de Campanha (2 Companhias);
- Tropas de Telegrafia de Praça (1 Companhia);
- Tropas de Telegrafia Sem Fios (1 Companhia);
- Tropas de Aerosteiros4;
4 A Companhia de Aerosteiros, cujo Comandante
- Secção Electrotécnica.
era o Chefe do Serviço de Aeroestação e Pombais
Militares, tinha a seu cargo os trabalhos relativos
ao estabelecimento de comunicações por meios de
aerostação de Aviação e de Pombos-correios. Os Aerosteiros utilizavam balões próprios para constituir
Postos de Observação, tendo sido muitos utilizados
na 1.ª Guerra Mundial (1914-1918). Este Corpo teve
origem na Arma de Engenharia, mas em 1924 transitou para a Aeronáutica Militar.
O conjunto das Companhias de Telegrafistas, constituía as tropas de que dispunha a Inspecção do Serviço Telegráfico Militar, à qual também ficam adstritas os
Pombais Militares e a Companhia de Aerosteiros. Essas Companhias continuaram aquarteladas no Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos.
BATALHÃO DE TELEGRAFISTAS DE CAMPANHA
A Ordem do Exército n.º 11 (1.ª Série) de 18 de Julho de 1913, introduziu as alterações à Organização de 1911, tendo criado um Batalhão de Telegrafistas de
Campanha a quatro Companhias: duas de Telegrafistas (englobando dez Secções), uma de TSF e uma de Condutores. O Comandante do Batalhão (TenenteCoronel ou Major) seria em caso de guerra, o Subchefe do Serviço Telegráfico
do Exército. O Comandante da Companhia de TSF seria o Adjunto do Chefe de
Serviço.
022 > 023
A implementação deste Batalhão efectivou-se a 13 de Novembro de 1913, ten-
Posto Telefónico na 1.ª Linha 1917 (1.ª GM)
do sido instalado no novo Quartel da Ajuda, excepto a Companhia de Telegrafistas de Praça que se manteve inalterada no Quartel da Penha de França, cumprindo a função de Serviço de Telégrafos de Guarnição.
No período compreendido entre 1914 e 1918, as Tropas Telegrafistas integraram as Forças Expedicionárias em África e em França. Estas tropas foram recrutadas nos efectivos do Batalhão de Telegrafistas de Campanha (BTC) e na
Companhia de Telegrafistas de Praça (CTP). Os elementos da Companhia de Telegrafistas de Praça, mercê da sua melhor formação como especialistas, foram
mantidos na exploração do Serviço Telegráfico de Guarnição, servindo de base
ao Serviço Telegráfico durante a Campanha da Flandres.
Foram os TP, como lhes chamavam então, essa tropa do “alicate” e da “linguagem do pica-pau” na pitoresca frase do Major Brun, quem guarneceu os Postos
Telefónicos e Telegráficos das trincheiras e enquadrou os Sinaleiros de outras
Reparação das Linhas Telefónicas, na Campanha
da Flandres (1917-1918)
Armas.
Podemos afirmar que se deve à CTP grande parte do êxito que aureolou o Servi-
5 Palavras do General Soares Branco, nas suas Li-
ço Telegráfico do Corpo Expedicionário Português (CEP) em França, tendo sido
ções Inaugurais do Ano Lectivo, na Escola do Exército. Soares Branco, como Capitão, foi o Chefe do
Serviço Telegráfico do CEP, tendo-lhe sido atribuída
a maior condecoração da Tropa Portuguesa nessa
Campanha.
o serviço que melhor funcionou, na apreciação do General Comandante do Corpo5.
SEMPRE MELHOR
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
As Origens e sua Evolução
Em África, onde as características eram de Campanha, foram as tropas do BTC
que obtiveram os maiores êxitos.
O Decreto 10705 de 20 de Abril de 1925, publicado na Ordem do Exército n.º 6
(1.ª Série) de 24 de Abril de 1925, determinou a dissolução do Batalhão de Telegrafistas de Campanha.
A mesma Ordem do Exército referindo-se ao Decreto 10706, inseriu o seguinte
Despacho: “As Estações e Postos de TSF do dissolvido Batalhão de Telegrafistas de Campanha são imediatamente reconstituídos ficando incorporados na
Companhia de Telegrafistas de Praça”.
Louvor ao Chefe dos Serviços Telegráficos do CEP
(1.ª GM, 1914-1918)
BATALHÃO DE TELEGRAFISTAS (1925)
Atendendo a que “não se deviam perder as honrosas tradições que, em França
(1914 a 1918) e em África, o Batalhão de Telegrafistas de Campanha tinha conquistado com abnegação e valor”, foi criado em seu lugar, apenas com a mudança
do Comando e da maioria dos Oficiais, o Batalhão de Telegrafistas que permaneceu no mesmo Quartel da Ajuda [Decreto 10758 - Ordem do Exército n.º 8 (1.ª
Série) de 16 de Junho de 1925].
BATALHÃO DE TELEGRAFISTAS DE CAMPANHA
Este Batalhão foi reconstituído com a composição que já tinha à data da dissolução, segundo o Decreto 11725 [Ordem do Exército n.º 6 (1.ª Série) de 14 de
Junho de 1926].
REGIMENTO DE TELEGRAFISTAS
Após o movimento do 28 de Maio de 19266, surge uma nova reorganização do
Exército. Assim, através do Decreto 12161 constante da Ordem do Exército n.º
10 (1.ª Série) de 31 de Agosto de 1926, deu-se execução ao disposto no artigo
1.º do Decreto com força de Lei n.º 11856 de 5 de Julho de 1926 (Bases para a
Organização do Exército Metropolitano - Ordem do Exército n.º 8 de 12 de Julho
de 1926).
6 Desde a instauração da República, em 1910, que
Portugal vivia uma época de conturbações políticas,
económicas e sociais, com as quedas de sucessivos governos e uma situação financeira periclitante,
agravada com a participação na 1ª Guerra Mundial.
Havia uma grande instabilidade no país que propiciou
o derrube do Regime Democrático-Parlamentar e a
instauração de uma Ditadura Militar com o golpe de
28 de Maio de 1926, chefiado por Gomes da Costa.
Nas Tropas e Serviços da Arma de Engenharia foi considerado um Regimento de
Telegrafistas. Segundo o texto da Ordem do Exército n.º 12 (1.ª Série) de 30 de
Setembro de 1926, o Regimento de Telegrafistas seria constituído pelo Batalhão de Telegrafistas de Campanha e o pessoal, material e animal da Companhia
de Telegrafistas de Praça. Este Regimento tomou a seu cargo as atribuições que
competiam (no que diz respeito ao Serviço Telegráfico de Guarnição) à Inspecção do Serviço Telegráfico Militar, extinta pela mesma reorganização.
O Regimento de Telegrafistas adoptou como distintivos da Unidade o Castelo
com Raios, usado pela Companhia de Telegrafista de Praça. O Castelo era a alegoria à Praça de Guerra, local fortificado para guarda de acessos, fronteiras, populações, soberania etc., e os Raios, a simbologia da transmissão entre elas.
024 > 025
Por sua vez, o distintivo do Batalhão de Telegrafistas de Campanha (Estrela com
Raios), passou a ser o distintivo das Praças de TPF.
Militares da Companhia de Projectores
Pela mesma reorganização de 1926 é criada a Direcção da Arma de Engenharia.
Na Organização das Armas e Serviços a que diz respeito o Decreto 13851 [Ordem do Exército n.º 7 (1.ª Série) de 30 de Junho de 1927], foi previsto um Regimento de Telegrafistas7, com três Grupos, que ficaria sedeado no Quartel da
Cruz dos Quatro Caminhos.
A Direcção da Arma de Engenharia determinou que o Regimento de Telegrafistas
fosse composto por um Comando e três grupos de Companhias:
- Um grupo no Quartel da Penha de França, onde já se encontrava a CTP;
- Um grupo no Quartel da Ajuda onde estava o BTC;
- Um grupo no Porto, Quartel de S. Bento, onde se encontrava o Destacamento do
Norte da CTP, mais tarde transferido para o Quartel de S. Braz.
.
SEMPRE MELHOR
7 O 1º Grupo incluía: 2 Companhias de TPF e 1 Sec-
ção de Parque; o 2º Grupo: 3 Companhias de TPF e
uma Companhia de Parque e Viaturas e o 3º Grupo: 1
Companhia de TSF, 1 Companhia de Electromecânicos e 1 Companhia de Projectores.
A Companhia de Projectores tinha as seguintes finalidades: pesquisa de objectivos e alvos inimigos (IN)
para ulterior acção de fogo de Artilharia, Infantaria
e Força Aérea; reconhecimento de movimentos realizados pelo IN; encegueiramento do IN dificultando-lhe ou mesmos impedindo-lhe a realização eficaz
do seu tiro; localização de aviões IN e seguimento da
sua rota; iluminação do terreno tendo em vista trabalhos nocturnos, realização de sinalização, e também
Telegrafia Óptica. Os projectores utilizados eram do
tipo eléctrico de 90 cm de diâmetro, sendo transportados em viaturas automóveis. A Guarnição de
um Auto-projector era constituída por um Chefe (2.º
Sargento), um Electricista (1.º Cabo), um Condutor
auto, um Operador, dois Observadores (1.º e 2.º) e
um Telefonista.
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
As Origens e sua Evolução
No ano de 1927, com a redução a Batalhões do Regimento de Sapadores Mineiros, foi transferido para Queluz o Batalhão de Sapadores Mineiros n.º 1, aquartelado desde a organização de 1926, no Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos8,
tendo nessa altura este Quartel sido ocupado pelo Regimento de Telegrafistas,
cujos grupos de Companhias abandonaram o Quartel da Ajuda e o da Penha de
França.
Com a desvinculação definitiva do Serviço Telegráfico Militar ao Quartel da Penha de França, que já vinha desde o tempo de Bon de Sousa (1880), e que sempre
tinha pertencido aos Telegrafistas de Praça, foi este Quartel ocupado pela Escola de Transmissões que aí se manteve até 1945.
Batalhão de Telegrafistas
BATALHÃO DE TELEGRAFISTAS (1937)
A Reorganização do Exército publicada na Ordem do Exército n.º 12 (1.ª Série)
de 31 de Dezembro de 1937 (Decreto-Lei n.º 28401) previa, entre outras, a criação de dois Regimentos de Engenharia e de um Batalhão de Telegrafistas.
Cada Regimento de Engenharia disporia de um Batalhão de Transmissões com
funções de campanha, cuja constituição seria organizada à custa do Regimento
de Telegrafistas (já não considerado na nova Reorganização).
O Aquartelamento da Cruz dos Quatros Caminhos onde se encontrava o Regimento de Telegrafistas foi destinado ao novo Batalhão de Telegrafistas9, então
criado, e que englobava as funções de Campanha e de Instrução, e tinha adstritas
as Transmissões Permanentes (STM - Serviço Telegráfico Militar).
A este Batalhão de Telegrafistas ficou adstrito o Serviço Telegráfico Militar, e
posteriormente, o seu sucessor em 1951- o Serviço de Telecomunicações Militares, mantendo-se até 1970, data da criação da Arma de Transmissões.
Formatura do Batalhão de Telegrafistas - 1965
8 A designação deste Aquartelamento e da Rua em
que está localizado, assumem o nome de Sapadores
em homenagem ao extinto Regimento de Sapadores
Mineiros aqui aquartelado até 1927.
9 Apenas foi implementado em 1940, data em que
SERVIÇO DE TELECOMUNICAÇÕES MILITARES
foram publicadas as instruções para a execução do
Dec. Lei n.º 28401 - “Herança Histórica do Regimento de Transmissões”, Coronel Manuel da Cruz Fernandes, 09AGO1987
O Decreto n.º 38568 referido na Ordem do Exército n.º 8 (1.ª Série) de 31 de Dezembro de 1951, referiu-se ao Regulamento do Serviço Telegráfico Militar em
vigor desde 1908 e considerava ser conveniente elaborar um novo diploma legal
actualizado.
Foi então criado o Serviço de Telecomunicações Militares (STM), que constituía
uma evolução do anterior Serviço Telegráfico Militar, assegurado pelo Batalhão
de Telegrafistas, sendo destinado a promover e aperfeiçoar a instrução do pessoal militar especializado, e a estabelecer e manter as Telecomunicações Militares de carácter Permanente.
O STM tinha dependência directa do Ministério do Exército, quanto à parte técnica, e da 2.ª Direcção Geral do Exército, no que dizia respeito aos assuntos administrativos.
Das atribuições gerais do STM faziam parte o complemento da instrução do pessoal técnico destinado às Telecomunicações Militares, a montagem, exploração
026 > 027
e conservação do material e redes de carácter permanente, bem como a colaboração, sempre que necessária, com os Organismos Civis das Telecomunicações.
Para legalizar as atribuições deste novo Serviço, em 1952 foi publicado o Regulamento do STM, através da Ordem do Exército n.º 2 (1.ª Série) de 31 de Março
de 1952, referindo a Portaria n.º 13888 de 18 de Março de 1952.
A “Revolução das Comunicações Permanentes” iniciada em Portugal Continental na década de 60 (Século XX), bem como a participação activa nas Guerras
Ultramarinas (1961-1974), interligando os Teatros de Guerra (TO) à Metrópole
(Portugal Continental), permitindo ainda a ligação no interior dos quatro TO (Angola, Guiné, Moçambique e Timor), foram neste período, as grandes prioridades
de actuação do STM e que em muito contribuiu para o sucesso das operações
militares.
A ARMA DE TRANSMISSÕES
As Transmissões constituíam até 1970, um ramo especial dentro da Arma de
Engenharia. O quadro de efectivos foi único desde o início, embora o pessoal estivesse dividido nas diferentes especialidades; os Oficiais eram Oficiais de Engenharia de origem, porque o Curso na Escola do Exército (actual Academia Militar) era o mesmo, mas havia uma separação entre Engenharia e Transmissões,
especialmente para efeitos de escala de mobilização.
“A evolução constante das técnicas nos seus múltiplos aspectos, tanto no domínio da Engenharia como no da Electrónica, constituía para a Arma de Engenha-
Tampa de caixa de visita das condutas do STM
ria um pesadíssimo encargo no caso de continuar a ter a seu cargo as Transmis-
10 Nesta altura o Regimento de Transmissões tinha
sões como um dos seus ramos especializados. Tal circunstância justificava que
funções essencialmente de Campanha.
se pensasse na criação de uma nova Arma, dividindo desta maneira tarefas que
11 De acordo com o artigo 2º deste Decreto, a Arma de Transmissões era constituída pelos seguintes
órgãos: Direcção da Arma (DAT); Escola Prática de
Transmissões (EPT), em Lisboa; o Serviço de Telecomunicações Militares (STM) incluído na EPT e com
Delegações nas Regiões Militares (Continente) e
nas Zonas Militares (Ilhas); Regimento de Transmissões (RTm), no Porto e Depósito Geral de Material de
Transmissões, em Linda-a-Velha, com Destacamentos de Reabastecimento e Manutenção nas Regiões
e Zonas Militares.
Posteriormente a Arma sofre alguns ajustamentos,
nomeadamente: a EPT vai ocupar o Quartel de Arca
d’Água, no Porto por troca com o RTm; o RTm vai ocupar o Quartel de Sapadores, ficando responsável pelo STM; é criada a Companhia de Transmissões da 1.ª
Brigada Mista Independente (mais tarde Brigada Mecanizada Independente e hoje Brigada Mecanizada),
em Santa Margarida e mais tarde a Companhia de
Transmissões da Brigada Aerotransportada (actualmente Brigada de Reacção Rápida), em Tancos.
Até 2007, estavam ainda na dependência técnica
da Arma de Transmissões através da Direcção dos
Serviços de Transmissões, as seguintes Unidades e
Órgãos: Escola Militar de Electromecânica, em Paço
d’Arcos, Batalhão de Informações e Segurança, na
Trafaria, Centro de Informática do Exército, em Lisboa e Centros de Telecomunicações Permanentes
(GML, RMN, RMS, ZMA, ZMM, CMSM e CTAT).
mesmo assim continuariam a ser bastante trabalhosas.”
(MOREIRA, Bastos: JE 375, MAR91, p.31).
Em 1959 é considerada a organização de uma Direcção da Arma de Transmissões, que se concretiza apenas em 1961. Também neste ano (1959), o Batalhão
de Telegrafistas passa a exercer cumulativamente as funções de Escola Prática.
Por seu lado na Academia Militar é criado o Curso de Engenharia Electrotécnica
e o Serviço de Telecomunicações Militares entra num período de notável modernização e expansão.
Em 1960 o Depósito Geral de Material de Engenharia é extinto e a sua 2.ª Secção
(Material de Transmissões) passa a constituir o de Depósito Geral de Material de
Transmissões. Este Órgão só teve existência legal em 1965, com a publicação do
Decreto Lei 46374 na OE n.º 6 (1.ª Série) de 30 de Junho. Em 1965, é ainda criado
o Regimento de Transmissões10 que vai substituir o Regimento de Engenharia
2, no Porto. Estas transformações podem ser consideradas como o embrião da
nova Arma que vem a ser criada apenas em 1970.
Assim, em 1970 foi criada a Arma de Transmissões através do Decreto n.º
364/7011 publicado na Ordem do Exército n.º 8 (1.ª Série) de 31 de Agosto de
SEMPRE MELHOR
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
As Origens e sua Evolução
“(...)a Arma de Transmissões deve ser creditada com a herança histórica
das Transmissões no Exército de uma forma completa e global.”
1970. Esta Arma veio integrar todas as actividades das Transmissões incluindo
o Sector de Campanha e o Sector de Guarnição, onde se incluía o Serviço de Telecomunicações Militares herdeiro directo do Serviço Telegráfico Militar e demais
Organismos das Transmissões Permanentes, ligando Aquartelamentos Fixos,
Fortalezas, Praças Fortes, Castelos, Campos Entrincheirados, etc. Esta ligação
estava materializada no próprio símbolo adoptado pela Arma de Transmissões
- o Castelo com Raios.
Símbolo da Arma de Transmissões
A Arma tomou também o encargo de preparar as Transmissões das Forças envolvidas em campanha ou em situação simulada ou real de conflito ou crise, não
só na qualidade que lhe advinha da responsabilidade pela utilização e defesa do
espectro electromagnético (a 5.ª dimensão do Campo de Batalha), mas ainda da
ligação operacional das Forças envolvidas, além da preparação das especialidades de Transmissões para as outras Armas.
Por tudo o que se apresentou anteriormente, julga-se legitimo afirmar que a
Arma de Transmissões deve ser creditada com a herança histórica das Transmissões no Exército de uma forma completa e global.
ESCOLA PRÁTICA DE TRANSMISSÕES
A Portaria n.º 382/71 de 19 de Julho de 1971, publicada na Ordem do Exército
n.º 7 (1.ª Série) de 31 de Julho de 1971, em face do Decreto-Lei n.º 364/70 de 4
de Agosto de 1970, determinou o seguinte:
- “O Batalhão de Telegrafistas é extinto e, em sua substituição, criada a Escola
Prática de Transmissões;
- O Serviço de Telecomunicações Militares fica adstrito à Escola Prática de
Transmissões.”
À Escola Prática de Transmissões (EPT), ficam então adstritas três áreas fundamentais: a Formação, as Transmissões de Campanha e as Transmissões Permanentes garantidas pelo Serviço de Telecomunicações Militares (STM).
Durante os sete anos em que a EPT esteve sedeada no Quartel de Sapadores, desenvolveu um notável serviço, especialmente no âmbito das Transmissões Permanentes, sendo de destacar a participação dos seus militares no planeamento
e estabelecimento das comunicações no apoio à Revolução de Abril de 1974 e
subsequente Verão Quente de 1975.
Em 1976, o General Director da Arma de Transmissões, Brigadeiro Pereira Pinto,
publicou uma obra, em dois volumes, intitulada “Reflexões sobre a Problemática
da Arma de Transmissões”. Esta obra foi amplamente difundida e debatida em
jornadas específicas, cujos resultados conduziram à elaboração de uma proposta12 estratégica para a Arma e para o Exército, aprovada superiormente e executada em quase toda a sua totalidade.
12 Com a seguinte articulação: DAT permanece em
Lisboa; EPT seria transferida para o Porto e extinto
o RTm (de Campanha) local, assumindo a EPT as valências de Escola e de Campanha; Criação de um Regimento em Lisboa, com a mesma designação - RTm,
mas com uma missão distinta, assumindo o STM; adicionar ao DGMT uma Divisão de Estudos e Projectos,
com vista ao envolvimento da Arma em projectos de
desenvolvimento e à criação do Batalhão de Transmissões de Campanha a instalar em local a definir no
centro do país. Posteriormente, foi ainda considerado o levantamento de uma Companhia de Transmissões na 1.ª BMI, no CMSM, dotada com equipamentos de origem americana, e a colocação de Oficiais
Engenheiros nos QG das RM/ZM para integrar o Estado-Maior dos Comandos Regionais e Zonas Militares. Estas medidas foram depois complementadas
com a colocação de Oficiais de Transmissões (Engenheiros, Exploração e Manutenção) nas Forças de
Segurança (PSP, GNR e GF) em apoio às suas Transmissões e a inclusão de mestrados na preparação
dos Oficiais Engenheiros.
028 > 029
EVOLUÇÃO GRÁFICA DAS ORIGENS
1971
Evolução Cronológica das Unidades ligadas às Comunicações Permanentes
SEMPRE MELHOR
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
História do Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos
HISTÓRIA
DO QUARTEL DA CRUZ
DOS QUATRO CAMINHOS
(CONTRIBUTOS)
... . 1755
DA TOMADA DO CASTELO DE S. JORGE AO TERRAMOTO DE 1755
Documentos antigos fazem referência à existência de caminhos de pé-posto e
carreteiros (vicinais) irradiando das portas da povoação fortificada (actual Lisboa) dirigindo-se aos campos. O crescimento fora de portas dos burgos fortificados, fenómeno observado nos burgos em desenvolvimento, estendeu-se também a Lisboa.
Por esta razão, aparecem sucessivas fortificações e cinturas de muralhas e portas monumentais, das quais se destaca a Fortificação Romana, a Cerca Moura
(que terá subsistido entre finais do século VIII e o fim da 1.ª Dinastia), a Cerca
Fernandina (mandada erigir por D. Fernando I de Portugal) e uma tentativa de
Cerca Joanina (em 1650, por D. João IV).
No tempo da Cerca Moura, na parte oriental de Lisboa, seguiam caminhos irradiantes de onde hoje se situa a Porta de Santo André, um dos quais seguia pela
linha de alturas, Graça, Monte Agudo e Penha de França. A muralha da cerca caía
direita daí até ao rio, atingindo o areal no Chafaris d’El Rei. Outros caminhos iam
de vale em vale, atingindo as linhas de altura pelos colos. Um destes caminhos
partia do Convento de Santa Apolónia (Bica do Sapato), subindo pela Rua do Vale
de Santo António, cruzando com o caminho de alturas atrás descrito, no ponto
que viria a ser conhecido por Cruz dos Quatro Caminhos, hoje Largo de Sapadores.
As referências à tomada de Lisboa permitem identificar uma área que se estendia desde a Senhora do Monte de São Gens até à Cruz dos Quatro Caminhos,
Cercas de Lisboa
como a escolhida por D. Afonso Henriques para aí colocar as esculcas numa fase
prévia e assentar arraiais durante o cerco que precedeu a tomada do Castelo
aos Mouros. De facto, o alto do Monte de S. Gens é o único ponto de onde o grande estratega se poderia certificar da eficácia do cerco, pois daí dominava não
apenas a posição e actividade de todas as forças sitiantes, como o Castelo de
Palmela, de onde os Mouros recebiam reforços pela banda do Tejo.
030 > 031
Do seu Posto de Comando Avançado, D. Afonso Henriques podia ver as actividades dos Holandeses, colocados na área de São Vicente de Fora até ao Rio, dos
Venezianos, desde Martim Moniz ao Rio, e dos Cruzados no Tejo, aí colocados
para impedir os socorros aos sitiados, vindos do Castelo de Palmela.
Além destas vantagens beneficiava o nosso primeiro Rei de poder escolher o
momento de desferir o seu ataque, partindo para ele de uma posição dominante
ou retirar, se lhe conviesse, em perfeita segurança. E assim o terreno de Quatro
Caminhos, tomou o seu baptismo de Terra Sagrada no mesmo ritual e acção que
confirmou a expulsão dos Mouros da margem direita do Tejo.
Com o firmar da Nacionalidade, desenvolveram-se esforços de cristianização e
repovoamento, começando Lisboa a transbordar da cerca Moura e justificando
pelos fins da 1.ª Dinastia uma nova cerca que recebeu o nome de Fernandina.
Supõe-se que a Cerca Fernandina não apresentava nenhuma porta no Convento
de N.ª Sr.ª da Graça, servindo-se a população pela rua que conduzia da Porta de
Santo Antão à Porta de São Vicente, contornando depois a Cerca Fernandina exteriormente até ao alto da Graça.
Na primeira metade do Século XVIII, antes do Terramoto de 1755, na paisagem
do Arrabalde Oriental da Cidade compreendido entre o Convento de N.ª Sr.ª da
Graça, Monte de S. Gens, Cruz dos Quatro Caminhos, Estrada da Penha de França
e Rio Tejo, apenas havia construções importantes no Campo de Santa Clara (por
beneficiar da existência de três portas de cidade) e ao longo do Rio Tejo.
SEMPRE MELHOR
Abarracamento e Cruz dos Quatro Caminhos, cerca de 1780
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
História do Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos
(...) beneficiava o nosso primeiro Rei de poder escolher o momento de desferir o seu
ataque, partindo para ele de uma posição dominante ou retirar, se lhe conviesse, em
perfeita segurança. E assim o terreno de Quatro Caminhos, tomou o seu baptismo
de Terra Sagrada no mesmo ritual e acção que confirmou a expulsão dos Mouros da
margem direita do Tejo.
De um modo geral pode dizer-se que fora da cerca Fernandina, só entre o Campo
de Santa Clara, a Rua do Mirante e o Tejo havia urbanização, começando a aparecer alguns caminhos vicinais subindo a encosta que deram origem às ruas da
Verónica, do Vale de Santo António e Calçada dos Barbadinhos e que tudo o mais
eram caminhos de pé-posto por entre baldios, vinhedos, olivais e sementeiras.
A zona dos Quatro Caminhos apresentava-se erma com excepção da existência
de um Cruzeiro de Pedra (Cruz) que então era visível ao cimo da actual Rua Angelina Vidal. Não foi possível apurar a referência à “Cruz” dos Quatro Caminhos13,
supondo-se que esta designação estivesse relacionada com a geometria do cruzamento dos caminhos.
Com o terramoto de 1755, Lisboa ficou arrasada e à mercê de toda a espécie de
crimes e latrocínios. Assim, logo no dia seguinte, dois de Novembro, o Marquês
de Pombal ordenou que marchassem em seu socorro:
- O Regimento de Infantaria de Peniche;
- O Regimento de Infantaria de Olivença;
- O Regimento de Infantaria de Elvas;
- Os Dragões de Évora.
Estes Regimentos vieram acampar nos limites da cidade, nos seguintes locais:
- Cotovia de Cima (onde é hoje o Principe Real);
- Vale do Pereiro (onde é hoje a Rua Braancamp);
- Cruz do Tabuado (onde é hoje o jardim, frente ao Liceu Luís de Camões);
- Cruz dos Quatro Caminhos (onde é hoje o Largo de Sapadores).
13 O nome “CRUZ DOS QUATRO CAMINHOS”:
Quando, em 1755, as tropas de Infantaria montaram
os seus abarracamentos, fizeram-no nos terrenos
baldios fora dos limites da cidade. As que montaram,
o que veio a ser conhecido por “Abarracamento da
Cruz dos Quatro Caminhos”, encontraram nesse local:
- A Rua (ou caminho) do Convento da Graça (hoje R.
da Graça), estendendo-se desse Convento até ao
cruzamento;
- A Estrada da Penha de França, (hoje R. da Penha de
França) na continuação da anterior.
- O Caminho da Charca (mais tarde Calçada de Santa
Apolónia e hoje R. Angelina Vidal), cruzada com as
anteriores.
- O Caminho de Vale de Cavalos, no seguimento do
anterior, e ocupando cerca de metade da largura da
actual Rua de Sapadores.
Observando documentos antigos verifica-se ter havido na Rua da Graça, no ponto de encontro com os
restantes caminhos, um cruzeiro ou cruz.
O local, ao tempo do Marquês de Pombal, seria já
conhecido pelo povo do arrabalde da Graça por Cruz
dos Quatro Caminhos, sendo a referência a “quatro
caminhos” usada para distinguir esta CRUZ de outras
situadas em diferentes locais de culto essencialmente religioso. Assim sendo, este cruzeiro estaria associado ao Convento da Graça e situava-se justamente
no extremo da Rua do mesmo nome. Por esta razão,
estaria justificado o facto da Rua da Graça não se
estender além ou aquém daquele Cruzeiro e manter
o mesmo nome da igreja a que estava associada, servindo de percurso aos féis entre aquela e a “CRUZ”
(dos Quatro Caminhos).
032 > 033
Esta tropa destinava-se a montar guarda aos ministros e fazer com que fossem
14 URBANIZAÇÃO CIRCUNDANTE:
obedecidos nas suas ordens, impedir os latrocínios e ajudar nos desentulhos.
Quando o abarracamento da Cruz dos Quatro Caminhos
foi montado, logo após o terramoto de 1755, pelas tropas de Infantaria, estas apenas encontraram os caminhos
referidos na nota anterior, serpenteando por entre quintarolas, baldios e olivais. Porém, Lisboa encontrava-se
arrasada e a situação iria agravar-se ainda mais, com as
demolições de restos inseguros, para dar início à reconstrução pombalina.
Lisboa ficou deserta nos primeiros anos a seguir ao terramoto e o povo deslocou-se para os arrabaldes. Embora
com um argumento mais subtil, a Lei de 3 de Dezembro
de 1755, fixando os limites da cidade, representou a medida do sempre prudente ministro de D. José, que impedia
que a Lisboa que ia nascer das mãos dos Arquitectos do
Real Corpo e Engenheiros ficasse deserta por, entretanto, os seus habitantes se terem fixado nos arrabaldes.
Assim a cintura da cidade cresceu muito rapidamente,
contida nos seus limites, que na zona eram as actuais Ruas Angelina Vidal e Sapadores, podendo-se identificar,
por volta de 1800, uma urbanização algo consistente na
zona do Quartel.
Não tinha porém o aspecto que hoje apresenta. Vamo-nos
referir aqui especialmente às Ruas de Sapadores, Rua
Senhora da Glória, Calçada dos Barbadinhos, Vale Escuro
Pequeno, Caminho da Quinta dos Peixinhos e Largo de
Sapadores. O aspecto que o terreno circundante do Quartel apresentava trinta anos depois do terramoto é o que
se reproduz na figura da página 35.
A Rua da Senhora da Glória estava em formação mas não
chegava ao Quartel, interrompendo-se na Ermida do mesmo nome. O primitivo Quartel encontrava-se instalado
entre o extremo do Jardim existente a Oeste do Edifício
do Comando, e a Rua da Penha de França, ocupando o
que é hoje o Largo de Sapadores. Da Ermida chegava-se
ao Quartel ou pela Travessa da Senhora da Glória ou pela
Rua dos Peixinhos e Travessa da Peçonha, de que ainda
existe um beco em frente ao canto Oeste do Jardim do
Quartel.
Encontram-se na Ermida da Senhora da Glória duas lápides em azulejo, uma de cada lado da capela que tem escrito na lápide da esquerda: “Em l de Novembro de 1755
descansou aqui um sacerdote que conduzia o Santíssimo
e o povo se prosternou ante a Sagrada partícula”; na lápide da direita: “Em l de Novembro de 1757 se transferiu
para esta Ermida a imagem de Nossa Senhora da Glória”.
A Calçada dos Barbadinhos por ser uma via muito antiga
apresenta um desenvolvimento caprichoso na zona próxima do Quartel. Ainda no início do Século XX entroncava
com a Rua do Vale de Santo António junto à casa de Latino Coelho, seguia a Sul da Rua de Sapadores (que não
existia) até à frente da guarita da sentinela do Pombal,
formando ângulo recto e passando nas traseiras do Museu até ao Pátio do Daniel, em ângulo recto com a direcção anterior, se afastava para Nascente.
Do Pátio do Daniel partia o Caminho do Vale Escuro Pequeno que ia encontrar-se com o da Quinta dos Peixinhos,
circundando este, pelo Norte, os limites do Quartel, primeiro numa direcção Este – Oeste e depois Norte – Sul
atingindo junto ao muro que sustenta a Sala do Soldado,
a frente do prédio da Câmara, ainda existente, formando
aí ângulo recto e dirigindo-se a seguir à Rua da Penha de
França, por um troço de calçada que ainda existe entre
esta e a Av. General Roçadas.
Com o tempo, os Dragões de Évora regressaram ao seu Quartel no Alentejo, o
Regimento de Peniche foi o que se instalou na Cotovia, ficando na dúvida, qual
dos Regimentos, se o de Elvas se o de Olivença, veio abarracar no terreno dos
Quatro Caminhos.
A segunda medida do Marquês de Pombal, que se refere à Cruz dos Quatro Caminhos, foi a delimitação de Lisboa, posterior ao terramoto, com data de 3 de
Dezembro de 1755.
“LEI DE TRÊS DE DEZEMBRO DE 1755”
“(...) para evitar edificações indiscriminadas em lugares distantes do centro da
cidade que sendo já disforme na sua extensão se não deve permitir que se dilate
com discomodo grave de comunicação que antes se deve facilitar entre os seus
habitantes: Proíbo debaixo das mesmas penas que por ora, e enquanto Eu não
for servido ordenar o contrário determinando o justos limites da cidade, se possa aforar ou tomar de aforamento algum terreno para edificar de novo casas
de pedra e cal a saber, principiando pela banda do Poente: fora das portas dos
Quartéis de Alcântara, do Palácio e Hospícios de Nossa Senhora das Necessidades, dos Arrabaldes do Senhor da Boa Morte e de São João dos Bem Casados e
continuando do Casal do Pai e Silvestre Salitre, Chafariz do Andaluz, da Carreira dos Cavalos, da Bemposta, de Santa Bárbara, do Forno do Tijolo, da Cruz dos
Quatro Caminhos e do Val de Cavalos e de Santa Apolónia. (...)”
Pela observação da figura constata-se que o Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos ficava fora dos limites da cidade14, mas justamente encostado a ela, a partir da Lei de 3 de Dezembro de 1755, de D. José I.
C
Plano da Cidade de Lisboa em 1755
SEMPRE MELHOR
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
História do Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos
1755 . 1848
DESDE 1755 À CHEGADA DOS SAPADORES DE ENGENHARIA
O período compreendido entre 1755 e 1848 caracteriza-se pela imprecisão dos dados recolhidos, nalguns intervalos. Ao certo sabe-se que:
1758
Constroem-se quartéis em madeira, em substituição dos abarracamentos, para comodidade das tropas. O Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos é um deles.
1761
É criado o Regimento de Artilharia da Corte que, mais tarde e, não se
sabe se logo desde a sua criação, esteve aquartelado na Cruz dos Quatro
Caminhos.
1791
Esteve aqui aquartelado, neste ano, o 2.º Regimento da Armada Real.
1801
Extingue-se o Regimento de Artilharia da Marinha e parte do seu efectivo passa para o Regimento de Artilharia da Corte, continuando nele
o seu serviço. Com a remodelação de 1806, o Regimento de Artilharia
da Corte toma o nome de Regimento de Artilharia n.º 1 (RA 1) e é colocado no Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos, deixando S. Julião da
Barra, onde se alojava havia 45 anos, mantendo-se na nova localização
até 1817.
1818
Em 27 de Dezembro o Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos foi ocupa-
Localização e Limites do Quartel, tendo já desaparecido os
abarracamentos iniciais
do pela 1.ª Brigada Real da Marinha.
1820
O RA 1 encontrava-se de novo na Cruz dos Quatro Caminhos, passando a Regimento de Artilharia da Corte, de novo, em 1821, designação
que manteve pelo menos até 1822, desconhecendo-se onde aquartelou,
tendo-se apenas registado que em 1830, já se designava novamente por
RA 1 e que nesta data saía de S. Julião para os Quatro Caminhos.
1832
Com a designação de Regimento de Artilharia da Corte, o RA 1, encontra-se aquartelado em Quatro Caminhos. Entre 1832 e 1848 não foi
possível identificar quem se aquartelou em Quatro Caminhos.
034 > 035
1848 . 1866
DE 1848 À OCUPAÇÃO PELA ENGENHARIA MILITAR
Neste período a Engenharia Militar iniciou a sua presença no Quartel da Cruz dos
Quatro Caminhos que ocupou de modo intermitente com Unidades de outras Armas.
1848
Em 4 de Novembro, entra pela primeira vez no Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos uma Unidade de Engenharia – O Batalhão de Sapadores. Era comandado
pelo Tenente-Coronel Cipriano José Soares.
1853
Regressa o Batalhão de Engenheiros, como já era seu nome, ao Quartel da Cruz
dos Quatro Caminhos (21 de Março), onde se manteve até 8 de Julho de 1855,
data em que parte para se aquartelar no Quartel do Desterro e, posteriormente, no Quartel dos Paulistas, em 1 de Outubro de 1857, onde se conservou até
1866.
1856
Encontra-se de novo no Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos o Regimento de
Artilharia n.º 1, no qual se manteve até 16 de Junho de 1862, altura em que recebe terrenos de semeadura, do Arsenal Exército, utilizados para o seu gado.
Em 1863 os terrenos voltam à posse do Arsenal do Exército, com a condição de
serem entregues a qualquer corpo que tivesse de ser alojado no Quartel, o que
deixa supor ter estado o Quartel alguns períodos sem ocupação.
1864
O Quartel é distribuído ao 2.º Regimento de Artilharia (20 de Junho).
1866
Regresso definitivo do Batalhão de Engenheiros ao Quartel da Cruz dos Quatro
Caminhos.
1866 . 1970
DE 1866 À CRIAÇÃO DA ARMA DE TRANSMISSÕES
Neste Período o Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos foi ocupado apenas
pela Arma de Engenharia. A entrega dos terrenos ao Batalhão de Engenharia e
o regresso definitivo deste Batalhão à Cruz dos Quatro Caminhos (23 de Outubro1866) só se dá depois de um longo peregrinar pelos Quartéis da cidade e com
uma estadia na Região Centro.
SEMPRE MELHOR
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
História do Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos
1884
É criado o 1.º Regimento de Engenharia, com sede na Cruz dos Quatro Caminhos,
por Fontes Pereira de Melo. Esta Unidade era constituída por três Batalhões,
sendo um deles Misto. Fazia parte do Batalhão Misto a Companhia de Telegrafistas. Esta companhia deveria ter recebido o pessoal da Direcção do Serviço
Telegráfico Militar, que sendo oriundo de outras Armas, preferiu regressar às
mesmas. O Regimento de Engenharia permaneceu na Cruz dos Quatro caminhos
até 1911.
1890
Adquirem-se terrenos para reconstruir o Quartel do 1.º Regimento Engenharia,
na Cruz dos Quatro Caminhos, em 28 de Agosto, tendo sido obtidos outros por
expropriação em 8 de Fevereiro de 189215.
1895
É enviada uma Companhia Mista de Engenharia expedicionária à Província de
Moçambique, comandada pelo Capitão José Fortunato e constituída pela 2.ª
Companhia de Sapadores Mineiros reforçados por uma Secção da Companhia de
Telegrafistas de Campanha que era chefiada pelo Alferes António dos Santos
Viegas. As Transmissões da Engenharia destinavam-se à intervenção em campanha em apoio às unidades em operações, a começar pela própria Engenharia.
1907
Lançamento da primeira pedra do actual Edifício de Comando, pelo então Ministro da Guerra, António Carlos Coelho de Vasconcelos Porto.
Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos
15 MIGRAÇÃO E LIMITES DO QUARTEL:
O Quartel do Regimento de Transmissões nem nasceu onde
hoje se encontra nem com a actual extensão. Na realidade nasceu onde hoje é o Largo de Sapadores. Formavam-no dois barracões de madeira, construídos cerca de três anos depois do
terramoto de 1755, para substituição dos abarracamentos portáteis das tropas que o Marquês de Pombal mandou que trouxessem, quando ordenou a sua marcha para Lisboa. O seu maior
comprimento era alinhado com a Rua de Sapadores.
Cerca de um século depois, tais abarracamentos foram demolidos, por se encontrarem imprestáveis e pobres, tendo a área
que ocupavam ficado destinada à Parada do Quartel entretanto
construído de material mais consistente, com uma orientação
sensivelmente perpendicular à do anterior, mas mais chegada
onde hoje se encontra a parada principal do actual Quartel. É
este conjunto que constituía o aquartelamento em todo o último quartel do século passado e de que se pode ver uma reprodução no painel de azulejo da “HERANÇA”, existente na Messe
de Oficiais (Fig. pág. 36).
Entretanto, mercê de grandes áreas adquiridas por iniciativa da
Engenharia Militar, o Quartel, por volta de 1899, possuía todos
os terrenos de que hoje dispõe dentro e fora de muros e ainda
de todos os que, por escritura de 23 de Dezembro de 1900, foram cedidos à Câmara Municipal de Lisboa (CML), e estão hoje
incorporados no Largo de Sapadores e na rua do mesmo nome
(Fig. pág. 37).
Este quartel durou até 1907, data em que foi lançada a primeira
pedra do Edifício do Comando e outras construções do actual
Quartel, as quais terminaram em 1913.
Em 1964 foi conduzido outro processo de negociações de terras, pelo qual o Batalhão de Telegrafistas/Serviço de Telecomunicações Militares, cedeu à CML 1841 m2 e recebeu 4384 m2,
para acerto dos limites tal como existem actualmente. Passado
algum tempo iniciaram-se negociações para cedência de terrenos a Norte do Quartel, por troca com a CML do edifício que se
encontra encravado a Oeste, entre o Quartel e a Av. General Roçadas. Esta situação continua actualmente por resolver.
036 > 037
1911
Reestruturação do Regimento de Engenharia, criado por Fontes Pereira de Melo,
em 1884, na Cruz dos Quatro Caminhos e onde se manteve até esta data.
1913
Criação do Batalhão de Telegrafistas de Campanha (BTC) que se instalou na Ajuda. Nos Quatro Caminhos fica, até 1927, o Regimento de Sapadores Mineiros n.º
1, que acabou dando o nome à Rua de Sapadores, pelo qual é hoje conhecida. Neste ano concluiu-se a construção do Edifício de Comando e demais dependências
do Quartel, iniciadas em 1907.
A Companhia de Telegrafistas de Praça manteve-se fora da orgânica do Regimento e ficou sedeada no Quartel da Penha de França.
1925
Limites do Quartel16 e as alterações até 1911.
Dissolução do BTC (18 de Abril) e criação, em sua substituição, do Batalhão de
16 Esta figura mostra a área do Quartel da Cruz dos Quatro
Telegrafistas (BT), que se mantém na Ajuda.
Caminhos, bem como os terrenos cedidos para a Rua e Largo
de Sapadores.
1926
O BT passa de novo a BTC (14 de Junho). No mesmo ano, o BTC passa a Regimento de Telegrafistas, passando a englobar a Companhia de Telegrafistas de Praça
(CTP), esta com sede no Quartel da Penha de França.
1927
O Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos é entregue pelo Regimento de Sapadores Mineiros n.º 1, ao Regimento de Telegrafistas (4 de Abril), passando o Regimento de Sapadores Mineiros n.º 1, agora reduzido a Batalhão, para o Quartel de
Queluz.
1937
O Regimento de Telegrafistas passa a Batalhão de Telegrafistas, mantendo-se
em Quatro Caminhos.
1947
Celebra-se no Quartel do Batalhão de Telegrafistas, o III Centenário da Engenharia Militar. Desta efeméride existe uma lápide sobre o arco principal do Edifício
do Comando, voltado à Parada Principal.
1951
O Batalhão de Telegrafistas assume o Serviço de Telecomunicações Militares,
sucessor do Serviço Telegráfico Militar, mantendo-se no Quartel da Cruz dos
Quatro Caminhos.
SEMPRE MELHOR
Placa Comemorativa dos 300 anos da Engenharia
(Edifício de Comando)
1970 . 1977
DE 1970 À CRIAÇÃO DO RTm
Este período caracteriza-se por o Quartel de Sapadores (nova designação
atribuída ao Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos) passar a ser ocupado apenas
por Unidades da Arma de Transmissões.
1970
É criada a Arma de Transmissões, destacando-se as suas tropas da Arma de
Engenharia. Em 1971, o Batalhão de Telegrafistas passa a Escola Prática de
Transmissões (EPT), mantendo-se nesta Unidade e ficando com o encargo das
Transmissões Permanentes. Nesta mesma data, o Regimento de Transmissões
(RTm)17, sedeado no Quartel do Bom Pastor no Porto, é integrado na Arma de
Transmissões.
1977
A EPT é transferida para o Porto e, por troca de Quartéis, é instalado no Quartel
de Sapadores o RTm que aí se mantém até ao presente. Este Regimento recebeu
a missão atribuída ao STM.
17 Pela Portaria 21197 de 26 de Março de 1965, publicada
na OE n.º 3/65 (1.ª Série) de 31 de Março, o Regimento de Engenharia n.º 2, sedeado no Quartel do Bom Pastor no Porto,
é transformado no Regimento de Transmissões. Este novo
Regimento agora criado, iria integrar o Batalhão de Transmissões n.º 3 que deveria deixar as instalações do Quartel do Casal do Pote, em Tancos.
De acordo com o diploma acima citado, o RTm deveria ter a
seguinte constituição: Comando; Companhia de Mobilização;
Batalhão de Administração; Centro de Instrução e Batalhão
de Transmissões.
No Centro de Instrução seria ministrada formação a Graduados e Praças das Especialidades de Radiotelegrafista, Telegrafista, Centro de Mensagens, Operador de Teleimpressor
e Guarda Fios.
038 > 039
OS PRINCIPAIS MEIOS,
FIGURAS E FACTOS
DO SERVIÇO TELEGRÁFICO MILITAR
MEIOS TELEGRÁFICOS
Quando em 1873 surge a necessidade de assegurar as comunicações militares
próprias, é instalada a primeira Rede Telegráfica Permanente do Exército, em
Lisboa, constituída por treze estações, utilizando para o efeito Telégrafos Morse e Breguet.
A inauguração desta Rede teve lugar a 17 de Setembro, data que foi escolhida
para dia festivo do Regimento de Transmissões (STM). Esta Rede compreendia
as seguintes Estações: Ministério da Guerra, Quartel-General da 1.ª Divisão, Regimento de Infantaria n.º1 (Ajuda), Regimento de Lanceiros da Rainha (Belém),
Regimento de Artilharia n.º 1 (Boa Hora), Regimento de Infantaria n.º 16 (Campo
de Ourique), Regimento de Cavalaria n.º 4 (Campolide), Batalhão de Engenharia
(Cruz dos Quatro Caminhos), Batalhão de Caçadores n.º 5 (Castelo de S. Jorge),
Regimento de Infantaria n.º 5 (S. João de Deus), Regimento de Infantaria n.º 7
(Torre da Pólvora) e Batalhão de Caçadores n.º 2 da Rainha (Vale do Pereiro).
Alguns anos mais tarde, é inaugurada a Rede do Porto na qual foram incluídas
estações no Quartel-General, Serra do Pilar, Carmo e Estação Central.
No ano de 1888, publica-se o “Regulamento para o Serviço de Telégrafos de
Guarnição e dos Pombais Militares”, que vai reger as Redes Telegráficas e a utilização militar do Pombo-Correio.
Entre 1890 e 1900, a Rede de Lisboa é ampliada e são estabelecidas ligações entre o Ministério da Guerra e os Quartéis-Generais das Divisões Territoriais. São
também instaladas Estações Telegráficas em numerosas localidades do país.
Em 1900 publicou-se o primeiro “Regulamento do Serviço Telegráfico Militar”,
que atribuía a este Serviço, a Telegrafia, a Telefonia, a Aeroestação e os Pombais
Militares, tendo sido substituído em 1908 por um novo Regulamento que incluía
alguns aperfeiçoamentos.
As linhas telegráficas foram depois distribuídas pelas Circunscrições Norte
(Porto), Centro (Viseu) e Sul (Évora, Lisboa e Campo Entrincheirado).
SEMPRE MELHOR
Posto Rádio da Ajuda
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
Os Principais Meios, Figuras e Factos
Após a 1.ª Guerra Mundial, manteve-se a tendência para utilizar as linhas civis de
suporte às Comunicações Telegráficas e Telefónicas Militares, procurando-se,
no entanto, instalar progressivamente Estações Radiotelegráficas, em Lisboa e
Porto, de forma a substituir a utilização destas linhas.
Face à greve dos Correios e Telégrafos, ocorrida em 1924, a CTP e o BTC tomam
conta dos Serviços Telegráficos da Central Civil do Terreiro do Paço. As Estações Militares da Guarnição de Lisboa são então abertas ao público que nelas
deposita os seus telegramas. Estes telegramas seguem depois por via TPF para
o Posto Rádio da Ajuda, e daí por via Rádio para as localidades onde o BTC possui
postos de TSF.
Alfabeto Homográfico
MEIOS VISUAIS
Em finais do Século XIX, o Exército apresentava um significativo atraso em relação aos seus congéneres europeus no respeitante à Sinalização e à Telegrafia
por meios visuais. Foi então que o Capitão Augusto Bon de Sousa começou entusiasticamente a estudar o assunto, dando-lhe realização prática com o emprego
de bandeiras, lanternas, semáforos e fachos, constituindo linhas de comunicação.
Por essa altura o 2.º Sargento Manuel Martins inventou um Heliógrafo, a que deu
o seu nome e, com ele, efectuou experiências com resultados muito positivos.
Em 1890, o Ministério da Guerra encarregou Bon de Sousa de estudar o apetrechamento geral do Exército com material óptico, tendo a sua acção18 resultado
Instrução de Sinaleiros, CEP, 1914-1918
numa notável melhoria neste campo, projectando o nosso Exército para o mes-
18 Do seu estudo no âmbito do material óptico resultou um
mo nível dos Exércitos estrangeiros.
“Projecto de Organização Provisória da Telegrafia Óptica
nos Corpos de Tropa” remetido à Repartição de Gabinete do
Ministro da Guerra em 28 de Janeiro de 1891 (PAÇO, Afonso:
1938, p. 240).
Fizeram-se então experiências, especialmente com Heliógrafos e lanternas en-
040 > 041
tre Palmela, Sintra, Santarém, Vendas Novas, Mafra e Lisboa. Entre finais do Século XIX e princípios do Século XX, realizaram-se os estudos necessários à montagem duma Rede Heliográfica no País, tendo o Tenente-Coronel de Engenharia
Gouveia Prego19 dado especial atenção a este assunto. Em 1910, contava-se já
19 Foi o primeiro Inspector dos Telégrafos Militares.
com as Redes de Lisboa e Porto e também com uma Rede Nacional cobrindo parte do País.
Após a década de 20 (Século XX), as Transmissões Permanentes por meios visuais foram perdendo a sua importância acabando, praticamente, por se extinguir.
MEIOS COLUMBÓFILOS
São sobejamente conhecidos os bons serviços prestados pelos Pombos-Correios20 como portadores de mensagens, desde a antiguidade.
O Pombo-Correio, como elemento de guerra, apareceu entre nós em 1875. O emprego vantajoso desse excelente Meio de Transmissão no Cerco de Paris pelos
alemães, em 1870, havia levado algumas nações a organizar militarmente esse
serviço.
Nesta altura, um distinto columbófilo Belga, La Pene de Rou, ofereceu ao Exér-
20 Distingue-se dos restantes pelas seguintes características físicas: “bico robusto continuando o perfil da
cabeça, carunculas (massa brancas ou azuladas em volta
do bico) desenvolvida, dorso arqueado, asas fortes que,
quando abertas, são arqueadas para baixo”.
A velocidade normal de voo é de 70 quilómetros por hora,
podendo atingir os 110 ou mais, em condições favoráveis. Sendo o alcance de um voo da ordem das centenas
ou mesmos milhares de quilómetros.
cito Português, 40 Pombos-Correios das melhores raças. Este facto despertou
a curiosidade nacional para a exploração deste meio nas Transmissões. É assim
que passado pouco tempo, foram adquiridos mais Pombos-Correios à França,
tendo sido inicialmente instalados provisoriamente (1875) em Alcântara, na
Torre da Pólvora, aí permanecendo até 1880, enquanto decorriam as obras de
adaptação no Quartel da Penha de França para a sua instalação definitiva nessa
Unidade. O Serviço dos Pombais Militares representou um importante auxiliar
do Serviço Aerostático.
Por volta de 1880, João Crisóstomo de Abreu e Sousa, então Ministro da Guerra,
adoptou as primeiras providências no sentido da organização dos Serviços de
Pombais Militares, encarregando dele o então Capitão de Infantaria Augusto César Bon de Sousa, que se tornou um especialista no assunto, publicando em 1881
o seu livro “Serviços dos Pombos-Correios nos Exercícios em Campanha e seu
Emprego no Recreio e Indústria Particular”. Este militar deu um notável impulso
nesta área, nomeadamente, com a instalação de pombais em várias localidades
do país, o tratamento dos pombos e a realização dos indispensáveis treinos e
exercícios.
Com o impulso que foi dado ao Serviço dos Pombos-Correios, este incluía mais
tarde os seguintes Pombais Militares: Lisboa (Penha de França e Ajuda), Elvas,
Portalegre, Tancos, Viseu, Porto e Mafra, num total aproximado de 1000 Pombos, dos quais, 400 em Lisboa, não correspondendo no entanto este número, limitado pelas exigências orçamentais, às necessidades do Serviço.
Os Pombos-Correios
21
eram utilizados em viagens para treino entre os diferen-
tes pombais, terminando sempre por ligações do Pombal de Lisboa com todos os
outros. Dispunha a Inspecção dos Telégrafos Militares, a que este serviço estava
subordinado, de um gabinete e galeria fotográfica com os aparelhos de projec-
SEMPRE MELHOR
Rede de Pombais Militares (1899)
21 São identificados por uma inscrição gravada na anilha: E.P. – (nº de ordem) ou POMBAL MILITAR – LISBOA
– (nº de ordem).
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
Os Principais Meios, Figuras e Factos
ção necessários para se fazer a ampliação e redução dos despachos a transportar por Pombos-Correios e a sua projecção num quadro apropriado. A figura da
página 42 mostra o desenvolvimento da Rede de Pombais Militares (1899).
No final do Século XIX, os pombais passaram a pertencer à Engenharia Militar, na
dependência da Inspecção dos Telégrafos Militares e, em 1903, é publicado o Regulamento para o Serviço de Pombais Militares em tempo de paz, no qual foram
previstos os seguintes pombais e efectivos: Lisboa (400), Porto (160), Coimbra
(80), Viseu (80), Portalegre, Elvas (100) e Mafra (40).
Os Pombos-Correios foram utilizados como meios de comunicação22 a nível nacio-
22 A mensagem (columbograma) era transportada fixada à perna
do pombo; no transporte de esboços, desenhos ou documentos de
maior vulto relativo, era usada uma bolsa adaptada ao papo do animal.
nal e em diversos conflitos, de que se destaca particularmente a 1.ª Guerra Mundial,
onde as Tropas Portuguesas utilizaram Pombos-Correios cedidos pelos ingleses.
Utilização dos Pombos-Correios durante a 1.ª Guerra Mundial
042 > 043
A partir de 1926, os Pombais Militares passaram a pertencer ao Serviço Telegráfico Militar, adstrito ao Regimento de Telegrafistas23 e, posteriormente, ao
23 Em 1927 o Pombal Militar de Lisboa foi transferido
Batalhão de Telegrafistas, tendo sido nomeados para dirigir o respectivo Servi-
para Aquartelamento da Cruz dos Quatro Caminhos.
ço o Tenente de Engenharia João James Galhardo e o Alferes José Rodrigues, que
dedicaram à Columbofilia o seu esforço e entusiasmo.
No final da década de 30 (Século XX), foram construídos nas Oficinas Gerais de
Material de Engenharia, um reboque auto-pombal, com a capacidade para 80
Pombos, e uma viatura auto-pombal, permitindo assim maior flexibilidade no
transporte e acondicionamento de grandes quantidades de Pombos. Posteriormente, com a publicação em 1942 do Regulamento do Serviço Columbófilo de
Campanha, estabeleceu-se a base legal para a utilização dos Pombos-Correios,
considerando dois tipos de Pombais Militares:
• Pombais Fixos;
• Pombais Móveis
O Pombal Militar de Lisboa entrou em muitas competições organizadas por Sociedades Columbófilas Civis, tendo conquistado numerosos troféus que actualmente se encontram expostos no Museu das Transmissores no RTm.
A partir de meados do Século XX, e em face do desenvolvimento de outros meios
de transmissão mais eficazes, a utilização do Pombo-Correio começa a perder a
sua importância acabando por se extinguir.
MEIOS TELEFÓNICOS
Data da última década do Século XIX a realização dos primeiros ensaios com telefones militares cuja instalação só se veio a concretizar no dealbar do Século
XX.
A primeira Central de Comutação Telefónica24 Manual25 apareceu em 1878 a que
se seguiu, 14 anos depois, a primeira Central Automática26.
No ano de 1904, instala-se a primeira Central Telefónica Militar no Palácio da Independência em Lisboa, com capacidade para trinta assinantes, ligando o Quartel-General, a Unidades e Estabelecimentos Militares. Seguiu-se a montagem de
uma Rede na Cidade do Porto e da Rede do Campo Entrincheirado de Lisboa, com
a Central Telefónica instalada no Forte do Alto do Duque.
No ano de 1909, após o grande incremento dado pela Inspecção dos Telégrafos
Militares, este organismo tinha montado a seu cargo 180 Postos Telefónicos incluindo assinantes da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança
Pública.
A partir de 1912 começaram a ser instaladas as Redes Telefónicas de Elvas,
Coimbra, Lamego e Torres Novas.
Entre 1913 e 1938, a Central Telefónica de Lisboa, instalada no Palácio da Independência em Lisboa, foi sendo sucessivamente ser instalada no Quartel do
Carmo, posteriormente no Castelo de S. Jorge e finalmente no Quartel da Cruz
dos Quatro Caminhos27.
SEMPRE MELHOR
24 Central Telefónica é um equipamento que realiza a ligação (comutação) entre dois utilizadores (assinantes) do
serviço de telefonia.
25 A ligação entre assinantes era realizada mediante a
intervenção de um operador.
26 As primeiras Centrais Automáticas (Centrais que dispensavam o Operador/Telefonista para completar uma ligação), eram do tipo electromecânicas, sendo vulgarmente conhecidas como “Passo-a-passo” (STROWGER). Estas
Centrais foram depois substituídas pelas Centrais CROSSBAR (“Barras Cruzadas”, também elas electromecânicas),
e posteriormente, pelas Centrais Digitais que na verdade
são verdadeiros computadores com aplicações específicas
para a funçãode operações, tais como, interligar (comutar)
terminais, executar controlo, teste e gestão do hardware,
e serviços adicionais (identificação de chamadas, transferência de chamadas, ligações simultâneas, etc.) aos subscritores da rede.
27 Em 1919 a Central Telefónica Militar foi transferida do
Quartel do Carmo (neste ano, instalara-se, durante um mês,
a Monarquia do Norte e os Republicanos resolveram reforçar a GNR em pessoal e instalações). Depois, a Central mudou para o Castelo de S. Jorge. Em 19 de Outubro de 1921,
forças da GNR assaltaram a Central e prenderam o Oficial
Chefe da Inspecção do Serviço Telegráfico Militar. As Unidades da Guarnição de Lisboa, a que se juntaram forças da
GNR, protagonizaram uma revolta que, sem luta, conseguiram a demissão do governo chefiado por António Granjo.
Este episódio do assalto à Central demonstra a preocupação dos revoltosos com o domínio das comunicações.
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
Os Principais Meios, Figuras e Factos
Em 1926 entrou em funcionamento a Central de Belém que iria fornecer ligações
telefónicas às UEO da Zona Oeste da Cidade de Lisboa (Ajuda, Belém, Alto do
Duque, Pedrouços, entre outras).
No ano de 1936 foi tomada a decisão de princípio, de pôr de parte a utilização
de linhas civis dos Correios e Telégrafos que interligavam as Estações Militares,
tendo sido invocada a razão de pouca eficiência, visto as estações militares dependerem das Estações Civis, o que não era recomendável, em casos de alteração de Ordem Pública (PAÇO, Afonso: 1938, p. 119).
Por volta de 1938, a Rede Telefónica Militar incluía já 631 telefones instalados,
Central Telefónica CROSSBAR
assim distribuídos: Lisboa (de Alverca a Cascais) 434 telefones; Porto 87; Coimbra 28; Tomar 7; Tancos 31; Elvas 14; Estremoz 5 e Évora 25.
MEIOS RÁDIO
O Exército Português “recebeu em princípios de 1901 um Emissor e um Receptor
de Telegrafia Sem Fios fornecidos pela Casa Ducretet, de Paris” (PAÇO, Afonso: 1938,
p. 119), tendo estes equipamentos sido estudados e testados pelo Capitão Severo
da Cunha28 e pelo Tenente Sá Carneiro, distintos Oficiais da Companhia de Telegrafistas. Os testes com estes equipamentos, inicialmente, foram realizados
28 Comandante da Companhia de Telegrafistas do Regimento de Engenharia (PAÇO, Afonso: 1938, p. 119).
entre as extremidades Norte e Sul da Parada e terrenos anexos do Quartel da
Cruz dos Quatro Caminhos e, posteriormente, foram alargados até ao Vale Escuro e Alto de S. João. Estas experiências constituíram os passos iniciais na TSF em
Portugal, não só no âmbito militar, como no âmbito civil.
Em 1909, foi entregue material de origem alemã da marca Telefunken que seria
utilizado pela primeira geração de radiotelegrafista, em 1912, para estabelecerem as ligações entre S Julião da Barra e os navios da Marinha de Guerra, tendose instalado Estações em Paço de Arcos, Cascais, Trafaria e no Campo Entrincheirado de Lisboa.
No período da Grande Guerra de 1914-1918, o Exército passou a estar dotado
com equipamentos Marconi de origem inglesa e, terminada a guerra, assistiu-se
ao estabelecimento efectivo de uma Rede Rádio Militar de carácter fixo. Assim,
durante os anos 20 e anos 30, procede-se à aquisição de equipamentos SIF29
ao mesmo tempo que no Regimento de Telegrafistas se iniciava a produção de
Equipamentos SIF
aparelhos para grafia e fonia, de 200, 500 e 1000 watts. Também se lançou mão
das Estações de Trincheira para equipar os Postos Permanentes30.
A partir de 1940, o Batalhão de Telegrafistas constrói um Emissor/Receptor de
100 watts especialmente destinado às ligações com a Madeira, Açores e Cabo-
29 Societé Independante de TSF (SIF). A SIF foi o maior
fabricante deequipamentos de rádio militares na década
de 20 (Século XX). Esta empresa desenvolveu e construiu
diversas séries de Emisores/Receptores.
Verde, mas também destinado à instalação em posições do Campo Entrincheira-
30 Instalaram-se Postos Rádio em Lisboa, Caxias, S Ju-
do de Lisboa. Igualmente nessa altura são produzidos os Emissores/Receptores
lião, Coimbra, Viseu, Tomar, Santarém, Tancos, Évora, Beja, Porto, Braga, Vila Real, Castelo Branco, Vendas Novas
e Unidades de Aviação (Sintra, Amadora, Alverca), tendo
o sistema sido estruturado em quatro secções, Governo
Militar de Lisboa e Aviação, com postos directores em
Coimbra, Porto, Tomar, Évora, Lisboa e Alverca.
BT10 de 10 watts para as ligações internas dos arquipélagos. Os estudos e a
montagem destes equipamentos foram realizados pelo Major Virgílio Quaresma,
Alferes Duarte e 2.º Sargentos Silva e Lucas.
044 > 045
MEIOS RADIOTELEGRÁFICOS
Em 1919, perante a ameaça de greves gerais, o Chefe de Gabinete do Ministério
da Guerra mandou mobilizar a Companhia de TSF cujo comandante já se encontrava, há meses, apresentado na Repartição de Gabinete. O pessoal da Companhia e o material, reforçado com o que viera do CEP em França, foram colocados
em pontos-chave para a resolução da situação e “estabeleceram-se um pouco
secretamente Postos Rádio em diferentes localidades do País, que assegurando as comunicações do governo, fizeram abortar as projectadas greves”.31. Esta
31 A atitude do Chefe de Gabinete, ultrapassando a ca-
Rede, montada para acorrer a situações de emergência (greve geral), pode ser
deia de comando foi incorrecta e provocou uma reacção
do Estado-Maior. Só se compreende pela situação provocada pela Monarquia do Norte, que criara um clima de
tensão (PAÇO, Afonso: 1938, p. 143).
considerada como o embrião da Rede Radiotelegráfica fixa do Exército.
Em 1924, a Rede Radiotelegráfica era constituída por 15 Estações, entre as
quais se incluíam três da Aeronáutica, em Sintra, Amadora e Alverca. No Exército utilizavam-se estações de vários tipos: 6 fixas, 3 automóveis, 3 hipomóveis e
uma de trincheira. Dois anos mais tarde, a Rede tinha aumentado significativamente, mantendo-se a diversidade de potência dos equipamentos utilizados.
Em 1928 foi estabelecida em Coimbra, sob a direcção do Major Virgílio Quaresma, Chefe do Serviço Radiotelegráfico Militar, uma oficina destinada a transformar as estações de Faísca, visto desrespeitarem as Convenções Internacionais,
para Estações de Onda Contínua. Mais tarde, em 1936, o mesmo Oficial explicava, num Relatório, o evoluir do processo da Rede Fixa do Exército (Paço, Afonso; 1938,
p. 173),
onde apontava as dificuldades do Serviço Radiotelegráfico, em virtude
deste ter sido criado para fazer face a uma situação de greve geral, utilizando-se
material de campanha e instalações provisórias que se tornaram definitivas. Por
isso, era necessário adaptar o material e melhorar as instalações.
Em 1938, a Rede Telegráfica já dotada com novos equipamentos, possuía cerca
de 24 Estações Radiotelegráficas, espalhadas pelo país.
SEMPRE MELHOR
Estação de Évora, construída nas Oficinas do Regimento de
Telegrafistas – Estação Standard de 200 Watts (1936)
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
Os Principais Meios, Figuras e Factos
DO SERVIÇO DE TELECOMUNICAÇÕES MILITARES
(STM)
Em 1951, surgiu a necessidade de rever e actualizar o Regulamento do Serviço
Telegráfico Militar publicado em 1908. É assim criado o Serviço de Telecomunicações Militares32 (STM), cujas funções foram asseguradas inicialmente pelo
32 Decreto-Lei n.º 38568, publicado na OE N.º 8 – 1ª
Batalhão de Telegrafistas (1951-1970), posteriormente pela Escola Prática
Série.
de Transmissões (1970-1977) e finalmente pelo Regimento de Transmissões
(1977-1993). Em 1993, e no âmbito da reorganização do Exército, a Direcção
da Arma de Transmissões (DAT) é extinta, e é criada em sua substituição a Direcção dos Serviços de Transmissões (DST), dependente do Comando da Logística.
Ainda no âmbito desta reorganização, as funções do Serviço Telecomunicações
Militares passaram a estar repartidas pela Chefia das Telecomunicações Permanentes do Exército (CETEPE), que fazia parte da recém criada DST e pelo RTm.
À CETEPE cumpria-lhe o planeamento, projecto e instalação das Telecomunicações Permanentes do Exército, ficando o RTm responsável pela sua exploração,
manutenção e gestão.
As principais atribuições do STM eram “o complemento da instrução do pessoal
técnico destinado às Telecomunicações Militares; montagem, exploração e manutenção das Redes de Carácter Permanente e respectivo material; colaborar
sempre que necessário com os Organismos Civis das Telecomunicações”.
Até à criação da Arma de Transmissões (1970), este Serviço dependia directamente do Ministério do Exército quanto à parte técnica, e da Administração-Geral do Exército no que referia aos assuntos administrativos. O seu Director era o
Comandante do Batalhão de Telegrafistas.
No início da década de 60, e com o Major Fonseca Leitão no cargo de Subdirector do STM, este Serviço iniciou um período de expansão e de modernização da
Rede de Telecomunicações do Exército.
No âmbito da transmissão, em 1961 e em Lisboa, iniciou-se a instalação do cabo
Inauguração da Central Telefónica STROWGER no STM, 1962
em conduta enterrada no subsolo, em substituição dos circuitos aéreos e foi adjudicado o Sistema de Transmissão por Feixes Hertzianos para interligar Lisboa
– Santarém – Tomar – Aveiro – Porto. No ano seguinte, esta Rede de Transmissão
é expandida a Vendas Novas e Évora. Finalmente em 1963, estabeleceram-se as
ligações por Teleimpressor entre Lisboa, Tomar e Porto, além da ligação a Mafra
33 O Sistema Automático STROWGER foi concebido por
por Feixes Hertzianos. Ainda durante este ano, realizaram-se as primeiras trans-
Almond Strowger, em 1890, tendo sido introduzido em
Portugal em 1930, pela The Anglo Portuguese Telephone
Company (APT). As Centrais STROWGER utilizavam um
sistema de uni-selectores e selectores, activados pelo
impulso dado pela marcação dos dígitos. A este Sistema
deu-se o nome de “passo–a–passo”, pelo funcionamento
cadenciado dos seus componentes na realização de uma
chamada automática. Estas Centrais Telefónicas vieram
substituir as tradicionais telefonistas responsáveis por
estabelecer as chamadas telefónicas desde o Século
XIX. Em Portugal a automatização teve início com a inauguração da Central Telefónica Automática da Trindade,
em Lisboa, em 30 de Agosto de 1930.
missões por Fac-simile (Fax) e Telefotografia entre Lisboa e Porto.
No capítulo da comutação, em 1962, instalou-se em Lisboa uma Rede Automática servida por uma Central STROWGER33 (sistema electromecânico) colocada
no Batalhão de Telegrafistas, com capacidade para 400 assinantes, tendo sido
sucessivamente ampliada para 600 e 1000 assinantes.
Durante o período da Guerra Colonial (1961 a 1974), o STM desempenhou um
papel fulcral no apoio de comunicações aos quatro Teatros de Operações nas
046 > 047
Províncias Ultramarinas – Angola, Guiné, Moçambique e Timor – escoando grandes volumes de tráfego, estratégico, táctico e administrativo-logístico. Podemos considerar que “O STM foi o construtor de pontes sem limites de vão ou
extensão, que mantiveram a união de todos os portugueses de aquém e alémmar”, (MOREIRA, Cor Bastos: 1986, p.168).
No fim da década de 50, prevendo-se o agravamento dos conflitos internos no
Ultramar, por Despacho Ministerial de 25 de Fevereiro de 1959, foi nomeado o
34 Constituído pela Companhia TSF do Batalhão de Engenharia, pelo Pelotão de Manutenção e Reabastecimento e
outros elementos recém chegados ao TO.
Major Costa Paiva (à data Subdirector do STM), para se deslocar a Angola, Guiné e Moçambique afim de elaborar os estudos das redes a montar num Sistema
de Transmissões Permanentes, que interligasse a Metrópole a estas Províncias.
Como corolário destes estudos, surgiram os Destacamentos do STM a projectar
para os vários Teatros de Operações Ultramarinos. Os seus Quadros Orgânicos
de Pessoal e Material foram criteriosamente planeados e organizados no Batalhão de Telegrafistas, que funcionou como uma autêntica Unidade Mobilizadora
de recursos humanos, materiais e financeiros, além de prestar o apoio técnico no
planeamento das redes a instalar nos diversos Teatros.
O primeiro destes Destacamentos, sob o comando do Capitão José Pinto Correia, foi projectado para Angola em 1960, ainda antes da eclosão da guerra neste
território, verificada a 15 de Março de 1961. Em 1962, foi criado o Comando
das Transmissões e o Batalhão de Transmissões n.º 36134, responsáveis por ga-
Esquemas das Ligações de Grafia e Fonia do STM
rantirem as comunicações no TO. Este Batalhão, posteriormente, já nos anos 70,
transformou-se no Agrupamento de Transmissões n.º 1.
Posteriormente foi ainda enviado um Destacamento do STM para Timor sob o
comando do Capitão Freitas Lopes.
Em 1962, sob o comando do Capitão Amadeu Garcia dos Santos, foi projectado o
Destacamento do STM para a Guiné, tendo sido acrescida a este Destacamento,
a responsabilidade pela ligação ao Arquipélago de Cabo Verde. Mais tarde, foi
enviada para este Teatro, uma Companhia de Transmissões Independente e só
em 1970, à custa da reunião de diversos órgãos estacionados na Guiné, foi possível criar o Agrupamento de Transmissões responsável pelas ligações internas
do TO, ligação a Cabo Verde e pelo Rear-link para a Metrópole (Portugal Continental).
Esquema de Ligações das Ligações Rádio (1965-1974)
Em 1961, sob o comando do Capitão Manuel Adelino Pires Afonso, foi projectado
o Destacamento do STM para Moçambique. Quatro anos mais tarde, foi criado o
Comando das Transmissões que ficou sedeado na Região Militar de Nampula, e
cujo primeiro comandante foi o Tenente-Coronel Aranda. Em 1968, é organizado
o Batalhão de Transmissões n.º 2 que passa a ser comandado, em acumulação
de funções, pelo Comandante do Comando das Transmissões. Sobre estas duas
entidades recaía a responsabilidade de garantir as comunicações no TO.
Nesta altura, Lisboa estava ligada via Rádio com Bissau, S. Vicente, S. Tomé, Luanda, Lourenço Marques, Nampula, Macau e Dili. Por Radioteleimpressor funcionavam as ligações com Bissau, Luanda, Nampula e Lourenço Marques.
No interior das Províncias Ultramarinas, afectadas pelo terrorismo, eram explorados e mantidos os seguintes meios (MOREIRA, Cor Bastos: 1986, p.168):
SEMPRE MELHOR
Destacamento do STM - Moçambique
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
Os Principais Meios, Figuras e Factos
> Guinè - Redes Rádio, ligações por Feixes Hertzianos (FHz) em VHF e uma Rede
Telefónica Automática em Bissau;
Centro Emissor Ultramarino (CEU) – Encarnação, Lisboa
> Angola - Rede Telefónica Automática e Redes Telex em VHF, em Luanda, Redes
Telefónicas em várias localidades, Circuitos de FHz, Redes Rádio principais e
secundárias;
> Moçambique - Redes Rádio, Ligações ponto-a-ponto por Rádio (Fonia e Grafia)
e por Radioteleimpressor. Redes Telefónicas Permanentes em Nampula, Beira e
Lourenço Marques.
Na Metrópole eram utilizados dois Centros para efectuar as ligações ultramarinas: o Centro Emissor Ultramarino (CEU) instalado em Lisboa (Encarnação) e o
Centro Receptor instalado em Alcochete. No entanto, toda a coordenação, operação e encaminhamento de tráfego eram concentrados no Centro de Transmissões do Exército (CTE), situado no Quartel de Sapadores.
Nas palavras do Major-General Pedroso de Lima35, “a evolução das Transmissões provocada pela Guerra Colonial é enorme: o STM torna-se intercontinental
e estabelece-se nas antigas colónias”.
Na eclosão do golpe de estado conduzido vitoriosamente pelo Movimento das
Forças Armadas (MFA), em 25 de Abril de 197436, o STM desempenhou um papel relevante no estabelecimento das comunicações entre o Posto de Comando, sedeado no Regimento de Engenharia da Pontinha, e as Unidades do MFA,
bem como na negação da utilização do espectro electromagnético pelas Forças
fieis ao Antigo Regime. O sucesso das comunicações só foi possível pelo elevado
35 Oficial na Reforma que integra o “Grupo dos Amigos do
Museu das Transmissões” e o “Grupo da Historia das Transmissões”.
36 As causas desta revolução que culminou com a deposição de um Regime Autoritário (Estado Novo), ao fim
de 48 anos de vigência, prendem-se com os problemas
que a Guerra Colonial causava, quer ao Governo, quer aos
militares, ao fim de mais de uma década de conflito, dado não existir nem se antever uma solução militar para o
conflito, acrescido dos prejuízos evidentes para os Oficiais oriundos da Academia Militar, em termos dos atrasos na progressão na carreira, face aos milicianos. Daqui
resulta a posição do General Spínola, na Guiné, que defendia a negociação com o PAIGC, o que o levou a abandonar o Comando da Guiné em 1973, deixando os seus
seguidores na contestação ao Governo. Esta contestação
evoluiu e deu lugar ao Movimento dos Capitães, que organizaram diversas reuniões à revelia da hierarquia. Este
movimento foi posteriormente dar origem ao MFA, que
se estendia a todo o Território Nacional e Ultramarino. A
contestação aumentou, surgindo uma primeira tentativa
de derrube do Regime (16 de Março de 1974 com a saída
do RI 5 das Caldas da Rainha), que acabou por falhar devido a precipitação dos seus organizadores, o que, por sua
vez, acalmou o Governo, dado que ficaram com a ideia de
que o MFA não tinha maturidade suficiente para pôr em
causa a governação do Estado.
048 > 049
profissionalismo e dedicação exemplar de Oficiais, Sargentos e Praças do STM,
37 Caracterizado pela instabilidade politica, económica
organizados e comandados pelo Tenente-Coronel Amadeu Garcia dos Santos.
e social, surgem no seio do MFA dois grupos antagónicos:
os militares revolucionários que dominavam a maioria
das unidades operacionais dos três Ramos das Forças
Armadas e os militares moderados, que para além de
praticamente não comandarem forças, também estavam
colocados em serviços não operacionais. Estes últimos
pretendiam a construção de uma sociedade pluralista e
democrática, ao estilo ocidental, com Forças Armadas
apartidárias. Assim, nove membros do Conselho da Revolução, subscrevem o designado “Documento dos Nove”
(que apontava os desvios a que democracia, estabelecida após o 25 e Abril de 1974, estava sujeita e prometia
reverter a situação de modo a cumprir os compromissos
assumidos pelo MFA no seu programa). Este Documento,
amplamente divulgado nos meios militar e civil, acabou
por receber um apoio considerável. Como forma de reacção, os militares revolucionários expulsam os subscritores do referido documento.
Destaca-se o lançamento de linhas telefónicas entre o Colégio Militar e a Pontinha, permitindo a ligação desta última unidade à Rede de Comunicações do STM.
Este trabalho realizado nas vésperas do “25 de Abril”, foi concluído num tempo
extremamente reduzido, para além ter sido convenientemente dissimulado, para
evitar suspeitas dos membros do regime vigente.
Durante o “Verão Quente de 1975”37, face à polémica gerada, os militares moderados temem que os revolucionários tentem um novo golpe de estado revertendo
a situação a seu favor. Assim, por antecipação, foi designado um pequeno grupo
de Oficiais para preparar um Plano Operacional de Contingência que o contivesse38, tendo a sua coordenação sido entregue ao Tenente-Coronel Ramalho Eanes.
A este grupo pertencia também o Tenente-Coronel Garcia dos Santos que ficou com a responsabilidade de estabelecer as comunicações entre o Posto de
Comando, situado no Regimento de Comandos, na Amadora, e as Unidades que
38 Na Base de Monsanto, os Pára-quedistas tentam tomar o Comando da Unidade, tendo de imediato sido para
lá destacados os Comandos que impediram tal situação,
acabando por conter a revolta e um possível golpe militar.
os apoiavam. Para o sucesso desta operação, contribuiu o empenho de diversos
Oficiais da Arma, alguns dos quais colocados no STM, no levantamento das necessidades de ligação e na disponibilização dos meios exigidos, destacando-se o
apoio da GNR com uma viatura da Brigada de Trânsito e meios rádio, em reforço
dos meios do Exército.
Os quadros seguintes apresentam, por ordem cronológica, uma relação sintética
das efemérides mais significativas, bem como das realizações e acontecimentos
Emissor/Receptor STORNO, utilizado no 25NOV75
relacionados com o STM a partir de 1956, demonstrando a considerável expansão e modernização verificadas, e a sua grande importância no seio do Exército e
mesmo das Forças Armadas.
PRINCIPAIS ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS PELO STM (1956-1977)
1956
1960
1961
. Instalação em Lisboa de 12 Terminais
. Pouco tempo antes da independência
. Entrada em funcionamento da Rede
Telegráficos equipados com Teleim-
do Congo Belga, parte para Angola a
Telefónica Automática de Mafra.
pressores.
primeira Delegação do STM com a fi-
. Inicio do enterramento em “duc-tube”
1957
nalidade de instalar Estações Rádio no
dos novos traçados da Rede Telefónica
Norte da Província.
de Lisboa.
. Fase decisiva da remodelação do
. Partida de uma Delegação do STM
. Instalação em Lisboa de uma Central
Serviço, com a inclusão de novos Sis-
para Timor.
Manual de Teleimpressores para 20 di-
temas e Meios.
. Inicio das obras para instalações do
recções.
Centro Emissor Ultramarino (CEU) na
Encarnação (Lisboa).
. Inicio da ligação entre Lisboa – Santarém – Tomar – Lousã – Aveiro - Porto
por Feixes Hertzianos (FHz).
SEMPRE MELHOR
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
Os Principais Meios, Figuras e Factos
1962
1968
. Estabelecimento das ligações Rádio
. Instalação das Redes Telefónicas em
. Inicio da ampliação de Central Tele-
com Bissau e com o Sal.
Nampula e Beira.
fónica Automática do Centro Nacional
. Automatização da Rede Telefónica de
. Ligação Lisboa - Mafra por FHz.
de Transmissões para 600 linhas, com
Lisboa, com Centrais no Quartel-Ge-
. Inauguração da Sala de Teleconferên-
possibilidade de expansão para 1000.
neral e no Batalhão de Telegrafistas,
cias e do Laboratório no CNT.
esta ultima com capacidade para 400
. Ligações Radiotelefónicas com Lou-
direcções (assinantes).
renço Marques e Teleimpressor com a
1972
. Uma Delegação do STM segue para a
Guiné.
. O Serviço de Telecomunicações Mili-
Guiné.
tares passa a depender da Direcção da
. Instalação de novas Estações Rádio
Arma de Transmissões em virtude des-
em Beja, Estremoz, Lamego, Castelo
1964
Branco, Penamacor, Torres Novas, Ta-
. Entra em serviço a Rede Telefónica
dos elementos orgânicos da Arma.
vira, Penafiel, Vila Real, Viana do Cas-
Automática e de Segurança do Campo
. O STM é constituído por:
telo, Aveiro e Figueira da Foz.
de Tiro de Alcochete.
- Chefia;
. Estabelecimento de uma Rede Rádio
. Instalada em Luanda uma Rede Tele-
- Divisão de Exploração (DIVEX);
na Guiné e respectiva ligação com S.
fónica Automática.
- Divisão de Reabastecimento, Instala-
Vicente e Sal.
. Ligação Lisboa - Palmela - Setúbal
ções, e Manutenção (DRIM);
. Instalação do Centro Receptor Ul-
por FHz.
- Divisão de Administração;
tramarino em Alcochete e respectiva
. A Rede Telex de Lisboa entra em ple-
- Centro de Instrução.
ligação com Lisboa (Centro Nacional
no funcionamento.
de Transmissões - CNT).
. Circuito Multivia de FHz entre Lisboa
. Instalação de uma Central Telex para
– Santarém – Tomar - Aveiro.
1976
40 direcções, em Lisboa.
. Instalação de Estações Rádio em La-
. Instalação de equipamentos de FHz
. Ligação por FHz com Vendas Novas e
gos e Portalegre.
em Palmela, Serra Alta, Mendro e Évo-
Évora.
. A Rede Telefónica Automática de
ra.
. Automatização das Redes Telefóni-
Santa Margarida entra em funciona-
. Instalação no Centro Nacional de
cas de Bissau, Tomar e Évora.
mento.
Transmissões de uma nova Central Te-
. Ligação Radiotelefónica com Bissau.
. Primeira fase de Rede Automática do
lex para 100 direcções com possibili-
Porto.
dade de ampliação para 400.
. Primeiras ligações Lisboa - Porto por
1965
1977
Fac-símile e Telefotografia.
. Estabelecimento do Serviço Radio-
. O Regimento de Transmissões, insta-
. Estabelecimento de ligações Radio-
telefónico com Timor, com os Açores e
lado no Porto no Quartel do Bom Pas-
telegráficas com Luanda.
com a Madeira.
tor é transformado em Escola Prática
. Delegações do STM partem para Mo-
. Estabelecido o Serviço de Fac-símile
de Transmissões.
1963
çambique e para S. Tomé e Príncipe.
e Telefotografia entre Lisboa e Luan-
. Instalação na Guiné de uma Rede
da.
FHz.
. Ligação Coimbra - Aveiro por FHz.
. Estabelecimento das ligações entre
. Instalada nova Central Telefónica
S. Tomé e Luanda.
para a zona ocidental de Lisboa, no Re-
. Ligações por Teleimpressor Lisboa -
gimento de Lanceiros nº 2 (Ajuda).
Tomar - Porto.
. Automatização de Rede Telefónica de
se Serviço ter passado a constituir um
Vendas Novas.
050 > 051
ESTANDARTES
E SÍMBOLOS DIVERSOS
ESTANDARTES DAS DELEGAÇÕES DO STM NAS PROVÍNCIAS ULTRAMARINAS
Estandarte da Delegação do STM na Guiné
(até 1974)
Estandarte da Delegação do STM em
Moçambique (até 1974)
Símbolo da Delegação do STM em Angola
(até 1974)
Existiu também a Delegação do STM de Timor, da qual não nos foi possível recolher a imagem do seu Estandarte.
DESTACAMENTOS E AGRUPAMENTOS DE TRANSMISSÕES NAS PROVÍNCIAS ULTRAMARINAS
Símbolo do Agrupamento de Transmissões
na Guiné (até 1974)
SEMPRE MELHOR
Estandarte do Destacamento de Transmissões de Angola (até 1974)
Símbolo do Destacamento do Serviço de
Transmissões Militares em Moçambique
(1967-1974)
DO CORPO TELEGRÁFICO AO RTm (1810-1977)
Estandartes e Símbolos Diversos
ESTANDARTES DIVERSOS
Estandarte do Batalhão de Telegrafistas
(1940)
Estandarte da Companhia de Telegrafistas
(1911)
Estandarte Companhia Telegrafia Sem Fios
(1911)
DISTINTIVOS DAS ESPECIALIDADES DE TRANSMISSÕES
Distintivo utilizado por:
Companhia de Telegrafistas de Praça
(1902)
Regimento de Telegrafistas (1927)
Batalhão de Telegrafistas (1940)
Arma de Transmissões (a partir de 1970)
Distintivo da Companhia de Aerosteiros do
Serviço Telegráfico Militar (1911)
Distintivo utilizado por:
Companhia de Telegrafia Sem Fios – TSF
(1911)
Especialidade de Radiotelegrafista (1948)
052 > 053
Distintivo utilizado por:
Companhia de Telegrafistas (1911)
Batalhão de Telegrafistas de Campanha
(1913)
Especialidade de Telefonista e Telegrafista
(1948)
Distintivo da Companhia de Projectores
(Regimento de Telegrafistas -1927)
Distintivo utilizado pelos Oficiais do
Quadro de Complemento (Manutenção e
Exploração das Transmissões - 1963)
DISTINTIVOS DOS OFICIAIS E PRAÇAS
DA ARMA DE ENGENHARIA (TRANSMISSÕES)
Do Plano de Uniformes para o Exército descrito na Ordem do Exército n.º 16 de 9 de Agosto de 1911 constam
os seguintes distintivos:
Para Oficiais da Arma de Engenharia:
- UM CASTELO
Para as Praças da Arma de Engenharia adstritas às
Transmissões:
- ESTRELA COM OITO RAIOS
Companhias de Telegrafistas;
- CASTELO COM OITO RAIOS
Companhias de Telegrafistas de Praça;
- BOBINE COM OITO RAIOS
Companhias de Telegrafistas Sem Fios.
A partir de 1970, com a Criação da Arma de Transmissões, todos os militares de Transmissões (Oficiais,
Sargentos e Praças) passam a usar um único distintivo
aprovado para representar a Arma de Transmissões: o
CASTELO COM RAIOS.
Dia da Unidade do Batalhão de Telegrafistas (9 de Janeiro)
SEMPRE MELHOR
OS ANCESTRAIS COMANDANTES
COMANDARAM O BATALHÃO DE TELEGRAFISTAS
COR Eng.ª
Artur Arsénio Oliveira Moreira
13JUL39 – 26MAI41
TCOR Eng.ª
João Alegria Santos Calado
03JUN41 – 09DEC44
TCOR Eng.ª
Virgílio António F. Quaresma
10DEC44 – 18MAR46
TCOR Eng.ª
Flávio José Álvares dos Santos
19MAR46 – 30NOV48
TCOR Eng.ª
António Nunes Freire
01DEC48 – 22AGO50
TCOR Eng.ª
Artur Quintino Rogado
23AGO50 – 06OUT51
054 > 055
CHEFIARAM O SERVIÇO DE TELECOMUNICAÇÕES
TCOR Eng.ª
Jorge César Oom
07OUT51 – 10FEV53
TCOR Eng.ª
Mário Santos Risques Pereira
27FEV53 – 29ABR54
TCOR Eng.ª
Manuel Braz Martins
30ABR54 – 14ABR55
TCOR Eng.ª
Victor Francisco Sousa Franco
04MAI55 – 01JUL57
COR Eng.ª
Eduardo Jorge Gomes da Silva
09JUL57 – 27DEC60
TCOR Eng.ª
Jorge Luís Tedeschi Seabra
02FEV61 – 29JUN61
COR Eng.ª
Eduardo Jorge Gomes da Silva
30JUN61 – 23OUT62
TCOR Eng.ª
Mário Pinto Fonseca Leitão
24OUT62 – 06JAN66
TCOR Eng.ª
Vasco Guilherme Castro Neves
07JAN66 – 09MAI70
SEMPRE MELHOR
COMANDARAM A ESCOLA PRÁTICA DE TRANSMISSÕES
COR Tm Eng.º
José Francisco Fernandes Basto
10MAI70 – 06MAR72
COR Tm Eng.º
José Sacadura Corte Real
07MAR72 – 28JUN74
COR Tm Eng.º
Gonçalo Nuno Sanches da Gama
29JUN74 – 08OUT74
COR Tm Eng.º
António Eduardo Mateus da Silva
09OUT74 – 17NOV74
COR Tm Eng.º
António Avelino Pereira Pinto
18NOV74 – 24MAR75
TCOR Tm Eng.º
Carlos Alberto Borges do Rego Falcão
25MAR75 – 03DEC75
COR Tm Eng.º
Francisco José Pinto Correia
04DEC75 - 28JUN76 *
COR Tm Eng.º
António Luís Pedroso de Lima
06OUT76 – 31JAN77
+Entre a data em que o Cor Pinto Correia cessou
as funções como Comandante da EPT e a apresentação do novo Comandante da Unidade – o Cor
Pedroso de Lima, a Escola foi comandada interinamente pelo TCor Pinto dos Santos (29JUN76 a
05OUT76), que mais tarde viria a ser Comandante
do RTm.
056 > 057
SEMPRE MELHOR
02
O REGIMENTO DE
TRANSMISSÕES
1977 - 2007
Caracterização da Unidade
Localização e Infra-estruturas
Heráldica e Vexilologia
Patrono da Unidade
Galeria dos Ilustres
Missão, Orgânica e Efectivos
Acervo Histórico
058 > 059
CARACTERIZAÇÃO
DA UNIDADE
Através do Decreto-lei n.º 181/77 de 4 de Maio de 1977, incluído na Ordem do
Exército n.º 5 (1.ª Série) de 31 de Maio de 1977, o Regimento de Transmissões,
após a transferência de Lisboa para o Porto, da Escola Prática de Transmissões,
passou a ocupar as instalações do Quartel de Sapadores em Lisboa.
Ao novo Regimento então criado são atribuídas funções específicas, diferentes das que tinha no Porto (essencialmente de Campanha), embora mantendo a
mesma designação de Regimento de Transmissões, foi assumir as Transmissões
Permanentes como a sua missão fundamental.
Ao RTm são atribuídas duas valências:
Fachada do Regimento de Transmissões
- Como Unidade da Guarnição de Lisboa, ficou na dependência hierárquica do
QG/RML, assumindo alguns encargos de guarnição, nomeadamente: Guardas de
Honra ao Tribunal Militar Territorial de Lisboa (TMTL); Guardas de Honra Fúnebres; Assistência às Famílias dos Militares Falecidos; Representação do General
CEME; Reconstituição de Acidentes; Avaliação de Danos; Porta Guião da Unidade a Cerimónias Militares; participação em diversas missões superiormente
autorizadas;
- As Transmissões Permanentes da responsabilidade do Serviço de Telecomunicações Militares (STM) que, a partir de 1977, ficou adstrito ao RTm. Este Serviço garante a operacionalidade do Sistema de Transmissões Permanentes do
Exército, bem como a exploração dos meios de comunicações, através das suas
Secções Regionais39 e dos seus Destacamentos40.
Resumidamente, a missão fundamental atribuída ao RTm pode sintetizar-se em:
“garantir, estabelecer, guarnecer, chefiar e controlar as transmissões de carácter permanente do Exército, assegurando o seu integral apoio logístico para
garantir a ligação entre Centros, Centrais e Estações de Transmissões Permanentes que instala e mantém nos Órgãos e Unidades”.
SEMPRE MELHOR
39 Secções Regionais do STM nos QG das RM/ZM e Comandos de Natureza Territorial, nomeadamente:
1.ª Secção no Porto;
2.ª Secção em Coimbra;
3.ª Secção em Santa Margarida;
4.ª Secção em Évora;
5.ª Secção em Lisboa;
6.ª Secção em Ponta Delgada (Açores)
e 7.ª Secção no Funchal (Madeira).
40 Destacamentos do STM: Destacamento de Belém (garantiu as comunicações telefónicas na área de Belém Alto do Duque) e o Destacamento da Encarnação (Centro
Emissor Ultramarino).
O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Caracterização da Unidade
Em 1993, com a reorganização do Exército (Dec-Lei n.º 50/93 de 26 de Fevereiro), foi extinta a Direcção da Arma de Transmissões (DAT), tendo sido criada
a Direcção dos Serviços de Transmissões (DST), subordinada ao Comando da
Logística, herdando formalmente da DAT apenas as responsabilidades logísticas que esta detinha. As competências do STM, localizado no RTm até esta data,
foram repartidas pela Chefia das Telecomunicações Permanentes do Exército41
41 O Despacho nº 182/94 de 5 de Setembro, publicado
(CETEPE42),
na OE nº 9, (1.ª Série), estabeleceu a articulação técnicofuncional das Telecomunicações Permanentes do Exército, explicitando as relações entre a CETEPE, o RTm e
os CTP das RM/ZM e Comandos de Natureza Territorial
(CMSM e CTAT).
que assume as componentes de planeamento, projecto e fiscaliza-
ção do SITEP, e pelo RTm, que dependendo tecnicamente da DST, passou a ser
responsável apenas pelas componentes de exploração, manutenção e gestão
dos sistemas instalados, através do seu Batalhão de Estruturas (BEstr), que foi
criado para o efeito. A manutenção do SITEP, nível regional (RM/ZM, CMSM e
CTAT) e dentro das suas possibilidades, foi garantida pelos Centros de Telecomunicações Permanentes43 que dependiam tecnicamente da CETEPE.
Finalmente em 2006, o Decreto-Lei n.° 61/06 de 21 de Março, aprovou uma nova
Lei Orgânica do Exército, que serviu de base à “Transformação do Exército” iniciada nessa data. Esta transformação do Exército, implicou também uma nova
42 A CETEPE, integrada no QO da DST, era constituída
por: uma Secção de Recursos Humanos, Recursos Materiais; uma Secção de Planeamento, Controlo de Projectos
e Integração e Sistemas; uma Secção de Projectos e Estudos Técnicos e Secção de Apoio Técnico.
43 Centros de Telecomunicações Permanentes: do GML;
da RMN; da RMS; da ZMA da ZMM; do CMSM e do CTAT.
reorganização ao nível das Transmissões Permanentes. Em consequência, é criada a Direcção de Comunicações e Sistemas de Informação (DCSI), substituindo a
DST, agora na dependência do Comando Operacional (Cmd Op).
O RTm passa a depender hierarquicamente da DCSI de uma forma directa, e indirectamente do Cmd Op. A sua orgânica transforma-se de forma a acomodar-se a
uma nova realidade que contempla não somente as Transmissões Permanentes
mas também a integração do Centro de Informática do Exército (CIE) e as competências em matéria de Segurança das Comunicações e da Informação. Neste
novo quadro e para o efeito, é criado o Batalhão de Comunicações e Sistemas de
Informação (BCSI) e o Centro de Segurança da Informação (CSI).
Antena do SITEP instalada no RTm
060 > 061
LOCALIZAÇÃO
E INFRA-ESTRUTURAS
Edificio do Comando - RTm
O Aquartelamento do Regimento de Transmissões situa-se na Rua de Sapadores,
em Lisboa. Inicialmente designado por Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos e,
posteriormente, por Quartel de Sapadores44 (PM-42/Lisboa), foi ocupado pelas
44 Designação da 1ª Unidade de Engenharia Militar a
Transmissões a partir de 1927, quando nele se instalou o então Regimento de
ocupar este Aquartelamento em 1848 – o Batalhão de
Sapadores – que está na origem do nome atribuído à Rua
de Sapadores, actual morada do RTm.
Telegrafistas.
O actual Quartel tem 46.568 m2 de área, estando dividido em duas áreas distintas:
- Uma área urbanizada, que inclui todos os edifícios e jardins da Unidade;
- Uma área mais rústica, localizada a Norte do Quartel, e onde se situa o “Parque
dos Quatro Caminhos”, o qual inclui uma pista de atletismo para a prática de desporto.
SEMPRE MELHOR
O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Localização e Infra-Estruturas
48
47
13 14
15
12
16
11
10
18
9
8
7
6
5
4
3
2
17
35
19 20
33
36
32
21
31
22
23 24
30
25 26
1
34
40
41
37
29
28 38
27
43
39
46
45
42
47
44
Vista Aérea do RTm, Março 2007
LEGENDA
1 – Edifício do Comando
17 – Refeitório de Oficiais e Sargentos
33 – Serralharia
2 – Parque de viaturas civis
18 – Depósito de Géneros
34 – Balneários Gerais
3 – PelReab/CMan/BEstr
19 – Comando da CExpl
35 – Depósito de Combustível
4 – Secção Logística
20 – Ginásio
36 – Sala de Conferências
5 – Sala/Bloco Sargento
21 – Alojamento de Sargentos
37 – CTPE 1
6 – 1.ª Caserna da CCS
22 – Caserna CExpl
38 – Serviços do BEstr
7 – Alojamento de Sargentos
23 – Comando CMan/BEstr
39 – Torre Feixes Hertzianos
8 – 2.ª Caserna da CCS
24 - Caserna CMan/BEstr
40 – Garagens
9 – Comando da CCS
25 – Alojamento de Oficiais
41 – Pista de Aplicação Militar
10 – Bar de Praças
26 – Alojamentos Femininos
42 – Museu das Transmissões
11 – Armazéns
27 – Enfermaria
43 – Polivalente Desportivo
12 – Oficina auto
28 – Serviço TPF/BEstr
44 – Pombal Militar
13 – Dep PelReab/CMan/BEstr
29 – Secretaria BEstr
45 – Pel Transportes/CCS
14 – Equipa de Conservação e Obras
30 – Comando do BEst
46 – Jardim
15 – Refeitório de Praças
31 – Svç. Som/BEstr
47 – Torres de HF
16 – Cozinha
32 – Carpintaria
48 – Parque da Cruz dos 4 Caminhos
062 > 063
HERÁLDICA E VEXILOLOGIA
ESTANDARTE NACIONAL
O Estandarte Nacional, também designado por Bandeira Militar, é a Bandeira
Nacional existente em todas as Unidades Militares do país, de acordo com o
Dec-Lei n.º 46/92 de 4 de Abril. O Estandarte Nacional, representa e recorda aos
membros das Forças Armadas Portuguesas, as batalhas e guerras em que se empenharam os seus antecessores que verteram gloriosamente o sangue na defesa
dos interesses nacionais. Por baixo da esfera armilar estão duas vergonteas de
loureiro, ligadas por um laço branco, que tem inscrito a imortal legenda Camoneana: “ESTA E A DITOSA PÁTRIA MINHA AMADA”.
BRASÃO DE ARMAS
Estandarte Nacional da Unidade
DESCRIÇÃO HERÁLDICA
Nos termos da Portaria n.º 213/87, de 24 de Março, manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Defesa Nacional, aprovar o modelo do Brasão
de Armas do Regimento de Transmissões, cuja reprodução consta da gravura
anexa à presente portaria e com a descrição heráldica seguinte, constante da
informação n.º 186 do Gabinete de Heráldica do Exército.
- Escudo de azul, uma Almenara de oiro, iluminada e aberta de vermelho e acesa
do mesmo perfilado de oiro.
- Elmo militar, de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a dextra.
- Correia de vermelho, perfilada de oiro.
- Paquife e virol de azul e oiro.
- Timbre, uma garra de leão de vermelho empunhando seis raios eléctricos de
oiro.
- Divisa num listel branco, ondulado, sotoposto ao escudo, em letras de estilo
elzevir, maiúsculas, de negro:
“SEMPRE MELHOR”
SEMPRE MELHOR
Brasão de Armas da Unidade
O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Heráldica e Vexilologia
SIMBOLOGIA E ALUSÕES DAS PEÇAS
A Almenara (Torre de Sinais) é símbolo heráldico das comunicações.
REPRESENTAÇÃO E SIGNIFICADO DOS METAIS E COBRES
- Oiro: Sol, nobreza.
- Vermelho: fogo, energia criadora.
- Azul: ar, espaço, lealdade.
(Publicada na Ordem do Exército n.º 2 – 1.ª Série de 29FEV80 EME)
Estado-Maior do Exército, 14 de Janeiro de 1980.
O Chefe do Estado-Maior do Exército, Pedro Alexandre Gomes Cardoso, General.
BANDEIRAS HERÁLDICAS
ESTANDARTE DO REGIMENTO DE TRANSMISSÕES
O Estandarte do Regimento de Transmissões constitui a Bandeira Heráldica de
desfile e símbolo do seu corpo.
As Bandeiras Heráldicas da Unidade foram aprovadas mediante proposta45,
contendo os desenhos dos projectos das bandeiras a aprovar, dirigida à Secção
de Heráldica, da Repartição de História Militar, da Direcção de Documentação e
História Militar, do Comando de Pessoal.
Estas Bandeiras foram desenhadas tendo como referências o Quadro Orgânico
do Regimento de Transmissões (Despacho de 21SET93), o Regulamento de Heráldica do Exército (Portaria n.º 213/87) e o Estandarte do Regimento de Transmissões, já criado nos termos deste Regulamento e entregue ao RTm em 2003.
Estandarte do RTm
45 Nota n.º 66/SecLog05, Proc. 06.02, de 06ABR05.
064 > 065
ESTANDARTE DAS SUB-UNIDADES DO REGIMENTO DE TRANSMISSÕES
ESTANDARTE DO BATALHÃO DE COMUNICAÇÕES
E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
O Estandarte do Batalhão de Comunicações e Sistemas de Informação é constituído por uma quadratura do escudo do Regimento de Transmissões, com
bordadura amarela (ouro), correspondente à cor do metal principal das armas,
acantonado da mesma cor azul do escudo, por escolha. Este Estandarte foi inicialmente atribuído ao Batalhão de Estruturas46, criado pelo QO do RTm aprovado em 21SET93. O Batalhão de Comunicações e Sistemas de Informação, como
legítimo herdeiro da missão e tradições do extinto Batalhão de Estruturas, herdou também o seu Estandarte.
Estandarte Batalhão de Comunicações e Sistemas de
Informação (a partir de 22MAI07) e do Batalhão Estruturas
(1994 até 22MAIO07)
46 O Batalhão de Estruturas era constituído por:
FLÂMULA DA COMPANHIA DE ESTRUTURAS E APOIO DE SISTEMAS
Constituída por um quadrado reproduzindo o Estandarte do Batalhão de Comu-
- Companhia de Instalação;
- Companhia de Manutenção;
- Centro de Gestão de Sistemas.
nicações e Sistemas de Informação, por ser o seu escalão superior, e pontas de
cor azul, no mesmo tom do escudo das armas do Regimento de Transmissões.
Esta Flâmula estava atribuída à Companhia de Manutenção do Batalhão de Estruturas, ambos extintos em 22 de Maio de 2007, passando desde essa data a
representar a Companhia de Estruturas e Apoio de Sistemas, legítima herdeira
da missão e tradições da Companhia de Manutenção.
FLÂMULA DA COMPANHIA DE COMANDO E SERVIÇOS
Constituída por um quadrado reproduzindo o Estandarte do Regimento de Transmissões, por ser o seu escalão superior, e pontas de cor púrpura.
SEMPRE MELHOR
Flâmula da Companhia de Estruturas e Apoio de Sistemas (a
partir de 22MAIO07) e da Companhia de Manutenção (1994
a 22MAIO07)
Flâmula da CCS (desde 1994)
O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Heráldica e Vexilologia
ANTIGOS ESTANDARTES DO REGIMENTO DE TRANSMISSÕES
1.º Estandarte do RTm (1977-1985)
Aprovado por Despacho de S. Exa o Gen
CEME de 24JAN78
2.º Estandarte do RTm (1985-2003)
OE n.º 9, 1.ª Série 30SET85
ESTANDARTES DAS SUB-UNIDADES EXTINTAS
Estandarte do Batalhão Estruturas
(1994 - 22MAI07)
Flâmula da Companhia de Manutenção do BEstr (1994 – 22MAI07)
Flâmula da Companhia de Instalação47 do BEstr (1994 – 22MAI07)
Flâmula da Companhia de Exploração48 do RTm (1994 – 22MAI07)
47 Esta Flâmula é constituída por um quadrado, reproduzindo o Estandarte do Batalhão de Estruturas, por ser o seu escalão superior, e pontas de cor encarnada.
48 Esta Flâmula é constituída por um quadrado, reproduzindo o Estandarte do Regimento de Transmissões, por ser o
seu escalão superior, e pontas de arminho pleno em fundo branco.
066 > 067
PATRONO DA UNIDADE
O Regimento de Transmissões tem como Patrono o Arcanjo S. Gabriel.
A escolha do Arcanjo S. Gabriel para Patrono do Regimento de Transmissões tem
um significado profundo, pois, segundo a tradição cristã, Deus escolheu S. Gabriel para anunciar à Santíssima Virgem o mistério da Encarnação. Anteriormente, fora enviado a Daniel, para lhe comunicar a época em que Jesus Cristo nasceria, e a Zacarias, para lhe anunciar o nascimento de João Baptista. O Arcanjo está
ligado às mensagens messiânicas, e a sua presença na Sagrada Escritura indica
a plenitude dos tempos.
A saudação do Anjo à Virgem, tão simples e tão cheia de sentido – “Avé Maria,
cheia de graça” – converteu-se na oração familiar e incessante do povo cristão.
S. Gabriel já era honrado na Liturgia nos primeiros séculos do cristianismo. No
Século IX, o seu nome aparece no calendário dos Santos no dia 24 de Março, contíguo à festa da Anunciação. Em 1921, Bento XV estendeu a sua festa a toda a
Igreja. Por ser considerado o mensageiro divino, o Arcanjo S. Gabriel, desde esta
data é o patrono das Telecomunicações e da Arma de Transmissões.
Posteriormente, a Liturgia Cristã alterou a data comemorativa de S. Gabriel para
29 de Setembro, mantendo-se, no entanto, na tradição da Arma e do Regimento
de Transmissões, o dia 24 de Março como Dia da Arma e de S. Gabriel seu Patrono.
Existem também algumas referências ao Arcanjo São Gabriel nas tradições muçulmanas, segundo as quais teria ditado o Alcorão a Maomé.
Esta gravura reproduz um quadro existente na Sala de Oficiais do Regimento
de Transmissões, representado o Arcanjo S. Gabriel, pintado por Fred Kradolfer
(1903-1968) em 1962, inspirado numa tábua existente na Igreja do Sardoal.
SEMPRE MELHOR
Arcanjo São Gabriel
GALERIA DOS ILUSTRES
COMANDANTES DO REGIMENTO DE TRANSMISSÕES
COR Tm Eng.º
António Luís Pedroso de Lima
01FEV77 – 11ABR78
COR Tm Eng.º
Fernando Eduardo Tinoco Barradas
12ABR78 – 23SET79
COR Tm Eng.º
João Carlos de Azevedo de Araújo Geraldes
24SET79 – 28DEC80
COR Tm Eng.º
Mário Manuel Pinto dos Santos
29DEC80 – 14OUT84
COR Tm Eng.º
Manuel da Cruz Fernandes
15OUT84 – 13JUN89
COR Tm Eng.º
João Manuel Maia de Freitas
14JUN89 – 16JUL92
068 > 069
COR Tm Eng.º
Francisco José Ferreira Bastos Moreira
16JUL92 – 10JUL95
COR Tm Eng.º
Joaquim Arnaldo Ferreira da Silva
19JUL95 – 15JUN98
COR Tm Eng.º
António João Mousinho dos Santos
15JUN98 – 26JUN00
COR Tm Eng.º
José Ribeirinha Diniz da Costa
26JUN00 – 19AGO02
COR Tm Eng.º
Edorindo dos Santos Ferreira
21AGO02 – 17FEV04
COR Tm Eng.º
José António Henriques Dinis
30MAR04 – 15FEV06
TCOR Tm
António José Caessa Alves do Sacramento
15FEV06 – 28AGO06 (Int.)
SEMPRE MELHOR
SARGENTOS-MOR
SMOR Tm
Graciano António Morais
28ABR79-17FEV82
SMOR Tm
José da Costa Barroso
17FEV82-31OUT92
SMOR Tm
João Rosa Loura
31OUT92-30SET99
SMOR Tm
José Manuel de Oliveira Venâncio
23NOV99-20SET01
SMOR Tm
Augusto Monteiro Ricardo
20SET01-09OUT02
SMOR Tm
João Gomes Esteves
09OUT02-31JUL05
070 > 071
MISSÃO, ORGÂNICA
E EFECTIVOS
ANTECEDENTES E ENQUADRAMENTO
Desde a criação do Serviço de Telecomunicações Militares em 1951, ficaram
definidas como responsabilidades cometidas a este Serviço, as de promover e
aperfeiçoar a instrução do pessoal militar especializado, montar, explorar e manter as Redes de Telecomunicações Militares, e colaborar com outras Redes de
Serviço Público.
O Decreto n.º 237/72 de 18Jul7249, estabeleceu que o Serviço de Telecomunicações Militares (STM) dependia da Arma de Transmissões, na medida em que,
49 Incluído na Ordem do Exército n.º 7 (1.ª série) de
31JUL72.
com o fundamento legal conferido pelo Decreto n.º 364/70, este Serviço era
considerado um dos órgãos fundamentais da Arma. O artigo 1.º do Decreto n.º
237/72, refere ainda que o STM passava a depender do Director da Arma de
Transmissões. Como corolário, o General DAT era também considerado o Director do STM50. Este Serviço dispunha ainda de um Chefe e de um Sub-chefe, na
directa dependência do General DAT, normalmente em acumulação de funções51.
Estes eram responsáveis pelo estudo, planeamento e instalação dos Sistemas
de Comunicações Permanentes para apoio ao Comando e Controlo das UEO do
Exército no Continente (Metrópole), Ilhas (Açores e Madeira) e Territórios Ultramarinos52.
Desde a sua criação (1951) e até à actualidade, o STM foi assegurado por três
Unidades distintas, todas elas instaladas no Quartel Quartel de Sapadores. Inicialmente, este Serviço competia ao Batalhão de Telegrafistas (1951), poste-
50 Em diversos documentos por nós consultados, e que
constituem o acervo bibliográfico deste trabalho, encontrámos esta analogia que nos parece razoável tendo em
consideração que a DAT tinha responsabilidades directas
sobre as suas unidades e órgãos.
51 O Chefe do STM era o Comandante da Unidade (BT,
EPT ou RTm) e o Sub-chefe o 2.º Comandante.
52Angola, Guiné e Moçambique (TO em África) onde a
partir de 1961 eclode a Guerra Colonial. Timor e Cabo
Verde (considerada uma plataforma logística de apoio
aos TO africanos) onde existiram Destacamentos do STM
responsáveis pela ligação a Portugal Continental e a São
Tomé e Príncipe.
riormente, com a criação da Arma de Transmissões em 1970, foi assegurado pela
Escola Prática de Transmissões, e finalmente em 1977, passou para a responsabilidade do Regimento de Transmissões.
A partir de 1972, e de acordo com Decreto n.º 237/72 de 18JUL72, o STM na sua
constituição, passa a englobar os seguintes órgãos:
• Chefia;
• Divisão de Exploração (DIVEX);
• Divisão de Reabastecimento, Instalações e Manutenção (DRIM)53;
• Divisão de Administração;
• Centro de Instrução.
SEMPRE MELHOR
53Posteriormente, a DRIM passou a ser designada por
Divisão de Instalações, Reabastecimento e Manutenção (DIRM).
O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Missão, Orgânica e Efectivos
Na dependência técnica do Chefe do STM (por delegação do Director) existiam
Secções, agora integradas em Destacamentos de Transmissões, cuja área de
responsabilidade estava sobreposta à das Regiões Militares (RM), Zonas Militares (ZM) e à do Campo Militar de Santa Margarida (considerada um Comando
Territorial Independente – CTI).
Após o “25 de Abril de 1974” e o “25 de Novembro de 1975”, onde o STM teve
uma participação activa e relevante no estabelecimento das comunicações entre
as Forças do MFA envolvidas, surgiu a necessidade de repensar a dinâmica desta jovem e empreendedora Arma, prospectivando as Transmissões que melhor
pudessem responder aos desafios do Exército e contribuir para o bem estar e
progresso do País.
Em 1976, o Director da Arma de Transmissões, Brigadeiro Pereira Pinto, publicou
as suas “Reflexões sobre a Problemática da Arma”. Este documento, pertencente ao espólio do Museu de Transmissões, pode e deve ser considerado um notável
e valioso contributo para a remodelação completa da Arma de Transmissões, em
todas as suas áreas funcionais nomeadamente: Instrução, Transmissões Permanentes, Logística, Transmissões de Campanha e Guerra Electrónica.
O Brigadeiro Pereira Pinto, entendeu que a forma mais eficaz de poder realizar
uma remodelação profunda da Arma, carecia da discussão prévia e da obtenção
de um consenso alargado dos Oficiais e Sargentos de Transmissões. Nesse sentido, fez distribuir as suas “Reflexões” a todos os Oficiais e Sargentos do Quadro
da Arma de Transmissões, solicitando-lhes as suas objecções e comentários. A
apreciação do projecto de reestruturação e dos respectivos contributos, foi realizada em sessões do Conselho da Arma de Transmissões (CAT) alargado, presidido pelo Coronel Pedroso de Lima. Todas as reuniões do CAT excederam as expectativas, não só pelo elevado empenho e participação dos Oficiais e Sargentos de
Transmissões, mas também pela aprovação consensual do documento.
Este projecto de reestruturação da Arma, preconizava a separação funcional das
Unidades e Órgãos de Transmissões, de modo a evitar acumulações, tendo sido
proposto que:
072 > 073
> A Coordenação de doutrina e de emprego táctico, estratégico e logístico era
responsabilidades da Direcção da Arma de Transmissões (DAT), em Lisboa;
> A Instrução:
• De Quadros Técnicos e Técnico/Logísticos seria atribuída à Escola Militar de
Electromecânica (EMEL)54, sedeada em Paço d’Arços;
• De Quadros Técnicos e Técnico/Tácticos seria responsabilidade da Escola
Prática de Transmissões (EPT), sedeada no Quartel do Bom Pastor em Arca
d’Água (Porto);
• De Praças, o Centro de Instrução, por razões economicistas seria atribuída
à EPT.
> As Transmissões de Carácter Permanente à responsabilidade do Serviço de
Telecomunicações Militares (STM), sedeado no Quartel de Sapadores em Lisboa, Quartel de Sapadores, e dos respectivos órgãos espalhados por todo o País
(Continente e Ilhas adjacentes);
> A Guerra Electrónica (em conjunto com uma Companhia de Transmissões – CTm),
era atribuída ao Batalhão de Transmissões, a levantar numa zona central do País,
preferencialmente no Campo Militar de Santa Margarida;
> As Transmissões de Campanha55 – estariam repartidas por um BTm constituído
por duas CTm, uma CTm para a Brigada NATO, posteriormente designada de 1.ª
BMI e na EPT uma CTm Escolar;
> A Logística das Transmissões – atribuída ao Depósito Geral de Material de
Transmissões (DGMT), sedeado em Linda-a-Velha, e respectivos Destacamentos
de Reabastecimento e Manutenção de Material de Transmissões (DRMMT) em
apoio directo das RM e CTI.
Após, terem sido feitos alguns ajustes nos QO, a DAT enviou o processo de “Remodelação Completa da Arma de Transmissões” para o EME, tendo este merecido aprovação do General CEME, mesmo sem se ter iniciado a remodelação do
Exército56.
EVOLUÇÃO DO QUADRO ORGÂNICO DO RTM
Durante os trinta anos de existência do RTm, os QO da Unidade foram evoluindo e
sendo progressivamente ajustados à missão primária deste Regimento – “Instalar, explorar e manter os Sistemas de Telecomunicações Permanentes do Exército”, no Continente e nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
O RTm é a única Unidade de Transmissões do Exército, cuja actividade se desenvolve exclusivamente na área das Transmissões Permanentes, sendo também
considerada uma Unidade de Guarnição com atribuições especificas, no passado
na dependência da RML e GML, e, actualmente, na dependência do Cmd Op através da DCSI.
Seguidamente apresentamos uma evolução devidamente contextualizada dos
diversos QO do RTm.
SEMPRE MELHOR
54 Unidade que fornecia apoio a mais que um Ramo
[Exército (Transmissões e Serviço de Material) e Força
Aérea] e que era comandada alternadamente por um Oficial de um dos Ramos.
55 Nas suas “Reflexões sobre a Problemática da Arma”,
página 2 – volume 2, o General DAT considerava que qualquer que fosse o tipo de Unidade de Transmissões teria
sempre elementos ou Subunidades de Transmissões de
Campanha de Apoio.
56 Na opinião do Major-General Pedroso de Lima, para
esta aprovação, contribuíram também outros factores
relevantes, nomeadamente:
- No período subsequente ao 25 de Novembro, dominava uma política de “regresso dos militares aos quartéis”,
procurando eliminar perturbações do designado “Verão
Quente” de 1975;
- Tal como no Exército, a Arma passou por grandes convulsões, nomeadamente as suas principais Unidades
(EPT em Lisboa e RTm no Porto). Na EPT, após um processo complexo, o seu comandante é afastado em finais de
Março de 1975. Por sua vez, no Porto a cotação do RTm,
no pós 25 de Novembro, era fraquíssima. Os seus militares, segundo o Comandante da Região Militar, Brigadeiro
Pires Veloso eram considerados responsáveis, pela sublevação verificada no RASP e que pretendia extinguir,
no quadro da política de normalização que se estava a
consolidar. A conotação destas unidades com o “espírito
revolucionário” era notória e terá tido relevância na decisão do EME. O RTm ascendia a Escola Prática, valorizando a RMN, como o Comandante da Região reconheceu,
desistindo da ideia de o extinguir. Por outro lado, a EPT
saindo de Lisboa fazia o RTm perder importância e pessoal, tornando mais fácil o seu controlo.
- A reorganização não exigia, de imediato, verbas avultadas. As verbas mais significativas destinavam-se ao BTm
de Campanha a criar, cuja aquisição de material poderia
ser faseada em vários anos.
O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Missão, Orgânica e Efectivos
PROPOSTA DE QO EM 1976
Considera-se que a proposta de QO de 1976, resultante das “Reflexões sobre a
Problemática da Arma”, foi o embrião do primeiro Quadro Orgânico do RTm.
MISSÃO
> Planear, estudar, projectar, instalar e/ou compreender a instalação dos Meios
e Sistemas de Telecomunicações de carácter permanente necessários à cultura nacional do Exército, de forma a garantir desde já, e em situação de envolvimento militar previsível, o escoamento e encaminhamento do tráfego logístico,
administrativo e geracional entre Comandos, Unidades e Forças do Exército, em
todo Território Nacional, ao longo de todo o dia e em todos os dias do ano;
> Guarnecer e explorar os Sistemas Permanentes instalados com a maior eficiência e profissionalismo, com a máxima segurança e sem soluções de continuidade,
dentro da mais perfeita disciplina militar e técnica;
> Realizar a manutenção orgânica dos seus equipamentos e sistemas, a qual engloba a vigilância da operacionalidade; orientação dos operadores das Unidades
até na operação, reparação, por substituição de sobressalentes de reserva e afinação (utilizando os DRMMT em Apoio Directo nas RM ou CTI).
POSSIBILIDADES
Para cumprir a sua missão, o STM dispunha de três Divisões fundamentais sedeadas no RTm e elementos destacados para a sua continuidade nas RM e CTI, bem
como para o guarnecer as estações instaladas nas diversas Guarnições Militares
do País.
As Divisões são as seguintes:
Divisão de Estudos e Projectos – constituindo um autêntico gabinete de Engenharia de Sistemas Eléctricos, tendo por missão permanente, o estudo dos sistemas instalados para neles serem introduzidas beneficiações técnicas, ou a sua
total reformulação. Competia-lhe ainda:
• Estudar e projectar Sistemas Electrónicos concretamente solicitados pelo Director da Arma, quer para satisfação de ligações adicionais necessárias, quer
para reformulação do sistema em virtude da alteração de dispositivos ou fixação de novos parâmetros de empenhamento previsível;
• A função de órgão fundamental de conselho técnico no âmbito dos Sistemas
Electrónicos, para a representação da Arma em Comissões Técnicas de trabalho
junto do EMGFA, ou a nível civil;
• A função de órgão privilegiado de ensino e treino para os Engenheiros da Arma
que desejassem orientar-se para a Engenharia de Sistemas.
Divisão de Instalação e Conservação57 - com as seguintes responsabilidades:
57 Segundo o Brigadeiro Pereira Pinto, deveria retirar-
• Instalação de todos os Sistemas Permanentes estudados na Divisão de Estu-
se o encargo da Manutenção Oficinal ao STM, passando
tal responsabilidade para as opções de apoio directo do
DGMT. Por isso, entendeu-se substituir Manutenção por
Conservação. Retiraram-se, igualmente, ao STM as funções de Abastecimento e Reabastecimento que do antecedente lhe tinham vindo a ser cometidos através do
seu Depósito.
dos e Projectos e sob a superintendência daquela Divisão;
• Inspecção e teste dos sistemas instalados e afinações;
• Construção, verificação e reparação de traçados por fio e cabo (única actividade de manutenção realizada no STM);
074 > 075
• Instalação de circuitos telefónicos e de intercomunicação em edifícios e instalações fixas.
Nesta divisão, foram ainda consideradas 10 Secções Móveis de HF e 6 Secções
Móveis de Terminais de Feixes Hertzianos, devidamente guarnecidas.
Divisão de Exploração - com carácter nacional, tinha uma Secção de Comunicação e Coordenação das Delegações e Destacamentos, através da qual se garantia o controlo da exploração em todo o sistema e se implementavam as medidas
adequadas de disciplina técnica, para obter uma uniformização de procedimentos na exploração e segurança dos meios de comunicações. Estes Destacamentos dependiam hierárquica e tecnicamente desta Divisão.
O Órgão fundamental desta Divisão era o Centro Nacional de Transmissões
(CNT)58, que funcionava ininterruptamente, com diversas equipas trabalhando
por turnos, e com a responsabilidade de guarnecer as Centrais Radiotelegráfica,
58 Posteriormente adoptou a designação de Centro de
Telecomunicações do Exército.
Radiotelefónica e Telefónica;
Delegações do STM – eram “antenas” do STM junto do Comando de RM chefiadas por um Oficial Engenheiro (ou de Exploração)59, contendo uma Secção de
Instalação e Conservação dimensionadas para dar apoio de área apenas à RM ou
CTI (excepto a RML em que essa responsabilidade ficaria a cargo do STM).
Destacamentos do STM – foram considerados seis Destacamentos Regionais:
RMN (Porto), 2 RMC (Coimbra e Tomar), RMS (Évora), CTIA (Ponta Delgada) e
CTIM (Funchal).
Outros Destacamentos – situados no EMGFA, Forte do Alto do Duque, EME e
DSP. Além destes Destacamentos o STM colocou pessoal em diligência nas UEO
do Exército, para operar as Estações de Teleimpressor (TTy).
EFECTIVOS
Efectivos do RTm - Proposta de 1976
Orgânica Normal
Oficiais
Orgânica Reduzida
49
Oficiais
40
Sargentos
203
Sargentos
177
Praças - Cabos
519
Praças - Cabos
514
Praças - Soldados
400
Praças - Soldados
388
Pessoal Civil
Total
1
1172
Pessoal Civil
Total
1
1118
ADAPTAÇÃO FUNCIONAL DO QO EM 1977
Quando em 1977 a Escola Prática de Transmissões foi transferida para o Porto, surgiu no Quartel de Sapadores o Regimento de Transmissões, assumindo as
funções do Serviço de Telecomunicações Militares, embora com a orgânica apresentada na Fig. da página 78.
SEMPRE MELHOR
59 Os Chefes de Delegação, ou o Delegado da RM ou CTI,
desempenhavam a função de Oficial de Transmissões das
respectivas RM ou CTI.
ORGANIGRAMA PROPOSTO EM 1976
076 > 077
ORGANIGRAMA EM VIGOR NO RTm/STM A PARTIR DE 1977
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SEMPRE MELHOR
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Posteriormente a DRIM, altera a sua designação para DIRM
(Divisão de Instalação, Reabastecimento e Manutenção).
O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Missão, Orgânica e Efectivos
Esta nova orgânica do RTm era muito mais compatível com a de uma Unidade
prestadora de um Serviço de Telecomunicações do que com a de um Regimento típico. Nas suas linhas gerais, ela caracterizava-se por dispor de uma Divisão
mais ligada à vida administrativa de um Regimento, e duas Divisões técnicas essenciais ao cumprimento da missão principal (DRIM60 e DIVEX61), para além de
60 A Divisão de Reabastecimento, Instalações e Manu-
um Centro de Instrução e Secção em apoio das RM/ZM e CTI.
tenção tinha por missão:
- Planear, projectar, instalar e manter as Infra-estruturas
do Sistema de Telecomunicações Permanentes, em todo
o Território Nacional;
- Planear, projectar e instalar os Sistemas Permanentes
de Som e de Intercomunicação do Exército, bem como
Instalações Sonoros Temporárias de âmbito militar, civil
e religioso, superiormente autorizadas.
MISSÃO
> Garante as ligações Permanentes privativas do Exército e seus Órgãos bem
como a interligação com Sistemas que lhe são exteriores (EMGFA, EMA, EMFA,
OTAN, Civis), para o que:
• Planeava, projectava, instalava e mantinha as Infra-estruturas do Sistema de
Telecomunicações necessário;
• Guarnecia e explorava os Órgãos do Sistema, controlava e disciplinava o Tráfe-
61 A Divisão de Exploração tinha por missão:
- Guarnecer e explorar os órgãos do Sistema;
- Controlar e disciplinar o Tráfego.
- Aperfeiçoar e gerir o seu pessoal.
go no Sistema, aperfeiçoava e geria o seu pessoal.
• Planeava, projectava e instalava os Sistemas Permanentes de Som das Unidades, Estabelecimentos e Órgãos do Exército;
• Planeava, instalava e assistia a montagens de duração precária para cerimónias
Militares, Civis e Religiosas, superiormente autorizadas.
EFECTIVOS
Para efeitos de pessoal, eram atribuídas cotas anualmente do QO de 1976.
PROPOSTA DE QO EM 1980
Em 1980, no seu “Estudo de Situação do Comandante”, apresentado na Semana da Arma, sob a forma de Directiva Técnica, o Coronel Araújo Geraldes, então
Comandante do RTm, fez uma análise pragmática das missões do RTm e do STM.
Esta análise teve em consideração condicionalismos diversos (de espaço, estruturais, políticos, de tempo, financeiros, técnicos e de pessoal), tendo como resultado a apresentação da respectiva missão restabelecida do STM62, de forma a
62 “Garante as Tm Permanentes do Exército, em todo o
evitar os tradicionais e consideráveis desvios entre o planeamento e a execução.
TN, , satisfazendo as necessidade ligação entre Órgãos
de Direcção, Comandos Militares e Outros Órgãos, tendo
em vista os imperativos globais das Forças Armadas”.
(Estudo de Situação do Comandante, Coronel Araújo Geraldes, apresentado em 29FEV80 na Semana da Arma
sob a forma de Directiva Técnica).
Posteriormente, no seu “Relatório de Comando”, analisou a missão do RTm, o seu
plano de actividades (no âmbito do STM e da RML) e detectou alguns desajustamentos, nomeadamente:
- Confusão provocada pela indefinição entre as missões do RTm e do STM. Na
reestruturação da Arma, levada a efeito em 1976, não se atribuiu uma missão ao
RTm, apenas se disse que esta Unidade iria absorver o STM;
- A estrutura do RTm derivada dos QO definidos em 1976, além de muito incompleta e ultrapassada, era quase informal e nunca foi elaborado o organigrama
funcional. Por outro lado, os efectivos da Unidade eram atribuídos mediante cotas do QO de 1976 e eram manifestamente insuficientes;
- No âmbito territorial (RML), a satisfação das solicitações administrativo-logísticas da Unidade eram limitadas devido à indefinição orgânica;
078 > 079
- A programação do STM, definida pela Directiva Técnica de 1997 pelo Director
do STM para o período compreendido entre 1977 e 1982, estava desajustada
por razões diversas e havia atrasos significativos na sua execução.
Em face desta análise e dos desajustamentos encontrados, o Coronel Geraldes
elaborou um “Plano de Acção”, começando por fazer um enquadramento da situação, apresentando as deficiências estruturais, as limitações à execução, as
insuficiências de controlo patrimonial e os factores ambientais internos (desmotivação do pessoal), definindo as prioridades de acção imediatas. Complementarmente, submeteu à aprovação superior, uma proposta de QO (missão,
possibilidades, organigrama funcional e efectivos em pessoal) para o RTm.
MISSÃO
Tendo em consideração que a finalidade do RTm é “assegurar o funcionamento dos Sistemas de Transmissões Permanentes do Exército, desenvolvendo-os,
segundo directivas superiores, no âmbito das necessidades das Forças Armadas”63, foi proposta a seguinte missão para a Unidade em Março de 1980:
> “Projecta, estabelece e, guarnece, chefia e controla as Transmissões de carác-
63 Relatório de Comando do Coronel Araújo Geraldes, referente ao período de 24SET89 a 14OUT80, Anexo B.
ter permanente do Exército. Deste modo, assegura o seu integral apoio logístico,
para garantir a ligação entre os Centros, Centrais e Estações de Transmissões
Permanentes que instala, explora e mantém nos Órgão de Direcção, Comandos,
outros Órgãos e Unidades”.
> “Presta um limitado apoio de serviços e executa as funções operacionais e logísticas que lhe competem, no âmbito da RML”.
POSSIBILIDADES
> Como órgão de planeamento e execução do STM competia-lhe:
• Estudar e propor adaptações e alterações orgânicas, estruturais e funcionais,
bem como as necessidades em pessoal e sua qualificação;
• Prestar pareceres técnicos para apoio das Directivas a elaborar pelos Escalões
Superiores, proceder à análise dessas directivas e elaborar os programas de actividades correspondentes;
• Análise perspectiva dos volumes de tráfego a processar e levantamento das
linhas e direcção de escoamento;
• Elaboração de especificações técnicas no âmbito das telecomunicações e no
âmbito das infra-estruturas de construção civil inerentes;
• Planear as necessidades de obras de construção civil relativas a infra-estruturas do STM e coordenar com a DSFOE64 a concretização dos projectos e execu-
64 Direcção do Serviço de Fortificações e Obras do
ção respectiva;
Exército.
• Desenvolver e submeter à aprovação superior os planos anuais de execução, as
respectivas propostas orçamentais; conceber e projectar os Sistemas e elaborar as propostas parcelares para cumprimento dos planos;
• Elaborar as condições técnicas dos cadernos de encargos relativos ao processo de concursos públicos para aquisição de equipamentos, componentes, sobresselentes e serviços, bem como a análise técnica das respectivas propostas
e elaboração dos correspondentes pareceres;
SEMPRE MELHOR
O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Missão, Orgânica e Efectivos
• Controlo técnico da recepção das aquisições e serviços;
• Instalação ou fiscalização da instalação de Sistemas ou equipamentos;
• Executar, a nível Nacional, a gestão do pessoal atribuído ao RTm;
• Assegurar em todo o TN e em conformidade com as directivas superiores, a
guarnição dos Centros de Área, das Centrais e demais Órgãos de Transmissões
Permanentes, e exercer a direcção, coordenação e controlo técnicos da exploração dos Sistemas de Transmissões Permanentes;
• Manter os Sistemas em funcionamento com as prioridades e o grau de fiabilidade superiormente fixadas;
• Realizar a manutenção do material de Transmissões Permanentes;
• Propor a necessária integração de esforços, no âmbito da manutenção, respeitante a todo o material afecto às Transmissões Permanentes e cuja manutenção
não esteja a cargo do STM;
• Planear e executar o sistema de reabastecimento relativo a todo o material
componente dos Sistemas de Transmissões Permanentes e equipamento dos diversos órgãos do STM (com excepção do material de guerra, fardamento e equipamento e do material de aquartelamento do RTm);
• Manter uma capacidade de planeamento e execução no âmbito dos Serviços
Técnicos gerais para apoio da instalação e funcionamento dos Sistemas de
Transmissões;
• Incrementar o nível de especialização das Praças do Continente Geral;
• Apoiar com os seus meios as acções de apoio ao desenvolvimento que lhe sejam cometidas.
> Como Unidade da RML:
• Garantir a segurança das instalações no seu Aquartelamento de Sapadores, e
apoiar a defesa do Batalhão do Serviço Geral do Exército na Graça;
• Desempenhar limitados serviços de guarnição, que não excedam, em pessoal,
o efectivo um Pelotão;
• Prestar apoio geral, em Serviço de Som;
• Assegurar as suas atribuições, no âmbito da mobilização, da instrução militar
geral e do controlo administrativo do património;
• Assegurar a gestão, controlo e o processamento das verbas postas à sua disposição.
EFECTIVOS
Efectivos do RTm - Proposta de 1980
Oficiais
54
Sargentos
97
Praças - Cabos
257
Praças - Soldados
645
Pessoal Civil
Total
15
1068
080 > 081
ORGANIGRAMA DO RTm/STM - QO PROPOSTO EM 1980
SEMPRE MELHOR
O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Missão, Orgânica e Efectivos
PROPOSTA DE QO EM 1985
(REGIMENTO DE TRANSMISSÕES PERMANENTES)
Desde que em 1977, o RTm se instalou no Quartel de Sapadores, e assumiu as
responsabilidades do STM, os vários comandos responsáveis pela Unidade alertaram para a necessidade de aprovar um QO adequado à missão que desenvolviam. No entanto, oito anos haviam passado sem contudo alguma das propostas
de QO apresentadas ter sido formalmente aprovada.
Para minorar as confusões entre a missão do RTm e do STM, anteriormente referidas, importava estabelecer uma nítida separação entre as Componentes de
Guarnição (RTm) e Técnica (STM), evitando desviar recursos humanos qualificados para o desempenho de funções regimentais. Neste contexto, foi apresentada uma nova proposta QO. Esta proposta foi justificada também, pelas rápidas
mudanças provocadas nos Sistemas de Comunicações e devidas essencialmente
às novas tecnologias, que obrigavam as organizações a sucessivas adaptações.
Esta proposta de QO, pretendendo dar resposta à solicitação da Directiva Técnica da DAT de 198565, constituiu no entanto, um melhoramento da proposta de
65 Projecto de QO do RTm Permanentes, Direcção da Ar-
QO de 1980, aproximando mais a Unidade à sua missão, inclusive na atribuição
ma de Transmissões, 30 de Abril de 1985.
da sua nova designação – Regimento de Transmissões Permanentes.
MISSÃO
A missão é igual à da proposta de QO de 1976, apenas acrescida no primeiro item
da seguinte tarefa:
> “Garante o transporte de Informação de natureza electrónica através do sistema e dele com o exterior, em proveito do Exército e seus Órgãos”.
EFECTIVOS
Efectivos do Regimento de Transmissões Permanentes - Proposta de 1985
Oficiais
76
Sargentos
216
Praças - Cabos
230
Praças - Soldados
621
Pessoal Civil
Total
20
1163
082 > 083
ORGANIGRAMA DO RTm PERMANENTES - QO PROPOSTO EM 1985
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66 O Batalhão de Comando e Serviços era constituído por: Comando; Secção de Material; Companhia de Comando (Comando, Pelotão Defesa Imediata, Secção de Transmissões, Secção de Clarins e Secção de Tiro e
Desporto) e Companhia de Serviços (Comando, Pelotão de Reabastecimento, Pelotão de Transportes, Pelotão de Manutenção, Pelotão Sanitário e Pelotão de Serviços Gerais).
O Batalhão de Estruturas era constituído por: Comando, Secção de Projectos, Secção de Instalação, Secção de Reabastecimento e Manutenção e Secção de Cadastro), Companhia de Instalações (Comando e 2 Pelotões de Instalação e Fiscalização) e a Companhia de Reabastecimento e Manutenção (Comando, Depósito, Serviço de Som, Serviço de Estruturas e Oficinas).
O Batalhão de Exploração era constituído por: Comando, Secção de Gestão de Pessoal, Secção de Controlo Administrativo e Análise, Secção Documental, Secção de Instrução, Secretaria, Companhia de Exploração e
Comando (Comando, Centro de Transmissões do EME, Centro de Transmissões do Exército, Centro de Transmissões do Destacamento do Forte do Alto do Duque e Secção de Pombais) e Companhia de Exploração dos
Destacamentos (Comando, Estações UU/OO da RML, Secção de Escuta e Pelotão de Instrução).
Estavam ainda contemplados neste QO as Secções Regionais (STM) (1.ª Secção no QG/RMN, Porto; 2.ª Secção em Coimbra; 3.ª Secção no ABSM, em Santa Margarida; 4.ª Secção no QG/RMS, Évora; 5.ª Secção no
QG/RML, Lisboa; 6.ª Secção no QG/ZMA, em Ponta Delgada nos Açores e a 7.ª Secção no QG/ZMM no Funchal na Madeira. Além de dois Destacamentos: Destacamento de Belém e o Destacamento da Encarnação.
SEMPRE MELHOR
O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Missão, Orgânica e Efectivos
(...) O preâmbulo deste diploma refere a necessidade de “Um Exército versátil, mais
pequeno, mas mais eficaz, que reflicta igualmente, no seu âmbito, uma capacidade
efectiva de garantir os compromissos internacionais do Estado, numa época em que a
segurança se apresenta internacionalmente cada vez mais colectiva.”
QO APROVADO EM 1993
Em 1993, através do Decreto-Lei n.° 50/93 de 26 de Fevereiro, é aprovada a nova
Lei Orgânica do Exército (LOE). O preâmbulo deste diploma refere a necessidade
de “Um Exército versátil, mais pequeno, mas mais eficaz, que reflicta igualmente, no seu âmbito, uma capacidade efectiva de garantir os compromissos internacionais do Estado, numa época em que a segurança se apresenta internacionalmente cada vez mais colectiva.”
A reorganização do Exército definida nesta LOE, norteou-se pela racionalização, redução e economia de meios, observando uma simplicidade de estrutura
necessária à obtenção de uma elevada operacionalidade. Deste modo, o Exército
“constituirá um corpo gerador de forças, através de diversificadas actividades
de recrutamento, instrução, apoio e treino, sem prejuízo da manutenção de um
Sistema de Forças Permanente, que, embora de reduzida dimensão, possuirá
uma grande mobilidade, prontidão e flexibilidade, capaz de crescer por mobilização.”
Com a aprovação desta nova LOE, as grandes alterações daí decorrentes com implicações directas para as Transmissões, em geral, e para o Regimento de Transmissões, em particular, foram as seguintes:
- Extinção das Direcções das Armas (nas Transmissões é extinta a Direcção da
Arma de Transmissões – DAT);
- Distribuição das competências do STM, pela CETEPE/DST que assumiu as componentes de planeamento, projecto e fiscalização do SITEP, e pelo RTm, que dependendo tecnicamente da Direcção dos Serviços de Transmissões (DST), passou a ser responsável pelas componentes de exploração, manutenção e gestão
dos Sistemas instalados, através do seu Batalhão de Estruturas (BEstr), que foi
criado para o efeito;
- Criação de Direcções Logísticas, na dependência do Comando da Logística, responsáveis pela aquisição, gestão e abate dos artigos da sua área funcional (nas
Transmissões foi criada a DST, da qual o RTm passa a depender tecnicamente);
- Transformação da Região Militar de Lisboa no Governo Militar de Lisboa (GML),
do qual o RTm dependia hierarquicamente;
084 > 085
- Criação da Chefia das Telecomunicações Permanentes do Exército (CETEPE),
na dependência da DST, responsável pelo planeamento, projecto e alguma capacidade de fiscalização de obras nas infra-estruturas de Comunicações Permanentes do Exército;
- Criação do Batalhão de Estruturas (BEstr) no RTm, com responsabilidades de
instalação, manutenção e fiscalização de obras nas infra-estruturas de Comunicações Permanentes do Exército, dependendo tecnicamente da CETEPE/DST67.
67 Surge aqui, efectivamente, a separação entre o plane-
- Criação de Centros de Telecomunicações Permanentes, nos Quartéis-Generais
amento e projecto da responsabilidade da DST, e a execução, exploração, manutenção e gestão dos Sistemas da
responsabilidade do RTm.
das Regiões e Zonas Militares e nos Comandos de Natureza Territorial (Santa
Margarida e Tancos), responsáveis pelo apoio de área às Comunicações Permanentes e de Campanha, dependendo tecnicamente da DST.
Face às alterações implementadas no Exército por esta LOE, o General CEME,
através do seu Despacho de 21SET93, criou e aprovou formalmente o Quadro
Orgânico – 5.8.350 do Regimento de Transmissões.
MISSÃO
> “Ministra instrução de aperfeiçoamento ao pessoal destinado ao Sistema de
Telecomunicações Permanentes do Exército”;
> “Garante as ligações permanentes privativas do Exército, bem como a interligação com os Sistemas que lhe são exteriores (EMGFA, EMA, EMFA, OTAN,
Civis), para o que:
- Instala e mantém as Infra-estruturas do Sistema de Telecomunicações necessárias;
- Garante o transporte da informação de natureza electrónica através do Sistema e dele com o exterior, em proveito do Exército;
- Explora, controla e disciplina o tráfego no Sistema e aperfeiçoa o seu pessoal.”
> “Instala os Sistemas Permanentes de Som das UU/EE/OO;”
> “Instala e apoia o funcionamento da aparelhagem de som de duração temporária para cerimónias militares, civis e religiosas, superiormente determinadas;”
> “Prepara e executa a convocação e mobilização militar dos cidadãos na situação de reserva de disponibilidade e organiza subunidades para satisfazer as
necessidades do Sistema de Telecomunicações Permanentes do Exército, conforme lhe for determinado em Planos de Mobilização a definir;”
> “Participa na Defesa Terrestre do Território Nacional, de acordo com as missões que lhe forem cometidas no âmbito das Telecomunicações Permanentes
do Exército.”
POSSIBILIDADES
> “Ministra instrução de aperfeiçoamento ao pessoal destinado ao Sistema de
Telecomunicações Permanentes do Exército, a um efectivo que, em simultâneo,
não exceda 70 instruendos”;
> No âmbito da Engenharia de Sistemas de Telecomunicações Permanentes, in-
SEMPRE MELHOR
O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Missão, Orgânica e Efectivos
fra-estruturas de apoio e manutenção, competia-lhe:
- Executar e fiscalizar a execução de obras e assegurar a interligação das Telecomunicações Permanentes com as de Campanha e com o exterior em proveito
do Exército;
- Executar, à ordem, em proveito do EMGFA, obras que excedam as necessidades
do Exército;
- Assegurar a manutenção, em funcionamento das infra-estruturas e dos meios
de Telecomunicações Permanentes do Exército;
- Gerir do Sistema de Telecomunicações Permanentes.
> No âmbito da exploração dos Sistemas Telecomunicações Permanentes:
- Assegurar o fluxo da informação garantindo a sua recepção, tratamento, protecção, transporte e distribuição;
- Apoiar Exercícios Nacionais e Regionais garantindo o transporte da informação
no Sistema Telecomunicações Permanentes e assegurar a sua interligação com
as Transmissões de Campanha;
- Instalar, explorar e manter os Centros de Telecomunicações Permanentes do
Exército (CTelecPermEx 1 e CTelecPermEx 2);
- Garantir a Segurança das Comunicações;
- Recolher elementos estatísticos de tráfego para fins de planeamento e operacionais.
> No âmbito da montagem das instalações de som:
- Assegurar a montagem de som permanente das UEO e a sua manutenção;
- Montar, à ordem, instalações de som de duração temporária.
> Assegurar as actividades administrativas inerentes à gestão dos recursos humanos, materiais e financeiros que lhe forem cometidos.
EFECTIVOS
Efectivos do RTm - QO de 21SET93
Oficiais
29
Sargentos
112
Praças - Cabos
108
Praças - Soldados
204
Pessoal Civil
Total
19
472
ADAPTAÇÃO FUNCIONAL DO QO DE 1993
Dado que a especificidade e as necessidades técnicas do serviço prestado pelo
Batalhão de Estruturas do RTm, não se coadunavam com a estrutura de uma Unidade típica de Escalão Batalhão, foi necessário realizar uma adaptação do QO,
nomeadamente, no BEstr, tendo sido adoptada uma divisão por serviços.
086 > 087
ORGANIGRAMA DO RTm - QO DE 21SET93
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SEMPRE MELHOR
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088 > 089
SECÇÃO DE EXPLORAÇÃO E SEGURANÇA (SES)
A SES foi criada por Despacho do General CEME de 25MAI00 (Integração dos
CCp nos CCom). Esta Secção, inserida no QO da DST, por razões de falta de espaço para a sua instalação no Edifício de Ceuta68, foi colocada no Regimento de
68 Edifício onde se encontra o Comando da Logística e
Transmissões, utilizando os recursos humanos da própria Unidade para o cum-
onde esteve instalada a DST, até à sua extinção em 2006.
primento da sua missão.
A sua missão consistiu em coordenar e fiscalizar a exploração dos meios do Sistema Integrado de Telecomunicações Permanentes do Exército, incluindo a componente de cifra, e de garantir a logística dos materiais de cifra do Exército.
A SES tinha aprovado o seguinte organigrama:
ORGANIGRAMA DA SES
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Efectivos do RTm, QO de 21SET93
Oficiais
2
Sargentos
6
Praças - Cabos
0
Praças - Soldados
2
Pessoal Civil
1
Total
11
SERVIÇO DE SEGURANÇA ELECTRÓNICA (SSE)
A Segurança das Emissões é assegurada pelo Serviço de Segurança Electrónica,
criado no RTm, pela Directiva 58/CEME/97, cumprindo-lhe preparar-se, para à
ordem, executar a detecção e eliminação de dispositivos de escuta clandestina
em proveito do Exército e de Entidades estranhas ao Exército, passando neste
último caso ao controlo do EMGFA, através da DIMIL69. A dependência operacional é do CEME, por isso as ordens e pedidos transitam pelo EME através da
Divisão de Informações.
SEMPRE MELHOR
69 Divisão de Informações Militares.
O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Missão, Orgânica e Efectivos
QO APROVADO EM 2007
Face às alterações no “Edifício Legislativo”, ocorridas no âmbito da Segurança
e Defesa do Território Nacional, nomeadamente a aprovação do Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN) em 2003 e a 6ª Revisão Constitucional da
Constituição da República Portuguesa, ocorrida em 2004, gerou-se uma oportunidade para reestruturar as Instituições da Administração Central do Estado.
Assim, em 2006, através do Decreto-Lei n.° 61/06 de 21 de Março, é aprovada
uma nova LOE.
Este diploma refere que “para Portugal é fundamental a existência de um Exército moderno, adaptado e adaptável às alterações do ambiente político, estratégico e operacional contemporâneo, atento à evolução científica e tecnológica
e adequado à realidade da profissionalização”.
Sendo o Exército, a componente terrestre do Sistema de Forças Nacional, e uma
instituição estruturante do Estado Português, é necessário que esteja em consonância com os recursos humanos e económicos do País, e que seja versátil e
disponível. Deve também estar “apto a satisfazer, no seu âmbito, os compromissos externos do Estado, num quadro de segurança internacional cada vez mais
colectiva e cooperativa, e de operações militares predominantemente conjuntas e combinadas. Um Exército igualmente preparado para dar o seu contributo
na prevenção e na resposta às novas ameaças, designadamente ao terrorismo
transnacional”.
A “Transformação do Exército”, tendo como suporte legal a LOE de 2006, é
norteada por princípios de racionalização, simplicidade e economia de meios e
corporiza um conjunto de medidas cujo objectivo central é a prontidão da força
militar, que se pretende mais flexível, projectável e pronta a ser empenhada.
Fundamentada nestas referências, a implementação da LOE de 2006 acarretou
para as Transmissões, em geral, e para o RTm, em particular, as seguintes implicações:
- Extinção da Direcção dos Serviços de Transmissões e consequentemente da
CETEPE (da qual o RTm dependia tecnicamente);
- Extinção do Governo Militar de Lisboa (do qual o RTm dependia hierarquicamente);
- Extinção dos Centros de Telecomunicações Permanentes (GML, RMN, RMS,
CMSM, CTAT, ZMA e ZMM - dependentes tecnicamente da DST);
- Criação da Direcção de Comunicações e Sistemas de Informação na dependência do Comando Operacional (Cmd Op), e da qual o RTm depende hierarquicamente;
- Criação de Destacamentos de Comunicações e Sistemas de Informação (DestCSI) na dependência hierárquica e técnica do RTm - Norte (EPT), Centro (BrigMec) e Sul (RTm) - e na dependência técnica – ZMA para os Açores e ZMM para
a Madeira;
090 > 091
- Transferência das valências do CIE para o RTm, respeitantes à instalação, manutenção, gestão, controlo e segurança da Rede de Dados, dos Portais e do Serviço de Correio Electrónico do Exército, bem como o respectivo apoio logístico;
- Extinção da Secção de Exploração e Segurança da DST, sendo as responsabilidades que esta detinha no âmbito da Segurança Criptográfica integradas no
Centro de Segurança de Informação, criado para o efeito na nova orgânica do
RTm;
- Transferência do SSE para o Centro de Informações e Segurança Militar
(CISM).
Face às alterações implementadas no Exército, decorrentes da LOE de 2006, o
General CEME através do seu Despacho de 22MAI07, cria e aprova o Quadro Orgânico – 34.0.00 do Regimento de Transmissões70.
70 Este QO constitui a versão actualizada do QO apro-
MISSÃO
lacunas e desvios relativamente à proposta de QO apresentada, constituindo assim grandes vulnerabilidades para o cumprimento da missão atribuida à Unidade.
vado pelo General CEME através do seu Despacho de
02ABR07, e resulta do RTm ter verificado importantes
Instala e mantém os Sistema de Comunicações, de Informação e de Segurança
da Informação do Exército, em articulação com o Centro de Dados de Defesa e a
Direcção de Comunicações e Sistemas de Informação.
POSSIBILIDADES
> Assegurar a manutenção das infra-estruturas físicas de Sistemas de Informação e Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) das UEO;
> Instalar e manter Sistemas de Energia e de Som;
> Diagnosticar avarias e executar pequenas reparações de hardware;
> Assegurar, de forma avançada, a manutenção de Sistemas de Informação e TIC,
através dos Destacamentos, Norte, Centro e Sul, ZMA e ZMM;
> Assegurar a manutenção dos utilizadores do Active Directory;
> Instalar e manter o software de desktops e portáteis;
> Assegurar a configuração específica dos Portais do Exército;
> Garantir um Serviço de Apoio aos utilizadores;
> Assegurar os Serviços de Rede e os Serviços de Informática Operacional;
> Operar os Sistemas de Gestão de Comunicações e de Informação;
> Assegurar os Serviços de Transmissão, Comutação e Redes IP;
> Assegurar o abastecimento, sustentação, operação e controlo das actividades
do Exército no domínio específico da Segurança da Informação (INFOSEC);
> Colaborar em acções no âmbito das outras missões de interesse público, conforme lhe for determinado.
EFECTIVOS
Efectivos do RTm - QO de 22MAI07
Oficiais
32
Sargentos
74
Praças - Cabos
64
Praças - Soldados
60
Pessoal Civil
19
Total
SEMPRE MELHOR
249
ORGANIGRAMA DO RTm - QO DE 22MAI07 (EXTRACTO)
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092 > 093
EFECTIVOS ANUAIS
O quadro seguinte reflecte os efectivos da Unidade ao longo dos seus trinta anos de existência.
Ano
Oficiais
Sargentos
Cabos
Soldados
Pessoal Civil
Totais
1976
49
203
519
400
18
1189
1977
35
120
240
270
18
683
1978
53
90
216
265
18
642
1979
42
74
200
257
18
591
1980
48
72
156
200
18
494
1981
47
72
250
280
18
667
1982
45
72
272
300
18
707
1983
44
72
285
320
18
739
1984
42
72
301
346
18
772
1985
41
72
195
452
18
778
1986
43
66
176
563
18
866
1987
42
67
111
527
16
763
1988
36
70
95
498
15
714
1989
36
72
97
400
15
628
1990
38
74
100
389
15
616
1991
45
70
72
223
16
426
1992
35
74
104
210
14
446
1993
46
67
121
251
14
449
1994
51
76
143
259
16
545
1995
38
95
90
295
13
531
1996
36
117
124
350
9
636
1997
37
108
113
154
9
421
1998
33
86
85
323
9
536
1999
24
77
39
302
9
451
2000
18
73
36
126
9
262
2001
29
112
64
164
7
376
2002
25
62
57
260
9
413
2003
24
64
19
219
5
331
2004
23
56
28
226
5
338
2005
25
71
58
189
5
348
2006
16
51
36
69
11
183
2007
21
61
41
67
12
202
Observações
Efectivos atribuídos eram cotas do QO de 1976
Efectivos em 31MAI07
A variação dos efectivos do RTm apresentada na tabela anterior, pode ser visualizada na figura seguinte.
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SEMPRE MELHOR
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O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Acervo Histórico
ACERVO HISTÓRICO
POMBAL MILITAR
Após a ocupação do Aquartelamento da Cruz dos Quatro Caminhos pelo Regimento de Telegrafistas em 1927, o Pombal Militar foi transferido para este
aquartelamento, onde ainda hoje se encontra, embora a sua localização inicial
fosse diferente da actual.
Durante as décadas de 30 e 40 (Século XX), o Pombal Militar de Lisboa entrou
em diversas competições organizadas por Sociedades Columbófilas Civis, e nelas conquistou numerosas taças e medalhas, expostas actualmente no Museu
das Transmissões, onde existe também um sector dedicado ao Pombo-Correio
e seus apetrechos.
Actualmente, o RTm mantém no seu Aquartelamento o único Pombal Militar ainda existente. O desenvolvimento e a implantação de Meios de Transmissão mais
rápidos e eficientes, aliados à ideia de que o Pombo, como Meio de Transmissão, é um meio de último recurso, fez com que a sua manutenção persista apenas
O Pombal Militar de Lisboa - RTm
como testemunho de uma época da história das Transmissões.
094 > 095
MUSEU DAS TRANSMISSÕES
Numa breve alusão ao Museu das Transmissões, instalado no Regimento de
Transmissões, refira-se que este guarda actualmente o espólio museológico das
Transmissões Permanentes, das Transmissões de Campanha e de algumas “Glórias” da Arma de Transmissões, nomeadamente: do Depósito Geral de Material
de Transmissões (DGMT) e das duas primeiras Forças Nacionais Destacadas do
Exército Português no Teatro de Operações de África sob a égide da ONU, nomeadamente: o Batalhão de Transmissões n.º 4, destacado na ONUMOZ em Moçambique entre 1993 e 1994 e a Companhia de Transmissões n.º 5, destacada
na UNAVEM III e MONUA em Angola entre 1995 e 1998. Actualmente, está em
Edifício do Museu das Transmissões, RTm
curso o processo de transferência do legado histórico do Centro de Informática
do Exército para o RTm.
RESENHA HISTÓRICA
A diversidade do material e equipamentos de Transmissões existentes, bem
como a constante evolução e progresso da técnica e tecnologia neles empregue,
levaram a concluir que seria do máximo interesse para a Arma de Transmissõese
para o Exército, a criação de um Museu que permitisse não só o estudo dos materiais e equipamentos adoptados, mas que também transmitisse uma ideia da
evolução histórica das Transmissões no Exército.
Em 1971, o Brigadeiro Machado de Sousa iniciou um estudo com vista à criação
do Museu. Inicialmente, equacionou-se a utilização das instalações onde funcionava a Direcção da Arma de Transmissões, no Campo de Santa Clara, em Lisboa,
para instalação deste Museu. O material e equipamentos disponíveis foram expostos em vitrinas e colocados ao longo dos seus corredores.
Mais tarde, o Coronel Guilherme Bastos Moreira, que exercia as funções de Inspector da Arma de Transmissões, tomou a iniciativa de pesquisar e reunir alguns
equipamentos, muitos deles de origens diversas e em mau estado de conserva-
SEMPRE MELHOR
Cor Bastos Moreira
Organizador e Dinamizador do Museu das Transmissões
O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Acervo Histórico
“(...) seria do máximo interesse para a Arma de Transmissões, a criação de um Museu que
permitisse não só o estudo dos materiais e equipamentos adoptados, mas que também
transmitisse uma ideia da evolução histórica das Transmissões no Exército.”
ção. Em simultâneo e sem conhecimento mútuo, o Capitão Rodrigues Rosado da
Escola Prática de Transmissões, ainda no Aquartelamento de Sapadores, em Lisboa, tomou a iniciativa de estudar a criação de um Museu neste Quartel.
Conhecida esta coincidência de intenções, foi decidido elaborar-se um trabalho
conjunto e coordenado. Iniciou-se então o estudo, a classificação e o inventário,
ao mesmo tempo que se procedia à pesquisa e obtenção de novos exemplares de
interesse museológico. O material obtido sofria uma primeira beneficiação e era
exposto em bancadas improvisadas colocadas numa sala do Aquartelamento.
Com os apoios e o elevado espírito de compreensão e de colaboração do General
Altino de Magalhães, na altura Director Geral da Instrução, do Director da Arma
Telefone de Campanha 1914 -1918
de Transmissões, Brigadeiro Pereira Pinto e do Comandante do Regimento de
Transmissões, Coronel Pedroso de Lima, foram conseguidos os meios necessários para a adaptação de salas71 disponíveis para a instalação, numa primeira
71 Onde no passado funcionavam os Serviços de Instru-
fase, do Museu. O projecto da obra, incluindo os expositores, esteve a cargo da
ção da Escola Prática de Transmissões, quando esta Unidade estava instalada no Quartel de Sapadores.
Arquitecta Teresa Almendra contando com a colaboração do Coronel José Maria
Marques (pintor José de Guimarães). A preparação, primeira classificação e disposição do material foram orientados pelo Coronel Guilherme Bastos Moreira e
pelo 1º Sargento Mário Nunes.
No dia 31 de Março de 1978 procedeu-se á inauguração do Museu, presidida pelo
General Melo Egídio, Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército. Essa cerimónia
contou também com as presenças do Quartel-Mestre General, Director Geral
da Instrução, Chefe da Casa Militar da Presidência da República, Representan-
096 > 097
te do General Governador Militar de Lisboa, Director da Arma de Transmissões,
Comandante da Escola Prática de Transmissões, Comandante do Regimento
de Transmissões, Chefes de Repartição da Direcção da Arma de Transmissões,
Director do Depósito Geral de Material de Transmissões, Administradores dos
CTT/TLP e da Rádio Marconi, e diversos Oficiais e Sargentos de Transmissões.
No final do ano de 1980 e início de 1981, foi possível a adaptação de mais duas
salas para o Museu. Nesta nova fase de ampliação, foi decisivo o empenhamento
do Comando do Regimento de Transmissões (Coronel Araújo Geraldes, Coronel
Pinto dos Santos e Tenente-Coronel Figueira), do Chefe da Repartição de Material da Direcção da Arma de Transmissões (Coronel Rego Falcão) e do Presidente
do Conselho Administrativo do Regimento (Tenente-Coronel Campos Soares).
Em 1984, o Coronel Cruz Fernandes, como Comandante do Regimento de Transmissões, e, fruto da dedicação e atenção que prestou ao Museu, conseguiu que
lhe fossem introduzidos alguns melhoramentos estruturais.
Nesta altura, o Museu das Transmissões estava organizado nas seguintes áreastemáticas:
• Transmissões Permanentes;
• Transmissões de Campanha;
• Material Oficinal e Laboratorial;
• Documentação e Arquivo Histórico;
• Material Diverso.
Em 1990, foi dado mais um impulso no que respeita ao espaço dedicado a exposição. Por iniciativa do Comando do Regimento de Transmissões, foram realizadas obras de adaptação de mais duas salas e de um corredor do edifício onde se
encontra instalado o Museu.
Até Fevereiro de 2002, foi o Coronel Guilherme Bastos Moreira quem, na situação de Reforma, voluntariamente e nos seus tempos livres, continuou a dedicar,
como desde o início, todo o seu esforço e entusiasmo à vivência do Museu. Após
o falecimento deste Oficial, o Coronel Edorindo Ferreira, na altura Comandante
Telégrafo Morse – 1900
do Regimento de Transmissões, com o seu apoio ao Museu, foi a fonte dinamizadora da criação do Grupo dos Amigos do Museu, constituído por diversos Oficiais
e Sargentos de Transmissões, na situação de Reserva e Reforma, o que permitiu
a reabertura do Museu em Setembro de 2003.
Em 2004, continuou-se a beneficiar as instalações e foi aberta uma nova sala
dedicada à Memória do Depósito Geral de Material de Transmissões (DGMT),
extinto em 31 de Dezembro de 2002, tendo esta sala sido inaugurada em 16 de
Setembro de 2005 pelo Governador Militar de Lisboa, Tenente-General Arman-
Panorâmica geral da sala das Transmissões de Campanha
do de Almeida Martins.
O Museu continua a ser objecto de grande interesse na sua dinamização e desenvolvimento, havendo intervenção contínua ao nível da conservação das infra-estruturas e do melhoramento dos espaços. Neste desafio, e para continuar a obra
iniciada pelo inesquecível Cor Guilherme Bastos Moreira, muito contribuem para
este processo, o empenho e dedicação do Grupo dos Amigos do Museu72, o valioso apoio da Direcção de Comunicações e Sistemas de Informação, e a vontade e
determinação do RTm.
SEMPRE MELHOR
72 Major-General na Reforma António Luís Pedroso Lima; Major-General na Reserva, Francisco José Ferreira
Bastos Moreira; Major-General na Reserva, José Manuel
Pinto de Castro; Coronel Tm (Engo) na Reforma, Jorge
Fernando Costa Dias; Tenente-Coronel Tm (Engo) na Reforma, José Oscar Sales Golias; Sargentos-Mor na Reforma, Jaime Domingos Florindo; José da Costa Barroso;
Manuel António Martins Leal.
O REGIMENTO DE TRANSMISSÕES (1977-2007)
Acervo Histórico
SALA DE HONRA
A Sala de Honra, também designada por “Salão Nobre”, constitui a sala para as
recepções oficiais, e por razões de espaço, é o local onde normalmente se realizam as reuniões do Estado-Maior da Unidade. Aí encontram-se expostas as fotografias dos antigos Comandantes, desde o Batalhão de Telegrafistas, passando
pela Escola Prática de Transmissões até ao actual Regimento de Transmissões.
BIBLIOTECA
O Regimento de Transmissões dispõe de uma Biblioteca responsável pela inventariação, catalogação, controlo e gestão de um importante acervo documental,
abrangendo várias áreas de interesse, com predominância para as áreas militares.
Biblioteca do RTm
098 > 099
SEMPRE MELHOR
03
30 ANOS
DE ACTIVIDADE
OPERACIONAL
Enquadramento
Modernização e Expansão da Rede Analógica (1977-1986)
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
Actividade das Subunidades
Apoio às Forças Nacionais Destacadas
Cursos e Estágios
Participação em Exercícios
Participação em Grupos de Trabalho
Actividades e Apoios Diversos
100 > 101
ENQUADRAMENTO
Do antecedente relevámos os principais meios, figuras e factos que marcaram
indelevelmente a actividade do STM até 1977. Esta actividade ficou marcada
pela revolução que produziu, não só nas Comunicações Militares, mas também
nas Comunicações Civis, e pela dinâmica de modernização que com acção e persistência permitiu que o STM se mantivesse sempre na vanguarda das Tecnologias das Comunicações.
Com a criação do RTm em 1977 e até à actualidade, esta Unidade tem desempenhado, na sua essência, as missões e atribuições cometidas ao STM, as quais
constituem o seu verdadeiro produto operacional.
SEMPRE MELHOR
Torre do Sistema de FHz, RTm
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Enquadramento
Numa breve síntese retrospectiva, as actividades e os períodos mais marcantes
do STM poderão ser caracterizados da seguinte forma:
> Modernização das Redes Privativas do Exército73 no continente, durante a década de 60;
> Estabelecimento da ligação às Províncias Ultramarinos (1961-1974), especialmente aos TO em Africa e Oceânia, estendendo essa ligação até aos Comandos
73 Nomeadamente a implementação do Serviço Automático da Rede Telefónica, de outros Serviços (Telegráfico por Telex/Teleimpressor, Radiotelegráfico, de Facsimile e Telefotografia), inicia-se a instalação de cabo em
conduta no subsolo em substituição dos circuitos aéreos
e a implementação da transmissão por FHz.
de Sector;
> Participação activa no apoio de comunicações às Operações Militares do 25 de
Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975;
> Apoio aos diversos Actos Eleitorais realizados em Portugal entre 1975 e
1980;
> Modernização e expansão da Rede Analógica do STM entre 1977 a 1986;
> Concepção e implementação do Sistema Integrado de Telecomunicações do
Exército Português (SITEP), que teve lugar a partir da década de 80, bem como a
sua concretização que se estendeu até aos nossos dias;
> Apoio às Forças Nacionais Destacadas (FND) desde 1993.
Se na década de 60 e 70 (Século XX) a tónica da actividade do STM foi caracterizada pela automatização e expansão da sua Rede Analógica, conseguida
através da modernização dos diversos serviços e sua extensão alargada a um
maior número de utilizadores, a década de 80 e subsequentes, marcam a entrada
na Era Digital, iniciada com o SITEP. Pela dimensão e abrangência dos diversos
projectos incluídos no SITEP, à que se junta o imprescindível apoio prestado às
FND nos Teatros de Operações de África, Europa e Oceânia, e a participação em
Exercícios de âmbito Internacional, Nacional e Regional, podemos considerar o
período de existência do RTm como mais uma “época de ouro das Comunicações
Militares Permanentes do Exército”.
102 > 103
MODERNIZAÇÃO E EXPANSÃO
DA REDE ANALÓGICA
(1977-1986)
Até meados dos anos 80 (Século XX), a Rede de Comutação era basicamente
constituída por equipamentos de comutação manual (Centrais Manuais). Estes
equipamentos da 1.ª geração, apresentavam uma gama de facilidades muito reduzida, praticamente nula, requeriam a intervenção de um operador para efectuar a ligação, sendo a rede uma estrutura muito pouco flexível em virtude de não
possuir caminhos alternativos. Por estas razões, qualquer problema que pudesse
afectar a Central Telefónica do RTm, correspondia à propagação de problemas
em toda a rede, em virtude de esta ser a Central de Trânsito a nível nacional.
Com o evoluir da tecnologia e o aparecimento das Centrais Automáticas, ainda
que analógicas, e a consequente expansão da rede em 1985, estavam já em funcionamento 70 Centrais nas Redes de Guarnição e de Pequenas Unidades (PU),
das quais 47 eram automáticas e 23 manuais. As Centrais de maior capacidade
estavam instaladas nos seguintes locais:
> Sede do STM/RTm - Central STROWGER (690 assinantes), instalada em 1960;
> Destacamento de Belém - Central STROWGER (350 assinantes), instalada em
1970;
> Quartel-General da RML - Central STROWGER (200 assinantes), instalada em
1970;
> Évora - Central STROWGER (100 assinantes), instalada em 1975;
> Coimbra - Central STROWGER (200 assinantes), instalada em 1977;
> Porto - Central STROWGER (200 assinantes), instalada em 1977;
> Santa Margarida - Central CROSSBAR (300 assinantes), instalada em 1979;
> Edifício de Ceuta - Central CROSSBAR (200 assinantes), instalada em 1979;
> Manutenção Militar - Central CROSSBAR (200 assinantes), instalada em 1980.
SEMPRE MELHOR
Rede de Comutação Telefónica em 1985
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Modernização e Expansão da Rede Analógica (1977-1986)
A Evolução da Rede Telegráfica, também conheceu transformações relevantes no último meio século. Passou-se da
Rede de Grafia em Onda Continua (CW)74 para o Telex e o
TTy75.
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Até aos anos 80 (Século XX), as Redes Rádio HF cobriam
todo o país, interligando os QG das Regiões Militares (Nor�����������������
te, Centro, Lisboa e Sul), e serviam de suporte às Redes
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Rádio de cada Região Militar, constituindo também o apoio
de comunicações para as Redes de Grafia. No que se refere
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à componente telegráfica das comunicações, e dado o in-
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cremento que os Feixes Hertzianos sofreram, as Redes de
Grafia começaram a ser progressivamente substituídas por
Redes de Telex e TTy, implicando uma menor dependência
dos Sistemas de Rádio em HF.
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Inicialmente as ligações de Telex constituam as seguintes
Redes:
- Rede dos Quartéis-Generais;
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- Rede da Região Militar Norte;
- Rede da Região Militar Centro;
- Rede da Região Militar Sul.
Estas Redes de Telex utilizavam circuitos e equipamentos
dos CTT, no entanto, o pessoal que as explorava era militar.
O grande passo em frente, consistiu na substituição progressiva dos circuitos e equipamentos terminais (Telex)
alugados aos CTT, por circuitos e equipamentos (TTy) da
Rede do STM.
Rede de Grafia (CW) 1986
74 Onda contínua (CW - Continuous Wave), é uma onda electromagnética de amplitude e
frequência constante que numa análise matemática, é considerada de duração infinita.
Onda contínua é também o nome atribuído a um método de rádio transmissão, no qual
a onda portadora é trocada no tempo. As Ondas contínuas foram também chamadas de
radiotelegrafia por se assemelharem à telegrafia, operando através de um simples interruptor de Código Morse.
75 O Telex e TTy (Teletypewriter), são ambos equipamentos Terminais Telegráficos, utilizando ligações ponto-a-ponto ou ligações comutadas da Rede Telefónica Pública ou Privativa do Exército. O TTy é a designação NATO para o Telex Militar.
104 > 105
Na parte militar e no RTm, foi instalado em 1976, o primeiro Comutador Automático de Circuitos Telegráficos. Este
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equipamento estabelecia ligações automáticas com os QG
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das Regiões Militares, Unidades de Santa Margarida e da
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Guarnição de Lisboa.
Com a instalação deste comutador, foi criado um Centro
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de Comutação Automática de Circuitos Telegráficos, cons-
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tituído pelo equipamento do tipo “Cross Point”, SIEMENS
TDKN, com uma capacidade de 100 assinantes telegráficos.
Manteve-se contudo uma situação híbrida, com recurso a
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circuitos de Telex alugados aos CTT para estabelecer liga-
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ções Telegráficas a UEO não cobertas pela Rede do STM.
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Tendo em vista o cumprimento da missão76 atribuída ao
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STM, foi elaborada uma Directiva que desenhava as acti-
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vidades para período entre 1977 e 1982. As actividades
definidas abrangiam as várias áreas de acção que compunham o STM na altura, nomeadamente: TPF, VHF, HF, TTy e
Exploração.
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Este Plano Quinquenal de actividades, tinha como objec-
Rede de Telex - TTy (até 1987)
A cada ponto corresponde um Teminal Telegráfico, excepto em Lisboa onde existem
tivos, a instalação de Centros de Transmissões (CTm) em
além dos terminais assinalados, mais 25.
Aos traços descontínuos correspondem ligações através de linhas alugadas aos CTT.
todas as RM/ZM, a retirada das Estações de HF das Unidades de Guarnição, a implementação de uma Rede Telefónica
Automática e de uma Rede de Telex do Exército, e o estabelecimento da ligação RATL/RATT77 (CW) entre Lisboa e
todas as RM/ZM. Para o efeito, foram previamente estabelecidas negociações com os CTT para o aluguer de Circuitos
76 A missão foi restabelecida em 1980 pelo Coronel Araújo Geraldes, nos seguintes
termos: “Garante as Tm Permanentes do Exército, em todo o TN, satisfazendo as necessidades de ligação entre Órgãos de Direcção, Comandos Militares e Outros Órgãos,
tendo em vista os imperativos globais das Forças Armadas” (Estudo de Situação do Comandante, apresentado 29FEV80 na Semana da Arma sob a forma de Directiva Técnica).
77 Rádio Telegrafia / Rádio Teletipo.
de Telex para as Unidades de Guarnição que não dispunham
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de Circuitos Militares privativos do Exército, e foi também
estabelecido um protocolo com a Força Aérea Portuguesa,
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para utilização de 60 canais do seu Sistema de Feixes Hertzianos, da ligação Lisboa – Montejunto – Chorafome – Lou-
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sã – S. Pedro-O-Velho – Pilar – Porto, em virtude do Sistema
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de Transmissão por Feixes Hertzianos do Exército, instalado anteriormente, se encontrar completamente obsoleto e
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de difícil manutenção.
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A partir de 1977, alguns dos trabalhos realizados pela Divisão de Instalações, Reabastecimento e Manutenção (DIRM),
centraram-se em três grandes áreas; a Comutação Telefóni-
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ca, a Transmissão por Feixes Hertzianos e a construção de
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infra-estruturas diversas de apoio, nomeadamente:
- No âmbito da Automatização Telefónica Interurbana, foram instaladas duas novas Centrais Telefónicas Automáticas, uma no Porto (Central STROWGER com 200 assinan-
SEMPRE MELHOR
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Rede do STM (Directiva 1977)
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30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Modernização e Expansão da Rede Analógica (1977-1986)
tes) e a outra em Coimbra (Central STROWGER com 200
assinantes), tendo a Central substituída no Porto, sido
transferida para Oeiras;
- No âmbito dos Feixes Hertzianos, foram realizadas as ligações por este meio entre o RTm e Monsanto, Lousã e Coimbra, e Paços Ferreira e Porto;
- No âmbito da interligação telefónica entre as Forças Armadas e as Forças Militarizadas, em Lisboa, foi construída
uma conduta entre a DSP78 e Monsanto (Força Aérea), e foi
78 Direcção do Serviço de Pessoal na Praça do Comércio.
executado o lançamento de cabo para permitir esta ligação
interinstitucional;
- Foram também realizados diversos trabalhos, tais como:
a construção da vala no percurso SIE79 – Forte de Alto do
79 Serviço de Informática do Exército, actual CIE.
Duque e o lançamento de cabo para ligar estes dois Órgãos
do Exército; três projectos de Redes Telefónicas Internas
de Unidades, e foi assinado um protocolo para instalação
do novo Centro Emissor de Lisboa em Alcochete.
A evolução das Redes do STM no período 1977-1980 foi
notável, podendo ser comprovada através dos seguintes
números:
> Na TPF, e na Guarnição de Lisboa, a evolução da Rede ba-
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seou-se fundamentalmente nos seguintes aspectos:
- Aumento de duas Centrais Telefónicas Automáticas para
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cinco, acompanhado pelo aumento do número de assinan-
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- A quantidade de cabo enterrado instalado aumentou de
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74 para 112 Km, e a construção de condutas de 38 para 57
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Km;
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- Sete Redes Internas de Unidades foram melhoradas, num
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universo de 78, situação que contribuiu para uma melhoria
consideradas dentro dos requisitos óptimos exigidos pelo
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tes directos de 1500 para 2000;
qualitativa nas Redes Telefónicas (17 destas Redes foram
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STM);
- Foram efectuadas as interligações à Guarda-fiscal, Força
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Aérea e Marinha.
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> Ainda na TPF, embora na restante área do Território Na-
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cional, mas igualmente com o trabalho desenvolvido pelas
diversas Secções do STM, a evolução da Rede englobou os
Rede do STM (1979)
seguintes aspectos:
- O cabo enterrado aumentou de 32 para 45 Km e as condutas de 4 para 10 Km;
- Foram realizados melhoramentos em 12 Redes Telefónicas Internas de Unidades (elevando o número de Redes consideradas dentro dos requisitos óptimos exigidos pelo STM
de 3 para 15, num total de 47).
106 > 107
> Ao nível dos Meios HF, e prosseguindo a intenção de retirálos das Unidades de Guarnição, entre 1979 e 1980, verificou-se um decréscimo na sua utilização de 11 Unidades.
> As ligações às UEO por Feixes Hertzianos80 sofreram um
acréscimo de qualidade e o seu número duplicou. Das 10
ligações existentes em 1979, passou-se para 20 em 1980,
das quais 18 eram consideradas dentro dos requisitos óptimos exigidos pelo STM.
> A Rede de Telex/TTy, em Lisboa, duplicou de 20 para 40
assinantes, tendo o número de equipamentos alugados aos
CTT, diminuído de 19 para 10, e a quantidade de circuitos
80 Por volta de 1980, a Rede de Transmissão por Feixes Hertzianos utilizada pelo Exército Português era constituída, essencialmente, por uma estrutura principal - Backbone
(resultante de um protocolo estabelecido com a Força Aérea Portuguesa, para utilização
de 60 canais do seu Sistema de FHz, que ligava Lisboa – Montejunto – Chorafome – Lousã – S. Pedro-O-Velho – Pilar – Porto), constituída por Estações Repetidoras equipadas
com Rádios FARINON LR2-2000 com 60 canais analógicos, entre Lisboa e Porto. As Estações Repetidoras interligavam-se através de um Link ponto-a-ponto, com as Unidades
terminais utilizando Rádios FARINON LR2-400 que dispunham de 6 canais analógicos
disponibilizados pelo Multiplexer Analógico FARINON LDG-3. A este interligavam-se
5 linhas telefónicas analógicas e 1 telegráfica por recurso ao Multiplexer Telegráfico
FC600 NATALI, permitindo a ligação de um Teleimpressor a 75 Bauds.
ponto-a-ponto privativos do Exército, aumentado de 8 para
22.
> Os Centros de Transmissões sofreram acréscimos impor-
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tantes de qualidade, e de 1 classificado com “bom”, passou a
haver 3, num universo de 8.
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Estes números revelam bem o enorme esforço de modernização e ampliação das Redes do STM, assim como a intensa
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actividade de mudança que foi desenvolvida. Contudo, per-
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maneciam outras dificuldades particularmente ao nível do
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material de apoio, nomeadamente, grupos geradores, aparelhos de ar condicionado, torres e viaturas:
- Os grupos geradores instalados eram em número de 24 (7
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- Em 1980, dos 22 aparelhos de ar condicionado, 80% esta-
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em Lisboa e 17 no restante TN), dos quais, em média, 3 estavam sempre avariados;
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vam avariados;
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- As torres instaladas para suporte aos Sistemas de Trans�������
missão eram em número de 80. Estas possuíam uma altura
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média de 36 metros, uma idade média de 10 anos, apresen-
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tando à data problemas de sustentação que não garantiam
a segurança;
- As viaturas eram poucas, com muitos anos de utilização e
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Rede do STM (1982)
inadaptadas à missão, em particular a viatura do apoio de
som, viatura essa muito requisitada.
Por diversas razões81, em 1980, admitiu-se que não era
81 Elevado número de Unidades com Redes Telefónicas Internas degradadas (62) e a
possível cumprir o plano de execução da Directiva Quinque-
necessitar de intervenção; a falta de pessoal qualificado para a concepção de projectos
e sua subsequente fiscalização, conseguindo apenas realizar de 3 a 4 projectos por ano;
grande morosidade na construção de condutas (1 Km por mês); e a demora no fabrico de
cabos (6 meses), pois a industria não conseguia melhor resposta.
nal (1979 a 1982), tendo sido assumido um atraso de cerca
de nove anos na execução das Redes Interurbanas, 4 anos
na execução das Redes Urbanas de Lisboa e Porto, contrastando com um avanço, face ao planeado, de cerca de 1 ano
na execução da Rede de Santa Margarida.
Dadas as condicionantes mencionadas, no ano seguinte
(1981), foi realizado um novo Estudo de Situação, em que
o STM procurou redimensionar as Transmissões Permanen-
SEMPRE MELHOR
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Modernização e Expansão da Rede Analógica (1977-1986)
tes do Exército, adaptando-as ao espaço nacional resultante da descolonização,
82 Os estudos incipientes então realizados, culminaram
tendo-se aplicado pela primeira vez a expressão “integrado” a um Sistema de
num anteprojecto que se focava apenas num Sistema
de Transmissão Analógico por Feixes Hertzianos de tipo radial que se estendia até aos Quartéis-Generais das
RM. Neste anteprojecto, não tinha cabimento qualquer
Sistema de Comutação ou de prestação de serviços. A
esse propósito, durante a realização da Semana da Arma
de Transmissões de 1986, o seu Director afirmou que “o
STM e as Transmissões Permanentes estiveram, nesse
momento, mais próximas do passado obsoleto, do que da
era da informatização da sociedade”.
Transmissões. Porém, essa expressão tinha apenas um conteúdo espacial e não
tecnológico82. Esse estudo continha as seguintes orientações fundamentais a
médio prazo:
- Integrar as Redes Telefónicas Civis e Militares dentro das instalações do Exército;
- Reduzir ao mínimo os traçados aéreos de cabos telefónicos, suportados em
postes de madeira ainda existentes nas povoações, por traçados em condutas
subterrâneas;
- Interligar as Redes do Exército com as da Forca Aérea;
- Remodelar progressivamente as Redes Telefónicas Internas das UEO do Exér-
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cito;
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Hertzianos;
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- Concluir os trabalhos de beneficiação de todas instalações eléctricas do STM;
- Manutenção das torres a cargo ao STM de modo a completar as áreas em falta;
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- Instalar os Centros Emissores e Receptores das ZM;
ções para a cobertura do Território Nacional com vias alternativas ao sistema
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- Instalar Teleimpressores de acordo com o faseamento das ligações por Feixes
- Colaborar nos estudos da DAT para implantação do projecto de telecomunica-
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res, nas Estações de Feixes Hertzianos do STM;
- Definir o Sistema de Cobertura Nacional em HF de carácter permanente;
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- Instalar grupos geradores, equipamentos de ar condicionado e desumidificado-
- Instalar os Centros Emissores e Receptores de Lisboa em local definitivo;
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em vigor.
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Pese embora o reduzido número de recursos humanos e materiais à disposição
do RTm, até 1985, foi desenvolvido um enorme esforço no sentido de reequipar
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e ampliar as Redes do STM, visando não só a melhoria da qualidade dos vários
Serviços (Telefónico, Telegráfico, Sonoro e de Apoio), como a cobertura de todo
Rede de Transmissão por FHz, 1985
o TN.
Para atingir este objectivo, o STM implementou e desenvolveu a Rede Nacional
de Telecomunicações, englobando Redes Regionais, de Guarnição e de Pequenas
Unidades (PU), interligadas entre si, quer através de infra-estruturas de comunicações próprias, quer recorrendo ao aluguer de circuitos aos CTT. Foi realizado
um extenso trabalho de instalação e substituição de Equipamentos Terminais, de
Equipamentos de Comutação e de Meios de Transmissão.
Na década de 80, surge uma tendência geral para a substituição progressiva dos
traçados aéreos de linhas telefónicas por cabos enterrados, especialmente nas
cidades, à qual o STM não ficou indiferente. Em consequência, em finais de 1985,
a Rede de Cabos enterrados nas Redes de Guarnição e de PU, ultrapassava os
300 quilómetros.
Para garantir as comunicações com as Ilhas, foram estabelecidas ligações Telefónicas e Telegráficas Automáticas com a Rede de Guarnição do Funchal, por
cabo submarino, e com Ponta Delgada por via satélite.
Equipamentos de FHz Analógicos, FARINON, 1985
108 > 109
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Em 1985, foi estabelecido o Sistema de Feixes Hertzianos da Região Militar Norte, com a instalação de Equipamentos Terminais Rádios FARINON LR2-400 com 6 canais analógicos em Espinho, Póvoa do Varzim, Braga, Vila Real, Lamego, Chaves
e Porto, e Equipamentos Repetidores Rádios FARINON LR2-2000 com 120 canais analógicos em Santa Marta, Marão e
Minhéu. Com este Sistema, as Unidades da RMN situadas fora do Porto (exceptuando o CICA em Penafiel), passaram a ter
ligações Telefónicas e Telegráficas Automáticas à Rede Nacional do STM.
PROJECTOS REALIZADOS
No período de 1977 a 1986, os principais projectos realizados pelo STM foram, resumidamente, os seguintes:
1977
> Instalação de novas Centrais Telefónicas
Automáticas em Coimbra e no Porto.
1978
> Redes Urbanas de Lisboa e Porto.
1979
> Instalação de Centrais Telefónicas Automáticas em Santa Margarida e no Edifício
de Ceuta;
> Automatização Interurbana Lisboa - Coimbra;
COLABORAÇÃO COM O EMGFA
NOS SEGUINTES PROJECTOS
> Construção de condutas entre a DSP/EME
(Terreiro do Paço) e o EMFGA, através do
Aqueduto das Aguas Livres (AqAL) e Monsanto.
SEMPRE MELHOR
1980
.> Automatização Interurbana Lisboa - Porto;
> Integração na Rede Telefónica Automática Nacional das Redes Telefónicas do Porto, Coimbra e Elvas;
> Realização dos projectos de Redes Telefónicas Internas: RICB, REL e EPE;
> Realização das Redes Telefónicas Internas: RSS, EPST, RI de Abrantes, RIT, RIAH,
EMEL, EPI, BSM e CIAAC;
> Instalação de uma nova Central Telefónica
Automática na Manutenção Militar;
> Construção de conduta subterrânea para
levantamento dos traçados telefónicos aéreos entre a: EPT (Quartel do Bom Pastor)
e o QG/RMN e entre o EME e o AT1 (Figo
Maduro);
> Aquisição e lançamento de cabo convencional entre a: EPT e o QG/RMN, EPT e o RIP
e QG/RMC e Montes Claros;
> Realização do projecto de ante-estudo
das Telecomunicações para cobertura do
TN, com vista à obtenção de via alternativa
para o fecho da “malha” do Sistema de FHz
existente.
1981
> Automatização Interurbana:
- Lisboa – Santa Margarida;
- Entroncamento – Tancos – Tomar
– Abrantes;
- Évora – Trafaria – Carregueira – Mafra
– Santarém – Caldas da Rainha;
> Construção de conduta subterrânea
para levantamento dos Traçados Telefónicos Aéreos em Santa Margarida,
Tancos, Entroncamento, Tomar e entre
Cascais – Estoril;
> Realização do projecto de Feixes Hertzianos para ligar as UEO da RMN, tendo já sido
lançado o Concurso Público;
ESTUDOS
- Configuração da Rede Telex Militar Nacional;
- Redistribuição e manutenção dos equipamentos HF;
- Globais sobre as torres metálicas no
Exército;
- Eliminação progressiva dos postes de
madeira;
- Estabelecimento do protocolo com a
Força Aérea Portuguesa;
> Proposta de manutenção integrada dos
Teleimpressores SIEMENS T1000;
> Projecto das Redes Telefónicas Internas:
BRT, EME, RAL, RIB, RIAv, REE e DTav;
> Realização das Redes Telefónicas Inter-
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Modernização e Expansão da Rede Analógica (1977-1986)
nas: RIP, REL, RICR, EPC, EPA, Santa Margarida e Edifício de Ceuta;
> Aquisição e lançamento de Cabo Convencional entre: RTm e o AT1, QG/RML e o Edifício de Ceuta e Destacamento de Belém e
Cascais;
> Instalação das Centrais Telefónicas Automáticas: no Edifício de Ceuta e em Santa
Margarida;
> Levantamento e acerto das cargas dos
grupos geradores de recurso;
> Revisão da instalação eléctrica do CTE;
> Aquisição de aparelhos de ar condicionado e desumidificadores;
> Realização do projecto técnico para instalação dos Órgãos de Transmissões no
QG/RMS;
> Análise das condições do Centro de Comunicações do COMCHEFE/Madeira;
> Análise da documentação de Transmissões;
> Concluída a remodelação do Centro Emissor de Lisboa;
> Adjudicação da construção das infra-estruturas para instalação do Sistema de
Feixes na RMC/Zona Norte (estavam concluídas 18 estações. Previa-se em 1982
alcançar 24, no ano seguinte 30, em 1984
as 40 e que no final estivessem construídas
55);
> Integração da Rede Telefónica de Santa
Margarida na Rede Telefónica Automática
Nacional e a interligação das Redes Telefónicas dos 3 Ramos das Forças Armadas;
> Realização da ligação por Feixes Hertzianos e Telex das Unidades da RMC/Zona Sul
(Tomar, Abrantes, Santa Margarida, Entroncamento e Tancos), RML (Santarém, Mafra,
Caldas da Rainha, Carregueira e Trafaria) e
RMC/Zona Norte (Lousã, Viseu, Águeda, Figueira da Foz, Leiria e Aveiro);
> Desactivação das Redes de HF das Unidades e sua substituição por Telex, bem como
a reconfiguração das Rede HF do STM;
> Aumento da capacidade das ligações Lisboa - Santa Margarida e Lisboa - Setúbal;
> Optimização das ligações aos Arquipélagos, com melhoria dos diferentes Serviços
de Fonia, TTy e Grafia;
> Lançamento de 22 km de Cabos Telefónicos em traçados diversos;
> Substituição de Centrais em várias Unidades;
> Automatização das Redes das OGFE e
BAS (Coimbra);
> Instalação da Rede Telefónica Interna do
EMGFA e do Edifício de Ceuta;
> Instalação de Sistemas de Som de carácter permanente em 16 Unidades da RMC e
RMN.
Instalação de Traçado Telefónico Aéreo, RTm
COLABORAÇÃO COM O EMGFA
NOS SEGUINTES PROJECTOS
> Realização do projecto e execução da
Rede Telefónica Interna do RI no Funchal.
110 > 111
1982
> Automatização Interurbana Leiria – Águeda – Figueira da Foz – Aveiro - Viseu;
> Conclusão da ligação Monocanal entre o
RAC e a 6.ª Bataria (Fonte da Telha);
> Adjudicação, fornecimento e instalação
dos equipamentos do Sistema por FHz da
RMN;
> Realização dos estudos de ante-projecto
do Sistema por FHz da RMS;
> Integração na Rede Telefónica Automática
Nacional da ESE, RI de Abrantes e BC n.º 5;
> Interligação da Rede de Transmissão por
FHz à Rede da Força Aérea;
> Elaboração do estudo da eliminação progressiva dos traçados de cabos aéreos
suportados em postes de madeira e a sua
substituição por traçados enterrados em
condutas;
> Remodelação nas Redes Telefónicas Internas do RCB, HMR n.º 1, BRT e BSS;
> Instalação dos novos Cabos Telefónicos
nas seguintes áreas:
- Em Coimbra para servir o CSCOIMBRA
e o Batalhão n.º 4 da Guarda-fiscal;
- Na RMN, entre o QG/RMN e o Edifício
da Av. França;
> Conclusão dos projectos de Remodelação
das Redes Telefónicas Internas das seguintes Unidades: RAL, ISM, RASP e RIE;
> Elaboração do projecto de Remodelação
da Rede Telefónica do Porto;
> Remodelação dos Traçados Telefónicos
de ligação às Unidades da Guarnição de
Lamego;
> Lançamento de Cabos Telefónicos e Remodelação filar nas Unidades de Ponta
Delgada;
> Lançamento de um Cabo Telefónico entre
QG/RML e o Edifício Ceuta;
> Instalação e configuração da nova Central
Automática do Edifício Ceuta;
> Automatização da Rede do CEMFED;
> Instalação de Teleimpressores no Edifício
Ceuta, DSP, PR, EME, CIAAC e RALIS;
> Instalação de Teleimpressores na RMC/
Zona Sul, acompanhando a implantação
dos FHz;
> Readaptação do Centro Receptor de Lisboa;
SEMPRE MELHOR
> Montagem dos grupos geradores na zona
da RML e RMC;
> Automatização das Redes das OGFE e da
RMC;
> Construção de Rede Telefónica Interna da
EPE;
> Remodelação da Rede Telefónica Interna
de Ponta Delgada;
> Ampliação da capacidade e fiabilidade da
ligação Lisboa – Setúbal;
> Interligação das Redes do Exército e da
Marinha, através de junções da Central do
RTm;
> Manutenção das torres na área da 5.ª Secção/STM e início dos trabalhos de manutenção nas áreas da 3.ª e 4.ª Secções.
1983
> Automatização Interurbana Braga-Póvoa
do Varzim-Vila Real-Chaves-Espinho-Lamego;
> Construção das infra-estruturas de apoio
às ligações da RMC/Zona Norte e RMN;
> Montagem dos equipamentos do Sistema
de FHz da RMC/Zona Norte;
> Reformulação do Projecto Técnico para as
instalações de comunicações do QG/RMS;
> Melhoramento das comunicações em Fonia e TTy com os Açores;
> Lançamento de Cabo Telefónico entre o
QG/RMN e o Edifício da Avenida de França;
> Remodelação da Rede Telefónica Interna
do RI de Elvas;
COLABORAÇÃO COM O EMGFA
NOS SEGUINTES PROJECTOS
> Lançamento de Cabo Telefónico entre a
DSP/EME e o EMFGA, via AqAL e Monsanto.
1984
> Automatização interurbana Vila Nova de
Gaia – Beja – Faro – Portalegre – Estremoz
– Elvas – Castelo Branco;
> Instalação dos equipamentos de Feixes
Hertzianos na RML;
> Conclusão da instalação do cabo da Rede
Telefónica de Coimbra;
> Entrada em funcionamento da Ligação Interurbana da EPA;
> Conclusão do projecto da Rede Telefónica
da Guarnição Militar de Elvas;
> Remodelação das Redes Telefónicas do
EME e do RCE;
> Conclusão da Rede Telefónica Interna da
Manutenção Militar;
> Aquisição do Equipamento Telefónico
para a ZMM;
> Automatização da Rede Telefónica de
Ponta Delgada na ZMA;
> Continuação da eliminação dos postes de
madeira substituindo-os por traçados enterrados;
> Conclusão dos projectos de ligação por
Feixes Hertzianos da EPA, CT Alcochete,
incluindo ligações às Baterias de Artilharia
de Costa e Comando do RAC;
> Construção de Condutas entre o RALIS e o
BST (Campo Grande);
> Conclusão da elaboração das Condições
Técnicas para a aquisição de Centrais Telegráficas para a integração das Secções do
STM no Sistema Telex Militar;
> Construção de Conduta subterrânea entre
a MM e o RIT (em Tomar);
COLABORAÇÃO COM O EMGFA
NOS SEGUINTES PROJECTOS
> Construção de condutas e lançamento de
cabo telefónico entre o IMPE e o EMFA.
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Modernização e Expansão da Rede Analógica (1977-1986)
1985
> Ligação do Sistema de Feixes Hertzianos
da Zona Norte da Região Militar do Centro
(radial da Lousã), excepto Castelo Branco;
> Remodelação das Redes Internas da Academia Militar (Sede) e da Escola Prática de
Transmissões, com instalação de duas Centrais Automáticas Electrónicas;
> Remodelação da Rede Telefónica da Guarnição do Funchal;
> Construção de condutas nas Guarnições
de Setúbal e de Elvas, no Campo de Tiro de
Alcochete e no Campo de Santa Clara (EME
– DAA);
> Lançamento de cabos DGMG – INDEP
(Moscavide) e Belém – DGMT (Linda–a–Velha);
> Automatização da Rede Telefónica das
Oficinas Gerais de Material de Engenharia
e do Grupo de Artilharia de Guarnição n.º 2
(Funchal);
> Remoção dos postes telefónicos no traçado RTm – BSGE - Comando Geral da PSP
(último traçado aéreo dentro da cidade de
Lisboa);
> Estabelecimento de circuitos para teleprocessamento, na Região Militar do Centro;
> Desenvolvimento da informação do STM,
nos seguintes domínios: Lista Telefónica; Cadastro das Redes; Fichas de Obras;
Reabastecimento e tratamento de texto
(Planeamento, Caderno de Encargos e Contratos);
> Lançamento do Concurso para a nova torre (de 90 metros de altura), do Sistema de
Feixes Hertzianos da Zona Sul da Região
Militar do Centro, a instalar em Santa Margarida;
COLABORAÇÃO COM O EMGFA
NOS SEGUINTES PROJECTOS
- Remodelação da Rede Telefónica do Campo de Tiro de Alcochete (incluindo Central
Electrónica Automática);
- Remodelação da Rede Telefónica dos
Serviços Sociais das Forças Armadas, no
Alfeite;
- Preparação do Serviço de Som e TV do
EMGFA.
1986
> Execução do “Cadernos de Encargos
– Tipo”;
> Introdução dos dados da Lista Telefónica
do STM numa Base de Dados informatizada;
> Execução e ligação do Sistema de Feixes
Hertzianos da Região Militar do Norte, com
instalação de Terminais em Espinho, Póvoa
de Varzim, Braga, Vila Real, Lamego, Chaves e Porto, e Repetidores em Santa Marta,
Marão e Minhéu;
> Rede Telefónica Interna da Academia Militar (Lisboa) e instalação de um PPCAE;
> Remodelação de Rede Telefónica Interna
do Regimento de Infantaria de Vila Real;
> Remodelação da Rede Telefónica Interna
do Destacamento da Amadora da Academia
Militar;
> Construção da Rede Telefónica Interna da
DSS, com instalação de um PPCAE;
> Remodelação das Redes Telefónicas Internas do Esquadrão de Lanceiros do Sul,
do Centro de Selecção de Setúbal e do Batalhão do Serviço de Saúde;
> Execução da Rede Telefónica Interna do
Destacamento de Tavira;
> Construção de condutas no traçado CINCIBERLANT - EMEL, com ligações ao RAC,
Lar Académico, Direcção de Faróis e SSFA;
> Remodelação da Rede Telefónica do Campo de Tiro de Alcochete e instalação de PPCAE;
> Transformação de condutas nas Guarnições de Évora, Elvas e Setúbal;
> Lançamento de cabo de fibra óptica (6 pares) entre o CINCIBERLANT e a EMEL (primeira realização do STM com cabos desta
tecnologia, com óptimos resultados), numa
extensão total de 4200 m;
> Lançamento de cabos telefónicos em condutas do STM para o Comando Geral da PSP
(Lisboa), RI Tomar e MM (Tomar);
> Lançamento de cabos aéreos nos seguintes traçados: Destacamento de Belém DGMT e MM - HMR3 (Tomar);
> Lançamento de cabos em condutas entre
as OGFE e o RASP (Porto-Gaia) e entre o
RTm e o BSGE (Lisboa);
> Instalação do Sistema de Tele-sinalização
de avarias no link Lisboa - Porto;
> Instalação de monocanais nas seguintes
ligações: Faro-Tavira, RE1-RTm e EPEConstância;
> Reparação do Edifício de Feixes Hertzianos de Trevim (Lousã);
> Remodelação da Rede Interna do Regimento de Infantaria n.º 1 (Serra da Carregueira);
> Projecto do novo Edifício Terminal de Feixes Hertzianos de Santa Margarida;
> Remodelação das Redes de Guarnição de
Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Funchal;
> Coordenação do projecto de Remodelação do Edifício do CTE;
> Projecto dos Centros de Transmissões
(EME e QG/RMC) e acompanhamento das
obras;
> Instalação de teleimpressores no QG/
RMN, BAM, RCB, RIVR, RIC, CIOE, QG/ZMM,
RIFc, GAG 2 e ELFc;
> Revisão geral do Sistema de Feixes Hertzianos da RMC (Zonas Norte e Sul).
> Instalação de Unidades S+Dx no circuito
Lisboa – Funchal, possibilitando ligações
Telegráficas no Canal Telefónico existente;
> Remodelação e ampliação das Redes de
Intercomunicadores do BST e do EME;
> Início da construção da torre auto-suportada de Santa Margarida (96 metros);
> Instalação de Redes de Intercomunicadores na CR/RMS, nas OGME, na Repartição
de Sargentos e na DSEFE;
> Projecto e instalação dos Sistemas Permanentes de Som do RIB, RIF e Destacamento de Tavira;
COLABORAÇÃO COM O EMGFA
NOS SEGUINTES PROJECTOS
> Projecto de Interligação do Comando Chefe dos Açores com o Comando da ZMA, em
Ponta Delgada.
112 > 113
DIGITALIZAÇÃO DA REDE
COM INTEGRAÇÃO DE SERVIÇOS
(1984-2006)
O SISTEMA INTEGRADO DE TELECOMUNICAÇÕES
DO EXÉRCITO PORTUGUÊS (SITEP)
ORIGEM E DEFINIÇÃO
No início dos anos 80, foi criada uma comissão para estudar e propor à DAT, um
Sistema de Comunicações que permitisse a integração das comunicações das
Unidades de Guarnição, com os Sistemas de outros ramos e a sua ligação aos
Sistemas de Campanha. A proposta resultante e superiormente apresentada
era integrada, dado que permitia a interligação das Unidades (integração física)
numa única rede, mas baseava-se num Sistema Analógico.
Durante uma reunião realizada no RTm em 1984, com a presença do Director
da Arma de Transmissões - General Pinto Correia, foi apresentado pelo então
Tenente-Coronel Cruz Fernandes, 2.º Comandante do RTm, um projecto que caracterizava o que viria a ser o SITEP. O Sistema apresentado introduzia as tecnologias emergentes da época, apontando para a implementação das tecnologias
digitais (Comutação, Transporte e Terminais) com a integração de voz e dados.
O Sistema deveria aceitar o cenário envolvente, incorporando a tecnologia existente (Analógica), ter uma capacidade de cobertura de todo o Território Nacional
e dar resposta aos requisitos operacionais do Exército.
Esta ideia teve todo o apoio do General Pinto Correia e, em fins de 1984, o Coronel Cruz Fernandes, então Comandante do RTm, submeteu o estudo completo à
apreciação do General Director que, de imediato, promoveu a apresentação desse mesmo estudo pelo autor no EME. Na apresentação ao EME, além da caracterização geral do SITEP, destacava-se já o Projecto Tipo de Área Piloto (PTAP),
o qual obteve igualmente todo o apoio do General Firmino Miguel, então ViceCEME. Consciente da importância do projecto para o Comando e Controlo do
Exército, o General Firmino Miguel, disponibilizou verbas dos Fundos Privativos
do EME para arranque do PTAP.
SEMPRE MELHOR
Os três elementos chave na implementação do SITEP:
- Cor Cruz Frenandes (Ideólogo)
- General Firmino Miguel (Messenas)
- General Pinto Correia (Facilitador)
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
Daqui resultou o grande projecto estratégico das Comunicações Permanentes,
que abriu caminho para a digitalização das Redes Militares, e que veio a designarse de Sistema Integrado de Telecomunicações do Exército Português (SITEP).
Por definição, o SITEP é um Sistema de Comunicações de Cobertura Nacional
Privativo do Exército, constituído por uma estrutura que engloba os meios humanos, técnicos e infra-estruturas de apoio capazes de veicular, de forma segura, informação de natureza electrónica, resultante da actividade do Exército ou
da sua relação com as entidades exteriores, militares ou civis.
OS REQUISITOS
O SITEP foi apresentado como uma ferramenta potenciadora da acção de Comando e Controlo, adaptável ao cenário envolvente, em qualquer nível hierárquico e em qualquer situação, Guarnição ou Campanha. Os estudos que conduziram
à elaboração e concepção do modelo do SITEP, abrangeram as seguintes áreas:
• Cenário Envolvente;
• Requisitos Operacionais;
• Evolução Tecnológica.
CENÁRIO ENVOLVENTE
No cenário envolvente incluiu-se:
• O Teatro de Operações, estendendo-se este a todo o Território Nacional;
• Os meios e as estruturas militares de Transmissões existentes no Exército;
Actual Central Telefónica Digital - MITEL SX 2000 do RTm
114 > 115
• Os meios e as estruturas de Transmissões Civis Nacionais
(CTT/TLP/MARCONI);
• Os meios e as estruturas de Transmissões da OTAN em
Portugal;
• Os meios e as estruturas de Transmissões dos outros Ramos das Forças Armadas e das Forças de Segurança (FS),
PSP, GNR e Guarda Fiscal;
• Os meios Tácticos de reequipamento das Transmissões em
curso no Exército;
REQUISITOS OPERACIONAIS
A abordagem dos requisitos operacionais do SITEP teve em
consideração a Lei da Defesa Nacional, o Conceito Estratégico de Defesa Nacional, as Missões e a Organização do
Exército, enquanto Estrutura de Defesa incluída na NATO
e com responsabilidades na ocupação e na Defesa Autónoma do Território Nacional, bem como as actividades da vida
corrente do Exército, de que resultam necessidades de serviços como telefone, telex, dados, imagem, vídeo, cifra, etc.
Ao pretender-se que o SITEP reflectisse a vocação de ocupação territorial tradicionalmente conferida ao Exército,
este deveria assim permitir a cobertura do Território Nacional e atingir todas as Unidades, Estabelecimentos e Órgãos
do Exército, obedecendo ainda aos seguintes requisitos:
Universalidade
Satisfazer os requisitos de todos os utilizadores do Exército. Neste sentido teria de ser um sistema integrado de
voz, de dados, de texto, etc., não só na comutação como no
transporte, na aquisição e na distribuição de informação de
banda estreita.
Segurança
Apresentar um grau de Segurança elevado para os serviços
e obedecer a um Conceito de Segurança Global, no qual se
integrassem progressivamente os seguintes conceitos par-
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celares:
• A Segurança Física;
• A Sobrevivência;
• A Disponibilidade;
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• A Segurança Criptográfica;
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• A Segurança Electrónica – (Tempest free);
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• A resistência à Guerra Electrónica.
O SITEP - NODOS
SEMPRE MELHOR
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
Integração
Ser um sistema aberto, devendo ser interligável ou transparente com outros Sistemas Civis através de “Gateways” e com Sistemas Tácticos através de Rádio
Acess Points (RAP) e “Gateways”.
Continuidade
Ser evolutivo, integrando os meios existentes até ao fim de vida útil destes e
ser compatível com partes analógicas e partes digitais, aceitando as inovações
tecnológicas emergentes.
Sobrevivência
Ser um sistema sobrevivente em cenário adverso, devendo prever ligações fundamentais e de alternativa e, em certos casos, de último recurso. Ser resistente
a medidas de GE, sendo os seus principais órgãos resistentes ao impulso electromagnético, e servir de alternativa a outros Sistemas, estando apto a aceitar
deles apoio semelhante. Deveria ainda ser expansível, reconfigurável, de manutenção fácil e controlo centralizado por acção remota.
Universal, Hierarquizável e Disponível
Devendo poder aceitar utilizadores, quer do próprio sistema, quer de sistemas
diferentes. Além disso, deveria permitir o seu agrupamento em categorias dispondo de facilidades diferenciadas por programação, resultando daí uma elevada disponibilidade de serviços para utilizadores seleccionáveis.
83 Time Division Multiplex / Divisão por Multiplexagem
Modularidade
84 Possibilidade de inserção ou extracção qualquer número de canais em ambas as direcções.
Ser modular, devendo aceitar um modelo global que se ajustasse aos requisitos
totais do Exército e ser desdobrável em projectos parcelares ajustando-se por
um lado ao existente e, por outro, à introdução de tecnologias emergentes.
A EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA
A evolução da comutação para a electrónica digital, com tendência para a integração de serviços, então disponíveis em alguns projectos executados, nomeadamente nas áreas:
- Comutação de Circuitos;
- Comutação de Pacotes, permitindo serviços como a voz, dados, texto, fac-símile,
mensagens, correio de voz, etc.
Associada àquela inovação, surgiram ainda o Feixes Hertzianos com débitos de
transmissão desde os 2.048 aos 140.000 Kbits/s (2Mbits/s a 140 Mbits/s), utilizando tecnologias de multiplexagem TDM83 que permitiam o drop/insert84 e
abertura dos Feixes em Pontos de Acesso Rádio (PAR), para receber e entregar
informação, adicionando ainda a Fibra Óptica85 como meio de transmissão privilegiado.
O Sistema de Sinalização das Redes por Canal Comum, como a Sinalização n.º
786, do CCITT87 e o HF em Tempo Real vieram finalmente permitir obter comunicações fiáveis e integráveis de backup e de último recurso.
no Tempo
85 É um Meio Físico de Transmissão (geralmente um cabo
com vários pares de fibra de vidro ou de plástico) em que
a informação é transportada sob a forma de impulsos de
luz. O Cabo de Fibra Óptica é constituído por condutores
de sinais luminosos que são fibras de vidro ultrapuras (de
sílica ou de vidro), com revestimento de polietileno, no
seu aspecto exterior semelhante a um cabo de fios de cobre. A Fibra Óptica constituiu um avanço tecnológico que
contribuiu para o desenvolvimento das Telecomunicações
em todo o mundo. Num par de Cabos de Fibra Óptica podem ser transmitidas mais de um milhão de mensagens
simultâneas. Este Meio de Transmissão foi introduzido na
Rede de Transmissão Portuguesa em 1983.
86 Este Sistema caracteriza-se por ter um canal específico para troca de sinalização, comum a diversas chamadas,
sendo por este motivo apelidado de Sistema de Sinalização por Canal Comum n.º 7 ou, simplesmente, Sistema de
Sinalização n.º 7 (SS7). Este Sistema de Sinalização foi
desenvolvido especialmente para funcionar em Centrais
Digitais de Comutação com o objectivo de extrair maiores vantagens desse tipo de tecnologia. O SS7 é essencialmente uma Rede de Pacotes, ou seja, a informação
de sinalização é carregada em pacotes de dados entre as
Centrais Telefónicas de forma semelhante àquela que é
usada pelas Redes de Pacotes X.25 ou numa outra Rede
de Comutação de Pacotes.
87 Comite Consultatif Internationale de Telegraphie et
Telephonie.
116 > 117
O MODELO HIERÁRQUICO E ARQUITECTURAS
HIERARQUIAS
O Sistema de Comunicações Permanente apresenta três
hierarquias distintas:
Hierarquia Primária
Corresponde ao nível superior do Sistema Nacional Privativo do Exército, sendo constituída pelos Meios Humanos,
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de Transmissão, Comutação e Infra-estruturas de Apoio
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necessárias à interligação do Escalão Superior do Exército
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com as RM/ZM e BMI. Exteriormente, esta hierarquia liga-
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se aos restantes Ramos das FA, ao EMGFA, à NATO, às For-
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ças de Segurança e às Redes Públicas.
Quer os Meios de Transmissão, quer as infra-estruturas de
apoio, são radiantes a partir do Regimento de Transmissões
ou STM, atingindo todo o Território Nacional, abrindo-se no
seu percurso para dar acesso aos Subsistemas Regionais
de Hierarquia Intermédia.
Hierarquia Intermédia
> Subsistema Regional
Corresponde ao nível intermédio do Sistema Nacional Privativo do Exército, sendo constituído pelo conjunto dos Meios
de Transmissão e pelas Infra-estruturas de Apoio que interligam todos os Subsistemas Primários ou das Pequena Unidades (PU) de uma RM/ZM (Redes de Guarnição com os QG
Regionais incluídos), que estabelecem igualmente o acesso
à Hierarquia Primária e Redes Civis de Comunicações.
As suas Infra-estruturas de Apoio e os seus Meios de Transmissão espalham-se por todo o Território Regional. Assim,
quer os Meios de Transmissão, quer as infra-estruturas de
apoio, são radiantes a partir de um ponto de implantação
ditada por critérios de segurança, propagação, topografia
regional e acesso visível ou fácil à Rede de Guarnição que
contém o QG da RM/ZM.
As Infra-estruturas de Apoio obedecem aos mesmos requisitos e compreendem meios idênticos aos do Subsistema
Primário.
SEMPRE MELHOR
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O SITEP – Rede de Transmissão por FHz Digitais (Orçamentada e Prevista)
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
> Rede de Guarnição
Quando a concentração de PU numa determinada área o justifica, estabelece-se
Repartidor do RTm
um sistema de ligação entre elas (PU) pelo emprego de Meios de Transmissão e
Comutação adicionais ou de diferente natureza. Esses meios são normalmente
constituídos por cabos telefónicos formando uma Rede de Guarnição malhada
ou em estrela, dispondo de uma Central de Comutação/Encaminhamento e formando com ela uma estrutura através da qual as PU da Guarnição comunicam
entre si, com as restantes PU da RM/ZM e com o Escalão Superior.
Hierarquia Básica ou de PU
Corresponde ao nível básico do Sistema Privativo do Exército e é constituído
pelos Meios de Transmissão e Infra-estruturas de Apoio da Rede Interna da Unidade e pelos terminais de acesso ao Subsistema Regional e às Redes Civis de
Comunicações.
> Rede Interna de PU
A Rede Interna é constituída por um conjunto de telefones, cabos, caixas, juntas
e fios convergentes numa Central de Comutação, por meio dos quais os diferentes órgãos da PU comunicam entre si.
> Acesso às Redes Externas
Cada PU dispõe ainda de Meios de Transmissão que ligam à Rede Civil de Comunicações e ao Subsistema Regional. Estas facilidades são constituídas por linhas
físicas ligadas à Rede Civil e por terminais de Feixes Hertzianos descendentes
do Subsistema Regional, uns e outros veiculando informação, quer sobre a forma
de dados (mensagens, informática, cifra, etc.), quer sob a forma de voz.
118 > 119
ARQUITECTURA DE UM NODO TÍPICO
Os elementos principais do SITEP são os NODOS. A cada Nodo chegam pelo menos dois Feixes do Sistema Primário. Por exemplo, no caso de Évora, um Feixe
chega de Lisboa e o outro segue para Santa Margarida (próximo NODO). Em cada
Nodo, há informação a circular nas duas direcções distintas de Feixes, o que
permite em caso de corte de um Feixe o Nodo manter-se interligado pelo outro
Feixe.
No início podiam coexistir situações em que um dos Feixes era de tecnologia
analógica e o outro de tecnologia digital.
O Nodo tem acesso ao Sistema Primário através de um terminal digital, ligandose este ao Órgão Nodal de Comutação, tratamento e controlo da informação, directamente, ou através de fibra óptica, dependendo se os dois órgãos estiverem
afastados ou situados no mesmo ponto.
O Sistema foi pensado para permitir que a Central Nodal de Comutação de Serviços Integrados (voz e dados) pudesse coexistir com órgãos de encaminhamento
automático de mensagens, correio de voz centralizado, escritório electrónico e
órgãos para comando remoto e centralizado em Lisboa. Ao Órgão de Comutação
podiam ainda ser ligados equipamentos informáticos, de transmissão síncrona
ou assíncrona, usando protocolos e interfaces diversos, formando-se na zona
servida, uma área telemática capaz de inter-operar com outras áreas distantes,
situadas em torno dos Nodos do SITEP em ambiente digital.
Se, ou enquanto tal não acontecesse, coexistia na vizinhança do Nodo uma Rede
de Guarnição de tecnologia tradicional (Analógica) ligando-se ao Órgão de Comutação por interfaces analógico/digitais.
Os Serviços e os Subscritores dentro da Rede de Guarnição poderiam beneficiar
também dos serviços integrados do SITEP, mas neste caso teria que se recorrer
a modems, pads, front-ends, controladores, concentradores etc., montados caso
a caso.
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Arquitectura do NODO - Tipo
SEMPRE MELHOR
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30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
ARQUITECTURA DOS LINKS DE TRANSMISSÃO POR FEIXES HERTZIANOS
Os links de Transmissão são os elementos de suporte à informação entre Nodos
de Comutação. Estes links são elementos importantes não só do ponto de vista
da sobrevivência da rede, mas também por permitirem o acesso às Unidades Militares e às Unidades Tácticas situadas em áreas tácticas ao longo do território
por onde os links passam.
Os links apresentam Nós de Repetição e Nós de Acesso (drop-insert).
Os Nós Fechados (de repetição), apenas executam a função de repetir o sinal e
prepará-lo para atingir o Nó seguinte. São Nós sem possibilidade de roteamento.
Os Nós Abertos ou de Acesso são de natureza diferente, pois permitem não só
abrir neles o link da Rede Nodal para o diversificar para uma nova malha, como
ainda com o objectivo de atingir e interligar uma Rede Táctica ou uma Unidade
Militar. Nos Nós Abertos foi possível conciliar a tecnologia digital e a analógica.
Estes Nós permitem a reconfiguração de canais, a sua multiplexagem e desmultiplexagem e o seu roteamento em qualquer das direcções convergentes no Nó,
sendo estas operações executadas por telecomando remoto centralizado.
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Link Sul – Ligação por Feixes Hertzianos Digitais
Os links funcionam em tecnologia digital, na Banda Militar dos 4,4 – 5 GHz, e
como são digitais não necessitam de interfaces aos Nodos de Comunicações.
Os equipamentos de Transmissão são sintetizados, resistentes ao choque e à
GE, funcionam em “hot stand by”, e dispõem de redundância dupla na alimentação, nos módulos principais e na electrónica crítica. Funcionam com relógio de
sincronismo próprio ou exterior e são sintetizados.
As infra-estruturas de apoio são sempre fisicamente protegidas, ou por vigilância ou por telesinalização com alarme de aproximação. Porém, sempre que
possível, recorre-se à instalação das infra-estruturas de apoio em propriedade
militar.
As torres foram calculadas de modo a permitirem apoios sem oscilações perturbadoras da orientação dos Feixes, sendo as antenas parabólicas e a relação
sinal/ruído na recepção, da ordem dos 85 dB88.
No início do SITEP, o conjunto dos links da Rede Nodal formavam um sistema
88 O decibel (dB) é uma medida da razão entre duas
quantidades, sendo usado para uma grande variedade de medições em acústica, física e electrónica. É uma
unidade de medida adimensional semelhante à percentagem. A definição do dB é obtida com o uso do logaritmo. Por exemplo uma intensidade I ou potência P pode
ser expressa em decibéis através de uma das seguintes
equações:
malhado entre Nodos, onde a informação circulava a 34Mbits/s.
Quando a infra-estrutura de apoio de um link fica na vizinhança imediata de um
Nodo, a ligação entre os dois é feita directamente sem interface. Quando tal não é
possível recorre-se a cabos de fibra óptica para cobrir a distância que os separa.
onde I0 e P0 são as intensidades e potências de referência. Se PdB é 3dB então P é o dobro de P0, se PdB é 10dB
então P é 10 vezes maior que P0. Mas se PdB é 20dB então P é 100 vezes maior que P0.
120 > 121
PROJECTOS RELEVANTES
O SITEP foi desenhado como um sistema malhado de sete Nodos, espalhados
pelo Continente e Ilhas e interligados por um Sistema de Transmissão. Estes
Nodos permitiriam a Comutação Electrónica Digital com Serviços Integrados
(ISDN) e a Comutação de Mensagens, em banda estreita, tudo com recurso a tecnologia digital.
Para implementar o SITEP, foram reunidas diversas condições, entre as quais
se salientam, o financiamento, a capacidade técnica para projectar os diversos
subsistemas (incluindo sistemas de energia de recurso e obras de construção e
de adaptação de infra-estruturas), para colaborar na elaboração de pareceres
técnicos com vista à adjudicação dos equipamentos, fiscalização das obras e,
posteriormente, para a sua operação e manutenção.
Para o financiamento do SITEP foi criado o Programa ED-01.1 da LPM, do qual
o Comandante do RTm era o Director, em acumulação de funções, tendo criado
na sua dependência um gabinete de apoio a este programa. Este gabinete elaborou os Cadernos de Encargos de vários projectos, dos quais se destacam como
os mais importantes: PTAP, ARTEL, ARNOL, LINK SUL (equipamentos de FHz e
respectivas infra-estruturas de apoio - torres, casinhotas dos equipamentos e
energia), LINK NORTE, NOSUL (Nodo do QG/RMS), HF em Tempo Real, NODO do
ALTO do DUQUE, NODO de SANTA MARGARIDA, NODO de PONTA DELGADA e
NODO do PORTO.
Um passo crucial na normalização de procedimentos foi a criação de um Caderno
de Encargos Tipo, constituído por duas partes: uma com as Condições Administrativas (fixa) e a outra com as Condições Técnicas Gerais e Especiais (com cláusulas específicas para cada projecto). Depois de aprovado superiormente, este
Caderno de Encargos Tipo passou a vigorar para todos os processos de aquisição
inerentes aos projectos do SITEP, sem posterior intervenção dos Serviços Financeiros do Exército.
A implementação do SITEP incluiu também diversas visitas às RM/ZM e UEO
para divulgação, recolha de dados89, estudo e projecto. Estas visitas tiveram ainda como objectivo, o estudo das melhores soluções para cada área, a obtenção
da aprovação do proposto pelos Cmdt/utilizadores locais, bem como a exposição dos requisitos a firmas credenciadas para perceberem o âmbito do novo
Conceito de Comunicações, por forma a estas poderem posteriormente responder adequadamente aos concursos.
Nos encargos dos projectos, e após o PTAP, foi incluída formação para Engenhei-
Central Telefónica OMNI S3, RTm 1987
ros no local da produção, com a finalidade de criar uma Escola de Formação na
Área da Engenharia de Sistemas, por forma a ser capaz de responder com eficiência aos futuros desafios do SITEP. Foi também considerada a formação de
Técnicos de Manutenção para garantirem o normal funcionamento dos Sistemas,
e de Operadores para assegurarem a sua adequada exploração.
SEMPRE MELHOR
89 Estudos dos perfis, locais dos repetidores, de abertura dos anéis da hierarquia primária do SITEP aos Nodos
Regionais e de ligação por Feixes às PU ao longo dos percursos. Projectos de Redes de PU, de Redes de Guarnição
e sua interligação por cabos e Feixes Regionais e Zonais.
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
Os trabalhos em Redes de PU, de Guarnição e Regionais, que se realizaram em simultâneo com os grandes projectos da Hierarquia Primária do SITEP, permitiram
Sala de Controlo do PTAP - painel simbólico, 1987
preparar por antecipação diversas obras, sem as quais o SITEP teria sofrido bloqueios na sua implementação. Tratava-se de praticar no terreno o requisito de ir
preparando os Subsistemas (cenário envolvente) para a integração. A implementação dos novos sistemas era, normalmente, uma operação delicada e por vezes
difícil, uma vez que era necessário implementar o Sistema Digital e eliminar o
Analógico sem quebras de serviço.
PROJECTO TIPO DE ÁREA PILOTO (PTAP)
Em Julho de 1985, iniciaram-se os estudos do Projecto Tipo da Área Piloto (PTAP)
do Sistema Integrado de Telecomunicações do Exército Português (SITEP), tendo sido concluído o Caderno de Encargos em Maio do ano seguinte e enviado de
imediato para a DAT para ser submetido a concurso.
O objectivo fundamental do PTAP era a instalação de duas Centrais de Serviços
Integrados (voz, dados e texto), uma no RTm e outra no EME, interligadas por um
cabo de fibras ópticas90.
Por razões económicas, este Concurso foi dividido em três fases. A 1.ª Fase do
PTAP, foi adjudicada em Janeiro de 1987 à firma CENTREL COMERCIAL, SA, e
nela foram incluídas as duas Centrais apenas com capacidade de comutação de
90 Com o arranque do SITEP, o cabo óptico entrou em
cena, por isso lançou-se um desafio à Indústria Nacional para que realizasse a sua produção. A Firma CEL CAT
aceitou o desafio. Assim, o primeiro quilómetro de cabo
óptico fabricado em Portugal encontra-se no PTAP, no
percurso entre o RTm e o EME.
voz e dados. Para permitir o seu funcionamento e interligação, foi disponibiliza-
122 > 123
do pela CENTREL, o fornecimento e instalação de cabo de fibras ópticas e telefones, material e instalação, não contempladas nesta fase do projecto.
A 24 de Março de 1987 (Dia da Arma de Transmissões), as Centrais Telefónicas
estavam prontas a funcionar, havendo apenas que proceder a alguns acertos de
91 A assinalar esse facto, está uma alegoria em azulejo
na Sala de Comando e Controlo, que representa as comunicações da nova era. A bola luminosa central simboliza
o PTAP, primeiro Nodo do SITEP, e o raio branco num ambiente azul simboliza a fibra óptica e o ambiente digital.
pormenor, fundamentalmente na sua interligação com as Centrais Analógicas
existentes. Nesta data, a obra foi inaugurada91 por Sua Ex.ª o General CEME
– General Firmino Miguel, que muito contribuiu para a sua concretização.
A 2.ª Fase englobou fundamentalmente o fornecimento, instalação e programação do Equipamento de Comutação Automática de Mensagens, do tipo Store
And Forward, denominado CROSSROADS, que foi adjudicada em Abril de 1987.
Este equipamento entrou em funcionamento em Dezembro desse mesmo ano.
Central Digital (Voz-Dados) do PTAP
Na 3.ª Fase foram incluídos os sobressalentes, ferramentas, aparelhagem de
teste e medida, telefones, sistemas de gestão da rede, software, sistema de correio de voz centralizado e cabo de fibras ópticas, alguns deles fornecidos ainda
em 1987, apesar da adjudicação se ter processado já em 1988.
O PTAP, com um custo total de 254.595 contos92, incluiu a digitalização completa do EME e do RTm e a ligação por fibra óptica entre eles, disponibilizando aos
seus utentes serviços em banda estreita, com a vantagem prática de passarem a
Sistema de Alimentação do PTAP
ter um único telefone para acesso a todas as redes, contrariamente ao que acon-
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tecia no antecedente em que necessitavam de um telefone para uma cada rede
em que estavam inseridos. No RTm, além da digitalização da Rede Interna, foram
colocados no Edifício das Transmissões os principais órgãos do SITEP, dos quais
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se destacam, o Sistema de Alimentação Ininterrupta (UPS), a Central de Comutação de Serviços93, o Comutador de Mensagens (CROSSROADS94 ou Store and
Forward) e o Comando Centralizado de todo o SITEP.
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Para criar as condições necessárias à instalação dos equipamentos, foi necessário realizar uma transformação completa do Edifício das Transmissões (Centro
de Transmissões do Exército), onde se incluía, entre outras obras, a alteração
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da compartimentação interior, tendo esta intervenção sido realizada essencialmente com a “prata a casa”.
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Do Caderno de Encargos fazia também parte o fornecimento de equipamentos,
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transferências de tecnologias e cursos de aquisição de “know-how”, tendo sido
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montado um Laboratório de Fibra Óptica para os Graduados do STM aprofun-
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Projecto PTAP, Nodo de Lisboa (cenário envolvente)
darem o seus conhecimentos nesta área, bem como para a formação de outros
militares.
No final da execução do PTAP, o STM dispunha de uma equipa habilitada a utilizar o banco de ensaios de fibra óptica e a responder pelo lançamento de Redes
de Fibras Ópticas, para além de dominar perfeitamente a Tecnologia Digital de
Transmissão e de Comutação de voz e de mensagens.
92 A 1.ª Fase teve um custo de 97.850 contos, a 2.ª Fase
99.745 contos e a 3.ª Fase 57.000 contos.
93 Os Subsistemas que o constituíam eram: Comutação
Telefónica (OMNI-S3), Voice Mail (OMNI-VMI-2) e Dados
(OMNI-D2). O Subsistema de Dados poderia ou não estar
ligado à OMNI-S3.
94 É um Sistema, que pela primeira vez permitiu realizar no Exército a Comutação Automática de Mensagens, obedecendo às especificações do Standard NATO
- ACP 127.
SEMPRE MELHOR
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
ÁREA TELEMÁTICA DE LISBOA (ARTEL)
O SITEP previa para Lisboa uma Área Nodal, com Nodos no RTm, EME, Direcção
de Serviço de Informática do Exército (DSIE) e QG/RML. Assim, nasce o 2.º projecto do SITEP que recebeu a designação abreviada de ARTEL.
Com este projecto pretendeu-se estender a Rede de Comunicações de Serviços
Integrados, iniciada com o PTAP, à DSIE, aos Serviços Cartográficos do Exército
(SCE), ao Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos (LMPQF)
localizados na Encarnação, e ao Depósito Geral de Material de Guerra, em Beirolas.
PPCA95 Digital-DSIE-1988
95 Posto Privativo de Comutação Automática
O Projecto ARTEL obedeceu ao conceito geral do SITEP, segundo o qual, cada
novo projecto tinha necessariamente de aceitar o cenário envolvente e incluir as
novas tecnologias devidamente provadas e necessárias à satisfação dos requisitos operacionais que o projecto se propunha realizar.
Este projecto contemplou, em termos de requisitos operacionais, a satisfação
dos subscritores dos órgãos citados em comunicações telefónicas, telegráficas e informáticas, de uma forma coerente e integrada, e concretizou-se com a
execução de duas Redes Internas, servindo uma a DSIE, o LMPQF e os SCE, com
a sua Central Digital de Comutação de Serviços Integrados situada no primeiro
destes órgãos e a outra servindo o DGMG, com uma Central Satélite de tecnologia idêntica à anterior, ligada à DSIE por cabo de fibra óptica.
O conjunto das Redes e Centrais foi interligado por cabos de fibras ópticas ao
EME e STM, criando-se assim a primeira malha de uma Rede Digital.
Considerado isoladamente, o projecto ARTEL configurou um projecto de Comutação de Serviços Integrados, semelhante ao PTAP. No entanto, a capacidade do
ARTEL para assegurar o interface ao PTAP e ao Host da DSIE, e a possibilidade de integração em rede dos subscritores informáticos, em paridade com os
meios telefónicos e telegráficos, nas áreas abrangidas quer pelo PTAP quer pelo
projecto ARTEL, tornou este último num verdadeiro projecto tipo de telemática,
constituindo um enorme salto na concepção de Engenharia de Sistemas.
Foi também realizada a Rede Interna da EPSM e ligou-se a respectiva Central
Digital à DSIE. O Caderno de Encargos, com a proposta de abertura de Concurso
Limitado, foi enviado à DAT em 13 de Julho de 1987. Após apreciação das propostas, esta obra foi adjudicada à firma CENTREL COMERCIAL, SA,a mesma firma adjudicatária do PTAP.
Por razões de ordem financeira não foi possível adjudicar a totalidade da obra,
pelo que a 1.ª Fase, incluindo apenas a Rede Telefónica da DSIE e a sua ligação
com o PTAP, foi adjudicada já no final desse ano, por cerca de 81.000 contos.
A inauguração do ARTEL coincidiu com o dia do RTm e teve a presidi-lo o General
Firmino Miguel, na qualidade de CEME.
A 2.ª Fase integrou as restantes obras anteriormente descritas e foi orçamentada num valor global de 24.000 contos.
Foram instalados equipamentos Multiplexer do tipo PCM/TDM
96
para dados,
conversores electro-ópticos para transmissão em fibra óptica e modems de
96 Pulse Code Modulation/Time Division Multiplexing,
técnica de conversão de um sinal analógico em digital.
Técnica de transmissão de múltiplos sinais digitais num
único canal de comunicações.
124 > 125
banda base entre a DSIE, EME e RTm/STM, de modo a permitir a passagem dos
circuitos de dados da Rede de Dados da DSIE.
Após a conclusão do projecto ARTEL, em 1989, o diagrama da Rede de Multi-serviços proporcionada pelo conjunto PTAP-ARTEL é o que se apresenta na figura
abaixo.
PTAP-ARTEL, Rede de Multiserviços
ÁREA NODAL DE LISBOA (ARNOL)
Com o projecto ARNOL, terminava a construção da Área Nodal de Lisboa, e daí
a origem do seu nome. Ainda com o projecto ARTEL em curso, começaram a desenvolver-se os estudos para completar a Área Nodal de Lisboa, com o Nodo do
QG/RML ligado ao EMGFA, através do Aqueduto das Águas Livres, ao Trem Auto,
ao BST e à EPAM.
Este projecto orçamentado em cerca de 170.000 contos, consistia na instalação
de duas Centrais Telefónicas Digitais, uma no QG/RML e a outra na Direcção do
Serviço de Finanças, com dois concentradores remotos, um na CHESMATI e o
outro da Direcção de Transportes, incluindo as respectivas Redes Telefónicas Internas, a sua interligação por cabo de fibra óptica e a ligação entre o QG/RML e o
RTm, também por cabo de fibra óptica.
Os meios e as tecnologias deste projecto foram essencialmente os mesmos do
PTAP e do ARTEL. Foi instalada fibra óptica para ligar o Nodo do QG/RML com
SEMPRE MELHOR
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
o RTm, tubagens com cabos analógicos até ao Lumiar preparadas para receber
fibras ópticas com vista ao fecho do anel com a DSIE através do Aeroporto da
Portela.
O projecto ARNOL ficou concluído em 1989.
LINK SUL
O LINK SUL pretendeu estabelecer a ligação por Feixes Hertzianos Digitais
entre Lisboa e São Mamede. Este projecto foi objecto de negociações, longas
e aturadas, quer com os proprietários dos terrenos onde se instalaram os Re-
Projecto ARNOL - Infra-estrutura de Transmissão
petidores, quer para o fornecimento de energia, atribuição de frequências, etc.
Com excepção da Arrábida, que acabou por ser negociada com a PSP (depois do
Parque da Serra da Arrábida negar a cedência do local que se pretendia) e de
Arraiolos, os Repetidores da Serra Alta, Mendro e São Mamede ficaram localizados em terrenos dos CTT, com base num protocolo de utilização antes negociado
com esse operador.
O LINK SUL deu origem a dois tipos de projectos: um para as Infra-estruturas de
Apoio (edifícios, terras e torres) e o outro para os Meios de Transmissão.
No início de 1988, tendo em vista a instalação dos equipamentos do LINK SUL,
foi feita a última vistoria de acerto de pormenores para a elaboração dos Cadernos de Encargos para a construção de edifícios e de torres auto-suportadas na
Serra da Arrábida, Serra Alta, Mendro, Évora, Arraiolos e São Mamede. Nesse
mesmo ano, foi feita a apreciação das propostas, adjudicação das empreitadas
e conclusão da remodelação do Sistema de Feixes Hertzianos da Região Militar
Centro (Zona Sul), com transferência dos equipamentos Analógicos de Chorafome para Santa Margarida.
Em 1989 foi iniciada a elaboração do Caderno de Encargos para o fornecimento
dos equipamentos para o LINK SUL, bem como a apreciação das propostas e adjudicação da empreitada.
O LINK SUL servia várias PU nas áreas da RML e da RMS, donde se destacavam
as seguintes localidades:
- Oeiras, Setúbal e Vendas Novas, com ligação a partir da Arrábida;
- Beja com ligação a partir de Mendro;
- Nodo Sul e Rede de Guarnição de Évora, com ligação a partir de Évora;
- Estremoz com ligação a partir de Arraiolos;
- Guarnição de Elvas e PU, com ligação a partir de São Mamede.
Um dos requisitos do SITEP é o de assegurar a interligação a equipamentos
tácticos. Nessa altura, os equipamentos de FHz de Campanha existentes no
Exército eram os FM 200, que tinham modulação e sinalização diferentes dos
equipamentos do SITEP. No projecto de Transmissão foi então necessário fazer
a compatibilização do SITEP com o equipamento de campanha.
126 > 127
Durante o ano de 1991, foram realizadas pelo Serviço de Feixes Hertzianos as
seguintes actividades principais:
> Projecto de Infraestruturas de apoio ao LINK SUL, com a construção de edifícios terminais e torres auto-suportadas metálicas para suporte de antenas
parabólicas na Serra da Arrábida, Serra Alta, Mendro, Évora e São Mamede,
com um custo da ordem dos 40.000 contos.
> Projecto LINK SUL, com a instalação, ligação, ensaios e arranque do Sistema
de Feixes Hertzianos Digitais entre Lisboa e Évora, através de Serra da Arrábida, Serra Alta e Mendro, com a capacidade de 34 Mbits/s (Sistema Primário) e
as ligações a Beja com capacidade de 2 Mbits/s (Sistema Regional).
> Projecto de Infraestruturas de Apoio aos Links Regionais, com a construção
de torres de betão, auto-suportadas tipo Cavan, para suporte de antenas parabólicas em Beja, Setúbal, Elvas e Estremoz.
No dia 17 de Setembro de 1991, foi inaugurado, o primeiro Link de Feixes Hertzianos Digitais, ligando Lisboa a Évora (34Mbits/s), bem com uma ligação de menor capacidade (2 Mbits/s) entre o Sistema Primário e Beja.
Durante este ano foi ainda lançado o Concurso Público e, posteriormente, feita
a adjudicação relativa à construção de Infra-estruturas de Apoio e aquisição de
equipamentos de Feixes Hertzianos Digitais para as ligações a Mafra, Vendas
Novas, Santarém e Caldas da Rainha do Sistema Regional, com a capacidade de
2 Mbits/s.
O SITEP serviu também para introduzir a utilização da energia fotovoltaica, especialmente para a alimentação dos Feixes Hertzianos, tendo sido, no RTm, efectuada a primeira instalação desta energia limpa.
Em 1993, foi instalado e entrou em funcionamento mais um troço do LINK SUL,
compreendido entre Évora - Arraiolos - São Mamede e Santa Margarida. Este
link integrado no backbone do Sistema de Transmissão por Feixes Hertzianos
Digitais, apresentava uma capacidade de 34 Mbits/s. Entrou também em funcionamento um link com capacidade de 2 Mbits/s entre a Arrábida e Vendas Novas,
para interligar a Escola Prática de Artilharia (EPA) ao SITEP.
Neste ano, realizaram-se ainda os ensaios finais, antes da aceitação da obra, relativos ao Projecto do fecho do LINK SUL entre Santa Margarida – Montejunto
– Arrábida – Lisboa (RTm), com uma capacidade de 34 Mbits/s.
Em 1994, foram instalados os links do Sistema Regional, com a capacidade de 2
Mbits/s entre:
> Arrábida – Oeiras, para interligar o Regimento de Artilharia de Costa (RAC)
em Oeiras e a EMEL em Paço d’Arcos;
> Santa Margarida – EPE para servir a Área Militar de Tancos (CTAT, ETAT e
EPE).
Em 1997, após a instalação do DGMG em Alcochete, foi instalado um link de Feixes Hertzianos Digitais do Sistema Regional, com a capacidade de 4x2 Mbits/s,
entre Lisboa e Alcochete, para interligar o DGMG ao SITEP. Foram também instalados neste mesmo ano os seguintes Links de Feixes Hertzianos Digitais do
SEMPRE MELHOR
Torre dos FHz em Santa Margarida
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
Sistema Regional, com uma capacidade de 2 Mbits/s, entre:
> Montejunto – Mafra, para ligar a EPI e o CMEFED ao SITEP;
> Montejunto – Caldas da Rainha, para interligar à ESE;
> Montejunto – Santarém, para ligar à EPC;
> Santa Margarida – Entroncamento, para interligar a EPSM/BSM e a Delegação da Manutenção Militar do Entroncamento ao SITEP;
> Santa Margarida – Tomar, para interligar o RI n.º 15;
> Santa Margarida – Abrantes, para ligar o RI n.º 2.
Nesta altura, ficou concluída a digitalização do LINK SUL.
LINK NORTE
O LINK NORTE inicia-se em Santa Margarida e termina no Porto (Quartel do Bom
Pastor, ex-localização da EPT, em Arca d ÐAgua), passando pela Lousã, Caramulo, Santa Helena, Marão e Santa Marta.
Em 1991, foi lançado o Concurso Público e, posteriormente, feita a respectiva
adjudicação relativa à construção de Infra-estruturas de Apoio e aquisição de
equipamento de Feixes Hertzianos Digitais para interligação entre Santa Helena, Marão e Santa Marta, do Sistema Primário com a capacidade de 34 Mbits/s.
O LINK NORTE servia várias PU da RMC e RMN, donde se destacavam as seguintes localidades:
> Leiria, Figueira da Foz, São Jacinto e Viseu, com ligação a partir do Repetidor
instalado na Lousã;
> Viseu, com ligação a partir do Repetidor instalado no Caramulo;
Rádios NERA NL142
> Lamego, com ligação a partir de Santa Helena;
> Vila Real e Chaves (via Minhéu), com ligação a partir do Marão;
> Braga e Serra do Pilar, interligados ao equipamento Repetidor instalado em
Santa Marta;
> EPAM na Povoa de Varzim, com ligação a partir da Serra do Pilar;
> Espinho e o NODO do PORTO, interligados ao equipamento instalado no Bom
Pastor.
Em 1993, foi implementada e entrou em serviço a primeira ligação do LINK NORTE entre Santa Margarida e a Lousã, do Sistema Primário de Transmissão, com a
capacidade de 34 Mbits/s.
No ano seguinte, foi instalado um link do Sistema Regional, com a capacidade
de 2 Mbits/s, entre a Lousã e São Jacinto, para interligar a Área Militar de São
Jacinto ao SITEP.
Em 1997, foi finalmente concluído o Sistema Primário de Feixes Hertzianos,
com instalação de equipamentos com uma capacidade de 34 Mbits/s no Quartel
do Bom Pastor, no Porto.
No ano seguinte, foi instalado um link entre Santa Helena e Lamego, com a capacidade de 2 Mbits/s, para interligar o CIOE ao SITEP. Em 2000, foi a vez da EPAM
se interligar ao SITEP, através de um link do Sistema Regional a 2 Mbits/s.
128 > 129
NODO DO SUL
O NODO do SUL, também conhecido por NOSUL, iniciou-se em 1989 com a elaboração do respectivo Caderno de Encargos, tendo sido adjudicada a empreitada
no ano seguinte. Esta consistia na instalação de uma Central Digital em Évora,
no Quartel dos Castelos, e um Concentrador Remoto no Quartel das Mesquitas,
interligados por cabo de fibra óptica.
Em 1990, procedeu-se ao lançamento de cabo de fibra óptica em condutas no
traçado Quartel dos Castelos – Quartel das Mesquitas, e à instalação do equipamento de comutação, tendo a obra sido recebida provisoriamente em Abril de
1991. O NODO do SUL interligou-se ao SITEP através do Link Sul, inaugurado
também nesse ano.
HF EM TEMPO REAL – LIGAÇÃO DE LISBOA A PONTA DELGADA
Na altura em que o SITEP foi concebido, as ligações aos Açores eram apenas
possíveis por Satélite ou HF. A ligação por Satélite foi a primeira a ser estabelecida, disponibilizando um canal telefónico, ao qual foi aplicado um Modem SDx
(Speech Plus Data), permitindo assim uma melhor gestão da largura de banda
disponível e contratada, o que permitiu dispor de um canal de voz e quatro canais
telegráficos a 50 Bauds97.
Não existindo cabo submarino instalado, e sendo a distância entre Ponta Delgada e Lisboa demasiado grande para permitir a ligação por Feixes Hertzianos,
a opção pela utilização de ligações em HF entre o NODO de PONTA DELGADA e
97 Baud deriva do sobrenome de Jean Maurice Émile
Baudot, francês e inventor do Código Telegráfico Baudot.
Um Baud é uma medida de velocidade de sinalização e
representa o número de mudanças na linha de transmissão (seja em frequência, amplitude, fase etc.) ou eventos
por segundo.
o RTm tornou-se evidente, como solução de reforço e recurso ao canal de satélite em utilização. Fazendo uso da evolução tecnológica verificada nesta banda,
foi elaborado um projecto para HF em Tempo Real, que utilizasse a técnica de
sondagem oblíqua da ionosfera, e permitisse a escolha da Frequência Óptima
de Trabalho (FOT) em Tempo Real, com ligações com um BER (Bit Error Rate) da
ordem de 1 em 100.000. Esta solução satisfazia os requisitos exigidos para um
canal de reforço e recurso à ligação por Satélite. Este Sistema, face às potências de emissão necessárias (cerca de 1 kW), e ao facto de que as tecnologias
disponíveis, permitiam aproximar a antena de emissão da de recepção até cerca
de 100 metros, apresentando como vantagem, a possibilidade de instalação das
antenas de emissão e de recepção dentro do Quartel do RTm, tal como ainda hoje
se encontram.
Este projecto, incluiu o estudo das áreas necessárias à implantação do HF em
Tempo Real (emissão e recepção), fornecimento de energia, interface com o
Nodo do QG/ZMA, bem como o acesso ao Comando Chefe, ao Sistema de Cobertura do Arquipélago e às Redes de Guarnição de Ponta Delgada e de Angra
do Heroísmo.
O HF em Tempo Real, iniciou-se com os estudos preliminares e elaboração do
respectivo Caderno de Encargos em 1988, tendo sido inaugurado em 17 de Setembro de 1990, pelo General Chefe de Estado-Maior do Exército.
Este projecto, cujo custo ascendeu a 440.000 contos, contou com a instalação
SEMPRE MELHOR
Antena do HF em Tempo Real, RTm
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
de Centros Receptores em Lisboa (RTm) e em Ponta Delgada, proporcionando
um canal de voz e outro de dados, além de quatro circuitos telegráficos, ou em
alternativa, 2 canais de voz em simultâneo.
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NODO DE PONTA DELGADA
Este Nodo, iniciou-se em 1990 com a elaboração do respectivo Cadernos de En-
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cargos e a adjudicação da empreitada, que incluía a instalação de duas Centrais
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Telefónicas Digitais, uma no Forte de São Gonçalo e a outra no Forte de são Brás,
interligadas por cabo de fibra óptica.
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A conclusão deste projecto devia ter ocorrido em 1991, no entanto, devido a di-
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ficuldades surgidas nos locais de instalação, o projecto só ficou concluído em
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1993.
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HF em Tempo Real – Ligação entre Lisboa e Ponta Delgada
NODO DO ALTO DO DUQUE
Este Nodo consistiu na instalação de três Centrais Digitais localizadas respectivamente no Forte do Alto do Duque, no IAEM e no Regimento de Lanceiros, assim
como um Concentrador Remoto no HMDIC (actual HMB), interligados por cabo
de fibra óptica.
Para além da modernização destas Unidades, dotando-as com meios de comunicações de última geração, este Nodo permitiu a desactivação e abandono do
Destacamento de Belém, situado na Rua da Junqueira, que dispunha de uma Central Telefónica Automática Analógica para servir todas essas Unidades.
Este projecto iniciou-se em 1990 com a elaboração do respectivo Caderno de
Encargos e a adjudicação da empreitada à firma CENTREL COMERCIAL, S.A.,
que concorria com as Centrais Telefónicas Digitais OMNI, marca já em funcionamento no STM no âmbito do projecto ARTEL. A execução deste projecto só ficou
concluída em 1994, sendo esta demora atribuída a problemas externos ao STM.
NODO DE SANTA MARGARIDA
O NODO de SANTA MARGARIDA iniciou-se em 1989 com a elaboração do respectivo Cadernos de Encargos e a adjudicação da empreitada, que incluía a instalação de três Centrais Telefónicas Digitais; uma no Agrupamento Base de Santa
Margarida (ABSM), outra no Regimento de Cavalaria n.º 4, e a terceira na Companhia de Transmissões, interligadas por cabo de fibra óptica.
Em 1991 foram adjudicadas as obras para a construção de condutas em Santa Margarida, onde se iria colocar a fibra óptica para interligar as Centrais do
NODO de SANTA MARGARIDA. Também neste ano foi iniciada a construção de
um edifício pré-fabricado na CTm/1.ª BMI, para instalação da Central Telefónica
Digital.
130 > 131
Este Nodo ficou concluído e entrou em funcionamento em 1993, interligando-se
à Rede de Transmissão do SITEP, que na mesma data chegou ao CMSM, contribuindo deste modo para a digitalização desta Área Militar e consequente melhoria das comunicações internas e externas ao Campo.
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Infra-estrutura de Transmissão em Santa Margarida
NODO DO PORTO
Este Nodo iniciou-se em 1993 com a elaboração do respectivo Cadernos de Encargos e, posteriormente, em 1994, com o lançamento do Concurso Público e a
elaboração do respectivo Parecer Técnico com vista à adjudicação da empreitada. Esta obra, orçada em 140 mil contos, incluía a instalação de três Centrais
Telefónicas Digitais, interligadas por cabo de fibra óptica, ficando localizadas,
respectivamente, no Quartel-General da Região Militar Norte, Hospital Militar
Regional n.º 1 e Escola Prática de Transmissões.
Em finais de 1993, após o envio do Parecer Técnico à DST, e quando se despoletavam os mecanismos legais para adjudicação da obra, o concurso foi anulado.
Em 1996, foi elaborado um novo Caderno de Encargos para o NODO do PORTO,
e desenvolvido o processo de adjudicação, tendo a execução deste projecto sido
concluída em 1997. A Rede Integrada de Serviços na Guarnição Militar do Porto
incluiu a instalação de Centrais Telefónicas Digitais com Integração de Serviços
no QG/RMN, na EPT, no Hospital Militar Regional n.º 1, no Centro de Classificação e Selecção do Porto, no Prédio Militar da Avenida de França e RA 5, interligadas por fibra óptica.
SEMPRE MELHOR
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
EVOLUÇÃO DA REDE DE COMUNICAÇÕES
REDE DE TRANSMISSÃO
POR FEIXES HERTZIANOS
A partir de 1987, tendo em consideração os estudos preliminares realizados para a futura implementação do LINK
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SUL, foi então criado, ao nível do Subsistema de Transmisde SANTA MARGARIDA. Em consequência, as Unidades
instaladas na área de Tancos, Entroncamento, Abrantes
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e Tomar, deixaram de estar ligadas à Estação Repetidora
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de Chorafome, pertença da FAP, e através dos equipamentos Rádios FARINON LR2-400 com 6 Canais Analógicos e
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interligadas ao Campo Militar de Santa Margarida. Em virtude destas alterações, a Rede de Transmissão por Feixes
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Multiplexer Analógico FARINON LDG-3, passaram a estar
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são por Feixes Hertzianos, o que seria o embrião do NODO
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Hertzianos passou a apresentar a configuração que se mos-
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tra na figura ao lado.
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Em 1989, lançaram-se os concursos de construção de edi-
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fícios de apoio e de torres auto-suportadas para a imple������
mentação do LINK SUL, obras que viriam a ser concluídas
em 1991. Por esta altura, foram instalados os equipamentos terminais baseados em Rádios NOKIA DR1500 de 2
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Rede de Transmissão por FHz, 1987
Mbits/s e em Multiplexer NOKIA, para interligar as Redes
Telefónicas e Telegráficas das Unidades da RML e RMS,
em ambiente digital, e equipamentos repetidores, Rádios
NERA NL142 de 34 Mbits/s e Multiplexer NOKIA no backbone, abrangendo a Arrábida, Serra Alta, Mendro, Évora,
Arraiolos, S. Mamede, sendo mais tarde fechado este anel
com a instalação de equipamentos de 34Mbits/s em Santa
Margarida e Montejunto.
Em 1993, iniciou-se a implementação do LINK NORTE, com
a instalação de equipamentos repetidores, Rádios NERA
NL142 de 34 Mbits/s e Multiplexer NOKIA, na Lousã, Caramulo, Santa Helena, Marão, Santa Marta e no Quartel do
Bom Pastor98 (Porto).
As Unidades da RMC, RMN, Mafra, Santarém, Caldas da
Rainha e algumas da Guarnição Militar de Lisboa, continua-
98 Entre 1977 e 1993, a Escola Prática de Transmissões estava aquartelada no Quartel
do Bom Pastor, em Arca d’ Água, no Porto, tendo depois sido transferida para antigas instalações do Regimento de Infantaria do Porto no Quartel do Viso, na Circunvalação.
ram ainda a funcionar com os equipamentos analógicos FARINON LR2-400, dispondo apenas de 6 canais analógicos
132 > 133
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Evolução da Rede de Transmissão por FHz do SITEP I (1992 – 1997)
que se interligavam à Rede Digital nos pontos repetidores. Foi igualmente nesta
altura que a RMN passou a estar ligada à Rede de Transmissão do SITEP através
da Estação Repetidora do Marão, desligando-se da Estação do Pilar.
Em 1997, com a instalação nas Caldas da Rainha, Mafra, Santarém, Entroncamento, Tancos, Tomar e Abrantes de Equipamentos Terminais baseados em Rádios NOKIA DR1500 de 2+2 Mbits/s e Multiplexer NOKIA, bem como a sua interligação às Estações Repetidoras de Montejunto e Santa Margarida, todas as
Unidades do GML e do Campo Militar de Santa Margarida passaram a dispor de
tecnologia digital na interligação das suas Centrais Telefónicas e das suas Estações Telegráficas à Rede Telefónica e Telegráfica do SITEP.
Entre 1997 e 2003 conclui-se a digitalização da Rede de Transmissão por Feixes Hertzianos do SITEP, com a instalação de Equipamentos Terminais baseados
em Rádios NOKIA DMR15 de 4x2 Mbits/s e Multiplexer NOKIA, nos seguintes
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locais:
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30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
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Evolução da Rede de Transmissão por FHz do SITEP II (2003 – 2007)
> Leiria, Figueira da Foz, São Jacinto e Viseu, interligados ao Equipamento Repetidor instalado na Lousã;
> Chaves, via Minhéu, interligado ao Equipamento Repetidor instalado no Marão.
Foram também instalados Equipamentos Terminais baseados em Rádios CompactLink NERA de 4x2 Mbits/s e Multiplexer NOKIA para interligar ao SITEP os
seguintes locais:
> Lamego, através do Equipamento Repetidor instalado em Santa Helena;
> Vila Real, através do Equipamento Repetidor instalado no Marão;
> Braga e Serra do Pilar, interligados ao Equipamento Repetidor instalado em
Santa Marta, com ligação à EPAM na Póvoa de Varzim, via Serra do Pilar;
> Espinho e o NODO do PORTO, interligados ao Equipamento Repetidor instalado no Quartel do Bom Pastor.
99 PDH (“Plesiochronous Digital Hierarchy”) significa
“Hierarquia Digital Plesiócrona”. Na década de 60 (Século
XX), para objectivar o atendimento exclusivo de serviços
de voz, desenvolveu-se esta tecnologia de hierarquia digital para canais de comunicações onde ocorre multiplexagem sucessiva usando-se TDM (“Time Division Mulplexing” ou “Multiplexagem por Divisão no Tempo”).
Na TDM, bytes (conjuntos de oito bits) são transmitidos
em ciclos pelo canal, medindo-se a taxa de transmissão
em bits por segundo (bits/s) ou quilobits por segundo
(kbits/s).
Os canais da hierarquia PDH são agrupados, formando
os níveis hierárquicos. Assim, 32 canais de 64 kbits/s
formam um canal com 2,048 Mbits/s, através da interposição sequencial de bytes, compondo assim um canal de
Hierarquia de Primeira Ordem. Combinações de canais de
Hierarquia de Primeira Ordem compõem canais de hierarquia de ordens superiores utilizando 4 como factor de
multiplicação.
Nesta altura (2003), ficou concluída a digitalização de toda a Rede de Transmissão do SITEP por Feixes Hertzianos, utilizando uma tecnologia de transmissão
PDH99 e Multiplexagem TDM.
134 > 135
Em 2006, foram instalados pelo SICOM100, no Regimento
100 Sistema Integrado de Comunicações Militares, proprietário do EMGFA.
de Transmissões, nas Estações Repetidoras do LINK SUL,
e na Estação Repetidora da Lousã, Equipamentos Rádio
SRT-1C SIEMENS com uma capacidade de transmissão de
155 Mbits/s, e Multiplexers SURPASS HIT-7050 SIEMENS.
Desta forma, todo o LINK SUL e o LINK NORTE até à Lousã,
passaram a dispor de tecnologia de transmissão e multiplexagem muito mais avançada que a anterior, permitindo dar
um grande salto ao nível da largura de banda disponível assim como na versatilidade da sua utilização.
POR CABO DE COBRE E DE FIBRA ÓPTICA
O Cabo de Cobre é um Meio de Transmissão que é utilizado ainda hoje para interligar um número muito reduzido de
Unidades, que estando relativamente próximas geograficamente, não têm ao seu dispor outro Meio de Transmissão
101 O HDSL (High-Bit-Rate Digital Subscriber Line) foi desenvolvido como uma tecnologia alternativa sem repetidores para disponibilização de serviços T1 (EUA) ou E1
(Europa e no Brasil). O HDSL opera Full-duplex através de cada par de fios em cabos de 2
pares (também conhecido por Dual-duplex).
E1 é um padrão de Linha Telefónica Digital Europeia criado pela ITU-TS e o nome determinado pela Conferência Europeia Postal de Telecomunicações (CEPT), sendo também
o padrão usado no Brasil. É o equivalente ao Sistema T-carrier norte-americano, embora
este Sistema utilize taxas de transmissão diferentes.
O E1 possui uma taxa transferência de 2 Mbits/s e pode ser dividida em 32 canais de 64
Kbps cada.
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tecnologicamente mais avançado. Para interligar essas
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Unidades à Rede de Voz e Dados do Exército, têm sido utili-
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com uma largura de banda de 2 Mbits/s. Estes equipamen-
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situação, encontram-se ainda hoje algumas Unidades, tais
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como: a Manutenção Militar de Lisboa, Oficinas Gerais de
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compressão, permitem aumentar a largura de banda utilizável em fios de cobre de 8 Kbits/s para 2 MBits/s. Nesta
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zados Modems NOKIA DNT2M, com o protocolo HDSL101 e
tos, recorrendo a técnicas evoluídas de multiplexagem e
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Fardamento e Equipamento do Exército, Presídio Militar de
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Tomar, Centros de Recrutamento de Viseu e Braga e Povoa
do Varzim.
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Com a conclusão em 1989 dos projectos PTAP (digitaliza�����
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ficaram interligadas através de equipamentos electro-ópticos DF34 e DF8 – NOKIA com uma capacidade de 34 Mbits/
s e 8 Mbits/s respectivamente, aos quais se ligam as Centrais Telefónicas e Routers102 da Rede de Dados do Exército
(Fig. ao lado).
Em 1997, foi implementada a Rede de Fibra Óptica do Porto, que interligou o Quartel-General da RMN, a Escola Práti-
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estendeu-se a Rede de Comunicações e Serviços IntegraAs Unidades, Estabelecimentos e Órgãos da Área de Lisboa
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em Beirolas), interligando essas Unidades por fibra óptica,
dos à parte Este de Lisboa.
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ção do RTm e do EME) e ARTEL (digitalização da DSIE, dos
SCE e do LMPQF, localizados na Encarnação, e do DGMG,
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Evolução da Rede de Cabo Convencional e de Fibra Óptica entre 1992 e 2001
102 Router ou encaminhador, é um equipamento usado para fazer a comutação de protocolos, estabelecendo a comunicação entre diferentes redes de computadores, permitindo a comunicação entre computadores distantes entre si.
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
ca de Transmissões, o Hospital Militar Regional n.º 1, o Prédio Militar da Avenida
de França, o Centro de Selecção do Porto e o Quartel do Bom Pastor.
Esta Rede é constituída por 16 fibras ópticas monomodo, sobre a qual foram instalados conversores electro-ópticos DF34 e DF8 – NOKIA para interligar as Centrais Telefónicas, ficando os Routers de Dados ligados directamente às fibras,
dispondo de uma largura de banda de 100 Mbits/s.
A evolução da Rede de Transmissão tem sido acompanhada pela Remodelação
das Redes Internas de voz e dados das UEO. Assim, à medida que os Feixes Hertzianos Digitais foram ampliando a sua área de cobertura a novas espaços do TN,
realizou-se um esforço contínuo de substituição das Redes Telefónicas Internas
mais antigas e degradadas para, juntamente com a instalação de equipamentos
da Rede de Dados e de novas Centrais de Comutação Digital, conferir aos utilizadores dessas UEO melhor qualidade e facilidades de serviço.
No ano 2000, o SICOM instalou na Rede de Fibra Óptica de Lisboa, Equipamentos de Transmissão ADM (Add-Drop Multiplexer) equipados com Electro-ópticos
SIEMENS com uma largura de banda de 155 Mbits/s. Deste modo, passou a haver a possibilidade de operar na Rede de Comutação e Dados em Lisboa, através
de duas Redes Digitais de Transmissão, interligando as Centrais Telefónicas e as
Redes de Dados das Unidades do Exército da Guarnição Militar de Lisboa.
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Rede de Fibra Óptica do SITEP em Lisboa, 2002
136 > 137
Em 2005, o SICOM instalou na Rede de Fibra Óptica de Lisboa uma terceira Rede
de Transmissão, equipada com equipamentos CISCO ONS 15454 SDH com uma
largura de banda de 10 Gbits/s. Com esta inovação, as Redes de Dados das Unidades implantadas em Lisboa passaram a operar com uma largura de banda de
1 Gbit/s, como é o caso, por exemplo, do Regimento de Transmissões, Centro de
Informática do Exército e Estado Maior do Exército.
REDE DE COMUTAÇÃO
Na década de 90, o Sistema de Comutação do SITEP englobava cerca de uma
centena de Centrais Telefónicas Digitais de diferentes marcas e modelos instaladas no Território Nacional, nomeadamente, Centrais das marcas MITEL, TAGID,
PHILIPS, SIEMENS e ALCATEL.
Este vasto leque de diferentes marcas, exigia pessoal qualificado para a operação e manutenção de cada uma delas, situação que conjugada com a progressiva
redução de pessoal técnico no RTm103, implicava elevados custos de formação e
103 Em 1993, a Arma de Transmissões constituiu um
de manutenção. Esta situação levou a que se considerasse uma redução do nú-
Batalhão de Transmissões com 280 militares que enviou
para a ONUMOZ (Moçambique), sob a égide das Nações
Unidas, dos quais a maioria era de Transmissões. Posteriormente, em 1995, enviou para a UNAVEM III (Angola)
101 militares, também na sua maioria de Transmissões.
Esta situação reduziu drasticamente os efectivos disponíveis no RTm.
mero de marcas de Centrais Telefónicas na Rede do SITEP. Em consequência, e
de uma forma natural, à medida que se avançava para as soluções digitais, o parque de centrais foi focalizado basicamente em três grandes grupos de marcas:
MITEL, TAGID e PHILIPS.
Dado a falta de investimento que o Exército tem realizado ultimamente na área
das comunicações, acrescida da extinção de algumas Unidades, fruto da sua reestruturação, a política de “modernização” da Rede de Comutação que tem vindo
a ser adoptada ultimamente, é a de tão somente aproveitar Centrais Telefónicas
de Unidades extintas, instalando-as em outras Unidades, nas quais as suas Centrais se encontram com a capacidade de expansão esgotada ou sem possibilidade técnica de lhes ser introduzida avanços tecnológicos mais actuais.
Actualmente, a Rede de Comutação do SITEP conta com a instalação de 109
Centrais Telefónicas Digitais, cerca de 10.000 Telefones e 300 Equipamentos
de Fax.
SEMPRE MELHOR
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Evolução da Subsistema de Comutação do SITEP (1992-2007)
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REDE TELEGRÁFICA | MENSAGENS
Em 1986, surge um projecto pioneiro de implementação de
uma Central de Encaminhamento de Mensagens, de pequena capacidade, para minimizar o tempo de processamento
e encaminhamento das mensagens nas ligações ponto-aponto frequentes nessa altura. Assim, nessa Rede de Encaminhamento Automático de Mensagens as estações não
se ligavam directamente entre si, mas correspondiam-se
apenas com a Central à qual estavam ligadas directamente como se tratasse de uma ligação ponto-a-ponto. A mensagem era enviada para a Central na qual era armazenada,
Central Telegráfica Automática SIEMENS TKDN - RTm 1976
analisada e, posteriormente, enviada aos destinatários.
Esta Central era constituída por uma Unidade Central de
Processamento e Memória. As diferenças entre este novo
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Circuitos Telegráficos, SIEMENS TDKN, instalado em 1976,
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> Não comutava ou interligava terminais, mas realizava
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a comutação de mensagens, por essa razão, este tipo de
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equipamento era conhecido por “Message Switching System”;
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las à máxima velocidade do terminal destinatário;
os destinatários (transmissão multi-dirigida);
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eram essencialmente as seguintes:
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Sistema e o anterior Sistema de Comutação Automática de
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Juntamente com a instalação de duas Centrais Telefónicas
Digitais que integravam os serviços de voz, dados e texto
(uma no RTm e outra no EME, interligadas por cabo de fibra
óptica), em 1987, foi instalado no RTm, o primeiro Sistema
de Comutação Automática de Mensagens, designado por
CROSSROADS. Este Sistema permitia a recepção, ordenação, comutação e distribuição de todas as mensagens que
circulavam no Exército, entre as suas UEO, cumprindo o
ACP-127 da doutrina NATO. O CROSSROADS era um sistema do tipo Store and Forward, sendo os equipamentos terminais constituídos por Teleimpressores SIEMENS T1000
e SAGEM. Este sistema manteve-se em funcionamento na
Rede Telegráfica do SITEP até 1992. Esta Rede Telegráfica,
apresentava uma topologia em estrela, centrando a comutação de mensagens num único Sistema, o CROSSROADS.
SEMPRE MELHOR
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Rede de TTY apoiada no Sistema CROSSROADS (1987)
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30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
Embora este Sistema possuísse redundância em alguns dos seus subsistemas
vitais, a Rede Telegráfica em si, tendo em conta a sua topologia, era bastante vulnerável do ponto de vista da sua sobrevivência por não dispor de redundância.
Entre outras, o CROSSROADS apresentava as seguintes facilidades:
> Comunicações do tipo “chatter”104;
> Oito graus de precedência;
> Recuperação automática em caso de falha de energia;
> Compatibilização de terminais com códigos diferentes (ASCII105 e Baudot106)
e velocidades de transmissão de 50 a 19.200 bauds;
> Verificação de erros nas mensagens;
> Endereçamento múltiplo;
> Análise de tráfego.
Atendendo à necessidade de satisfazer o requisito de sobrevivência da Rede
Telegráfica (uma vez que não era garantida pela Rede constituída pelo Sistema
CROSSROADS), e associado à necessidade de expansão da sua capacidade, em
1992, foi adquirida à empresa inglesa CASE um novo Sistema de Comutação
Automática de Mensagens, designado por BEELINE. Este Sistema foi instalado
no RTm107, substituindo o CROSSROADS. Este novo Sistema de Comutação de
Mensagens foi instalado em mais dois locais: a EPT e o CMSM. A escolha destes
três locais possibilitava a maior cobertura Telegráfica Nacional possível, assegurava o requisito de redundância da Rede Telegráfica, e satisfazia a capacidade
de expansão requerida. Os equipamentos terminais utilizados foram os Teleimpressores SIEMENS T1000 e SAGEM que possibilitavam a transmissão de mensagens a uma velocidade entre 50 a 100 bauds.
Esquema do CROSSROADS
104 A facilidade de modo “chatter” permite que entidades autorizadas tenham acesso a qualquer terminal de
forma rápida, versátil e eficaz e ainda às mensagens arquivadas para proceder à sua análise.
105 ASCII (acrónimo para
American Standard Code for
Information Interchange) é um conjunto de códigos para
o computador representar números, letras, pontuação e
outros caracteres.
106 O Código Baudot, também denominado Código Telegráfico 1, foi inventado pelo francês Jean Maurice Émile
Baudot, em 1871, para a perfuração e leitura da fita de
papel para utilização em Sistemas Telegráficos. Este código utilizava um sistema com 5 perfurações que apenas
permitia codificar 32 estados diferentes o que era insuficiente para codificar as 26 letras do alfabeto anglo-saxónico e os 10 algarismos.
107 A Rede, constituída pelas três Centrais Telegráficas BEELINE, ficou completa em 1995, após a instalação
de mais dois equipamentos, um no CMSM e o outro na
EPT/RMN.
Em 1998, os Teleimpressores em utilização encontravam-se já descontinuados,
e o RTm começava a ter dificuldades em encontrar componentes para a sua manutenção. Caso não fossem tomadas medidas urgentes, esta situação poderia,
a breve trecho, originar a impossibilidade de utilização da Rede Telegráfica. Em
consequência disso, o Sistema BEELINE sofreu a sua primeira evolução que, basicamente, se resumiu à substituição dos teleimpressores por computadores
pessoais. Contudo, para que a utilização de computadores pessoais fosse possível e consequentemente substituídos os Teleimpressores, tornava-se necessário desenvolver uma aplicação que permitisse a compatibilização dos meios em
jogo. Assim, foi constituída uma equipa com militares do RTm que desenvolveu
uma aplicação para o efeito, passando em consequência, o Sistema a designarse por Sistema de Tratamento e Manuseamento de Mensagens Militares (STM3).
Este Sistema permite atingir ritmos de transmissão até 9600 Bits/s.
Posteriormente, realizou-se uma nova transformação na Rede Telegráfica, tendo
a sua implementação sido efectuada sobre a Rede de Dados do Exército (RDE).
Esta nova situação, fruto da largura de banda disponível na RDE, tinha como
vantagem o facto de permitir velocidades de transmissão muito superiores (na
ordem dos Mbits/s). Contudo, entre a BEELINE e os equipamentos terminais da
rede (computadores pessoais) manteve-se, no entanto, a limitação na velocidade
Sistema de Comutação Automática de Mensagens, 1992
140 > 141
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Evolução da Rede Telegráfica - BEELINE (antes e após 1996)
de transmissão na ordem dos 9600 Bits/s, fruto de limitação de velocidade nos
interfaces da BEELINE.
Problemas no funcionamento da BEELINE, que cada vez mais requeria manutenção, associado ao facto de ter sido descontinuado o apoio da Marca CASE e do
seu revendedor em Portugal, bem como esta falta de sintonia existente nos ritmos de transmissão não permitindo explorar verdadeiramente as capacidades
e retirar todas as facilidades da Rede de Dados, levou novamente a que, tendo
por base o desenvolvimento realizado para o STM3, uma equipa constituída por
militares do RTm desenvolvesse um novo sistema, que obedecendo às regras
prescritas no ACP127, permitisse substituir a BEELINE.
Em Março de 2003, e em resultado desse desenvolvimento, entra em funcionamento no SITEP, o Sistema de Comutação Automático de Mensagens Militares
(SCAMM). Este sistema, também ele suportado pela Rede de Dados do Exército,
substituiu a BEELINE, com a vantagem de possibilitar transmissões muito mais
rápidas e de facilitar a supervisão de toda a Rede Telegráfica, nomeadamente no
que toca à análise de tráfego por estação, execução de estatísticas e relatórios.
Actualmente, o SCAMM está instalado em 55 Centros de Comunicações das
UEO, compreendendo um total de 72 Terminais de Mensagens e tendo integrado
44 Centros Cripto108. Em média este Sistema processa cerca de 600.000 mensagens por ano.
SEMPRE MELHOR
Sistema de Comutação Automático de Mensagens
Militares, 2003
108 É um local específico no CCom, dotado de medidas
de segurança adequadas, onde se guardam os equipamentos, as chaves de cifra e se realizam as operações
criptográficas. Estas operações consistem em transformar a informação na sua forma original para outra forma
ilegível, a menos que seja conhecida a respectiva “chave
secreta”, tornando assim difícil a sua leitura por alguém
não autorizado. Assim sendo, só o receptor da mensagem, autorizado e credenciado para o efeito, pode ler a
informação com facilidade, após ter realizado a operação inversa (conversão do criptograma numa mensagem
em claro).
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
REDE DE DADOS DO EXÉRCITO
O conceito da Rede de Dados do Exército (RDE) é um con���������
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des do Exército, nesta matéria e do período tecnológico em
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que se insere. Como tal não se encontra completamente
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clarificado e definido, agregando antes vários conceitos e
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projectos, que foram sendo desenvolvidos e adaptados ao
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longo dos anos, e que contribuem para clarificar e enformar
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tação de Dados, inserida no âmbito do PTAP, com o desen-
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volvimento de um Serviço de Dados. Este Serviço teria a
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partir da DSIE. Nessa altura, os Sistemas Informáticos ca-
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função de, sob o SITEP, implementar ligações de dados a
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intenção expandir as potencialidades destes sistemas,
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dos geograficamente, e onde a ligação aos Sistemas Cen-
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trais era conseguida através do recurso à utilização de mo-
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dems. O projecto ARTEL assegurou a interligação do Host
da DSIE ao PTAP, possibilitando a integração em Rede dos
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na DSIE, em que os terminais de acesso eram locais. Era
acessos seriam realizados a partir de terminais distribuí-
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Em 1987, na VIII Semana da Arma, já se falava em Comu-
transformando-os em sistemas centralizados, em que os
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a sua definição.
racterizavam-se por serem grandes sistemas localizados
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ceito vivo, adaptável e mutável em função das necessida-
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Concepção da Rede de Dados do Exército, 1993
Subscritores Informáticos, em paridade com os Telefónicos
e Telegráficos. Era a época dos sistemas de terminais informáticos “estúpidos”.
Após vários anos a desenvolver ligações a Sistemas Centrais, funcionalmente lentas e de limitada expansão, o rumo
tecnológico mudou, e o computador pessoal ligado a servidores de proximidade responsáveis pela maioria dos serviços, tornou-se uma ferramenta imprescindível em qualquer
organização. Surgem então os Sistemas Distribuídos, que
não pesavam na estrutura de comunicações entre Unidades, uma vez que apenas os Servidores Locais replicavam
a informação entre si nos horários de menor actividade.
Nesta época os terminais informáticos já apresentam “inteligência”.
Face a esta ideia, na década de 90 instalaram-se várias
Redes de Dados em Unidades, destacando-se as primeiras
LAN109, que no âmbito do SITEP foram instaladas em 1993
no RI1 e do RL2. Estas Redes, assentes no protocolo Ethernet110, apresentavam uma configuração em estrela a partir
109 Em Informática, LAN (acrónimo de Local Area Network, “Rede de Área Local”) é uma
rede utilizada na interligação de equipamentos processadores de informação, com a finalidade de permitir a troca de dados. Tais redes são denominadas locais por cobrirem
apenas uma área limitada (10 Km no máximo, distância a partir da qual passam a ser denominadas WAN – Wide Área Network), visto que, fisicamente, quanto maior a distância
de um nó da rede ao outro, maior a taxa de erros que ocorrerão devido à degradação do
sinal.
de um ponto central. Baseavam-se em bastidores técnicos
110 É uma tecnologia de interligação para Redes Locais (LAN), baseada no envio de pa-
com uma distribuição filar por pares de cobre entrelaçado
cotes. Define cablagens e sinais eléctricos para a Camada Física, formato de pacotes e
protocolos para a Camada de Controlo de Acesso ao Meio (Media Access Control - MAC)
do modelo OSI.
(UTP) até aos 100 metros, sendo a interligação dos basti-
142 > 143
dores realizada por fibra óptica. Foram ainda implementadas outras redes com base em outros protocolos, tais como,
Token Ring111 ou com recurso a cabo coaxial, contudo, por
razões diversas não vingaram e o protocolo Ethernet acabou por se tornar dominante.
Neste processo evolutivo, a RDE foi posteriormente impulsionada pelo Conceito de Redes Regimentais de Informação e Gestão (RRING112). Para que este conceito fosse uma
realidade, havia necessidade de assegurar três funções essenciais: a realização de Redes de Dados nas Unidades para
servir todas as áreas funcionais (LAN), a interligação entre
estas “ilhas” do sistema físico (WAN), e o desenvolvimento
do software aplicacional adequado às funções previstas
(Finanças, Pessoal, Logística, etc).
O conjunto destas funções foi inicialmente executado pelo
CIE, cabendo à CETEP/DST o papel conjunto de realizar
apenas algumas LAN de Unidades. Com o passar dos anos, a
função execução e interligação das LAN veio a ser assumida
integralmente pela CETEPE/DST113. Em 2001/2002, estas
funções passaram para a responsabilidade do Serviço de
Dados do RTm. Fruto da instalação progressiva do RRING
nas UEO do Exército, a RDE expandiu-se, de forma a assegurar os fluxos de informação entre os utilizadores e os Sistemas Centrais de processamento de informação funcional.
Nesta altura a RDE era constituída por 9 Routers de Área da
marca 3COM, e 35 Routers de Unidade das marcas 3COM e
IBM, bem como 40 LAN de Unidades.
Rede de Dados do Exército (RDE)
111 É um protocolo de redes que opera na Camada Física (Ligação de Dados) e na Liga-
sob a direcção da DSF e DST. Surge em 2001 e tinha como
ção do modelo OSI dependendo da sua aplicação. Usa um Testemunho (em inglês, token),
que consiste numa trama de três bytes, que circula numa topologia em anel, em que as
estações devem aguardar a sua recepção para transmitir. A transmissão dá-se durante
uma pequena janela de tempo, e apenas por quem detém o token. Este protocolo foi descontinuado em detrimento da Ethernet.
objectivo, dotar até 2002, todas as Unidades com Sub-sec-
112 Este projecto, foi desenvolvido essencialmente por Oficiais de Transmissões colo-
ções de Recursos Financeiros, com uma nova Aplicação de
todas as Unidades com Sub-secções de Recursos Finan-
cados no CIE na década de 90. Caracterizava-se pela instalação de uma Rede de Dados
Local por Regimento (Unidade Tipo) e previa a expansão da mesma a todos os locais relevantes no funcionamento orgânico da Unidade, Porta de Armas – Segurança; Depósitos
e Cozinhas, Logística; Secretarias (Gestão de Correspondência); etc.... Previa também
existência de Elementos Funcionais da Rede, tais como Impressoras de Rede, servidor
de Backup e Servidor de Serviços.
ceiros tinham de estar ligadas à RDE. Nesta altura, a Rede
113 Tinham surgido algumas disfunções, em virtude dos critérios de implementação se-
Um grande projecto integrado e estruturante para a Rede
de Dados do Exército, foi realizado pelo RTm e pelo CIE,
Gestão Financeira - Recursos Financeiros para Windows
(RFW), baseada no EURO. Para conseguir esse objectivo,
aumentou para 11 Routers de Área e cerca de 90 Routers
de Unidade, todos da marca CISCO.
Actualmente o conceito de Rede de Sistemas Distribuídos
rem distintos consoante a entidade responsável (CIE ou CETEPE). Foi então determinado
pela DST que a implementação de qualquer tipo de rede assente na plataforma do SITEP
era da responsabilidade da CETEPE, cabendo ao CIE o desenvolvimento do software
aplicacional e a gestão dos equipamentos terminais a colocar na rede.
está aparentemente em retrocesso, dado que as larguras
de banda disponíveis na transmissão são cada vez maiores,
existindo uma tendência de regresso aos grandes Sistemas
Centrais. São exemplo disso, o SIGDN114 e o trabalho desenvolvido pelo CIE na concentração geográfica dos servidores
de Correio Electrónico.
SEMPRE MELHOR
114 Sistema de Informação de Gestão da Defesa Nacional.
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
REDE RÁDIO HF EM TEMPO REAL
Tendo em vista reforçar a capacidade da ligação alugada por Satélite aos Açores, e criar uma alternativa de redundância em relação à mesma, a opção pela utilização de ligações em HF entre o NODO de PONTA DELGADA e o RTm, tornou-se
evidente como solução a adoptar. É neste contexto que o Sistema Rádio em HF
é novamente relançado. Assim, em 1990 o Sistema HF em Tempo Real foi adquirido e instalado. Este Sistema era baseado em equipamentos HF REAL - TIME
ANALYSIS AND COMMUNICATION SYSTEM da ROHDE & SCHWARZ, e possuía
duas Estações; uma no RTm, em Lisboa e outra no Quartel de São Gonçalo, em
Ponta Delgada (Açores). Inicialmente as explorações em HF limitavam-se a estas
duas estações, até que, com o envio de Militares Portugueses para Moçambique
e Angola no início dos anos 90, e mais tarde a partir de 1996, com o envio de tropas portuguesas para a Bósnia e Herzegovina (BiH) e Kosovo, este Sistema veio a
tornar-se uma mais valia nas comunicações a longa distância, ao permitir o envio
e recepção de mensagens via RATT115, e suportar as comunicações de voz com
essas Forças, a partir do RTm.
115 RATT (Rádio Teletipo) comunicação via rádio de
mensagens criadas em TTy.
Após 1996, o equipamento que se encontrava instalado nos Açores, foi retirado
e reinstalado na Unidade de Apoio da Amadora Sintra, do Comando da Instrução
na Amadora, com o objectivo de permitir o Rear-Link com as FND estacionadas
nos Balcãs (BiH e Kosovo).
Nos últimos anos as explorações rádio com as FND deixaram de ser efectuadas,
devido ao incremento das ligações por Satélite com essas Forças, pelo que este
equipamento tem vindo a ser utilizado apenas nos exercícios anuais da NATO COMBINED ENDEAVOUR, em que participam vários países da Europa, incluindo
Portugal, bem como em alguns exercícios ao nível nacional e regional.
Actualmente, com a crescente diminuição da utilização de equipamento Rádio
em Onda Curta (HF), estes meios apenas funcionam em situações de último recurso. Contudo, dada a sua capacidade de cobertura global, o Sistema HF em
Tempo Real constitui um Meio Estratégico de Comunicações que, como tal, não
HF em Tempo Real, RTm
deve ser abandonado ou alienado.
144 > 145
TERMINAL DE REDES DE ALTA SEGURANÇA (TerRAS)
Em 1995, todas as ligações seguras integravam equipamentos TTy (Teleimpressores). Dado a descontinuidade deste equipamento, a sua manutenção tornou-se
demasiado onerosa e numa última fase, inviável por falta de sobressalentes. A
Rede Segura que ligava os Comandos e Grandes Unidades era da responsabilidade do BISM. Esta Rede, com topologia em estrela, permitia ligações pontoa-ponto ao EME, que eram suportadas em linhas dedicadas alugadas à PORTUGAL TELECOM. A substituição destes TTy por Computadores Pessoais (PC), à
semelhança do que posteriormente aconteceu com a BEELINE, solucionava não
só os problemas de manutenção e os custos associados, como também permitia
mais facilmente a sua ampliação. Nessa sequência, em 1996, o Exército tomou
a decisão de adquirir a aplicação MOST 4116. Esta aplicação, desenvolvida pela
EID117 e já implementada nos restantes Ramos das Forças Armadas, foi adaptada pelo BISM em função das nossas necessidades, assumindo, os terminais com
essa aplicação, a designação de TerRAS. O equipamento BID 1650 continuava a
Rede TerRAS
116 Message Oriented Service Technology, é uma aplicação especialmente concebida para o suporte das comunicações por mensagens no formato ACP 127.
117 Empresa de Investigação e Desenvolvimento de
Electrónica, SA, com sede em Lazarim.
ser o equipamento criptográfico base do sistema, e que pelo facto deste estar
certificado pela NATO com a classificação de SECRETO, foi assumido que esta
Rede Comutada poderia suportar tráfego até essa Classificação de Segurança.
O primeiro terminal foi instalado no EME em 1996.
O TerRAS, Subsistema do ACP 127, realiza o processamento das mensagens que
circulam nos diferentes circuitos que o Sistema controla. Pode ser constituído
por um ou vários terminais ligados por linha comutada da Rede Telefónica Militar
ou como alternativa, através de uma linha telefónica de um Operador Público ou
Privado. Este Sistema disponibiliza um conjunto de facilidades que assistem os
operadores na realização das acções de edição, transmissão, recepção, arquivo
e consulta local de mensagens.
A edição e preparação de mensagens para transmissão são realizadas de forma a
assegurar uma certa independência face aos formatos e protocolos específicos
das mensagens ACP118. Deste modo, os operadores apenas necessitarão de for-
118 Allied Communications Publication é uma Publica-
necer um conjunto limitado de informações sobre as características a conferir às
ção NATO que regula as Comunicações dos Países Aliados. Uma mensagem ACP é uma mensagem formatada de
acordo com os requisitos definidos nesta publicação.
mensagens. Caberá ao TerRAS a construção integral da mensagem em formato
compatível com o ACP 127.
O TerRAS permite a retenção de um grande número de mensagens em linha, para
que determinada mensagem seja facilmente acessível sempre que necessário.
Neste conjunto estão incluídas todas as mensagens transmitidas e recebidas.
A associação entre os Endereços Radiotelegráficos dos destinatários e os respectivos Designadores de Endereços, é efectuada localmente pelo TerRAS. Estas tabelas constituem a Organização Operacional do Sistema e são utilizadas
no escrutínio e identificação das mensagens que são da responsabilidade do
Sistema, bem como na assistência fornecida na preparação das mensagens originadas localmente.
Este Terminal dispõe de vários canais de comunicação série associados a circuitos telegráficos ou a impressoras, estas últimas utilizadas na obtenção de cópias de mensagens e registo de informação diversa.
SEMPRE MELHOR
Diagrama de um Terminal TerRAS
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
MMHS-1
As novas estratégias da NATO relativas à evolução dos Sistemas de Comando
e Controlo, a crescente utilização de Forças em Operações Conjuntas e Combinadas, bem como a natureza multidisciplinar do combate moderno119, exigem
elevados graus de interoperabilidade, capacidade para processar informação, e
segurança nos seus Sistemas de Comando e Controlo. Os Sistemas de Comuni-
119 A capacidade ofensiva ou defensiva depende em
grau crescente da utilização conjunta dos meios militares.
cações Seguros como o SCAMM e TerRAS, não conferem a segurança, rapidez ou
confiança necessárias às Comunicações Militares, o que aliado à sua obsolescência logística e tecnológica, tem originado a sua substituição por outros mais
evoluídos e adaptados às necessidades das Forças Armadas modernas.
Surge então o MMHS-1 (Military Message Handling System-1) como a nova
tecnologia que proporciona um meio de troca de informação expedito e flexível,
permitindo enquadrar os Serviços de Mensagens Militares num ambiente de trabalho tipo Windows. Este Sistema é baseado em comunicações completamente
automáticas, directamente entre o originador e o destinatário, possibilitando o
envio de ficheiros anexos às mensagens militares que quando aliado ao Equipamento TCE 621120, permite auferir de um elevado grau de garantia de segurança.
120 Nome de produção do dispositivo de Cripto sobre IP
O equipamento TCE 621, permite também serviços seguros como o de e-mail,
(Internet Protocol, da Thales). Equipamento Criptográfico on-line utilizado na Rede MMHS.
Intranet, Videoconferência e Actualização Automática de Antivírus bem como
outros associados a Redes Privadas.
A implementação do Sistema MMHS-1 no Exército, iniciou-se com a instalação
de um Terminal de Operador (TO) e dois Terminais de Acesso (TA) no EME, um
TA no Comando Operacional e um TA no Regimento de Transmissões. Posteriormente, também se procedeu à instalação de TA em todas as FND. Em Exercícios
Conjuntos, são instalados, embora temporariamente, Terminais MMHS-1 para o
apoio aos mesmos.
Face ao extraordinário benefício que se obtém na utilização deste Sistema, e
sabendo que ele dispõe de uma capacidade de expansão adequada (garantindo
deste modo uma grande flexibilidade e capacidade de adaptação às alterações
organizacionais ou geográficas), foi decidido pelo Exército, à semelhança dos
outros Ramos das FA, adoptá-lo como a “espinha dorsal” das suas comunicações,
Rede MMHS Típica
permitindo a transmissão de mensagens classificadas até SECRETO (Nacional
ou NATO dependendo da chave criptográfica).
No Exército, a expansão do MMHS-1 vai ser implementada em três fases distintas. Este faseamento prende-se essencialmente com o facto da instalação do
Sistema exigir recursos humanos com elevada qualificação e recursos financeiros consideráveis. Actualmente, está em curso a primeira fase que compreende a instalação de Terminais MMHS-1 e respectivos servidores de domínio, nos
Órgãos Centrais de Administração e Direcção, Brigadas e em UEO, perfazendo
um total de dez terminais. As fases subsequentes alargarão a instalação destes
terminais às restantes UEO individualmente ou aos CCom que servem conjuntos dessas UEO. Prevê-se que com a conclusão deste projecto, seja abandonado
o Sistema SCAMM, mantendo-se apenas o Sistema TerRAS em funcionamento
como um Sistema redundante e de recurso para servir o Comando Superior do
Exército.
146 > 147
PROJECTOS EXECUTADOS
Com a implementação do SITEP, iniciado com a instalação do PTAP, as infra-estruturas de comunicações são completamente transformadas, e progressivamente vão-se alienando os equipamentos analógicos, substituindo-os por outros
de tecnologia digital que permitiam ao utilizador usufruir de mais e maiores facilidades de serviço.
Com a entrada em funcionamento do PTAP, introduzindo as tecnologias digitais
na Transmissão e Comutação, permitindo a Integração de Serviços, tornou-se
possível e desejável que qualquer subscritor da Rede Telefónica, pudesse marcar
directamente o número telefónico do subscritor de destino, onde quer que este
se encontrasse, para que a ligação fosse estabelecida com sucesso. Para tornar
este objectivo numa realidade, foi necessário estabelecer uma nova numeração da Rede Telefónica do STM (EME/RM/ZM) e desta com o exterior (EMGFA,
EMA, EMFA, GNR, PSP). Nessa sequência, foi elaborado um Plano de Numeração a cinco dígitos em que os dois primeiros definiam a área geográfica coberta
por um Nodo de Comutação, e os restantes davam-nos o número da extensão
de destino. Com a implementação deste Plano de Numeração Fechada do SITEP,
os utilizadores passaram a marcar directamente as extensões pretendidas, dispensando assim a intervenção do Operador da Central Telefónica. Este Plano de
Numeração Fechada foi implementado progressivamente e em sincronismo com
a digitalização da Rede, até abranger todas as UEO do Exército. Contudo, para
ligar para as entidades externas ao Exército, mas inseridas no quadro da Defesa
Nacional, continuava a ser necessário a marcação de um código de acesso a essas Redes121.
Resumidamente, para além dos grandes projectos realizados pelo STM e já anteriormente referidos, as principais realizações desde 1987 até finais de 2006,
foram as seguintes:
SEMPRE MELHOR
121 Só em finais da década de 90 (Século XX) é que o
EMGFA adoptou o Plano de Numeração Fechado ao nível
das Forças Armadas. Este Pano é constituído por seis dígitos, em que o primeiro dígito indica o Ramo das FA (por
ex. 4 indica que o telefone é do Ramo Exército), os dois
dígitos seguintes definem a área geográfica coberta por
um Nodo de Comutação, e os restantes dão-nos o número
da extensão telefónica de destino.
122 Posto Privado de Comutação Automática Electrónica.
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
Construção de Traçado Telefónico Aéreo
Construção de Condutas Telefónicas, Lisboa
Lançamento de Cabo de Fibra Óptica
PPCAE122 do RI1, Serra da Carregueira
1987
> Construção da Rede Interna do RI 1 (Serra
da Carregueira) e instalação de PPCAE;
> Construção da Rede da Guarnição Militar
de Elvas e instalação de PPCAE no RI Elvas;
> Remodelação das Redes Internas do Estado-Maior do Exército e da Direcção da
Arma de Engenharia;
> Instalação de PPCAE no Quartel-General
da Região Militar Sul, em Évora;
> Lançamento de Cabos Telefónicos em
condutas nos seguintes traçados:
- BST – EPAM;
- CHESMATI – BC 5 (CHESMATI);
- DGMG – INDEP;
- EME – DAT;
- QG/ RMC – BAS.
> Construção do Traçado Telefónico aéreo
DGMT – Caxias;
> Instalação de protecções contra sobreintensidades e sobre-tensões em diversos
PPCAE;
> Transformação das câmaras de visita e
construção de condutas em Lisboa e em
Coimbra;
> Conclusão do lançamento de cabos em
condutas entre as OGFE e o RASP (PortoGaia);
> Instalação de intercomunicadores no EME,
DSP, Chefia do Serviço de Assistência Religiosa e na EPSM;
> Instalação de 4 equipamentos de Feixes
Hertzianos do tipo monocanal (FH911) nas
7.ª e 8.ª Baterias do RAC e no Centro de Selecção de Setúbal;
> Início da Remodelação do Sistema de Feixes Hertzianos da Região Militar Centro
(Zona Sul), com transferência de equipamentos de Chorafome para Santa Margarida (permitindo o aumento da capacidade
telefónica entre Lisboa e Santa Margarida
de 6 para 12 junções) e a ligação de Santa
Margarida a Tomar, Entroncamento, Abrantes e Tancos com mais 2 linhas telefónicas
por Unidade;
> Montagem de uma Torre auto-suportada
de 90 metros em Santa Margarida;
> Construção do novo Edifício Terminal de
Feixes Hertzianos de Santa Margarida;
> Pintura e beneficiação geral da Torre autosuportada do Regimento de Transmissões;
> Instalação de um painel fotovoltaico de
24V, 220Ah para alimentação de quatro
equipamentos monocanal, no Terminal de
Feixes Hertzianos de Lisboa;
> Instalação de Terminal Telegráfico na Escola Prática de Administração Militar;
> Projecto e instalação de Sistemas Permanentes de Som nas seguintes Unidades:
RAC, EPAM, REE, EPE, AM e ISM;
> Construção de conduta entre a Rua da Srª
da Glória, e a DAT, ligando a condutas existentes;
> Ampliação das câmaras de visita no RTm e
no exterior do EME;
> Construção de condutas no EME, ligando
os Centros de Comunicações (actual e futuro);
> Elaboração e difusão de nova Lista Telefónica;
> Remodelação geral do sistema de cabos
e repartidores do Terminal de Feixes Hertzianos;
> Re-programação e re-instalação dos Teleimpressores da Rede Telegráfica do STM.
1988
> Instalação de PPCAE no Regimento de Infantaria do Funchal;
> Construção da Rede Interna do Agrup.
Militar de Porto Santo e instalação de PPCAE;
> Instalação de um PPCA Digital na Escola
Prática de Infantaria e Remodelação par-
148 > 149
cial da Rede Interna da EPI e do CMEFED;
> Remodelação da Rede Interna da Escola
Prática do Serviço de Transportes e instalação de PPCA Digital;
> Transformação de câmaras de visita e
construção de condutas em Lisboa e Évora;
> Lançamento de cabos telefónicos convencionais e de fibras ópticas em condutas nos
seguintes traçados: EME-DSIE; Rede de
Guarnição de Évora; Guarnição Militar de
Elvas;
> Construção de traçado telefónico aéreo:
Alto Duque – Linda-a-Velha; Amadora; Queluz; AM (Sede); Cooperativa Militar; BC5
– CHESMATI;
> Conclusão da remodelação do Sistema de
Feixes Hertzianos da Região Militar Centro
(Zona Sul), com transferência dos equipamentos de Chorafome para Santa Margarida;
> Pintura e beneficiação geral das torres
auto-suportadas da Escola Prática de
Transmissões, do Batalhão de Administração Militar, da 2.ª Secção do STM (Montes
Claros – Coimbra) e da estação de Feixes
Hertzianos do Alto da Lousã;
> Adjudicação da pintura e beneficiação
geral das torres espiadas do QG/ZMA (S.
Gonçalo) e do Regimento de Infantaria de
Angra do Heroísmo.
1989
> Aquisição de equipamentos de FHz para
a ligação ao Sistema do LINKSUL do SITEP
das Unidades de Setúbal, Vendas Novas,
Beja e Elvas;
> Lançamento do cabo de fibra óptica em
condutas nos seguintes traçados: QG/RML
– CHESMATI; QG/ RML – DSF; e QG/RML
– RTm;
> Instalação de PPCAE’s no RI de Angra do
Heroísmo e RI de Beja;
> Remodelação da Rede de Cabos do Regimento de Infantaria de Castelo Branco;
> Remodelação da Rede Interna e instalação
de Centrais Digitais na EMEL, BST e CSP.
SEMPRE MELHOR
1990
> Formação, testes e recepção em fábrica e início da instalação de equipamentos
do LINK SUL do SITEP (Lisboa – Arrábida
– Serra Alta – Mendro – Évora);
> Lançamento de cabo telefónico para ligação de emissão e recepção do Sistema de
HF em Tempo Real, em Ponta Delgada;
> Lançamento de cabo de fibra óptica em
condutas no traçado Quartel dos Castelos
– Quartel das Mesquitas, em Évora;
> Construção da Rede de Comutação de
Serviços Integrados em Évora (NOSUL);
> Remodelação das Redes Telefónicas Internas e instalação de PPCA no RAC, HMP
e RE1;
> Instalação de 11 PPCAE, respectivamente na DAE, DSF, DSS, EPC, EPA, BFE, GAG1,
GAG2, RCmds, RCB, e Edifício de Ceuta;
> Lançamento da Lista Telefónica nº 14 da
Rede Privativa do Exército.
1991
> Remodelação das Redes Telefónicas Internas com instalação de PPCA no CM,
EPSM, EPST e RAAA 1;
> Remodelação da Rede Telefónica Interna
da Manutenção Militar;
> Instalação de 11 PPCAE, Academia Militar (Amadora), IMPE (2 Centrais – 1.ª e 2.ª
Secções), DAA, DSI, Centro de Selecção do
Setúbal, BSS, HMR 1, ESE e RI de Vila Real,
RI Abrantes, CIAAC e DRM do Funchal;
> Construção da Rede de Condutas EPAM
– CM (1ª Fase);
> Remodelação das Redes Telefónicas Internas da Direcção do Serviço de Pessoal
(Rede SIAPE), Direcção do Serviço de Finanças, CHESMATI, e LAM/SS;
> Ligação do PPCA do Regimento de Infantaria de Beja à Rede Telefónica Militar;
> Remodelação de Numeração Nacional dos
PPCA do Edifício Ceuta e do QG/RMS;
> Instalação de cerca de 1700 equipamentos terminais na Rede Telefónica Militar;
> Instalação de equipamento Multiplex do
tipo PCM/TDM para dados, conversores e
electro-ópticos para a transmissão em fibra óptica, e Modem de banda base entre
a DSIE, EME, RT/STM, para permitir a passagem dos circuitos de dados da Rede de
Dados da DSIE.
1992
> Remodelação da Rede Telefónica Interna
e instalação de PPCA no RI de Chaves;
> Construção da Rede de Condutas RE1
– CM;
> Lançamento de cabo telefónico entre o
RE1 e o CM;
> Instalação de uma Central Telefónica (ALCATEL 5200) no RE1;
> Instalação de uma Central Telefónica no
CM;
> Início da desactivação do Destacamento
de Belém, tendo sido concluído em 1993
após a entrada em funcionamento do NODO
do ALTO do DUQUE.
1993
> Projecto de infra-estruturas de transmissão RTm – QG/GML;
> Projecto da Rede Telefónica Interna do
HMB;
> Projecto da rede de condutas AM – CFEx;
> Projecto de instalação de Centrais Digitais nos CR de Braga, Vila Real e Viseu;
> Projecto de infra-estrutura de transmissão óptica na ligação Comando Logística
– QG/GML;
> Projecto de Remodelação da Rede de
Transmissão, Gestão e controlo do STM;
> Projecto da rede de terras do CTE/RTm;
> Projecto da Rede Telefónica Interna do
BST;
> Projecto da Rede Telefónica Interna do
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
Centro de Classificação e Selecção de Lisboa;
> Projecto da Rede Interna do BAM, na Povoa do Varzim;
> Instalação de telefones seguros para o
Comando do Exército;
> Instalação do sistema de comunicação
multifuncional no Chefe do EME;
> Instalação de Rede de Transmissão de Dados no Cmd Pessoal/DAMP;
> Instalação do equipamento de terminal de
linha para apoio à comunicação de dados no
âmbito do projecto SIPLAN do GEP/EME;
> Instalação de uma Central Telefónica Digital no Edifício Ceuta;
> Remodelação da Rede de Telecomunicações da Área Logística do Entroncamento
(EPSM/BSM, DGMI e Delegação da Manu-
mento, projecto e gestão da Rede de Telecomunicações do Exército;
> Mudança do CCom e ampliação da Central
Telefónica da EPE;
> Instalação da Central Digital no Edifício
de Ceuta e Remodelação da sua Rede Telefónica;
> Instalação da Central Digital no QG/RMN;
> Instalação da Central Digital na EPT;
> Instalação da Central Digital no Edifício da
Avenida de França;
> Remodelação da Rede Telefónica Interna
da DAMP, com instalação de PPCAE;
> Expansão do Sistema BEELINE (CMSM e
Bom Pastor/Porto);
> Execução da obra infra-estrutura de transmissão óptica COFT – DGMT;
> Construção da rede de câmaras e condu-
tenção Militar do Entroncamento) e Instalação de uma Central Telefónica Digital.
> Construção de Condutas e instalação de
cabos de fibra óptica nos seguintes traçados:
- Troço EPAM (Lumiar) – AT 1 – Ameixoeira
– Grafanil;
- Troço EME – DAMP – RLL (actual RL2);
- Troço BST– DGMI – RALIS (actual Regimento de Transportes).
tas para os armazéns de mísseis STINGER
no CMSM;
> Remodelação da Rede Telefónica Interna
do BST;
> Construção das condutas entre o IMPE e
a DSS;
> Construção rede de câmaras e condutas
de Lisboa (BST – ATI – EPAM);
> Construção da rede de condutas HMP
– ESSM;
> Instalação do cabo de fibra óptica do
EMFA, através da Avenida 24 de Julho, interligando o RL2 ao Comando da Logística
e à DAMP;
> Instalação do cabo de fibra óptica interligando o Comando da Logística ao QG/GML,
fechando o anel por fibra óptica através do
RTm e EME.
1994
> Projecto da LAN do CTAT/BAI e ETAT;
> Projecto das LAN do RI I e RL2;
> Projecto de infra-estrutura de transmissão EPE – ETAT – CTAT;
> Projecto de Remodelação da Rede Telefónica Interna do CTAT/BAI;
> Projecto de instalação de Centrais Digitais
no Destacamento da AM, DGMT e ESSM;
> Projecto da Rede Telefónica Interna da
Área Logística do Entroncamento;
> Projecto da Rede Telefónica Interna do
DGMI/GRAFANIL;
> Projecto da Rede Telefónica Interna do
CMEFED/EPSVM;
> Projecto da infra-estrutura de transmissão no troço IMPE – DSS;
> Projecto do sistema de apoio ao planea-
1995
> Instalação de Centrais Telefónicas em:
- CR Viseu – ALCATEL 4100;
- QG/BLI – TAGID 400;
- RI 8 (Elvas) – MITEL SX 200;
- CR Tomar – ALCATEL 4100;
- Presídio Militar (Santarém) – ALCATEL
5200;
- DSJD, CSDE, DASP – MITEL SX 50;
- CIE, IGEO, LMPQF – MITEL SX 2000;
- Área Militar de S. Jacinto – MITEL SX
2000;
- BAI – MITEL SX 2000;
- DAMP – TAGID 800;
- DSE – SOPHO K 12;
> Conclusão da construção da rede de câmaras e condutas de Lisboa (BST – ATI
– EPAM);
> Construção da rede de câmaras e condutas entre o HMP e a ESSM;
> Construção da rede de câmaras e condutas ente a EPE, ETAT e o CTAT;
> Instalação de Multiplexers nas ligações
telefónicas por fibra óptica nas seguintes
UEO do GML: QG, COFT, RL2, IMPE, DGMT,
IAEM, HMB, CCSL e CPAE;
> Instalação de Centrais Telefónicas na
EPSM/BSM, BSI e CFSM;
> Instalação da LAN do CTAT/BAI;
> Instalação de cabo de fibra óptica, em
condutas, para ligar o BST ao RE 1 na Pontinha, passando pelo AT1, DGMI e EPAM.
1996
> Instalação de 36 equipamentos de fax;
> Instalação de 3 circuitos telegráficos;
> Instalação de Centrais Telefónicas na
DDHM, BST, CMEFD, EPI, EPA, DGMT,
DGMG, BISM DJD, CFG e CI;
> Instalação da Rede Telefónica Interna da
ESPE na Amadora;
> Remodelação da Rede de Cabos do CIE;
> Ligação de FHz Digitais entre Montejunto
e Mafra, Montejunto e Caldas da Rainha,
Lisboa e Alcochete, Lousã e AMSJ;
> Duplicação de canais de FHz analógicos
entre Montejunto e Santarém;
> Triplicação de canais de FHz analógicos
entre Santa Margarida e EPSM;
> Montagem de Multiplexers e fibra óptica
no GML;
> Instalação fixa de som na EMEL, RG2 e S.
Gonçalo (ZMA);
> Instalação e reparação de Laboratórios
de Línguas no CM e IAEM.
150 > 151
1997
> Rede Integrada de Serviços na Guarnição
Militar do Porto: instalação de PPCA/RDIS
no QG, EPT, HMR1, CCSP, PM da Av. de França e RA5, interligados por fibra óptica;
> Rede Integrada de Serviços no RI 13, em
Vila Real: instalação da Rede Telefónica
com PPCA/RDIS e Rede de Dados, interligadas ao SITEP por Link Digital 2Mbits/s;
> Rede Integrada de Serviços na Área Militar
de S. Jacinto: instalação de Rede Telefónica
com PPCA/RDIS e Rede de Dados, integradas no SITEP por Link Digital 2 Mbits/s;
> Integração da CHAT no Sistema de Transmissão Digital do SITEP, com ligação ao
CIE;
> Integração do DGMI e DGMT no SITEP por
Links Digitais em fibra óptica;
> Ligação de Routers no Porto, RTm e CIE
para comunicação de dados entre GMP e
CIE;
> Substituição das ligações analógicas com
a ZMM por circuito digital 64Kbits/s;
> Integração do DGMG no SITEP por Link
Digital de FHz;
> Instalação de equipamentos de Feixes
Hertzianos Digitais na EPC e em Montejunto, para permitir a ligação da EPC ao
SITEP;
> Apoio de som a 92 cerimónias militares,
civis e religiosas;
> Instalação de 24 equipamentos de Fax.
1998
> Instalação da Central Telefónica Alcatel
5200 na DSS;
> Instalação da Central Telefónica Alcatel
5200 na Messe de Oficiais (Santa Clara);
> Instalação da Central Telefónica Mitel SX
2000 na EPC;
> Ligação por Feixes Hertzianos Digitais entre Montejunto e Santarém;
> Ligação por Feixes Hertzianos Digitais entre Santa Helena e Lamego;
> Instalação e ligação de MUX por fibra
óptica entre: QG/GML – DAMP e QG/GML
– DSF;
SEMPRE MELHOR
> Expansão de 8x2 Mbits/s para 16x2
Mbits/s entre o RTm e o QG/GML;
> Ligação a 2 Mbits/s para interligação de
Routers entre: RTm e CIE; e RTm e Porto;
> Ligação de dados com interface V35 a
nx64 Kbits/s entre o Router do RTm e o Edifício de Ceuta;
> DGMG; DAMP; CTAT; EME; DSF;
> Ligação de canais para o STUD II-B entre:
COFT e Santa Margarida; COFT e BAI;
> Ligação de dados a 9.600 Kbits/s entre o
CIE e o DGMT;
> Instalação de Equipamentos de Feixes
Analógicos LR400 entre S. Jacinto e o Forte da Barra;
> Instalação fixa de 13 equipamentos de
Fax;
> Instalação de 37 equipamentos de Fax
para apoio a exercícios e reuniões.
1999
> Melhoramento das comunicações militares nomeadamente: FHz – ligações do Link
Primário ao RI15, CIOE, RI2, RI14, EPST e
RA4;
> Ligação Digital entre Santa Marta e Marão
(Vila Real e Chaves);
> Remodelação das Centrais Telefónicas do
EME, AM e Centro e Saúde da RMS;
> Remodelação da Rede Telefónica Interna
da EPA e do HMP;
> Instalação no RTm do Centro de Gestão de
Rede;
> Conclusão da Obra de reposição do traçado que liga o BST à Rede Militar e que inclui
a ligação do DGMI;
> Duplicação das linhas troncas entre o QG/
GML e o RTm (Central de Trânsito);
> Instalação de uma Central de Trânsito na
Lousã;
> Continuação da substituição dos TTy por
computadores, utilizando software desenvolvido pela Unidade, cumprindo a ACP
127, e sua extensão aos Sistemas de Cifra
desenvolvidas pelo BISM;
> Substituição da Central Telefónica do
CIOE;
> Substituição da Central Telefónica da
ESE;
> Ligação entre as Centrais do RE 1, BA e
R1;
> Instalações fixas de 58 Fax;
> Instalação de 59 Fax para exercícios e
reuniões.
2000
> Reconfiguração da Rede de Supervisão do
Sistema de Gestão da Rede de Transmissão;
> Fiscalização e coordenação técnica da
instalação e integração na Rede de Transmissão do SITEP de equipamento de transmissão de Feixes Hertzianos PDH com a
capacidade 4x2 Mibts/s, de equipamento
de multiplexagem e equipamento de supervisão para os links:
- Lousã – Leiria (RA 4);
- Lousã – Figueira da Foz (EPST);
- Lousã – Viseu (RI14);
- CMSM – Abrantes (RI2);
> Instalação e integração na Rede de Transmissão do SITEP de equipamento de multiplexagem e equipamento de supervisão na
Estação da Carregueira (RI 1);
> Parecer técnico para os seguintes projectos (novas estações) no âmbito da Rede de
Transmissão por Fibra Óptica em Lisboa:
Comando da Instrução; Academia Militar
(Amadora e Lisboa); Colégio Militar; RE1;
reconfiguração da estação do QG/GML;
reconfiguração da estação do CIE; e reconfiguração da estação da CHAT;
> Planeamento e instalação de equipamentos para o aumento da capacidade de transmissão dos Links Bom Pastor – QG/RMN,
da Rede de Transmissões por Fibra Óptica
do Porto e RL2 – CCSL da Rede de Transmissão por Fibra Óptica de Lisboa;
> Coordenação técnica da instalação e integração na Rede de Transmissão do SITEP
de equipamentos de transmissão por FHz
PDH com a capacidade de 4x2 Mbits/s, do
equipamento de multiplexagem e de equipamento de supervisão para os seguintes
links:
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
- Academia Militar (Amadora) – Comando
da Instrução;
- Comando da Instrução – QG/GML;
- QG/GML – Academia Militar (Lisboa);
- Academia Militar (Lisboa) – CHAT;
- CIE – CM;
- CM – RE1;
> Parecer técnico, supervisão da instalação
e integração na Rede de Transmissão do SITEP de equipamentos de multiplexagem e
de equipamento de supervisão na Estação
da Apúlia;
> Supervisão e coordenação técnica da instalação e integração na Rede de Transmissão do SITEP de equipamentos de transmissão por FHz PDH com a capacidade de 2x2
Mbits/s, do equipamento de multiplexagem
e do equipamento de supervisão, para o link
CMSM – Entroncamento (EPSM);
> Supervisão e coordenação técnica da instalação e integração na Rede de Transmissão do SITEP de equipamentos de multiplexagem e do equipamento de supervisão, na
Estação da Povoa do Varzim (EPAM);
> Planeamento e coordenação técnica da
instalação de equipamento “Cross-connectors” na Rede por Fibra Óptica de Lisboa e
Porto. Equipamentos instalados nas Estações do CIE e do QG/RMN;
> Coordenação técnica da instalação e integração na Rede de Transmissão do SITEP
de equipamentos de transmissão por FHz
PDH com a capacidade de 4x2 Mbits/s, do
equipamento de multiplexagem e de equipamento de supervisão para os seguintes
links:
- QG/GML – HMP;
- HMP – ESSM;
> Instalação de interfaces e o estabelecimento de canais de dados para o acesso e
integração na Rede de Dados do SITEP das
seguintes UEO: EPA, RI 15, DGMT, COFT,
QG/GML e AM (Gomes Freire – Lisboa);
> Instalação de interfaces e o estabelecimento de canais de voz temporários, para o
acesso à Rede Telefónica do SITEP da BAI
nos Exercícios Linkead Seas e Moliço 02;
> Instalação permanente de 43 Fax;
> Supervisão da instalação da Rede LAN do
RTm e programação dos respectivos PC;
> Desenvolvimento e aperfeiçoamento do
software de gestão da Rede Telegráfica,
nomeadamente de Conversores de TCP/IP
– RS 232 e Software de Transporte Manuseamento de Mensagens Militares (STM3)
em 40 Unidades do Exército;
> Instalação de circuito de mensagens
STM3 no Exercício Leão 2000 (AM) e Plutão 2000.
2001
> Estudos e elaboração do Projecto “Anel
Norte” da Rede de Transmissão por FO de
Lisboa;
> Estudos e elaboração do projecto “Anel
Sul” da Rede de Transmissão por FO de Lisboa;
> Projecto, instalação e integração na Rede
de Transmissão do SITEP da Estação do
QG/RMS;
> Levantamento e elaboração do cadastro
da Rede de Fibra Óptica de Lisboa;
> Início do levantamento e elaboração dos
cadastros dos repartidores de FO da Rede
de FO de Lisboa;
> Desactivação da estação do Alto do Duque da Rede de Transmissão de Lisboa e
consequente reconfiguração da Rede, que
envolveu os seguintes trabalhos:
- Instalação e integração na rede de novas
estações, no EMGFA e no RL2;
- Supervisão do lançamento de um cabo de
FO entre o EMGFA e o RL 2;
> Planeamento e instalação de interfaces
F1 para suporte do “Backbone” da Rede de
Dados (WAN) do SITEP;
> Supervisão e coordenação técnica da instalação e integração na Rede de Transmissão do SITEP de equipamentos de multiplexagem e equipamento de supervisão na
Estação Póvoa do Varzim (EPAM);
> Instalação de interfaces e estabelecimento de canais de dados para o acesso e integração na Rede de Dados do SITEP das seguintes UEO: EPAM; EPST; RA4; RIl4; HMR2;
BSS; RI2; EPSM; RC3; RI8; RI13; QG/RMS;
RIl; DR; ESE; EPC; CM; REl; DSS; HMP; HMB;
IMPE; DSS; ESSM; CInstr AM e EMEL;
> Instalação de interfaces e estabeleci-
mento de canais de voz temporários, para o
acesso à Rede Telefónica do SITEP da BDTS
no Exercício Cruzeiro do Sul 01;
> Reconfiguração da Rede de Mensagens:
- Por substituição de todos os TTy por PC;
- Por migração do Meio de Transmissão da
BEELINE, de Corrente de Loop e V28 para
TCP/IP;
> Integração de todos os CCp nas Centrais
Telegráficas, por ligação de todas as CHEREX aos PC com recurso a um conversor
PC/CHEREX desenvolvido pelo serviço;
> Expansão da Rede de Dados do Exército
(WAN) a todas as Unidades com SSRF, para
implementação de Aplicações financeiras
baseadas no EURO, o que implicou:
- Montagem de routers em 44 Unidades;
- Supervisão de montagem de 14 LAN em
algumas destas Unidades;
> Manutenção e expansão da Rede Informática do RTm;
> No âmbito do NEID, foi desenvolvida a
aplicação STM3 para ser utilizada por meio
rádio, VHF PPRC 425; criação da estação
RAPC (integração Rádio PC);
> Foi instalada uma Central Telefónica MITEL SX 50, na EPAM;
> Reestruturação da Rede Telefónica do
IGeoE.
2002
> Execução do projecto “Anel Norte” da
Rede de Transmissão por FO de Lisboa;
> Execução do projecto “Anel Sul” da Rede
de Transmissão por FO de Lisboa;
> Projecto e execução “Anel Oeste” da Rede
de Transmissão por FO de Lisboa;
> Projecto, instalação e integração na Rede
de Transmissão do SITEP da Estação do
IDN;
> Projecto, instalação e integração na Rede
de Transmissão do SITEP da Estação do
QG/SUL;
> Levantamento e elaboração do cadastro
da Rede de Fibra Óptica de Lisboa;
> Levantamento e elaboração dos cadastros dos repartidores de FO da Rede de FO
de Lisboa;
152 > 153
> Instalação de interfaces E1 para suporte
do “Backbone” da Rede de Dados (WAN) do
SITEP;
> Instalação de equipamentos de tecnologia
HDSL;
> Actualização e reconfiguração do Sistema
de Gestão da Rede de Dados;
> Lançamento de projecto piloto de utilização da tecnologia VoIP, com a instalação da
ligação RTm – BISM.
2003
> Continuação da execução dos projectos
“Anel Norte”, “Anel Sul” e “Anel Oeste” da
Rede de Transmissão por FO de Lisboa;
> Instalação de equipamentos de tecnologia
HDSL;
> Apoios diversos às Forças Nacionais Destacadas (FND), no âmbito do projecto SICCE;
> Instalações fixas com carácter permanente no RI 1, BatCmds/RI1, 2.º TMTL, BST,
BISM, QG/CMSM/CTP, QG/RMN/CTP e
GALE.
2004
> Upgrade do sistema de interfaces GSM do
RTm;
> Instalação de uma nova Central Telefónica
na EPE (MITEL SX2000);
> Melhoramento na redundância de chamadas telefónicas, sobretudo na área do
GML;
> Conclusão dos projectos “Anel Norte” e
“Anel Sul” da Rede de Transmissão por FO
de Lisboa;
> Aumento da Largura de Banda na Rede de
Transmissão para a Rede de Dados do SITEP em Lisboa;
> Conversão da Estação Repetidora Analógica do Minhéu em Digital;
> Realização do anel “Link Norte” para se
SEMPRE MELHOR
obter redundância nas ligações a norte de
Lousa;
> Instalação de equipamentos de tecnologia
HDSL;
> Ligação de novas Unidades à RDE (Destacamento RG 1, Destacamento RG 2, OGFEPorto, Messe de Sargentos de Lisboa e
Destacamento do CTP/RMN, em Coimbra);
> Montagem da LAN da DDHM e expansão
de diversas LAN (EPC, RE 1, CLOG, DSM,
CRL);
> Apoio na Rede de Dados à Força Presença
Solidária na Lousã;
> Em coordenação com o serviço de transmissão, reestruturação do backbone da
RDE com o aumento da largura de banda
das ligações de dados entre os Routers
de Área e os Routers de Unidade na Zona
Norte (Router de Área do QG/RMN, Marão
e Lousã), Zona de Lisboa (Router área do
QG/GML, CIE e RL2), Zona Centro (Router
de área do CMSM) e no Router de Área do
QG/ZMA;
> Instalação de um Router de Área no Marão
e estabelecimento de ligações G703 em
14 Sites (RA4, QG/BLI, RI14, RI15, EPST,
RI13, CR Vila Real, IMPE, DGME, CTP/RMS,
ESSM, DAMP, Prédio Militar da Av. de Berna
e CmdLog);
> Substituição das linhas alugadas à PORTUGAL TELECOM por ligações do SITEP/
SICOM (RC6 Braga, CR Braga, CR Vila Real
e RI19 Chaves);
> Instalação de várias ligações telefónicas
sobre a Rede de Dados através de tecnologia VOIP (AGE, CR Braga, CR Vila Real, Messe Sargentos em Lisboa);
> Configuração da ligação de dados entre a
IGDN e a Secretaria do MDN.
2005
> Criação do novo Plano de Endereçamento
IP da Rede de Dados do Exército;
> Migração do endereçamento IP da Rede
de Dados do Exército para o novo plano de
endereçamento compatível com a Intranet
do Ministério da Defesa;
> Conclusão da interligação da Rede de Dados do Exército com a Intranet do MDN;
> Remodelação lógica das Redes de Dados
Internas (LAN) do RTm, DR, AM e CmdInstr;
> Migração para os circuitos do EMGFA, das
ligações de dados para os Açores e Madeira;
> Concepção e implementação do esquema lógico de roteamento da nova LAN do
CMSM;
> Reactivação do Sistema SGOM (Exército)
para gestão das Centrais Telefónicas de
Trânsito do EMGFA;
> Acompanhamento e apoio técnico na instalação de Redes Estruturadas e de novas
Centrais Telefónicas “MITEL SX-2000”, no
RI-19 (Chaves), RI13 (Vila Real) e RC3 (Estremoz);
> Melhoramento na redundância das Centrais Telefónicas na Zona Centro do País;
> “Upgrade” do software de taxação
“EasyTax” para “EasyLink” nas Centrais TAGID;
> Fiscalização e coordenação técnica da
instalação e integração na Rede de Transmissão do SITEP, de equipamentos de
transmissão por FHz PDH com capacidade
de 4x2 Mbits/s, do equipamento de multiplexagem e equipamento de supervisão,
para os seguintes links:
- Santa Marta – Braga;
- Santa Helena – Lamego;
> Fiscalização técnica da instalação de equipamentos de transmissão por FHz SDH e
do equipamento de multiplexagem do “Link
Sul”, da SIEMENS;
> Aumento da Largura de Banda na Rede de
Transmissão para a Rede de Dados do Exército (RDE) do SITEP em Lisboa;
> Instalação e integração na Rede de Transmissão do SITEP de equipamentos de multiplexagem e equipamento de supervisão
nas Estações das OGFE e EPE;
> Instalação de equipamentos de tecnologia
HDSL;
> Supervisão e manutenção do Sistema de
Comutação Automático de Mensagens Militares (SCAMM);
> Gestão, expansão e manutenção da RDE e
das LAN das UEO do Exército;
> Substituição de todos os equipamentos
da Rede de Dados com ampliação da res-
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Digitalização da Rede com Integração de Serviços (1984-2006)
pectiva rede a todos os locais funcionais
dentro das Unidades, nomeadamente em:
RI19, RI13, EPAM, RC6, RC3, EPE, BST,
CMSM/BMI (todas as Unidades do Campo
e da Brigada);
> Ligação de novas Unidades à RDE: Museu
Militar e MM Militar Del. do Entroncamento;
> Montagem da LAN do Museu Militar e
da Manutenção Militar (delegação do Entroncamento) e expansão de diversas LAN
(DAMP, DDHM, RI2, EME);
> Apoio ao projecto “SERVIR” do Instituto
Geográfico de Exército, com a montagem
de pontos de rede em Unidades do Exército
(EPA, EPI, EPC, DGME), para interligar antenas GPS sobre a Rede de Dados do Exército
ções em modo túnel para a ZMA e para a
ZMM, assentes sobre a Rede de Dados do
EMGFA;
> Participação no Exercício Combined Endeavor 2006;
> Participação em grupos de trabalho nas
áreas do CRIPTEL IP (TCE), MMHS, NSWAN,
Intranet da Defesa e SICOM;
> Concepção, planeamento, teste da solução para a ligação “Rear-Link” da FND
UNIFIL (Líbano) e implementação no site
da solução de comunicações e sistemas de
informação e de segurança aprovada;
> Reformulação das ligações satélite para
as FND no Kosovo e Afeganistão;
> Instalação de um novo servidor “Ciscoworks” para gestão dos equipamentos Cis-
Mbits/s para as Centrais em Chaves, Vila
Real e Espinho;
> Aumento de 2 Mbits/s para 2x2 Mbits/s
no Rádio de FHz entre Montejunto e as Caldas da Rainha (ESE);
> Gestão, expansão e manutenção da RDE e
das LAN das UEO do Exército;
> Apoio à reestruturação do Exército com
trabalhos de expansão de diversas LAN
(Cmd Op, Cmd Pess - PMAF) e reconversão
total de outras (Cmd Log);
> Apoio ao projecto “SERVIR” do IGeoEx
com a montagem de pontos de rede em Unidades do Exército (RA4, GAC/BRIGMEC,
CRCoimbra, RI10, RE3, CmdInst, RI19, EPS,
RI3), para interligar antenas GPS sobre a
RDE e criar um serviço de geo-referência-
e criar um serviço de georeferênciação;
> Apoio em instalação de equipamentos,
tendo em vista a formação de militares nos
programas de gestão financeira SIGDN, na
EPAM, CFin/RMN, AM e ETAT;
> Migração e concentração de todas as ligações telefónicas sobre a Rede de Dados
através de tecnologia VoIP (CR Viseu, CR C.
Branco, CR Faro, BISM, IO, FND na Bósnia,
FND no Kosovo, FND no Afeganistão), num
Router RT-DIALUP com dois acessos primários ligados à Central do RTm;
> Substituição das linhas alugadas à PORTUGAL TELECOM por ligações do SITEP/
SICOM no CRViseu;
> Apoio às Forças Nacionais Destacadas
(FND):
- Instalação do CCom do Kosovo;
- Instalação do CCom do Afeganistão;
> Instalação no edifício de comando do
MNBG na Bósnia.
co da RDE;
> Participação no planeamento e implementação da nova rede de acesso do Exército
à Internet;
> Concepção e planeamento da nova LAN do
Prédio Militar da Av. de França (Porto);
> Participação no planeamento e concepção
do alargamento da NSWAN ao EME e Cmd
Op;
> Elaboração de uma proposta técnica de
reformulação e expansão da Rede MMHS
do Exército;
> Acompanhamento na instalação de uma
Rede Estruturada e instalação de uma Central MITEL SX-50 no RE-3 (Espinho);
> Continuação do “upgrade” dos softwares
de taxação das Centrais PHILIPS, MITEL e
TAGID para o software “EasylinK”;
> Fiscalização e coordenação técnica da
instalação e integração na Rede de Transmissão do SITEP de equipamentos de
transmissão por FHz PDH com capacidade
de 4x2 Mbits/s, do equipamento de multiplexagem e equipamento de supervisão
entre o Marão e Vila Real;
> Fiscalização técnica da instalação de equipamentos de transmissão por FHz SDH e
do equipamento de multiplexagem do LINK
SUL da SIEMENS;
> Aumento da Largura de Banda na Rede de
Transmissão para a Rede de Dados do SITEP para a ETAT e o CTAT;
> Desmontagem dos equipamentos de
Transmissão da Figueira da Foz (EPST);
> Estabelecimento de um tributário de 2
ção;
> Apoio ao projecto “Ix-box” com instalação
de equipamentos em diversas Unidades
(RI19, RC3, EPS, RI13);
> Apoio na instalação do CCom no Líbano.
2006
> Planeamento e execução do “upgrade”
para as ligações de alto débito das redes
do RTm, CIE, ex-QG/GML, EME, Cmd Log,
AMAS e DFin;
> Planeamento e Remodelação da Rede de
Dados da AMAS;
> Planeamento e implementação de liga-
154 > 155
ACTIVIDADE DAS SUBUNIDADES
A DIRM E O BATALHÃO DE ESTRUTURAS
Toda a actividade desenvolvida no âmbito dos estudos, projectos, instalação e
manutenção das Redes do STM, competia inicialmente à Divisão de Instalações,
Reabastecimento e Manutenção (DIRM), que teve a sua génese em 1972, quando o STM passou para a dependência da Arma de Transmissões. Posteriormente
em 1993, com a criação do Batalhão de Estruturas no RTm e da CETEPE na DST,
a missão e atribuições da DIRM foram repartidas por estas duas entidades. À
CETEPE competia o planeamento, projecto e instalação das Redes de Comunicações e Sistemas de Informação do Exército, e ao Batalhão de Estruturas a sua
exploração, manutenção e gestão.
Com a transformação do Exército iniciada em 2006, que implicou uma reorgani-
Manutenção da Rede de Comutação
zação do RTm, o Batalhão de Estruturas é extinto e, em sua substituição, é criado
o Batalhão de Comunicações e Sistemas de Informação, com idêntica missão.
Ainda no âmbito desta transformação, é extinta a DST e criada a DCSI, na qual se
insere a Repartição de Comunicações e Sistemas de Informação que assume as
competências da CETEPE, entretanto extinta.
DIVISÃO DE EXPLORAÇÃO
A Divisão de Exploração, vulgarmente conhecida por DIVEX, foi criada pelo Decreto n.º 237/72 de 18 de Julho, publicado na Ordem do Exército n.º 7 de 31 de
Julho de 1972, tendo por missão garantir o transporte da informação entre os
comandos das UEO, bem como a ligação aos outros Ramos das Forças Armadas,
EMGFA, Órgãos NATO e Organismos Civis.
A DIVEX realizava a gestão dos Meios de Comunicações afectos ao Centro de
Transmissões do Exército123 (CTE) bem como dos recursos humanos afectos a
este Centro, e à exploração da Rede Telegráfica das UEO do Exército. Esta Divisão era também responsável pela elaboração de procedimentos de exploração
SEMPRE MELHOR
123 Este Centro era constituído por: um Centro de Mensagens, um Centro Cripto, uma Central Telefónica, uma
Central Telegráfica, uma Estação de HF em Tempo Real e
um Posto Rádio.
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Actividade das Subunidades
dos sistemas, pelo tratamento estatístico do tráfego que fluía na rede e pela
disciplina de tráfego.
A DIVEX foi extinta em 1993, após a aprovação do QO do RTm em 21 de Setembro, tendo parte da sua responsabilidade passado para a CETEPE/DST e outra
parte para a Companhia de Exploração deste Regimento, à qual já pertenciam,
do antecedente, todos os militares afectos à DIVEX.
O CENTRO DE GESTÃO DE REDES
O Centro de Gestão de Redes (CGR) tem por missão gerir as diferentes Redes
do Sistema Comunicações do Exército, entre as quais se incluem as Redes de
Transmissão, de Comutação de Voz, de Comutação de Dados e de Mensagens.
As suas tarefas são as definidas pelo ITU-T124 para os Centros de Gestão e incluem a gestão de configurações, de desempenho, de segurança e de falhas. Para
cumprir estes objectivos o CGR foi dotado com diversas ferramentas de gestão remota dos diferentes equipamentos activos que compõem as várias redes,
cumprindo pelo menos dois dos requisitos anteriores, nomeadamente gestão de
configurações e de falhas.
Para a Rede de Transmissão, o CGR dispõe de um Sistema de Gestão da NOKIA
baseado no Sistema Operativo UNIX que corre uma aplicação proprietária da
Centro de Gestão de Redes
124 International Telecommunication Union–Telecomunications, trata dos aspectos relativos às Telecomunicações.
NOKIA chamada Network Management System 100 (NMS100). Este Sistema
monitoriza toda a Rede de Multiplexagem NOKIA do Exército, nomeadamente:
Equipamentos Ópticos de Transmissão por Cabo, Equipamentos Rádios de Feixes Hertzianos e Alarmes Externos (exemplo: portas abertas nas estações, sistemas de alimentação, etc.).
Para a Rede de Transmissão, o CGR gere 46 Rádios, 80 Multiplexers, 24 Modems,
30 Equipamentos Electro-ópticos, num total de 96 Estações, onde se incluem
156 > 157
como objectos de análise portas (abertas/fechadas), Geradores, Carregadores
de Baterias, Quadros Eléctricos, etc.
Para a Rede de Comutação de Dados, o CGR dispõe de duas ferramentas de gestão. Uma baseada em UNIX onde corre uma aplicação HP OPENVIEW, e outra
que corre sobre o W2K com uma aplicação proprietária designada por CISCO
WORKS. A primeira ferramenta gere todos os equipamentos activos da Rede de
Dados recorrendo ao protocolo SNMP125, logo a sua Base de Dados congrega
125 Simple Network Management Protocol - Protoco-
todos ao Routers, Switchs, Hubs, Servidores e outros equipamentos activos do
lo de Gestão Simples de Rede) é um protocolo de gestão
típica de Redes TCP/IP, da Camada de Aplicação que facilita o intercâmbio de informação entre os dispositivos de
Rede. O SNMP possibilita aos administradores de Rede
gerir o desempenho dessa rede, encontrar e resolver problemas de Rede, e planear o seu crescimento.
Exército com capacidade de gestão remota, num total de cerca de 1000 objectos. O CISCO WORKS apenas gere equipamentos CISCO que actualmente constituem 100% do parque de Routers e cerca de 45% em Switchs, num total de
300 objectos.
A Rede de Comutação de Voz não dispõe de nenhum sistema de gestão remoto
dos seus equipamentos. Contudo a sua Telemanutenção é possível recorrendo a
modems para estabelecer ligação remota às Centrais Telefónicas e executar as
acções de manutenção necessárias.
A Rede de Mensagens (SCAMM), é actualmente monitorizada por um supervisor
que gere o servidor de encaminhamento de mensagem e opera uma aplicação
de gestão assente no mesmo servidor. No total são geridas 52 estações e 60
terminais. Esta aplicação de gestão não é tão abrangente como as anteriormente referidas para os outros sistemas, uma vez que apenas permite a gestão da
configuração do sistema. De referir que tanto a aplicação de encaminhamento
de mensagens, como a sua aplicação de gestão, foram concebidas por militares
da Arma de Transmissões, que com um investimento marginal permitiu substituir
o Sistema BEELINE.
Existe ainda um Sistema de Gestão do SICOM, produto da EID, que tinha como
objectivo principal a recolha de alarmes dos diferentes Sistemas de Gestão dos
Ramos e partilhar essa informação com os demais. Teria ainda a função de gerir
todos os Sistemas de Comutação de Voz TAGID (produto da EID) em utilização
nos Ramos das FA. Este sistema nunca foi utilizado pelo Exército, porque a informação que fornece não é relevante, mas é um elemento fundamental para
o EMGFA na gestão de todo o Sistema de Comunicações da ZMA e ZMM; e foi
também importante para a Marinha pois todas as suas Centrais de Comutação
de Voz eram TAGID.
SERVIÇO DE SOM
Foi a partir do ano de 1937 que no Batalhão de Telegrafistas se começou a dar
maior atenção ao Serviço de Som e a estruturar a sua organização.
Ao longo dos anos tem sido árduo e muito meritório o trabalho realizado por
este Serviço, pois o seu pessoal tem sido chamado a fazer a cobertura sonora
dos mais variados acontecimentos: Desfiles Militares, Juramentos de Bandeira,
Abertura e Encerramento de Anos Lectivos dos Estabelecimentos de Ensino Militar, Exercícios Militares, Seminários, Conferências, entre muitos outros.
SEMPRE MELHOR
Viatura de Apoio de Som
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Actividade das Subunidades
Também se tem dado satisfação, com a devida autorização superior, a múltiplos pedidos de apoio para cerimónias civis, religiosas
e diversos eventos não militares.
A missão manteve-se quando o Batalhão de Telegrafistas deu lugar à Escola Prática de Transmissões e quando esta, deslocada
para o Porto, deu lugar ao actual Regimento de Transmissões126.
Em 1987, o Serviço de Som recebeu duas Viaturas IVECO devidamente equipadas para utilizar nos apoios de som de carácter
temporário de qualquer dimensão, a entidades militares, civis e
religiosas.
De entre os apoios mais significativos, destacamos os seguintes:
Cerimónias Militares Comemorativas do 25 de Abril e do 10 de
Junho; Cerimónias em Lisboa e Vila Viçosa enquadradas na visita
do Papa João Paulo II; Cerimónias Militares Comemorativas do Dia
das Forças Armadas, do Dia do Exército e do Dia da Guarda Nacional Republicana; Procissão da Nossa Senhora da Saúde (Lisboa);
Encontro Nacional de Combatentes (Belém); Cerimónia da Bênção
dos Finalistas Universitários (Lisboa); Dias Nacionais de Espanha
e da Venezuela; Rampa da Falperra (Braga); Comemorações da Defesa das Linhas de Torres, entre outros.
126 Assegurar a instalação dos Sistemas de Som Permanentes das UEO e a sua manutenção, bem
como executar instalações de som temporárias (extracto da missão do RTm de 21SET93).
Apoio de Som - Semana Militar no Funchal, 1982
COMPANHIA DE EXPLORAÇÃO
A Companhia de Exploração (CExpl), aprovada pelo QO de 21SET93, era responsável pelo Centro de Telecomunicações
Permanentes n.º1 (CTPE 1127), instalado no RTm, pelo CTPE 2128, instalado na DAMP129, bem como pelo Pelotão de Instrução de Aperfeiçoamento, que tinha por missão formar os Operadores destinados à Rede Telegráfica do SITEP.
A CExp realizava a Gestão de Recursos Humanos ao nível das Praças do SITEP (Despacho de 30JAN96 do TGEN QMG). No
entanto, com o fim do SEN, a partir de 20SET04, deixou de ter capacidade de movimentar pessoal por falta de cobertura
legal.
Até à sua extinção, com a aprovação do QO do RTm de 22MAI07, a CExp fazia também a gestão da Central Telefónica; da
Central Telegráfica e do HF em Tempo Real. Era ainda responsável pela exploração do Sistema SCAMM, por onde flúem
cerca de 600 mil mensagens por ano. A partir da sua extinção, parte das funções que lhe estavam atribuídas passaram a
ser realizadas pela Secção de Comunicações e Sistemas de Informação da CCS.
127 Este Centro de Comunicações (CCom) dava apoio de comunicações ao RTm, Jornal do Exército, Cofre de Previdência das Forças Armadas, Conselho Fiscal dos Estabelecimentos
Fabris, Direcção de História e Cultura Militar, Academia Militar (Sede, em Lisboa), Chefia de Abonos e Tesouraria, Messe de Sargentos de Lisboa e Secção de Exploração e Segurança
da CETEPE/DCSI, Supervisor do Sistema BEELINE e, com o fim do CTP/GML, foi-lhe atribuída a responsabilidade de:
- Apoiar a Direcção de Finanças, Instituto Militar Pupilos do Exército, Direcção dos Serviços de Saúde, Centro Militar de Medicina Veterinária e Junta Médica de Recurso do Exército..
128 Este CCom dava apoio de Comunicações à Chefia de Bandas e Fanfarras, Chefia de Assistência Religiosa, Centro de Recrutamento de Lisboa, Direcção de Serviços de Pessoal e
Centro de Psicologia Aplicada do Exército.
129 Direcção de Administração e Mobilização e Pessoal, instalada no Terreiro de Paço até 2006, altura em que mudou de designação para DARH – Direcção de Administração de Recursos Humanos, e de localização, para o Porto.
158 > 159
SECÇÃO DE EXPLORAÇÃO E SEGURANÇA
A criação da Secção de Exploração e Segurança (SES) no Regimento de Transmissões surgiu através do Despacho de Sua Exa o General CEME de 25 de Maio
de 2000, resultante da proposta n.º 58/99/RE de 28 de Fevereiro de 2000 da
Divisão de Informações Militares do Estado Maior do Exército. A missão que lhe
foi atribuída era a de “Coordenar e fiscalizar a exploração dos meios do SITEP,
incluindo a componente de cifra, e de garantir a logística dos materiais de cifra
em proveito do Exército”.
Posteriormente, com o Despacho do TGEN VCEME de 5 de Dezembro de 2005,
a SES assumiu uma nova transferência de missão do BISM, passando neste caso
a ser também responsável pela “produção das chaves e documentos de autenticação”.
A sua dependência era da Chefia da Telecomunicações Permanentes do Exército,
da Direcção dos Serviços de Transmissões.
Para o cumprimento da sua Missão, a SES desenvolvia uma série de actividades,
todas enquadradas na componente COMSEC (Segurança das Comunicações),
que seguidamente se enunciam:
DOUTRINA E PROCEDIMENTOS
> Elaboração de Certificados de Transferência e de Destruição;
130 Publicações de Comunicações do Exército, que ser-
> Certificados de existências semestrais;
vem para enquadrar e regulamentar as diversas actividades de Comunicações e Segurança do Exército.
> Controlo e distribuição de PCE130 e PSCE131.
APLICAÇÃO SECNET132
131Publicações de Segurança das Comunicações do
Exército, que servem para regulamentar todos os aspectos relacionados com os Procedimentos de Segurança
das Comunicações do Exército.
A SES era responsável pela sua implementação, constituindo-se a Entidade Cer-
132 Aplicação para cifra e assinatura digital de ficheiros
tificadora da mesma. Para o efeito, realizava as seguintes tarefas:
baseada em criptografia de chave pública.
> Certificação de Entidades;
> Emissão de chaves;
> Revogação de chaves.
INSTALAÇÃO | MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS CRIPTOGRÁFICOS
A SES era responsável pela Instalação e manutenção de diversos equipamentos
criptográficos, nomeadamente:
> TCE 621 (parametrização, introdução de chaves, update e change às chaves e
criação e introdução de ACR133;
> BID134 1650 (reparação destes equipamentos, ao nível de substituição de placas e, eventual troca de componentes, realiza ainda a parametrização, introdução de chaves e update e change às chaves);
133 Access Control Record, registo onde são especificados os Endereços dos Terminais que estão autorizados
a comunicar.
> IXBOX135 (instalação de IXBOX, bloqueio de sites e ficheiros, administração de
134 Equipamento Criptográfico on-line, utilizado no sistema TerRAS.
utilizadores, permissões, grupos/perfis, diagnóstico de avarias e reparação das
135 Internet Exchange Box, Gateway de ligação à Inter-
mesmas quando já não se encontram na garantia);
net com Controlo de Acessos e Gestão de Conteúdos.
> Criptotelefone STU II B (parametrização, inserção de chaves e updates);
SEMPRE MELHOR
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Actividade das Subunidades
> Criptotelefone Telsey 7000 (parametrização, inserção de chaves e updates);
> CHEREX136 (geração de chaves, inserção de chaves e reparação a nível da substituição de componentes);
136 Equipamento Criptográfico off-line de fabrico nacio-
> P/IC 425137 (montagem no equipamento PRC 425; e carregamento de chaves);
nal, adquirido na década de 70.
> Criptofax PHILIPS (parametrização e inserção de chaves);
137 Interface Cripto de fabrico nacional, para o E/R P/
PRC425, utilizado para comunicação de voz cifrada.
> Equipamento de cifra para Feixes de 2 Mbits/s da Marconi CM 109;
> PACE.138
> Instalação/manutenção de equipamentos não criptográficos, nomeadamente
(PC, monitores, modems, impressoras, teclados/rato e UPS);
138 Pocket Sized Automanual Crypto Equipment, equipamento Criptográfico portátil off-line utilizado para a
transmissão de mensagens.
> Ministra instrução aos Graduados do Módulo de Transmissões que vão integrar
FND;
> Produz os Documentos de Autenticação (PSCE – Publicações de Segurança das
Comunicações do Exército);
> Produz as Publicações de Comunicações do Exército (PCE);
> Coordena e implementa a expansão da Rede MMHS no Exército;
> O Chefe da SES, é por inerência de funções, o NATO COMSEC OFFICER do Exército e o Custódio do Material Cripto do Exército;
> Integra grupos de trabalho ao nível do EMGFA, em representação do Exército.
Em 2007, esta Secção foi extinta e, em sua substituição, foi criada no RTm, através do QO de 22MAI07, o Centro de Segurança da Informação, assumindo a missão da SES, no âmbito da Segurança das Comunicações, acrescida da componente da Segurança dos Computadores.
COMPANHIA DE COMANDO E SERVIÇOS
A Companhia de Comando e Serviços (CCS) é uma Subunidade fundamental no
apoio administrativo-logístico da componente operacional e de guarnição do
RTm. À CCS competem as seguintes tarefas: colaborar na gestão dos recursos
humanos e materiais do RTm; gerir as Comunicações e Sistemas de Informação,
realizar o reabastecimento e transporte dos artigos essenciais; executar a manutenção auto e de armamento; garantir os serviços gerais (limpeza, conservação e
obras de manutenção de infra-estruturas) á Unidade; confeccionar e distribuir a
alimentação; realizar o apoio sanitário ao efectivo da Unidade e garantir a segurança das suas instalações.
160 > 161
APOIO ÀS FORÇAS
NACIONAIS DESTACADAS
O RTm tem contribuído significativamente com os seus efectivos para as Forças Nacionais Destacadas (FND) que actuaram e actuam em diversos Teatros de
Operações (TO).
A Unidade, contribuiu com consideráveis efectivos para o “Batalhão de Transmissões n.º 4” na Operação de Apoio à Paz - ONUMOZ em Moçambique (BTm
4/ONUMOZ) e para a “Companhia de Transmissões n.º 5” na Missão UNAVEM
III e MONUA em Angola (CTm 5/UNAVEM III/MONUA), tendo também garantido a ambas as missões o Sistema de interligação destas Unidades ao Território
Nacional através de um Sistema Rádio de HF em Tempo Real, que inseria as suas
comunicações na Rede do SITEP e também através do Satélite Português - o PoSAT-1.
O RTm tem vindo a preparar e enviar, para os diversos TO que Portugal está ou
esteve empenhado (Bósnia, Kosovo, Timor, Afeganistão e Líbano), equipas técnicas integradas por elementos do BEstr e da SES, com a finalidade de instalar
e manter as necessárias infra-estruturas de voz e dados, com os requisitos de
segurança determinados, tirando partido das novas tecnologias disponíveis, num
esforço de evolução contínuo do seu pessoal, conseguindo com limitados recursos, manter um desempenho de elevado nível técnico-profissional.
A Unidade, através do seu BEstr, ministra estágios ao pessoal destinado aos
Módulos de Transmissões que integrando as diversas FND irão gerir e manter
as Tecnologias de Comunicações e Sistemas de Informação a utilizar nos diversos TO, bem como a ligação ao TN, utilizando para o efeito circuitos de Satélites
Comerciais, inserindo-se no SITEP, através das ligações Satélite e Sistemas associados instalados no RTm. Com a SES, ministra estágios ao pessoal destinado
a instalar, gerir e manter as Tecnologias de Segurança da Informação utilizadas
nos referidos Módulos das FND.
Individualmente, alguns militares do RTm têm participado em diversas missões
no estrangeiro, em que se destacam as seguintes:
SEMPRE MELHOR
Entrega do EN ao Comandante do BTm 4, 1993
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Apoio às Forças Nacionais Destacadas
> ONUMOZ – Moçambique;
> UNAVEM III/MONUA – Angola;
> IFOR/SFOR/ EUFOR – Bósnia;
> KFOR – Kosovo;
> UNTAET – Timor;
> ISAF – Afeganistão;
> UNIFIL - Líbano
Para as missões anteriormente referidas, apresentam-se seguidamente e em
detalhe os Sistemas e Redes de Comunicações, de Informação e de Segurança
da Informação, em que o RTm esteve empenhado, demonstrando mais uma vez a
sua capacidade de emprego dual (Campanha e Permanentes).
139 Destinada a promover, imparcialmente, a implementa-
da ONU estabeleceu a Operação das Nações Unidas em Moçambique (ONUMOZ).
ção do Acordo entre o Governo da República de Moçambique e a Resistência Nacional Moçambicana, em particular,
dirigindo a Comissão de supervisão e monitorização composta pelo Governo, RENAMO, França, Itália, Portugal, UK,
EUA e Organização da Unidade Africana. O Acordo citado
autorizava a nomeação proposta pelo Secretário-Geral
da ONU de um Representante Especial itinerante, o envio
para Moçambique de 25 Observadores Militares, e solicitava ao Secretário-Geral um relatório para o levantamento da ONUMOZ.
Esta operação era constituída por quatro componentes distintas, nomeadamen-
140 Destinada a monitorizar e verificar o cessar-fogo, a
te, a Componente Política139, Componente Militar140, a Componente Eleitoral141
separação e concentração das forças, cerca de 110 mil
homens, sua desmobilização e a recolha, armazenamento
e destruição das armas; monitorizar e verificar a total retirada das forças estrangeiras; monitorizar e verificar o desmantelamento dos armados privados e irregulares; para
autorizar forças de segurança nas infra-estruturas vitais
e providenciar segurança às NU e outras actividades em
apoio do processo de paz especialmente nos corredores.
ONUMOZ - MOÇAMBIQUE
Em 16 de Dezembro, através da Resolução n.º 797/92, o Conselho de Segurança
e a Componente Humanitária142.
A contribuição de Portugal para esta missão cifrou-se no envio de uma Unidade
de Transmissões do Exército de Escalão Batalhão – o Batalhão de Transmissões
n.º 4 (BTm 4).
Em 9 de Abril de 1993, o BTm 4 recebeu, em parada, o Estandarte Nacional e
o Estandarte da Unidade, numa cerimónia realizada no RTm que contou com a
141 Destinada a dar assistência e monitorizar o processo eleitoral.
presença de Sua Exª o Primeiro Ministro, o Sr. Prof. Aníbal Cavaco Silva. A con-
142 Destinada a coordenar e monitorizar todas as ope-
centração do todo o material para a missão foi feita no DGMT (Linda-a-Velha) e
a concentração de pessoal, excepto o de manutenção empenhado na preparação
do material para a missão, foi feita no RTm.
rações de assistência humanitária, em particular as relacionadas com os refugiados, pessoas deslocadas internamente, pessoal militar desmobilizado e a população local
afectada.
162 > 163
CCom Instalados pelo BTm 4
Meios de Transmissões instalados no TO (Fase I)
O 1.º escalão da Força, deslocou-se em avião fretado para Moçambique em 20
de Abril. Tinha como missão realizar os ensaios de comunicações em HF e em
terminais satélite, bem como preparar a recepção do material que chegaria por
via marítima às três regiões (Maputo, Beira e Nampula). O material do Batalhão,
excepto o que foi no 1.º Escalão, chegou por via marítima a 4 de Maio e o 2.º escalão, constituído essencialmente por militares (244), chegou em 5, 10 e 14 de
Maio, respectivamente, a Maputo, Beira e Nampula.
O efectivo do BTm 4 era de 280 militares na Fase I (desde a sua chegada ao TO
até Junho de 1994) e de 150 militares na Fase II, desde essa data até ao fim da
missão (Dezembro de 1994).
A missão da Unidade na Fase I centrava-se na instalação, operação e manutenção
do Sistema de Comunicações para o Comando e Controlo da Componente Militar
da ONUMOZ. Para o efeito, implementou, inicialmente, quatro CCom143 de escalão QG, e cinco CCom de apoio aos Batalhões da Força, tendo posteriormente
atingido um total de onze CCom144.
Face às condições do terreno, o Sistema de Transmissões instalado no TO baseou-se em equipamentos Rádio de HF e, para situações de emergência, terminais satélite. As Unidades instaladas nas proximidades dos QG ligaram-se à
Rede Telefónica Militar por Feixes Hertzianos Multicanal. Em alternativa, existia
a Rede Telefónica Civil da TDM (Telecomunicações de Moçambique).
Após a definição das forças a implantar no terreno, organizou-se o Sistema de
Transmissões de modo a garantir as ligações entre os Batalhões e os respectivos
SEMPRE MELHOR
143 Cuja organização era modular e foi desenhada de
acordo com necessidades específicas de cada CCom. Assim, um CCom típico apresentava na sua constituição as
seguintes equipas: RATT; Feixes Hertzianos (Equipa Terminal e Repetidora); Central Telefónica.
144 O Sistema de Transmissões englobava as três Companhias de Transmissões (CTm) do BTm 4, a saber:
- A CTm 1 englobava quatro CCom: Missão; SRHQ,
Chokwé e Inhambane.
- A CTm 2 englobava quatro CCom: Dondo; CRHQ; Chimoio e Tete.
- A CTm 3 englobava três CCom: NRHQ; Área Militar e
Instituto (ambos em Nampula).
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Apoio às Forças Nacionais Destacadas
Meios de Transmissões instalados no TO (Fase II)
Sistema de Comunicações da CivPol, apoio ao Período Eleitoral
Quartéis Generais (QG) divididos pelas três Regiões Militares, a ligação entre os
três QG e a constituição de um CCom no QG da Força.
Foram então implementadas Redes Regionais de HF/FONIA/RATT entre os Batalhões localizados na Região Centro e Sul, uma Rede Nacional de HF/FONIA e
uma Rede Nacional HF/RATT entre os QG das Regiões Norte, Centro, Sul e o QG
da Força em Maputo.
Para garantir o apoio de Transmissões aos CCom Regionais e aos CCom dos
QG, foram criadas equipas para operar prioritariamente, meios de HF e tendo
como meio alternativo a ligação por Satélite. Ao nível dos QG, foram instaladas
as cablagens das Redes Telefónicas e respectivos Equipamentos de Comutação
(Central Digital de Campanha P/TTC 101), devidamente operados por militares
do BTm 4.
As ligações entre o QG da Região Sul e o QG da Missão assentavam prioritariamente num Sistema de Feixes Hertzianos para todo o tráfego escrito.
Na Fase II, a missão do BTm 4 alterou-se para: “instalar, operar e manter o Sistema de Comunicações para o Comando e Controlo da Componente Militar da
ONUMOZ” e na Região Sul deveria “instalar e manter o Sistema de Comunicações definido superiormente pela estrutura da Força” utilizando para o efeito
o material fornecido pelo “Integrated Communication Section / Administrative
Division” da ONUMOZ.
A partir de 28JUN94, com a redução do BTm 4, o Sistema de Transmissões foi
instalado, explorado e mantido pela CTm 1 com base em sete CCom145.
145 CCom Missão, CCom SRHQ, CCom Chokwé, CCom
Inhambane, CCom CRHQ, CCom NRHQ e Redes de Apoio
Aéreo (Centro e Sul).
164 > 165
Durante o período eleitoral, a Região Sul apoiou-se no Sistema de Comunicações
da CivPol (Componente Policial da ONUMOZ), através do controlo e gestão das
suas Redes de Comunicações realizadas por Oficiais do BTm 4 deslocados para
os Postos Provinciais. Foram ainda monitorizadas as principais Estações da
Rede, por Sargentos de Exploração, e montaram-se também Meios Rádio VHF e
HF nas estações da Região Sul.
As ligações com o Território Nacional eram realizadas basicamente à custa do
Rear-Link baseado no E/R 301 que servia as comunicações de voz e telegráficas,
e o INMARSAT para as comunicações via satélite (voz, dados e fax). No RTm onde
existia um Sistema de HF em Tempo Real, era feita a integração rádio-fio146, permitindo aos militares do BTm ligarem para as respectivas famílias.
146 A comunicação entre o TO e Portugal era feita por
Rádio HF e, no RTm, realizava-se a Comutação para a
Rede Telefónica Nacional ou para a Rede Militar. Esta ligação apresentava algum ruído devido a interferências
diversas no percurso TO – TN.
UNAVEM III E MONUA – ANGOLA
No dia 8 de Fevereiro de 1995, o Conselho de Segurança da ONU autorizou o
estabelecimento da Operação UNAVEM III, de acordo com a sua Resolução n.º
976 (1995)147. O Dispositivo inicial continha 7000 Militares em Unidades constituídas, 350 Observadores Militares e 260 Observadores Policiais, com o Staff
Militar e Civil apropriados, estando previsto que esta missão durasse cerca de
15 meses.
O TO estava organizado em seis Regiões, existindo em cada uma um QG Regio-
A Companhia de Transmissões, UNAVEM III / MONUA, Angola
nal148
4. A missão149 desta Companhia foi restabelecida a partir da missão da Força,
147 A Resolução n.º 976 estabelecia como tarefas principais: o verificar a extensão da administração estatal,
monitorizando a reconciliação Nacional em todo o Território; verificar e monitorizar o cessar-fogo, a desmobilização das forças e a conclusão da formação das novas
Forças Armadas Angolanas; verificar a neutralidade da
Força Policial Nacional, o desarmamento da população
civil, e o aquartelamento das Unidades Policiais; apoiar
e verificar todo o Processo Eleitoral – 2ª volta das Eleições Presidenciais; coordenar actividades humanitárias
directamente relacionadas com o processo de paz, incluindo a desmobilização das tropas e a sua reintegração
na vida civil.
e a sua orgânica adaptada150 à missão atribuída, possuindo um efectivo de 101
148 Região Norte com QG no Uíge, Região Noroeste com
militares.
QG em Saurimo, Região Centro com QG no Huambo, Região Sul com QG no Lubango, Região Sudoeste com QG
em Menongue e Região Este com QG em Luena.
e, pelo menos, uma Unidade de Escalão Batalhão de Infantaria, equipas de
Observadores Militares e Policiais (Team Sites), para além do QG da Missão, instalado em Belas, próximo de Luanda.
A participação portuguesa era constituída por Elementos do Staff Militar, onde
se incluía o Chefe de Estado-Maior da Força, Observadores Militares e Policiais,
bem como pela Companhia de Transmissões n.º 5 (CTm 5), pela Companhia Logística n.º 6 (CLog 6) e pelo Destacamento Sanitário n.º 7 (DestSan 7).
A CTm 5, foi constituída essencialmente por militares e pelo material do BTm
Para cumprir a sua missão, o Pelotão de Comunicações dividiu-se em equipas de
especialistas nas várias áreas da exploração das Transmissões, que mantinham
em funcionamento 24 horas por dia, o CCom da Missão (3 Sargentos e 6 Praças)
e os CCom dos QG Regionais (2 Sargentos e 4 Praças).
Para a instalação do Sistema de Comunicações, a CTm 5 preparou a seguinte orgânica:
> Para o CCom do QG da Força: uma Cabina Central Telefónica com capacidade
para 100 linhas; duas Cabinas RATT; duas Cabinas Terminal de Feixes Hertzianos;
um Cabina Repetidora de Feixes Hertzianos; e um Terminal de Satélite INMARSAT C.
SEMPRE MELHOR
149 Fornecer Comunicações “Triangulares” entre a UNAVEM, o Governo de Angola e a UNITA; fornecer 63 Operadores de Rádio, fluentes em inglês e preparados para
operar em Centros de Comunicações; instalar, operar e
manter Centros de Comunicações nos QG Regionais e,
com limitações, no Centro de Comunicações do QG da
Força; fornecer assistência na instalação, manutenção e
reparação do material de comunicações e infra-estruturas associadas; fornecer, em casos especiais, assistência
na reparação de material crítico local da ONU em Angola.
150 A Companhia era constituída por um Comando e Estado-Maior e dois Pelotões, um de Apoio de Serviços e
outro de Centro de Comunicações.
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Apoio às Forças Nacionais Destacadas
> Para cada um dos CCom dos QG Regionais: uma Cabina RATT e um Terminal de
Satélite INMARSAT C.
> No Comando da CTm 5: duas Cabinas de Planeamento e Controlo e duas Cabinas
Oficinas de Material de Transmissões.
Para além deste material, existia ainda, uma Central Telefónica para servir a Área
de Viana, 200 telefones de marcação automática, 86 telefones de campanha, teleimpressores, equipamentos Rádio de HF da série 301 e de VHF da série 425 e
501.
No TO a CTm 5 instalou, explorou e manteve as seguintes redes:
Centro de Comunicações da CTm 5
> Rede VHF de Cmd/Op da Companhia: servia para estabelecer a ligação entre o
estacionamento da Unidade e todas as viaturas que se deslocassem ao exterior.
Foi montada com base nos equipamentos da família P/PRC 425, instalados nas
viaturas, com apoio em dois repetidores instalados no edifício da Embaixada de
Portugal e outro no estacionamento da Companhia.
> Rede Triangular: utilizada para ligar os QG Regionais da UNAVEM III com representantes das Forças Armadas Angolanas e da UNITA. Foi instalada com os equipamentos da ONU nas bandas do VHF e HF, sendo operados nos QG Regionais
por militares da CTm 5.
> Rede Nacional de Comando: com a finalidade de estabelecer ligação à voz entre
o QG da UNAVEM III e os QG Regionais. Inicialmente, esta rede em HF baseou-se
em equipamentos da família P/GRC 301 que, posteriormente, foram substituídos por terminais de Satélite INTELSAT, privativos da ONU, passando a primeira
a constituir-se como rede de reserva.
> Rede RATT: A ligação telegráfica foi estabelecida em HF com equipamentos da
família P/GRC 301 e Teleimpressores SIEMENS T-1000, e serviam para interligar o QG da Força com todos os QG Regionais. Após a instalação dos Terminais
de Satélite INTELSAT, o tráfego escrito passou a ser transmitido via Fax.
> Rede Multicanal: servia para ligar o QG da Força à Área Logística de Viana (onde
estava sedeado o Destacamento da CLog 6) e à CTm 5. Para o efeito, instalaramse duas ligações de Feixes Hertzianos com 24 canais, uma terceira de 12 canais
para ligar a CTm 5 ao QG da Força e uma ligação de 12 canais para ligar telefonicamente a CTm 5 à Embaixada de Portugal em Angola.
Rede INMARSAT C
> Rede INMARSAT: tinha a finalidade de estabelecer a ligação entre os QG e as
equipes de Observadores (Team Sites). Os equipamentos eram do tipo INMARSAT C (utilizados para mensagens escritas), tendo a rede sido instalada desde o
início da Operação e foi operada pelos militares da CTm 5, que prestavam apoio
aos CCom dos QG.
> Rede INTELSAT: foi instalada com equipamentos privativos da ONU – Terminais de Satélite tipo INAMARSAT 604 – para substituir as redes de HF entre os
QG, ou seja, ao nível de voz e Fax.
Rede INTELSAT
166 > 167
> Rear-Link:
• POSAT 1151: foi utilizado para garantir as ligações a Portugal, tendo sido instalado um terminal na CTm 5. Em Portugal, numa 1.ª fase foi utilizado o terminal do
INETI, tendo posteriormente sido instalado outro terminal no DGMT.
• HF: utilizado para implementar uma ligação de voz e RATT entre a CTm 5, a CLog
6 e Portugal. As estações no Território Nacional encontravam-se instaladas no
DGMT, para apoio logístico, e no RTm para permitir a ligação entre os militares
e as suas famílias, através da integração da comunicação no Sistema Telefónico
Rear-Link, ligação ao TN
Nacional.
151 Este Satélite era do tipo “store and forward”, passando entre Portugal e Angola num período que variava
entre as quatro horas (mais favorável) e as doze horas.
As ligações efectuavam-se na banda do VHF entre o satélite e a estação de terra, e na banda do UHF em sentido
inverso, efectuando-se assim a troca de pequenos ficheiros de dados.
> INMARSAT: foi utilizado para as ligações de voz e fax ao Território Nacional.
Além da CTm 5, Portugal enviou para a UNAVEM III, outra Unidade de Escalão
Companhia, a CLog 6, cuja Missão152 se revestiu de primordial importância.
O mandato da UNAVEM III terminou a 30 de Junho de 1997, data em que deveria
estar concluída a retracção do dispositivo desta Operação. No dia seguinte, 1 de
Julho de 1997, inicia-se uma nova operação - a MONUA (Missão de Observação
das Nações Unidas em Angola). Esta Operação era constituída apenas por um
Corpo de Observadores Militares e Policiais.
Em termos de comunicações, esta Força foi apoiada pela CTm 5 que permaneceu
152 Esta Unidade chegou à Área da Missão em Agosto de
1995, tendo sido responsável pela execução de transportes em apoio aos QG Ðs Regionais e às Áreas de Aquartelamento; execução de operações de terminal em Viana,
Huambo e Lobito; e comando de colunas de reabastecimento que saíam das áreas logísticas. A Unidade possuía
um efectivo de 205 homens, e estava sedeada no Huambo, com destacamentos em Viana e Lobito.
na Área de Missão, embora com um efectivo mais reduzido.
Para dar apoio sanitário à Monua, Portugal foi convidado a instalar um Hospital de Campanha em Luanda (DestSan 7), junto ao QG da Força, guarnecido com
efectivos dos três Ramos das Forças Armadas.
IFOR E SFOR - BÓSNIA E HERZGOVINA
No início de 1996, Portugal começou a enviar Forças para o Território da Bósnia e
Herzegovina (BiH), no âmbito da Operação IFOR (Implementation Force).
Os primeiros contingentes tinham por missão garantir a segurança da estrada
Norte Sarajevo-Gorazde e monitorizar a Zona de Separação (ZOS) entre Sérvios
e Muçulmanos, nas imediações da cidade de Gorazde. Para cumprir a sua missão, o Contingente Nacional, constituído por uma Unidade de Escalão Batalhão
e Órgãos de Apoio Logístico (National Support Element - NSE), que ocupavam
diversas posições no TO153.
Em 1997, a operação na BiH mudou de designação para SFOR (Stabilization Force), no entanto, o Contingente Nacional manteve a sua missão. Posteriormente, em 2001, o Batalhão Português passou a constituir a Reserva Operacional
Terrestre (OPRESGROUND) do Comando da SFOR, podendo ser empenhado em
todo ou parte do TO, tendo o Batalhão sido concentrado na localidade de Visoko,
próximo de Sarajevo.
A partir de 25 de Novembro de 2005, foi novamente atribuído um Sector à Componente Portuguesa154, tendo a Força sido concentrada em “CAMP DOBOJ”, na
cidade de Doboj, na região Norte da BiH.
SEMPRE MELHOR
153 Durante a missão da IFOR (1996) e da SFOR (1997
– 2001) os Contingentes Nacionais ocuparam as seguintes posições:
-Unidades de Escalão Batalhão: Rogatica (Comando do
Batalhão); Vitkovice (Gorazde); Ustipraca; Praça (inicialmente, a Companhia 21a esteve sedeada em Kukavice)
e Tvicijack;
- Destacamento de Apoio de Serviços (DestApSvc, ou
NSE/PO), localizado no inicialmente em Vogosca, foi posteriormente transferido para Sarajevo.
154 Passou a ter a organização:
- Militares nos QG da NATO e da EUFOR, em Butmir – Sarajevo;
- Militares no QG da Multinational Task Force North em
Tuzla;
- Militares no QG do Multinational Batallion em Zenica;
- Militares integrando Equipas de Ligação e Observação
em Derventa e Modrica;
- Militares integrando Equipas de Verificação em Tuzla;
- Componente Portuguesa em “Camp DOBOJ”, junto à cidade de Doboj.
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Apoio às Forças Nacionais Destacadas
As comunicações no interior do TO da BiH e para o Território Nacional eram garantidas pelo Módulo de Transmissões, integrado no Batalhão Português, competindo-lhe instalar, explorar e manter um Sistema de Transmissões (Comunicações e Sistema de Informação) de forma a atingir os objectivos fixados para a
Missão.
Este Módulo de Transmissões possuía recursos humanos e recursos materiais
integrados num CCom.
O CCom de apoio a esta FND integrava uma Central Telefónica, um Centro de
Mensagens, Posto Rádio e o Centro Cripto, bem como os meios para suporte à
reparação, manutenção e verificação dos equipamentos TPF, TSF e Informática.
Para garantir as Comunicações, foram instaladas os seguintes meios:
TSF
> Rede de HF: englobava as Redes de Comando e Operações e a de Controlo de
Movimentos, sendo constituída por estações fixas (Estações Controladoras de
Rede), nos Comandos de Batalhão e Companhias, operadas pelo Módulo de Tm, e
estações móveis, montadas nas viaturas para os movimentos no TO. Os equipamentos utilizados eram o THOMSON TRC-3530 e o P/FRC e P/GRC 301.
> Rede de VHF: englobava as Redes de Comando e Operações e de Controlo de
Movimentos do Batalhão, utilizando para o efeito dois tipos de equipamentos:
Equipamentos da Família 425 e o P/PRC 501.
> Rede VSAT: este Sistema de ligação por satélite era o principal meio de comunicação da FND com Portugal, através de um canal de dados (para o tráfego oficial
de mensagens) e sete canais de áudio155.
> Rede INMARSAT: existiam vários tipos de terminais, com ligação ao satélite
INMARSAT à disposição na BiH, nomeadamente:
155 Um canal dedicado ao Comandante (com acesso à
rede militar, rede civil nacional e redes móveis) e os restantes canais, com acesso a todas as redes, para serviço
oficial do Batalhão, permitindo também as ligações particulares dos Militares da Unidade.
. MAGNAPhone MX 2020P [INMARSAT – A, Class 1 Satellite Communication
(SATCOM) Terminal], são equipamentos que funcionam numa posição fixa, com
fiabilidade elevada;
. NERA WorldPhone (INMARSAT Terminal), é um equipamento portátil que permite a comunicação através de um canal de voz ou um canal de dados a 2400
bits/s, no entanto, exige a imobilização do equipamento para fixar o sinal. No TO
existiam três equipamentos deste tipo;
. NERA WorldPhone Voyager (INMARSAT – Mini – M Terminal), é um equipamento para instalar em viatura.
. SATURN BP Portable (INMARSAT – B Terminal), é um dispositivo que permite
realizar videoconferências entre a BiH e Portugal. Este equipamento permite
cinco acessos para telefones DTMF ou um canal de High Speed Data de 56/64
Kbits/s.
168 > 169
TPF
Nos diversos aquartelamentos do Contingente Nacional existiam Redes Telefónicas e Centrais de Comutação156 que permitiam a realização de chamadas locais
(BiH) e internacionais através do Sistema VSAT.
156 No Comando do Batalhão existia um Comutador Digital P/TTC-101A e nas Companhias um Comutador de
Campanha P/CD-132.
> Informática
A Rede Informática dos aquartelamentos era composta por servidores (Windows
NT), um Router para encaminhamento de dados e Hubs para expansão da rede.
Esta rede estava integrada na Rede de Dados do Exército, através do canal de
dados do Sistema VSAT, disponibilizando diversos serviços (Correio Electrónico,
Intranet, Segurança da Informação, actualização automática do antivírus e partilha de informação), como em todas as UEO do Exército ligadas à referida rede.
> Material fornecido pela SFOR
O Comando da SFOR disponibilizou um telefone com Chave Cripto (STU II B) com
um equipamento de fax acoplado, que era utilizado para o envio e recepção de
documentos classificados e comunicações telefónicas com classificação de segurança até SECRETO NATO/SFOR.
O Batalhão encontrava-se também ligado à Rede Informática secreta da SFOR,
designada por SFOR WAN. Esta rede permitia o envio de mensagens até SECRETO NATO/SFOR entre o Batalhão, o QG da SFOR e as Divisões Multinacionais.
O RTm apoiou esta FND, na montagem das suas Comunicações (Subsistemas de
Transmissão e de Comutação) e Sistemas de Informação, nas diversas localizações da Unidade. Contribuiu também com recursos humanos para o Módulo de
Transmissões durante o período em que a FND permaneceu no TO.
KFOR – KOSOVO
A FND/Kosovo, “Tactical Reserve Manouever Batallion – KTM”, instalada em
SLIM LINES – Pristina, é uma Força de Reserva do Comandante da KFOR.
As comunicações desta FND, quer no interior do TO, quer externamente nas ligações para o TN, são garantidas pelo Módulo de Transmissões, cuja missão é:
“instalar, explorar e manter os Meios de Comunicações e Sistemas de Informação existentes no TO, para apoio da FND e garantir a ligação com o TN através
de um Link Satélite”.
O CCom de apoio a esta FND, integra a Central Telefónica, o Centro de Mensagens e o Centro Cripto, bem como os meios para suporte à reparação, manutenção e verificação dos equipamentos TPF, TSF e Informática.
Em termos de Comunicações, foram instaladas as seguintes redes:
COMUNICAÇÕES DE CAMPANHA
Engloba as duas grandes áreas – TPF e TSF, dispondo cada uma delas de meios
diferenciados:
SEMPRE MELHOR
Aquartelamento de SLIM LINES, Pristina
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Apoio às Forças Nacionais Destacadas
> TPF: engloba uma Central Telefónica de Campanha P/CD-132 e um conjunto de
Telefones P/BLC-101;
> TSF: inclui diversos tipos de equipamentos, divididos em dois grupos: material
KFOR157 e material Nacional158.
157 Ao nível de material KFOR, estão distribuídos os se-
Para acesso às Redes Internacionais de telefones, fax e dados, existem disponí-
guintes meios:
- Rádios TETRA da marca MATRA, que funcionam numa
Rede TETRA, com uma cobertura aceitável na Área de
Missão (KOSOVO). Por ser um meio seguro e devido às
suas reduzidas dimensões, o emprego táctico deste equipamento é de extrema importância.
- O IFTS “Interim Force Tracking System”, que consiste
num sistema de navegação, com um monitor e um rádio,
que fornece permanentemente a posição de todos os
utilizadores.
veis no TO equipamentos de comunicação da marca “Nera-WorldPhone”, apoiados na Rede de Satélites INMARSAT.
COMUNICAÇÕES PERMANENTES
Diferenciam-se pelas suas áreas de actuação (TPF e TSF), utilizando também
equipamentos de origem nacional e da KFOR.
> TPF: no aquartelamento, a FND tem ao dispor diversos meios de comunicações
permanentes, onde se destacam as Redes Telefónicas, as Redes de Dados e
158 Quanto aos equipamentos nacionais presentes
no TO, destacam-se os seguintes: Rádios da família P/
PRC-425, P/PRC – 501, ICOM IC F-50, E/R TRC – 3500
THOMPSON e duas Cabines RATT.
Meios Cripto.
No TO existem ainda três Redes Telefónicas distintas: a Rede Nacional, a “Cleo
Black” (Inglesa), e a Rede KPN (KFOR).
Ao nível das Comunicações de Dados, o aquartelamento desta FND está interligado a duas redes distintas, nomeadamente: por fibra óptica à Rede da KFOR e
por cabo UTP à Rede Dados do Exército.
No que respeita aos Meios Cripto, de referir a existência de um sistema seguro
de emissão/recepção de Mensagens (MMHS) e de um Criptotelefone (STU IIB).
> TSF: resumem-se ao rádio TACSAT, fornecido pela KFOR e ao link de satélite
que estabelece a ligação com Portugal e que faz a integração das Redes Telefónica e de Dados do Exército.
Ao nível de Sistemas de Informação, no TO existem três redes distintas: Rede de
Dados do Exército, a Rede KFOR SECRET e a Rede Global.
> Rede de Dados do Exército: a ligação ao TO é realizada através do link de satélite existente para o efeito. A FND dispõe de diversos terminais e ainda de um
servidor local onde se encontram as contas de E-mail do domínio Exército de todos os militares.
> Rede KFOR SECRET: é constituída por um sistema seguro, fornecido e mantido
pela KFOR, dispondo a FND de quatro terminais em rede.
> Rede Global (Internet): o acesso é realizado através de um Link, fornecido e
mantido por empresa civil, interligado a uma LAN (FND) que disponibiliza os pontos de rede para todos os militares.
O apoio do RTm a esta FND foi, essencialmente a dois níveis: na montagem das
suas Comunicações e Sistemas de Informação e em recursos humanos para o
Módulo de Transmissões.
170 > 171
UNTAET – TIMOR LOROSAE
A Resolução n.º 1272 (1999) do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CS/
Centro de Comunicações, UNTAET
ONU) de 25 de Outubro, atribuía à UNTAET159 (Administração Transitória das
159 United Nations Transitional Administration in East Timor.
Nações Unidas em Timor-Leste) total responsabilidade pela Administração do
Território e mandatava-a para exercer toda a autoridade Executiva e Legislativa,
incluindo a administração da Justiça. Através desta Resolução, o CS decidiu também que o mandato da UNTAET incluía os seguintes pontos:
> Garantir a segurança e a manutenção da Lei e Ordem no Território de TimorLeste;
> Estabelecer uma administração eficaz;
> Apoiar o desenvolvimento de Serviços Civis e Sociais;
> Assegurar a coordenação e distribuição de assistência humanitária, reconstrução e assistência no desenvolvimento;
> Apoiar a aquisição da capacidade de de auto governação;
> Apoiar o estabelecimento de condições para um desenvolvimento sustentado.
160 Esta componente, para implementar as medidas legislativas e administrativas, contava com uma força de
Polícia Internacional de 1640 elementos.
A estrutura da UNTAET era constituída por três componentes: a Governativa e de
161 Em Fevereiro de 2000, o Contingente Nacional em
160,
Administração Pública
a Militar161 e
a de Assistência Humanitária.
Em 9 de Fevereiro, chegaram ao aeroporto de Díli os primeiros militares do Exército integrados na Força de Manutenção de Paz das Nações Unidas: Comando e
Quartel-General do Sector Central do dispositivo da PKF e 1º Batalhão de Infantaria Pára-quedista da Brigada Aerotransportada.
Timor era constituído por uma Força com 971 militares
(579 do Exército, 340 da Marinha e 52 da Força Aérea):
- Comando do Sector Central (Exército – Marinha – Força Aérea);
- Um Batalhão de Infantaria Pára-quedista (Exército – Marinha), no caso do Exército rotativo entre as três Bigadas;
- Destacamento de Helicópteros Allouette III (Força Aérea);
- Destacamento de C-130, em Darwin (Força Aérea);
- Fragata “Hermenegildo Capelo” (Marinha).
As Comunicações entre o Contingente Nacional em Timor (CNT) e o TN eram garantidas pelo Módulo de Transmissões162 da Força, cujo efectivo foi variando ao
longo do tempo consoante as alterações dos efectivos. A missão deste Modulo,
distribuído por várias posições163 era instalar, explorar e manter os meios de comunicações para apoio ao CNT no TO, e garantir o Rear-Link com o TN.
SEMPRE MELHOR
162 Era constituído pelo Comando (Capitão ou Subalterno), uma Secção TPF, uma Secção TSF e o CCom do PC.
163 Nomeadamente: Aquartelamento de Caicoli; Aquartelamento de Becora; Repetidor-1 (Bessilau) e Aquartelamento de Maubisse.
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Apoio às Forças Nacionais Destacadas
Para garantir as Comunicações e os Sistemas de Informação no TO, foram instaladas as seguintes redes:
REDE TSF
> Rede de HF (Rede ALFA): era constituída por estações fixas (uma por aquartelamento) e estações “man-pack” pelas patrulhas, estando a Estação Controladora de Rede no CCom do Batalhão em Caicoli e operada pelo Módulo de TM.
Os equipamentos utilizados eram THOMSON TRC-3500 (Man-pack) e TRC-3530
(Estação Fixa).
> Rede de VHF (Rede BRAVO): a Rede VHF de Comando e Operações do Batalhão, utilizava dois tipos de equipamentos a operar em bandas diferentes:
. Equipamentos da Família 425: inicialmente existiam dois Repetidores de VHF.
O Repetidor-1 situado em Bessilau, cobria praticamente toda a zona Norte da
Área de Operações do POBat até Maubisse. O Repetidor-2 situado em Russulau,
garantia as comunicações por VHF de Dili para a área de Maubisse e Same, tendo
sido posteriormente desactivado;
. Equipamentos Motorola: funcionavam com canais pré-programados nas frequências atribuídas para o POBat e ainda com os canais da UNMISET. No TO existiam três repetidores de Motorola: dois em Bessilau e o último em Russulau.
REDE VSAT
Foram instaladas três Estações VSAT, nos seguintes locais:
> Estação de Caicoli: com uma capacidade de vinte linhas para o TN e um canal de
dados ligado à RDE;
> Estação de Liquiçá: com uma capacidade de cinco linhas telefónicas para o TN;
> Estação de Maubisse: com uma capacidade de cinco linhas telefónicas para o
TN. Esta estação situada no Repetidor de Russulau servia o aquartelamento de
Maubisse (por FHz).
REDE TPF
Foram instaladas cinco Redes Telefónicas Internas em aquartelamentos164 liga-
164 Aileu, Becora, Caicoli, Liquiçá e Maubisse.
das a Centrais Telefónicas de Campanha, quatro P/CD-132 e uma P/TTC-101.
Entre Caicoli e Becora, foi instalado um link de Feixes Hertezianas para permitir
a ligação à Rede Militar ao aquartelamento de Becora.
REDE TELSAT
Constituída por cinco Terminais Satélite NERA e servia essencialmente para a
ligação ao TN. Os equipamentos estavam instalados em Aileu, Dili, Gleno, Liquiçá
e Maubisse.
REDE DE COMPUTADORES
Equipamentos de Comunicações e Dados
Foram instaladas duas LANs Ethernet a 10Mbits/s, em Becora e em Caicoli.
O RTm apoiou a montagem das Comunicações e Sistemas de Informação desta
FND e continua, sempre que necessário, a fornecer recursos humanos para o Módulo de Transmissões.
172 > 173
ISAF – AFEGANISTÃO
A comunicação entre Portugal e o TO do Afeganistão é suportada pelo Rear Link
instalado entre o Regimento de Transmissões e Cabul, com uma largura de banda
de 256 Kbits/s. Este link assegura as ligações militares permanentes de voz e
dados, bem como as ligações à Rede Telefónica da PORTUGAL TELECOM, efectuadas de e para Cabul.
As Forças Nacionais Destacadas no Afeganistão (FND/ISAF) instaladas em
“Camp Warehouse”, são servidas pela Central Telefónica P/TTC-101, montada
em “redundância” com dois Comutadores de Campanha P/CD-132. Oito interfaces E&M disponibilizam as ligações de voz, seguras (STU-IIB) e não seguras165
165 A Rede Telefónica permite as comunicações de voz no
(civis e militares), estabelecidas entre aquele TO e o nosso País. Esta comunica-
interior de “Camp Warehouse” e para o TN, com 62 telefones instalados. A Força dispõe também de acesso à Rede
de Dados do Exército e à Internet.
ção tem a particularidade de ser analógica entre a P/TTC-101 e o Router Cisco
3640 instalados no Afeganistão, e de ser digital (VOIP) a partir deste dispositivo
activo da Rede de Dados do Exército e o Regimento de Transmissões.
O Equipamento VSAT166 instalado (antena e o Modem ComStream 701) liga-se
166 Estes Sistemas formam Redes de Comunicação por
ao Router Cisco 3640, ponto nevrálgico do nosso Sistema de Comunicações Per-
Satélite que permitem o estabelecimento de ligações
entre um grande número de estações remotas com antenas de pequeno tamanho (VSAT: Very Small Aperture
Terminals), com uma Estação Central normalmente chamada Hub. O VSAT está orientado principalmente para a
transferência de dados entre unidades remotas e Centros
de Processamento ligados ao Hub, mas também são apropriados para a distribuição de sinais de vídeo e, em certos
casos, podem ser utilizados para serviços de telefonia entre estações remotas e o Hub.
manentes em Cabul, derivando deste dispositivo activo de rede a ligação à Central Telefónica, bem como as conexões com a LAN das FND/ISAF.
Dois servidores disponibilizam os Serviços DHCP167, DNS168, e-mail e ficheiros;
quatro Switches e um Hub, distribuídos por cinco bastidores instalados no Edifício do Comando, facultam o acesso dos utilizadores aos recursos da LAN das
FND/ISAF, garantindo, igualmente, uma ligação transparente à Rede de Dados
do Exército.
O Centro de Mensagens, integrado no CCom situado no Edifício do Comando, opera os Sistemas de Processamento de Mensagens MMHS (seguro para
a transmissão de mensagens com a classificação de segurança até Secreto),
STM3 (seguro para a transmissão de mensagens em claro, com a classificação
de segurança até Reservado), e Fax não seguro, constituindo-se, conjuntamente
com a Central Telefónica, recursos imprescindíveis para o exercício da acção de
Comando e do Canal Logístico.
O acesso à Internet é efectuado por Satélite, através de um link com 2 Mbits/s
de largura de banda, interligado a uma LAN que disponibiliza pontos de rede para
os militares poderem aceder a esta Rede Global.
O RTm apoiou a montagem das Comunicações e Sistemas de Informação desta
FND, além de fornecer recursos humanos para o Módulo de Transmissões.
SEMPRE MELHOR
167 Dynamic Host Configuration Protocol, é um protocolo de serviço TCP/IP que oferece uma configuração dinâmica de terminais, com concessão de Endereços IP de
host e outros parâmetros de configuração para clientes
de rede.
168 Domain Name System (Sistema de Nomes de Domínios) é um sistema de gestão de nomes hierárquico e distribuído. O servidor DNS traduz nomes para os endereços
IP e endereços IP para os nomes respectivos, permitindo a
localização de hosts num determinado domínio.
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Apoio às Forças Nacionais Destacadas
UNIFIL – LÍBANO
No sul do Líbano, a cerca de 7 Km da fronteira com Israel, encontra-se o “Ubique
Camp” onde, actualmente, está instalada a Unidade de Engenharia 2169, respon-
169 É uma Unidade de Escalão Companhia com cento e
sável pelo apoio, na sua área específica, às Unidades da UNIFIL presentes no TO,
quarenta e um militares, constituída por dois Pelotões
de Construções, um Módulo de Apoio e uma Secção de
Comando.
bem como à população local.
O apoio de Comunicações é realizado por uma Secção de Transmissões, inserida
no Módulo de Apoio. Esta Secção é constituída por um Oficial, três Sargentos e
quatro Praças de Transmissões que instalam, operam e mantêm todos os meios
existentes no TO, em coordenação com as entidades competentes no Território
Nacional.
Em termos de comunicações, a Força dispõe das seguintes redes:
TPF
Está instalada uma Central Telefónica neste campo, constituída por dois Comutadores Digitais P/CD-132 interligados entre si, permitindo a comutação entre
quarenta e cinco terminais telefónicos. A ligação à Rede Telefónica do Exército
é realizada através de oito canais disponibilizados no link VSAT que compõe o
Rear Link (Link Satélite dedicado com 256 Kbits/s).
CENTRO DE MENSAGENS (CMENS)
Existe a possibilidade de expedir e receber mensagens por três sistemas distintos: Fax, STM3 e MMHS. O operador deste Centro opera, em acumulação, a
Central Telefónica.
INFORMÁTICA
No “Ubique Camp” está-se instalada uma Rede Informática, constituída por 25
estações de trabalho, 2 Servidores e uma Firewall (IXBOX). Esta Rede Local está
ligada à Rede de Dados do Exército e à Internet através de links de Satélite170
distintos.
170 De 2 Mbits/s Download e 1 Mbits/s Upload para o
acesso à Internet e 256 Kbits/s para o acesso à RDE.
TSF
Está instalada uma Rede de Operações, apoiada em dois repetidores, que permite uma cobertura quase total da Área de Operações (AO), bem como da zona
costeira a sul de Beirute. Esta rede, constituída à base de Rádios da família 425 e
525, destina-se a apoiar os movimentos dentro da AO. Existem também equipamentos de comunicação por Satélite (Nera) e alguns Rádios da família Motorola,
para ligação à UNIFIL.
Durante a fase de instalação da Força no TO, em Dezembro de 2006, deslocou-se
ao Líbano uma equipa técnica constituída por militares do RTm e do CIE, para instalação dos Meios de Comunicações Permanentes e Rede de Dados, bem como a
sua interligação ao Território Nacional.
Parque de Antenas (Rádio e Satélite), UnEng – Líbano
O RTm planeou, projectou e instalou os Sistemas de Comunicações e de Informação para esta FND e forneceu recursos humanos para o Módulo de Transmissões.
174 > 175
CURSOS E ESTÁGIOS
Um dos pilares fundamentais da “Escola das Transmissões Permanentes” que
171 Nomeadamente: Curso para Oficiais Técnicos no Ins-
constitui o legado histórico do RTm, e que, por sua vez, os diversos comandos
tituto Superior Militar (COf/ISM), em Águeda e mais recentemente na Escola Superior Politécnica, na Amadora;
Curso de Promoção a Capitão (CPC), na Escola Prática de
Transmissões (EPT), no Porto; Curso de Promoção a Oficial Superior (CPOS), no Instituto de Altos Estudos Militares (IAEM) e no sucessor – Instituto de Estudos Superiores Militares (IESM); Estágio de Promoção a Sargento
Ajudante (EPSA) e o seu sucessor – Curso de Promoção
a Sargento Ajudante (CPSA), na Escola de Sargentos do
Exército.
desta Unidade sempre incentivaram, é a formação contínua dos seus técnicos.
Numa área eminentemente técnica, como é a das Comunicações e dos Sistemas
de Informação, é necessário que o pessoal técnico acompanhe as tecnologias
emergentes, contribuindo deste modo para a melhoria do serviço prestado pela
Unidade ao Exército Português.
Além dos cursos normais de progressão na carreira171, estágios diversos172 e
actividades de instrução173, o RTm tem proporcionado aos seus militares uma
formação nas diferentes tecnologias associadas às Comunicações e Sistemas
de Informação disponíveis na Rede do SITEP, nos seguintes âmbitos:
> Engenharia de Sistemas para Oficiais Engenheiros;
> Manutenção para Oficiais e Sargentos de Manutenção de Transmissões;
> Operação para Sargentos e Praças de Exploração de Transmissões.
172 Onde se incluem os seguintes estágios: para Tenentes-alunos tirocinantes da Academia Militar; para Sargentos-alunos que frequentam a 2ª parte (Estágio) na
EPT, para os militares de Transmissões que constituem
os Módulos de Transmissões das FND, etc.
173 Onde se incluem as Provas de Aptidão Física (PAF);
a Instrução Anual de Tiro de Manutenção (Programa de
Tiro Tango) para Oficiais, Sargentos e Praças; Instrução
de aperfeiçoamento às Praças, no âmbito da Preparação
Complementar do CFP (Especialidades de transmissores
– Operador de Teleimpressor, Operador de Transmissões,
Radiotelegrafista, Mecânico Montador de Cabos, etc.).
Formação de Mecânicos Montadores de Cabos no RTm
SEMPRE MELHOR
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Cursos e Estágios . Participação em Exercícios e Grupos de Trabalho
PARTICIPAÇÃO EM EXERCÍCIOS
E GRUPOS DE TRABALHO
PARTICIPAÇÃO EM EXERCÍCIOS
PARTICIPAÇÃO EM GRUPOS DE TRABALHO
Apesar da natureza da sua missão desta Unidade ser pri-
Pela qualidade da sua capacidade técnica, os Quadros do
mordialmente voltada para as Comunicações Permanentes
RTm, são normalmente solicitados a integrarem Grupos de
(Estratégicas) e Sistemas de Informação, o RTm participa
Trabalho, pelo que têm sido nomeados por entidades exte-
em Exercícios Militares, embora não tendo encargos ope-
riores ao RTm, de que se destacam, como exemplos mais
racionais atribuídos. Tem tido ao longo dos tempos o natu-
recentes:
ral empenhamento de uma Unidade Militar, em exercícios
de carácter regional do extinto Governo Militar de Lisboa
(GML), a nível nacional (Exército e Forças Armadas) e no
âmbito internacional (OTAN), com empenhamento de meios
humanos e materiais, na execução do apoio de comunicações e na interligação das Redes de Comunicações Tácticas
às Estratégicas, quando superiormente determinado.
Deste modo, destaca-se a participação de recursos humanos e a utilização de recursos materiais do RTm nos seguintes Exercícios, por categorias:
> Exercícios Internacionais: Linked Seas, Strong Resolve
(1998) e Combined Endeavour (2005 e 2006);
No âmbito do Exército:
> Estrutura de Desenvolvimento e Coordenação do “Projecto Inicial de Implementação do Sistema de Informação
e Comunicações Táctico (SIC-T)” (Despacho no 01/VCEME/2004);
> Missão de Acompanhamento e Fiscalização (MAF) da execução do contrato de fornecimento do Sistema de Comunicações Táctico Móvel P/525 (Despacho no 1504/2005, 2.ª
Série, do MDN, DR II Série, n.º 16 de 24JAN05);
> Programa NH-90 – Representante Nacional no “Infosec Sub-Working Group” da NATO Helicopter Managment
Agency (Despacho de 01MAR05 do MGEN do GML);
> Exercícios Nacionais: Orion (desde 1984 até aos nossos
No âmbito do EMGFA:
dias), FIR (1990 e 1991 – da Brigada de Forças Especiais) e
> Grupo de Trabalho do Military Messaging Handling Sys-
Lusíada ( 2005 e 2006 – Apoio ao COFT);
tem (MMHS) (Despacho no 05/VCEME/2003);
> Exercícios Regionais da RML e, posteriormente, GML: Plu-
> Grupos de Trabalho para a interligação da componente In-
tão (1989 a 2000) e S. Jorge (1996 a 2006).
fra-Estrutural EMGFA/RAMOS/MDN;
> Exercícios de Aprontamento de FND e ou das Brigadas:
> Grupos de Trabalho sobre o CRYPTEL IP (Despacho de
O RTm tem participado na configuração da interligação do
26JAN04 do TGEN VCEME).
Sistema de Campanha, voz e dados, ao SITEP e também dis-
No âmbito da OTAN:
ponibilizou o material solicitado.
> Representante nacional na INFOSEC (SC/4) da OTAN, Grupo de Trabalho “Cryptographic Modernisation (CM) AHWG
(Despacho de 05DEC05 do TGEN VCEME).
176 > 177
ACTIVIDADES E APOIOS
DIVERSOS
SEMANAS DA ARMA
A ideia da realização anual da Semana da Arma surgiu em 1978. O estudo, organização e planeamento foram centralizados na Direcção da Arma e, no ano de
1980, concretizou-se o que se havia projectado.
Esta Semana constava, na sua generalidade, da realização de conferências e
apresentação de comunicações a que seguiam colóquios e debates; análise da
situação, dos problemas e das actividades da Arma; planeamento e fins a atingir; apresentação e entrega da Directiva do General Director da DAT às UEO de
Transmissões para o ano seguinte.
As conferências e comunicações eram feitas por Oficiais da Arma podendo, como
oradores convidados, participar também entidades civis ou militares externas às
Semana da Arma de Transmissões
Transmissões.
As Semanas da Arma de 1981, 1982, 1985, 1987 e 2001, realizaram-se no Regimento de Transmissões. Destas, destacamos a VIII Semana da Arma de Transmissões, realizada em 1987, em que foram apresentados os requisitos, o cenário
envolvente e as tecnologias do SITEP, tendo também sido inaugurado o PTAP.
COMISSÃO DA HISTÓRIA DAS TRANSMISSÕES
E GRUPO DE HISTÓRIA DAS TRANSMISSÕES
A Comissão da História das Transmissões (CHT) foi constituída em 2003, por
iniciativa do General Garcia dos Santos e integra diversos militares de Transmissões174 nas situações de Reserva e Reforma. Por inerência de funções, pertence
174 TGEN Pereira Pinto, MGEN Pedroso de Lima, MGEN
a esta Comissão o Comandante do RTm. O Tenente-Coronel Aniceto Afonso, na
Francisco Bastos Moreira, MGEN Pinto de Castro, COR
Carlos Falcão, COR Costa Dias, COR António Pena e TCOR
Jorge Golias. No passado, pertenceram ainda a esta Comissão, o MGEN Bento Soares e o COR Cruz Fernandes.
sua qualidade de historiador, é consultor da CHT.
A CHT já realizou a pesquisa e recolha de elementos históricos, elaborou e solicitou trabalhos que se constituíram em fontes de informação e, finalmente, identificou e classificou a documentação que recolheu. Constituiu o seu Arquivo de
SEMPRE MELHOR
30 ANOS DE ACTIVIDADE OPERACIONAL
Actividades e Apoios Diversos
acordo com as Normas do Arquivo Histórico Militar e, actualmente, está a promover o seu registo em base de dados.
Em 2006, constituiu-se um grupo para escrever a História das Transmissões do
Exército o qual se reúne periodicamente no RTm para discutir e coordenar os trabalhos em curso.
CIDADÃOS DOS PAÍSES AMIGOS DE LÍNGUA OFICIAL PORTUGUESA (PALOP)
O Regimento de Transmissões, em coordenação com o ex-Governo Militar de
Reunião do “Grupo de História das Transmissões”
Lisboa e actualmente a Direcção dos Serviços de Pessoal, em subordinação à Directiva n.º 14/CEME de 29JAN01, e respondendo às necessidades logísticas da
Associação de Deficientes das Forças Armadas (ADFA), vem prestando apoio logístico (alimentação, alojamento e assistência médica ou medicamentosa) desde
1999, até um máximo de 25 cidadãos dos PALOP, que por se intitularem antigos
combatentes do Exército Português no ex-Ultramar, estão a requerer e aguardar
a sua classificação como Deficientes das Forças Armadas Portuguesas (DFA),
estando à data nesta situação um total de vinte e quatro (24) elementos.
APOIOS EFECTUADOS A ENTIDADES CIVIS
De Agosto de 1998 a Agosto de 1999 o RTm forneceu alojamento a refugiados
da Guiné-Bissau e da República Democrática do Congo, num total de 10 guineenses e 14 portugueses.
O RTm mantêm uma capacidade de intervenção de apoio ao Serviço Nacional de
Protecção Civil, no âmbito dos Planos de Operações “Aluvião Centro”, “Lira Centro” e “Lis-Solidariedade”, para fazer face a situações de catástrofe ou de emergência, tais como cheias e incêndios.
178 > 179
SEMPRE MELHOR
04
TESTEMUNHOS
DE
EX-COMANDANTES
Major-General António Luís Pedroso de Lima (01FEV77 – 11ABR78)
COR Tm Eng.º Fernando Eduardo Tinoco Barradas (12ABR78 – 23SET79)
Tenente-General João Carlos de Azevedo de Araújo Geraldes (24SET79 – 28DEC80)
Coronel Tm Eng.º Manuel da Cruz Fernandes (15OUT84 – 13JUN89)
Major-General João Manuel Maia de Freitas (14JUN89 – 16JUL92)
Major-General Francisco José Ferreira Bastos Moreira (16JUL92 – 10JUL95)
Coronel Tm Eng.º António João Mousinho dos Santos (15JUN98 – 26JUN00)
Major-General José Ribeirinha Diniz da Costa (26JUN00 – 19AGO02)
Major-General Edorindo dos Santos Ferreira (21AGO02 – 17FEV04)
Coronel Tm Eng.º José António Henriques Dinis (30MAR04 – 15FEV06)
Tenente-Coronel Tm António José Caessa Alves do Sacramento (15FEV06–28AGO06)
180 > 181
Major-General
António Luís Pedroso de Lima
(01FEV77 – 11ABR78)
O MGEN Pedroso de Lima nasceu a 24 de Fevereiro de 1933 na freguesia de Sé Nova, em
Coimbra, onde frequentou, na Universidade de Coimbra os preparatórios de Engenharia
Militar.
Entrou para a Escola do Exército em 1953 para o Curso de Engenharia Militar que terminou em 1957.
Frequentou o Curso Complementar de Estado-Maior, o Curso de Defesa Nacional e o Curso Superior de Comando e Direcção.
Serviu em três Comissões: uma na Índia (1961/1962) e duas em Angola (1967/1969) e
(1974/1975).
Como subalterno prestou serviço no BTm/RE2 (Porto) e no BTm 3. Como Capitão, serviu
no BTm 3 e no DEI (Destacamento de Engenharia da Índia), tendo sido o último Chefe do
Serviço de Transmissões do Comando Territorial do Estado da Índia Portuguesa, à data da
invasão indiana.
Depois de ter sido Prisioneiro de Guerra em Goa, voltou a ser colocado no BTm 3, de onde
saiu para o Curso de Estado-Maior. Após este Curso, exerceu, funções de Estado-Maior
no EME [4ª e 5ª Repartições (Instrução)] e em Angola (3.ª Repartição e 5.ª Repartição/
CCFA).
Depois de cerca de 12 anos em funções de Estado-Maior, regressou em 1975 à Arma de
Transmissões, onde na DAT foi Chefe da Repartição de Instrução, da Repartição de Pessoal, Adjunto do Director, Inspector e finalmente Director Interino de Arma. Comandou a
EPT e foi, também, o primeiro Comandante do RTm.
Da sua folha de serviços constam várias condecorações, de que se destaca a Medalha de
Serviços Distintos (Prata), Medalha de Mérito Militar, a Medalha de Avis (Cavaleiro) e a
Medalha de Comportamento Exemplar (Ouro).
Passou à Reserva a seu pedido em 1989 e à Reforma em 1995.
Actualmente, pertence aos grupos de trabalho da História e dos Amigos do Museu das
Transmissões.
O convite do Coronel Macedo, actual Comandante do RTm, para escrever um breve texto sobre o meu Comando da Unidade - a integrar na publicação comemorativa dos 30 anos da Unidade - era, evidentemente, irrecusável.
Coube-me, com efeito, a honra de ter sido o primeiro Comandante desta prestigiada Unidade. Fulcro das Transmissões
Permanentes do Exército, que existem desde meados do Século XIX e no Século XX. As Transmissões Permanentes constituíram missão de Unidades importantes como o Batalhão de Telegrafistas, que a partir de 1970, com a criação de Arma,
passou a acumular as funções do STM com as de Escola Prática, passando a designar-se EPT. Esta Unidade teve um papel
de relevo no Golpe Militar do 25 de Abril.
Em resumo, o “Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos”, actualmente ocupado pelo RTm foi, até 1977, sede de uma Unidade
essencialmente votada às Transmissões Permanentes que, durante um período de sete anos (de 1970 a 1977), acumulou
com as funções de Escola Prática.
Em 1977, ano em que assumi o Comando, o RTm apenas fica com missão das Transmissões Permanentes, passando a Escola Prática para o Porto.
Esta mudança resulta da reorganização da Arma de 1976, levada a efeito pelo EME, por proposta da DAT e que consistia
numa nova separação de funções: Instrução (EPT), Tm Permanentes (RTm), Logística (DGMT), Transmissões de Campanha
(BTm a criar).
No caso do RTm acreditava-se que, ao ser-lhe atribuída apenas uma missão relativa às Transmissões Permanentes, isso
contribuiria para o seu desenvolvimento, como aliás viria a acontecer alguns anos depois.
SEMPRE MELHOR
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Major-General António Luís Pedroso de Lima
Em termos pessoais o Comando do RTm foi extremamente gratificante e,
apesar das dificuldades, muito mais fácil do que imaginava. Para isso contribuiu
decisivamente a excelente qualidade técnica e humana do pessoal de que
dispunha e que, para mim, foi surpreendente.
Em 1977, no meu Comando não se iniciou a renovação tecnológica do STM. As prioridades de investimento estavam, naturalmente, voltadas para as Transmissões de Campanha (BTm a criar), a EPT no Porto e valorização do DGMT. Deste modo, em relação ao STM, limitámo-nos a procurar manter o nível existente, com algumas medidas normativas, bem como a
adaptação aos novos QO e melhoria dos projectos para concurso.
O problema fulcral da Unidade resultava do facto de o PREC (Processo Revolucionário em Curso) e a descolonização terem deixado a Unidade num estado lamentável que os esforços dos anteriores Comandantes da EPT ainda estavam longe
de ter ultrapassado.
A minha grande preocupação foi de continuar a dar passos decisivos na consolidação das condições da Unidade. Assim,
foi completada a Sala do Soldado, projectaram-se e iniciaram-se as obras da Sala do Sargento e do Museu. No dia da Unidade, em 17 de Setembro conseguiu-se, com muito esforço, ter o Quartel apresentável.
Em termos pessoais o Comando do RTm foi extremamente gratificante e, apesar das dificuldades, muito mais fácil do que
imaginava. Para isso contribuiu decisivamente a excelente qualidade técnica e humana do pessoal de que dispunha e que,
para mim, foi surpreendente.
A partir de então muitas vezes afirmei que “o pessoal da Arma era a sua maior riqueza”. Daí resultou a ideia de que um
pessoal com este valor tem que ser gerido de forma extremamente cuidada e criteriosa no sentido de evitar que a Arma
deixe de ter possibilidades de fazer o que quer que seja pois “como o pessoal é bom, toda a gente o quer”.
Daí que a minha experiência no Comando do RTm, graças à impressionante qualidade do pessoal que aí encontrei, me tenha levado a oferecer-me para Chefe da Repartição de Pessoal da DAT, o que julgo ser inédito na Arma.
182 > 183
Coronel Tm Eng.º
Fernando Eduardo Tinoco Barradas
(12ABR78 – 23SET79)
O COR Tm Eng.º Tinoco Barradas é natural de Nova-Goa, Índia Portuguesa, e
nasceu em 15 de Junho de 1939.
Frequentou o Colégio Militar (1949 -1956).
Ingressou na Escola do Exército em 1956, onde fez o Curso Geral Preparatório,
transitando para o Curso de Engenharia, que frequentou no Instituto Superior
Técnico (1957-1961) e na Academia Militar (1961-1963). Terminado o Tirocínio
na Escola Prática de Engenharia, ingressou na Arma de Engenharia com o posto
de Alferes com a especialidade de Transmissões.
Promovido a Tenente em 1964, foi colocado no Batalhão de Telegrafistas.
Foi promovido a Capitão em Dezembro de 1964 e prestou serviço no Batalhão
de Transmissões 3, em Tancos, em Moçambique, na Delegação do Serviço de
Telecomunicações Militares (1966-1968), no Regimento de Transmissões, no
Porto (1968-1969) e professor adjunto na Academia Militar (1969 -1970).
Frequentou o Curso de Promoção a Oficial Superior no Instituto de Altos Estudos Militares em 1970.
Promovido a Major em 1971, ingressou na recém criada Arma de Transmissões
e terminou a Comissão em Angola (1971-1973) como 2.º Comandante do Agrupamento de Transmissões de Angola.
Colocado no Regimento de Transmissões, no Porto, foi promovido a Tenente-Coronel e nomeado professor da Academia Militar em 1973, onde permaneceu até
1977, desempenhando também as funções de Director do Curso de Engenharia
Electrotécnica para o Exército.
Entretanto promovido a Coronel (1975), foi colocado na Direcção da Arma de
Transmissões, como Chefe da Repartição de Instrução (1977 -1978).
Nomeado Comandante do Regimento de Transmissões em 1978, desempenhou
esta função até 1979.
Novamente colocado na DAT como Chefe da Repartição de Pessoal (19791981).
Passou a Reserva, a seu pedido, em 1981 e à situação de Reforma, obrigatoriamente, em 1990.
Como antigo Comandante e, para mais um dos primeiros a desempenhar essa honrosa função, seria impossível recusar
o amável convite para colaborar nas celebrações do trigésimo aniversário do nosso Regimento com este pequeno texto,
onde procurarei resumir o que a memória registou.
Parece que foi ontem, já lá vão perto de trinta anos, que assumi, com alguma preocupação, o Comando de uma Unidade
que praticamente não conhecia e no período ainda conturbado que atravessou a nossa sociedade na segunda metade da
década de 70.
A missão fundamental do Regimento continuava a ser de suporte do Serviço de Telecomunicações Militares e havia que
continuar e melhorar, se possível, a sua operacionalidade. Apesar das indefinições existentes à época, foram sendo desenvolvidos melhoramentos de carácter técnico, cuja realização cabe inteiramente ao excelente grupo de colaboradores com
quem tive a honra de trabalhar.
SEMPRE MELHOR
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Coronel Tm Eng.º Fernando Eduardo Tinoco Barradas
Foi uma experiência inesquecível, e só me resta agradecer mais uma vez
aos que prestaram serviço comigo e pedir aos actuais e futuros militares
do “Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos” que não esmoreçam nos seus esforços
para levantarem bem alto o nome do seu Regimento.
Outra tarefa, para a qual estava melhor preparado, foi a de continuar o esforço dos meus antecessores em melhorar as
condições de vida dos militares que prestavam serviço no Regimento, lançando um programa de obras de recuperação
das instalações. Lentamente, de acordo com as disponibilidades, quer de pessoal, quer financeiras, algo se conseguiu na
recuperação de algumas das instalações em pior estado de conservação.
Durante cerca de ano e meio tive o privilégio de comandar um punhado de homens que, com maior ou menor capacidade, espírito de sacrifício e dedicação provaram que as minhas preocupações iniciais eram completamente infundadas, tornando
a minha missão muito mais fácil do que esperava.
Foi uma experiência inesquecível, e só me resta agradecer mais uma vez aos que prestaram serviço comigo e pedir aos actuais e futuros militares do “Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos” que não esmoreçam nos seus esforços para levantarem
bem alto o nome do seu Regimento.
184 > 185
Tenente-General
João Carlos de Azevedo de Araújo Geraldes
(24SET79 – 28DEC80)
SEMPRE MELHOR
O TGEN Araújo Geraldes nasceu em 1940,
frequentou o Colégio Militar, a Academia Militar e o Instituto Superior Técnico.
Tendo estagiado no Departamento de
Auto-Estradas e Pontes da Baviera (RFA),
completou a Licenciatura em Ciências Militares, na especialidade de Engenharia, em
1965.
Em 1970 ingressou na Arma de Transmissões, após ter servido na Arma de Engenharia.
Especializou-se em Guerra de Minas na
Escola do Exército dos EUA na Europa em
Murnau (RFA) e em Guerra Electrónica na
Escola de Anzio (Itália) e, posteriormente,
no RAF College (Reino Unido).
Frequentou os Cursos Geral e Complementar de Estado-Maior no Instituto de Altos
Estudos Militares (IAEM), o Curso da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército
do Brasil, onde obteve o grau de Doutor em
Planeamento Estratégico, e, o Curso Superior de Comando e Direcção no IAEM.
Cumpriu duas Comissões de Serviço no exUltramar, Angola, em Zona de Operações,
como Comandante de Companhia e como
Comandante do Agrupamento de Transmissões da Região Militar e Comandante
das Transmissões de Angola.
Foi 2.º Comandante da EPT, Comandante
do RTm e Chefe do Serviço de Telecomunicações Militares.
Desempenhou funções de Estado-Maior
como Chefe da Repartição de Informações
da Região Militar de Lisboa, Chefe da Repartição de Operações do COFT e Chefe da
Divisão de Pessoal do EME.
Leccionou Táctica, Geografia, Geopolítica
e Estratégia no IAEM, onde também chefiou a Secção de Ensino de Estratégia.
Ingressou no Corpo de Oficiais Generais
em 21 de Agosto de 1991.
No posto de Major-General, foi Director
do Gabinete de Estudos e Planeamento
do Exército, Director do Curso Superior de
Comando e Direcção no Instituto de Altos
Estudos Militares, Director da Arma e dos
Serviços de Transmissões e Membro do
Conselho de Ciência e Tecnologia de Defesa do Ministério da Defesa Nacional; foi,
também, Subchefe do Estado-Maior do
Exército e Perito Militar Principal na Organização dos Exércitos dos Países da UEO
– FINABEL.
Em acumulação de funções, foi, de 1981 a
1997, Assessor-Conferencista do Instituto de Defesa Nacional para a área de Relações Internacionais, Política e Estratégia.
Tendo sido promovido a Tenente-General
em 20 de Novembro de 1997, desempenhou, de 1997 a 2002, na dependência do
Primeiro Ministro, o cargo de Director-Geral do Gabinete Nacional de Segurança e,
por inerência de funções, o de Autoridade
Nacional de Segurança.
De 2000 a 2002 foi Director Honorário da
Arma Transmissões.
Foi admitido como Sócio Efectivo da Revista Militar em 1992, sendo Vogal Efectivo da sua Direcção desde 2003. É, desde
2006, Membro Efectivo da Sociedade de
Geografia de Lisboa, onde é Presidente da
Secção de Ciências Militares.
É autor de diversos Manuais de Estudo
do Instituto de Altos Estudos Militares
e de algumas dezenas de artigos sobre
Segurança e Defesa, Estratégia, Geopolítica, Organização Militar, Comunicações,
Guerra Electrónica e Administração de
Recursos Humanos, publicados em jornais,
boletins e revistas, civis e militares.
Da sua folha de serviços constam 16 louvores, concedidos, 1 pelo Primeiro Ministro,
4 pelo General Chefe do Estado-Maior do
Exército, 8 por Oficiais Generais e 3 por
outras Entidades Militares.
Foi ainda agraciado com várias condecorações, onde se destacam, o grau de Comendador da Ordem Militar de Avis, duas
medalhas de Ouro e quatro de Prata de
Serviços Distintos, a Medalha de Mérito
Militar de 1ª classe, as Medalhas de Ouro
e de Prata de Comportamento Exemplar e
a Medalha do Pacificador do Brasil.
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Tenente-General João Carlos de Azevedo de Araújo Geraldes
Servi no antigo “Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos” como Subalterno e Capitão, em 1966 e 1967, no então Batalhão de Telegrafistas, como Tenente-Coronel
2.º Comandante da Escola Prática de Transmissões, em 1975 e 1976. De 1979
a 1980, como Coronel Comandante do Regimento de Transmissões e, enquanto
tal, Chefe do Serviço de Telecomunicações Permanentes.
Independentemente da designação atribuída à Unidade que aquartela, no interior daquela vasta área murada reside, porque ali se alicerçou e entranhou, desde
os tempos da Arma de Engenharia, o espírito das Transmissões. Os valores que o
(...) todo um sentido de humilde
grandeza que, sem alarde,
mas com garbo, reconhecemos
implícita no elevado sentido
de responsabilidade que o
competente exercício da
excelência no saber exige.
enformam cimentam a atitude, muito própria, que tipifica a diversificada acção
de apoio de combate que a nossa Arma garante em proveito do Exército e das
Forças Armadas. Em duas palavras, todo um sentido de humilde grandeza que,
sem alarde, mas com garbo, reconhecemos implícita no elevado sentido de responsabilidade que o competente exercício da excelência no saber exige.
Assumi o Comando em 24 de Setembro de 1979. Vivia-se um período de relativa
pressão, pois urgia sermos capazes de, findo o ambiente perturbado de mudanças intensivas que Abril impusera, fazer face às exigências próprias do Exército
que renascia. Uma indispensável reestruturação que o Exército por iniciativa
própria conduzia, à luz das diferentes exigências que a progressiva evolução da
situação aconselhava. Impunha-se pôr cobro a indefinições e alguma desregulação, particularmente de âmbitos genético e estrutural, sem contar com o indispensável financiamento, atempadamente previsto.
O Serviço de Telecomunicações Militares (STM) dava resposta, na dependência
do Director da Arma, às tarefas que lhe competiam na decorrência da Missão que
lhe fora fixada em 1976, em estrutura promíscua com um Regimento, o Regimento de Transmissões (RTm), sem missão explícita atribuída, integrado na estrutura
territorial, sob o Comando da Região Militar de Lisboa.
A situação fazia emergir a necessidade de medidas que exigiam decisões rápidas
e que, no essencial, se deveriam objectivar em:
- Alcançar eficiência na aplicação dos recursos colocados à disposição do STM;
- Criar condições para o reforço da motivação profissional dos Quadros e
melhorar a produtividade, em geral, do pessoal em serviço no Regimento;
- Optimizar a funcionalidade do desempenho das estruturas das Transmissões,
reforçando, inequivocamente, o seu carácter de Arma de Apoio de Combate do
Exército.
Naquela conjuntura, estes objectivos só poderiam ser alcançados, com a necessária rapidez, através de iniciativas que, envolvendo algum risco, só teriam sucesso
se convenientemente formuladas, atempada e fundamentadamente propostas
aos competentes decisores, certos de que o apoio superior só dependeria da capacidade da Unidade para sustentar a sua justeza, oportunidade e viabilidade.
Aqui é da mais elementar justiça sublinhar que tudo se tornava exequível quando
à vontade acrescia a qualidade dos militares que serviam no Regimento. Formavam equipa comigo um conjunto de camaradas de armas, cujos nomes não quero
186 > 187
relembrar hoje, porque poderia, inadvertidamente, faltar-me alguém, dentre os
que muito prezo. Sublinharei apenas um, não só pelas suas excepcionais qualidades, por todos nós sobejamente reconhecidas, mas, também porque, infelizmente, deixou, já, um vazio entre nós: o saudoso Coronel Figueira que, ao tempo, foi
o Tenente-Coronel 2.º Comandante do Regimento e consultor para as Transmissões Permanentes.
Do Estudo de Situação, datado de 29 de Fevereiro de 1980, que submeti aos
escalões superiores e da proposta, apresentada ao Director da Arma, para reformulação da Directiva Técnica de 1977 muito desactualizada, já, em relação à real
execução até aí concretizada, foi conseguida, em curto espaço de tempo, através
de autorizações verbais e formais, liberdade de acção suficiente para aplicar na
prática o racional das propostas, com ênfase para:
- A adopção de uma estrutura para o Regimento que ao dar resposta à Missão
deduzida que propusera, materializava o conceito de uma Unidade da Arma que,
a nível Nacional, constituía o único instrumento do funcionamento (desenvolvimento, instalação, exploração e manutenção) do STM. Nesta estrutura ficaram
bem expressas: a sobreposição do canal de comando com o canal de chefia técnica; a separação entre o planeamento (o Estado Maior Técnico da Unidade, com
uma Divisão de Exploração e outra de Instalação, Reabastecimento e Manutenção, conjunto que, com o tempo, iria evoluir, progressivamente, para a Chefia
das Telecomunicações Permanentes do Exército) e a execução, esta atribuída a
um Batalhão de Transmissões Permanentes, orgânico do Regimento;
- A transferência para a EPT, então já no Porto, de algumas responsabilidades
de Transmissões de Campanha que ainda permaneciam no Regimento, com relevo para as missões de Guerra Electrónica, cujos equipamentos e Centro de Instrução foram entregues à Escola;
- A introdução do conhecimento e do método científicos na exploração do
sistema, tendo em vista o seu redimensionamento em tempo útil e a motivação
dos quadros do ramo Exploração até aí menos aproveitados como técnicos;
- O redimensionamento do Centro de Transmissões instalado no Regimento, de
modo a constituir o Centro de Transmissões do Exército, integrando, designadamente, o, então existente Centro de Transmissões do EME;
- A afirmação consistente do conceito de um apoio de área assente numa rede
de Secções (Destacamentos) Regionais, orgânicas do Regimento, e, de Centros
e Estações de Transmissões, naquelas integradas, e, como tal, guarnecidos pelo
Regimento;
- A definição de uma política flexível e segura de exploração dos Centros e
Estações de Transmissões em todo o País, dirigida pela Divisão de Exploração
do EM Técnico do Regimento, cujos critérios de gestão se regiam pelas prioridades estabelecidas pelo EME, função das necessidades de Serviço e das situações de segurança;
SEMPRE MELHOR
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Tenente-General João Carlos de Azevedo Araújo Geraldes
- Uma Directiva Técnica reajustada, que, cobrindo o período de 1981 a 1985,
teve em conta os atrasos, adequando-se aos meios financeiros previsivelmente
disponibilizáveis e à capacidade de planeamento e execução existente;
- O desenvolvimento de um Serviço de Som, orgânico do Batalhão de Serviços,
capaz de apoiar cerimónias do Exército e das Forças Armadas, bem como outras
actividades autorizadas, cuja capacidade constituísse um reforço da visibilidade da Unidade;
- O reforço da especificidade única do Regimento, cuja Missão, em compatibilidade
com o conceito de Sistema Integrado de Telecomunicações, veio reconfirmar as
suas competências de comando e/ou direcção técnica sobre todo o Território
Nacional.
Estes desafios que então soubemos ultrapassar com a compreensão e apoio dos
Órgãos de Comando do Exército, mais não foram do que um momento breve na
Estes desafios que então
soubemos ultrapassar com
a compreensão e apoio dos
Órgãos de Comando do
Exército, mais não foram
do que um momento breve
na história da Arma que o
quotidiano se encarregará
de prolongar, enquanto
vos animar a vontade e o
engenho de fazer
“SEMPRE MELHOR”.
história da Arma que o quotidiano se encarregará de prolongar, enquanto vos
animar a vontade e o engenho de fazer “SEMPRE MELHOR”.
188 > 189
Coronel Tm Eng.º
Manuel da Cruz Fernandes
(15OUT84 – 13JUN89)
O COR Tm Eng.º Manuel da Cruz Fernandes
nasceu a 2 de Fevereiro de 1935, estando
actualmente na situação de Reforma.
Academia Militar – 1960/1964: Licenciatura em Ciências Militares.
IST – 1964/1967: Licenciatura em Engenharia Electrotécnica.
Actualmente desempenha funções de:
Jornalista, Director Adjunto de “O Povo da
Barca” e Presidente da Adapenha, ONGA
da área do Ambiente.
Ao longo do seu percurso militar esteve
colocado em diversas UEO e desempenhou
várias funções, nomeadamente:
> BT – 1968/1970 - Cmdt CRE, Chefe do
Serviço de TPF e Instrutor de GE;
> RMM – 1970/1974 - Cmdt CTm do CMD
CHEFE, Cmdt CI, Chefe Gab. Estudos e Projectos, Of Tm do CMD CHEFE e Of Tm COFI;
> RMC – 1975/1976 - Chefe do Destacamento Especialistas Politécnicos e Co-autor do Estudo: Quadro Humano da RMC;
> RTm – 1976 - Projectista de Redes de Telecomunicações e Som de PU;
> EMGFA/DICE – 1977/1980 - Chefe da
Secção Feixes e Linhas, Representante Nacional na ALLA (ALLA Member) e Delegado
aos ALLA Working Groups;
> EMGFA/CEIOTAN 1978/1980 - Vogal Técnico e Fiscal de Telecomunicações;
> DAT – 1980/1982 - Chefe Rep Estudos Gerais e Coordenador do Exército das Agências ATCA, ALLA, ADSI e ARFSA, Membro e
Representante Nacional na ATCA;
> RTm – 1982/1989 - 2.º Comandante
(1982/1984), Comandante (1984/1989),
Chefe do STM (1984/1989) e Director do
Programa ED – 01.1 da LPM (SITEP);
> DAT -1989/1993 – Adjunto do Director
(1989/90), Inspector Tm (1991/1993),
Membro Nacional e Conselheiro Sénior de
GE do NAAG, Director do Programa 46.1GE e Representante da DAT na Reestruturação do Exército.
SEMPRE MELHOR
Desempenhou também vários cargos de
âmbito civil e Governamental, a saber:
> Direcção dos Serviços radioeléctricos
– CTT (1968/1970) - Investigação de Propagação em HF e Instrutor de Aperfeiçoamento de Técnicas HF;
> Escola Comercial Neutel Abreu
(1970/1974) - Professor: Electricidade e
Projecto.
> Câmara Municipal de António Enes
(1971/1974) - Consultor: Electricidade e
Fiscal: Remodelação Rede Eléctrica de AT
e Central Geradora;
> Direcção Distrital de Obras de Moçambique (1972/1974) - Fiscal: Obras de Electricidade;
> Governo de Macau (1982/1989) - Consultor de Telecomunicações, Projecto, Responsabilidade Técnica e Fiscalização: Sistema
de Comunicações Integrado do Governo e
das Forças de Segurança de Macau;
> Gabinete da Área de Sines (1988/1989)
- Consultor de Telecomunicações e Projectista: Redes Radiotelefónicas;
> Governo – Despacho Conjunto do 1.º Ministro e do Ministro da Defesa Nacional
25/5/90 - Estudo, configuração e segurança das comunicações contra radiações
indesejáveis e fuga de informação electrónica: 1- Na construção do Centro Cultural
de Belém (Consultor). 2- Nas 15 reuniões
de alto nível da Presidência Portuguesa da
CEE: Definição das áreas de alta segurança
e procedimentos de limpeza electrónica;
> NAIPTEL – (1991) - Delegado do Exército.
Realizou diversos cursos e estágios, militares e civis, destacando os seguintes:
> Militares - GE – Anzio (1968), Material e
Segurança, Cripto e Aperfeiçoamento de
Comando e Direcção (IAEM).
> Civis - Companhia Nacional de Electricidade (CNE), em 1965 e Sociedade Anónima
de Transmissão (RARET), em 1966.
Na sua folha de serviço constam 11 Louvores e 5 condecorações.
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Coronel Tm Eng.º Manuel da Cruz Fernandes
PRIMÓRDIOS
Mesmo destinando-se este documento a dar testemunho, para memória futura,
do que retenho como comandante do RTm, não posso, devido às particulares condições do meu percurso militar, deixar de recuar no tempo para situar esse começo. Assentei praça como Soldado no então BT, nos finais dos anos 50, apenas
com a instrução primária. No BT fui Cabo Miliciano e Sargento do Quadro. Daqui
concorri e ingressei na Academia Militar para regressar, sete anos depois, como
Oficial do Quadro e Licenciado em Engenharia Electrotécnica.
PERÍODO CONTURBADO
No período a seguir ao 25 de Abril de 1974, perdido o objectivo de África e quebrada a organização administrativa do Estado, a Instituição Militar foi objecto
das mais diversas solicitações externas para suprir as lacunas de autoridade do
Estado, com evidente perda de qualidade interna da própria instituição. O RTm
espelhava, anos depois, essa situação.
PREPARAÇÃO E COMANDO
Cheguei à Unidade em 1982 como 2.º Comandante. Durante este período, as minhas obrigações limitavam-se ao Quartel, mas as preocupações estendiam-se a
toda a organização e estrutura das Transmissões Permanentes. Reportando-me
apenas à Unidade, recordo que:
> As cozinhas não funcionavam, os Refeitórios eram de paredes nuas e as refeições à mistura, a baixela de aço inoxidável e o mobiliário constituído por mesas
quadradas e cadeiras metálicas. Na Unidade havia uma cantina que vendia géneros da Manutenção Militar, ditas “sobras do rancho”;
> Os depósitos da Unidade estavam transformados em arrecadações de sucata e
materiais obsoletos, estado a que nem o Edifício das Transmissões escapava;
> As instalações do pessoal, algum do qual vivia na Unidade, estavam em muito
mau estado. A cobertura das casernas das praças a ameaçar ruína. A água que se
infiltrava nos torreões ameaçava danificar o tecto de estuque trabalhado dos
gabinetes do Comando;
> Os terrenos militares, fora dos muros do Quartel, estavam ocupados com barracas e quintais;
> A frota de viaturas da Unidade, constituída por grandes viaturas de campanha,
era insuficiente e completamente desadequada para o serviço do STM;
> A Unidade não dispunha de um estudo que abordasse as origens do Quartel, a
sua Evolução e Herança Histórica.
O MEU COMANDO
No acto de posse do comando, nos finais de 1984, anunciei um Plano Director de
Obras (um ano depois transcrito a páginas 48 e seguintes do Anuário da Unidade), que resumidamente tinha em vista os seguintes objectivos:
> Garantir funcionalidade e eficiência das instalações para o cumprimento da
Missão;
190 > 191
> Contribuir para o bem-estar e formação do espírito de corpo do pessoal da Unidade;
> Obstar a que o património se degradasse.
A transformação do que era a Unidade naquilo que hoje é deu-se durante os anos
que se seguiram. Refiro apenas alguns trabalhos.
Cozinhas
Puseram-se em funcionamento as cozinhas e preparam-se os Refeitórios de Oficiais, de Sargentos e das Praças, com destaque para o azulejamento das paredes175, a divisória amovível, mobiliário e baixela. Cinco das cadeiras recuperadas
175 Revestido de enorme simbolismo e com o seguinte
pertenceram ao Tribunal da Unidade desde a sua fundação (1907), revestindo-se
significado:
- Na Messe de Oficiais o Brasão simboliza “Hierarquia”, o
mural que divide a Copa da Messe propriamente dita, contém os Brasões das Unidades e Órgãos de Transmissões,
simboliza o “Espírito de Corpo”, o Quartel da Cruz dos
Quatro Caminhos, que está na origem do RTm, representa a “Herança Histórica”, a figuração do actual Edifício do
Comando, representa o “Testemunho” e os diversos Equipamentos de Transmissões espalhados pelas paredes representam a “Missão”.
- Na Messe de Sargentos e no Refeitório de Sala das Praças há apenas Hierarquia e Missão.
portanto de um simbolismo especial.
Sala de Oficiais
A sala de Oficiais do Edifício do Comando era exígua e sem dignidade, ocupava
apenas o que é hoje a sala de jogos e a sala do café, com o bar lá dentro. A sua
entrada era pela porta lateral, a partir do corredor que abria directamente para
os quartos. Exigia-se coisa de maior dignidade. O orgulho de a Engenharia provir
do Real Corpo de Engenheiros serviu de pretexto para, aproveitando esta obra,
deixar nela uma marca que lembrasse essa herança histórica, representando os
seus Oficiais fardados com os uniformes que estiveram em uso ao longo dos tempos, começando na porta de entrada e terminando no Salão Nobre. A “figura de
convite”, que se encontra ao lado da porta de entrada para o Bar, é uma evocação
dos mordomos que, nos palácios dos grandes senhores, davam as boas-vindas e
encaminhavam os convivas para os salões. No passo seguinte foi azulejada a entrada da Sala e dos aposentos dos Sargentos com idêntica figuração e padrões
de base aos que tinham sido utilizados para os Refeitórios.
Casernas de Praças
A primeira pedra do Edifico do Comando foi lançada pelo Rei D. Luís, em 1907.
Nessa altura trabalhava-se com madeira de uma maneira primorosa. É esse primor que se observa nas asnas de sustentação das coberturas dos Edifícios das
Casernas. A humidade tinha corroído as cabeças das asnas, algumas das quais
tinham descaído tanto que a cobertura ameaçava desabar. Concebeu-se e executou-se um cachorro de perfil em U, saliente o bastante para receber a carga
da asna na parte sã. Para executar a obra foi preciso elevar e nivelar as asnas e
as estruturas e mantê-las nessa posição até à consolidação dos cachorros. Com
a concepção e execução no RTm, diminuiu-se para um décimo o custo da obra e
preservou-se um património muito raro.
RESENHA HISTÓRICA DA UNIDADE
Este estudo, publicado em parte no Anuário da 1987, faz uma resenha histórica
das vicissitudes porque passou a Unidade e do local em que hoje ela se encontra.
Existe ainda outro não publicado, que se destinou à defesa da herança com a Engenharia, que pus à disposição do Comando.
SEMPRE MELHOR
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Coronel Tm Eng.º Manuel da Cruz Fernandes
O STM – Início dos anos 80
Fui o primeiro comandante do RTm, com formação em Engenharia Electrotécnica. Os Comandantes antes de mim, tinham formação de base e prática na área de
Engenharia Civil. Os Oficiais com formação em Engenharia Electrotécnica eram
de escalões baixos para influenciar a linha de comando. Entretanto, as tecnologias estavam num ritmo acelerado de mudança e as exigências de comunicações
dos vários comandos e órgãos em ritmo crescente. As velhas tecnologias da rede
aérea e da Central Manual estavam no fim. O STM mantinha tudo isso sem saber
evoluir. Quando, em 1976, foi preciso projectar de raiz uma Rede Telefónica Interna de PU, fui colocado no STM para elaborar os primeiros projectos e passar
o “know-how” ao Capitão Ferreira da Silva. As primeiras PU a beneficiar foram o
RC, o RAAQ, a EPAM, a EPC, o RIV, etc.
Quando assumi o comando, havia uma Directiva de alguns anos atrás, que apontava para basear as ligações entre o EME e as RM em circuitos alugados aos CTT/
TLP, forma implícita de reconhecer a incapacidade de a Instituição o fazer por si
mesma. Em alguns órgãos, EME incluído, havia duas ou mais Redes Internas independentes, uma dos CTT e outra Militar, com fiarada pendurada pelas paredes, a
entrar pelas janelas e a cruzar por todos os lados. No EME havia a Rede do STM,
a Rede dos CTT/TLP e a Rede de Estado. Havia um imbróglio de posse e propriedade entre os CTT e o STM, que só foi resolvido mercê do Protocolo estabelecido
entre ambos.
A um deus desconhecido
Foi como 2.º Comandante, ao arrepio da orientação e da prática então seguidas,
que apresentei numa reunião do RTm, a minha primeira visão idealizada do SITEP,
potenciado pelo emprego das tecnologias emergentes. Dei-lhe o nome de “A um
Deus desconhecido”, porque falava de conceitos totalmente desconhecidos para
muitos dos presentes e porque nunca acreditei que o Director da Arma, então
presente, fosse converter-se a um deus digital que substituía as tecnologias
analógicas pelas temporais. Defendia aí a entrada directa nas tecnologias digitais (Comutação, Transporte e Terminais), na integração de voz e dados, entrava
pelos mecanismos burocráticos e técnicos de execução e gestão de projecto (de
que trazia uma larga experiência pessoal), defendia a necessidade de incorporar
o existente no que de novo fosse feito (a que chamava aceitar o cenário envolvente), defendia uma estrutura e um serviço de cobertura do Território Nacional,
introduzia a noção de hierarquias no Sistema e tratava o conjunto por SITEP. No
seu todo os requisitos do SITEP eram 18, descritos noutra área deste Livro. No
final o General Pinto Correia convocou-me para, detalhadamente, lhe ir expor na
DAT o meu Plano (Março de 1984).
O SITEP no EME – uma sessão especial
Assumido o comando do RTm, submeti de novo à apreciação do General Pinto
Correia o estudo completo e amadurecido do SITEP, que ao ser do seu agrado, de
imediato promoveu que eu o fosse apresentar ao EME. Na apresentação, além
192 > 193
da caracterização geral do SITEP, destaquei já o Projecto Tipo de Área Piloto
(PTAP), de que avancei a estimativa de custos. O trabalho granjeou o apoio do
General Firmino Miguel, então Vice-CEME, apesar da oposição dos demais Generais presentes no briefing. Aprovado o SITEP e o PTAP, solicitei que o Caderno
de Encargos (administrativo e técnico) fosse elaborado pelo STM e que, uma vez
aprovado, passasse a Caderno de Encargos-Tipo, cuja parte administrativa vigoraria para todo o SITEP, sem posterior intervenção dos Serviços Financeiros. O
General Firmino Miguel concordou e instruiu o Chefe das Finanças para a necessidade de aprovar com celeridade o Caderno de Encargos-Tipo e disponibilizar
os fundos necessários.
O SITEP e as RM/ZM
Durante o meu comando foram visitadas com este propósito todas as RM e ZM,
algumas delas mais do que uma vez. As primeiras visitas foram para avaliação,
estudo e projecto, as outras para as diferentes fases de execução. Os trabalhos
de Redes de PU, de Guarnição e Regionais que se realizaram em simultâneo com
os grandes projectos da Hierarquia Primária do SITEP, permitiram preparar por
antecipação diversas obras, sem as quais o SITEP teria sofrido bloqueios na sua
implementação. Tratava-se de praticar no terreno o requisito de ir preparando os
subsistemas (cenário envolvente) para a integração.
O PTAP e as Empresas
Nos primeiros tempos só eu tinha uma visão precisa do SITEP. Por isso, foi preciso divulgá-lo e explicá-lo. Mas era preciso saber fazê-lo e não apenas entendê-lo.
Assim, foram convocadas as firmas mais credenciadas para, no RTm, lhes expor
os requisitos operacionais e técnicos do SITEP e do PTAP e desafiá-las a apresentar, por si ou pelas suas representadas, no RTm, o melhor que eram capazes
de fazer. Os trabalhos de apresentação decorreram nos últimos meses de 1984.
O Financiamento do SITEP
Com o PTAP encaminhado, mediante financiamento com fundos privativos do
General CEME, tornava-se necessário prever uma fonte de financiamento que
alimentasse a capacidade de execução do STM/RTm. Impunha-se mudar o paradigma, fazendo que o SITEP tivesse elegibilidade na Lei de Programação Militar (LPM). O STM, com o apoio da DAT, apresentou a sua proposta de realização
acompanhada da estimativa de custos, ficando o programa ED-01.1 consignado
ao SITEP.
A Longa Caminhada
A partir desta altura, estavam reunidas todas as condições indispensáveis ao sucesso da implementação de um Sistema de Comunicações Privativo do Exército
com a envergadura do SITEP, contemplando a Digitalização com Integração de
Serviços de toda a Rede. Os projectos mais relevantes que foram realizados na
vigência do meu Comando (PTAP, ARTEL, ARNOL, NOSUL, LINK SUL, LINK NOR-
SEMPRE MELHOR
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Coronel Tm Eng.º Manuel da Cruz Fernandes
TE, CROSSROADS e HF em Tempo Real), bem como outras acções e actividades
concorrentes para a sua concretização com sucesso, encontram-se na sua maioria descritos neste Livro.
Comandar é a arte
de fazer do sonho pessoal,
o ideal dos outros.
O Reconhecimento
Toda esta obra grandiosa só foi no entanto possível de realizar em virtude da
visão estratégica do General CEME, da confiança dos Generais DAT e da grande
capacidade técnica, sentido de missão e ambição do pessoal da Unidade que perante a revolução tecnológica a que se assistiu, fazendo jus à divisa do RTm de
SEMPRE MELHOR, souberam responder, com saber e determinação, aos desafios que lhes foram colocados.
Quase cinco anos de Comando, inscritos num percurso de mudanças tão acentuadas, não podem caber, por mais que se faça, em quatro páginas de texto.
Conciliando o modelo que me foi proposto com a verdade histórica e com aquilo
a que os vindouros têm direito de saber, escreverei para História das Transmissões um texto mais abrangente.
Comandar é a arte de fazer do sonho pessoal, o ideal dos outros.
194 > 195
Major-General
João Manuel Maia de Freitas
(14JUN89 – 16JUL92)
O MGEN Maia de Freitas nasceu em 22 de Fevereiro de 1943, no Porto, onde fez os estudos
primários e liceais, no Colégio Almeida Garrett e no Liceu D. Manuel II, respectivamente.
Ingressou na Academia Militar em 8 de Outubro de 1960, tendo concluído a licenciatura
em Engenharia Electrotécnica, no Instituto Superior Técnico, em 1967, e o Tirocínio para
Oficial da Arma de Transmissões, em 1968.
Foi promovido, sucessivamente, a Tenente (Dezembro de 1966), Capitão (Setembro de
1968), Major (Novembro de 1974), Tenente-Coronel (Maio de 1977) e Coronel (Agosto de
1987) do Quadro da Arma de Transmissões. Foi promovido a Brigadeiro (Major-General)
em Outubro de 1996.
Frequentou o “Maintenance and Repair Officers Course” e o “Radio Systems Officers
Course” nos Estados Unidos da América (1968/1969), Curso Geral de Comando e EstadoMaior (1977/1978) e Curso Superior de Comando e Direcção (1992/1993) no Instituto
de Altos Estudos Militares e o Curso de Defesa Nacional no Instituto de Defesa Nacional
(1997/1998).
Prestou serviço em Unidades da Arma de Transmissões, designadamente no Agrupamento de Transmissões de Angola, onde comandou o Destacamento do Serviço de Telecomunicações Militares, no Regimento de Transmissões (Porto) e na Escola Prática de Transmissões (Lisboa), tendo sido 2.º Comandante (OUT84 a FEV86) e Comandante (JUN89 a
JUL92) do actual Regimento de Transmissões. Prestou ainda serviço na 2.ª Repartição
do Estado-Maior do Exército (1975/1977), na Divisão de Comunicações e Electrónica do
Estado-Maior-General das Forças Armadas (1977/1981), na Comissão Executiva de Infra-Estruturas OTAN (1981/1984 e 1986/1989) e, já como Coronel Tirocinado, no EstadoMaior do Exército onde foi Director do Gabinete de Estudos e Planeamento (1993/1994),
Chefe da 7.ª Repartição (1994), Adjunto do Chefe do Gabinete de Reequipamento do
Exército (1993/1994) e Chefe da Divisão de Planeamento e Programação (1994/1996).
Como Oficial-General desempenhou as funções de Subdirector-Geral na Direcção-Geral
de Infra-Estruturas do Ministério da Defesa Nacional (1996/2005).
Foi agraciado com várias Condecorações nacionais (Medalhas de Ouro e de Prata de Serviços Distintos, Mérito Militar de 1ª e 2ª Classe, Ordem Militar de Avis –Grau Cavaleiro, D.
Afonso Henriques –2ª Classe, Comportamento Exemplar de Ouro e de Prata e Comemorativa das Campanhas de África (1969/1971) e estrangeiras (Medalhas de Mérito Militar
- 1ª Classe e de Mérito Naval - 1ª Classe, ambas de Espanha).
O Regimento de Transmissões, com a actual designação e correspondente missão, foi criado pelo Decreto-Lei n.º 181/77,
de 4 de Maio, pelo que, no corrente ano, completa trinta anos de existência.
Tive a felicidade e o privilégio de exercer as funções de seu Comandante e, por essa razão, a propósito da comemoração
daquela efeméride, foi-me solicitado que elaborasse um breve apontamento escrito sobre a minha passagem pela Unidade.
É com muito gosto que respondo positivamente àquela solicitação e, ao concretizá-lo, estou a realizar uma viagem de
regresso e de grande saudade ao meu passado militar que, nalguns momentos e de um modo infimamente modesto, concorreu para aquilo que o Regimento de Transmissões é hoje em dia. E aquilo que é não aconteceu apenas nestes trinta anos
que agora se completam. A sua história começou muito antes, quer no que se refere à sua actividade fundamental, quer no
âmbito do espaço e das instalações que ocupa.
Na verdade, falar da sua actividade, das Transmissões Fixas ou de carácter Permanente do Exército, leva-nos inevitavelmente ao longínquo dia 17 de Setembro de 1873, data da inauguração da primeira Rede Telegráfica Militar, interligando o
então Ministério da Guerra com as suas Unidades de Guarnição, num total de treze Estações. Estava criado o embrião do
Serviço Telegráfico Militar, marco inicial da história e das tradições das Transmissões Militares Permanentes.
SEMPRE MELHOR
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Major-General João Manuel Maia de Freitas
Tomei parte nesta grande caminhada que, ao longo de sucessivas gerações,
contribuiu para fazer escola e formar um espírito de missão inigualável,
indispensável para acompanhar a contínua e cada vez mais rápida evolução
dos sistemas e tecnologias associadas à ligação e às comunicações.
Falar do espaço e das instalações que ocupa, leva-nos a 1907 (há 100 anos!), ano em que foi lançada a primeira pedra do
actual Edifício do Comando e iniciadas outras construções, ainda hoje existentes, obras que se concluíram em 1913.
Tomei parte nesta grande caminhada que, ao longo de sucessivas gerações, contribuiu para fazer escola e formar um espírito de missão inigualável, indispensável para acompanhar a contínua e cada vez mais rápida evolução dos sistemas e
tecnologias associadas à ligação e às comunicações.
Recordo com emoção aquelas semanas de estágio no Verão de 1964, era ainda Cadete-Aluno da Academia Militar, no final
do 4º ano. Era o Batalhão de Telegrafistas e o meu primeiro contacto com o Serviço de Telecomunicações Militares (STM).
Dez anos mais tarde, em 1974, haverá alguém que possa esquecer aquela memorável e arriscada noite de 24 para 25 de
Abril em que tanto estava em jogo, tanto a nível pessoal como colectivo? Era a Escola Prática de Transmissões, na sequência da criação da Arma de Transmissões, em 1970, continuando o STM no seu espaço territorial.
Curiosamente, decorrido novo intervalo de dez anos, em 1984, eis que volto à mesma casa de sempre, então já com a designação e missão actuais, para o desempenho de funções associadas a um nível elevado de responsabilidade. Foi o prelúdio
para a colocação seguinte na Unidade, a última, em Junho de 1989, para a mais longa e gratificante função do meu percurso
militar. Comandar uma Unidade com o longo historial do Regimento de Transmissões e com uma missão que se materializa,
todos os dias do ano, com a satisfação dos anseios e das necessidades de permanente ligação entre todas as Unidades,
Estabelecimentos e Órgãos do Exército, em todo o Território Nacional, ou para qualquer local do Globo, quando constituídas Forças Nacionais Destacadas, mais do que uma honra, era a concretização de um sonho nascido nos anos iniciais de
formação militar, porventura naquelas semanas de estágio no Verão de 1964!
Em boa verdade, cheguei ao ponto em que deveria estar a iniciar o tal apontamento solicitado aos Oficiais que comandaram o Regimento de Transmissões nestes últimos trinta anos de existência. Mas, pelo contrário, estou mais próximo de o
concluir.
Em primeiro lugar porque, apesar de ter sido Comandante durante mais de três anos, tal como o afirmava e escrevia na
Ordem de Serviço do dia em que cessei funções, apenas fui responsável por tudo aquilo que se não fez e que deveria ter
sido feito. O que se fez, e os registos da época mostram que a produção foi bastante significativa face aos recursos disponibilizados, apenas se ficou a dever ao trabalho, dedicação e capacidades de outros, dos militares e civis do Regimento, por
vezes à custa de muita abnegação e sacrifício, mas sempre com aquele inigualável espírito de missão, atrás referido.
E, em segundo lugar porque, como já referido, a história do Regimento de Transmissões, nas suas variadas vertentes, está
muito para além destes últimos trinta anos, como herdeiro universal e único de todo o passado das Transmissões Permanentes do Exército Português. Em termos humanos, resultou uma riqueza acumulada e cimentada ao longo de muitas
gerações que se traduz na mística e no espírito de corpo e de missão de quem serve nesta casa que hoje se chama Regimento de Transmissões. Em termos meramente materiais, uma parte significativa daquele passado pode hoje ser visitada
e recordada no Museu das Transmissões.
Acredito que aquela mística e aquele espírito vão continuar a existir e gerarão novas heranças no futuro, como já aconteceu no passado. Os desafios serão muitos, quer pela rápida evolução dos Sistemas de Informação e de Comunicações,
e respectivas tecnologias associadas, quer pela cada vez maior escassez dos recursos disponibilizados, quer ainda pela
eventual concretização do plano para concentrar a Estrutura Superior do Exército na Área Amadora/Queluz. Mas também
acredito que, no final, a divisa “SEMPRE MELHOR” irá prevalecer.
196 > 197
Major-General
Francisco José Ferreira Bastos Moreira
(16JUL92 – 10JUL95)
O MGEN Bastos Moreira nasceu em 29 de
Junho de 1945 em Lisboa, Freguesia de S.
Jorge de Arroios, filho do Coronel de Engenharia Guilherme Bastos Moreira e de Maria Amélia Ferreira Moreira, tem um irmão
gémeo Pedro Bastos Moreira.
1955-1962: Frequentou o curso dos liceus
no Colégio Militar.
1962-1970: Incorporado em 1 de Outubro
de 1962 na Academia Militar onde frequentou o Curso de Engenharia Electrotécnica de Transmissões – Exército, que concluiu em 1970 no Instituto Superior Técnico
(IST).
1970: A 1 de Dezembro foi graduado em
Tenente–Aluno, para a frequência do Tirocínio, terminando com a classificação final
de curso de 12,96 valores.
1971: Em 5 de Setembro foi promovido a
Tenente do quadro da Arma de Transmissões, desempenhando funções de Instrutor
na Escola Prática de Transmissões (Lisboa)
e no Regimento de Transmissões (Porto).
1972-1974: Em 4 de Agosto foi promovido
a Capitão com antiguidade de 1 de Dezembro de 1971, sendo nomeado para uma Comissão de Serviço em Moçambique como
Comandante do Destacamento do Serviço
de Telecomunicações Militares do Batalhão
de Transmissões n.º 2 da Região Militar de
Moçambique. Terminada a comissão, em 22
de Agosto de 1974, foi colocado no Depósito Geral de Material de Transmissões de
Linda-a-Velha, sendo promovido ao posto
de Major a 20 de Novembro desse mesmo
ano.
1975: Requisitado pelo Ministério dos
Transportes e Comunicações para integrar
as Comissões de Inquérito aos CTT/TLP e
às Escutas Telefónicas. Em 1977, regressa
ao Exército sendo colocado na EPT (STM)
como Chefe do Serviço de Energia e Instalações Especiais. Posteriormente foi colocado no EMGFA na Divisão de Comunicações e Electrónica.
1979: Frequentou o Curso Geral de Comando e Estado-Maior no IAEM, sendo no final
do Curso, 1980, colocado no EME na 2.ª
Repartição e, em acumulação de funções,
foi nomeado Professor de Electrotecnia no
Colégio Militar. Em 1982: foi nomeado professor efectivo do Colégio Militar na área
vocacional de Electrotecnia, sendo promovido ao posto de Tenente-Coronel em 11 de
Novembro de 1983.
1986: Em 7 de Julho foi colocado como Professor de Transmissões e Guerra Electrónica, acumulando funções com as de Chefe
do Serviço de Informática no Instituto de
Altos Estudos Militares.
1991: Em 9 de Julho foi colocado no RTm
como 2.º Comandante.
Em 16 de Julho de 1992 foi nomeado Comandante e em 11 de Dezembro foi promovido ao posto de Coronel, mantendo-se a
Comandar a Unidade.
1995: Foi colocado na Direcção dos Serviços de Transmissões, como Inspector e
posteriormente como Subdirector, sendo
em 1998 nomeado para frequentar o Curso
Superior de Comando e Direcção no IAEM.
1999: Como Coronel Tirocinado foi colocado na Academia Militar na Direcção de Ensino e em 9 de Fevereiro de 2000 foi nomeado Director do IMPE, tendo tomado posse
em 15 de Fevereiro. A 6 de Outubro desse
mesmo ano foi promovido a Major-General.
Em 28 de Junho de 2004 passou à situação
de Reserva por limite de idade, ao fim de 41
anos e 7 meses de serviço.
Na sua folha de serviço constam os seguintes Louvores: 2 do Chefe do Estado-Maior
do Exército e 7 de Oficiais Generais. Possui
as seguintes Condecorações: 2 Medalhas
de Prata de Serviços Distintos, Medalha
de Mérito Militar - 2.ª Classe, Medalha D.
Afonso Henriques - 2.ª Classe, Medalha de
Comportamento Exemplar (Graus: Ouro e
Prata) e Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas – Moçambique.
Casado desde 31 de Julho de 1968 com
Isabel Maria Maia de Miranda Boavida
de Bastos Moreira, Licenciada em Matemática e professora efectiva do Ensino
Secundário. Têm dois filhos, Ricardo Jorge
Boavida de Bastos Moreira e Daniel Jorge
Boavida de Bastos.
.
Ontem, 9 de Julho de 1991, apresentei-me para ser o 2.º Comandante do Regimento de Transmissões! Não é verdade, mas
podia ser, viva que está essa memória, as sensações que ela revela e que aqui partilho convosco.
Neste breve percurso em que servi as Transmissões e o Exército, fui honrado com a possibilidade de comandar o Regimento de Transmissões entre 1992 e 1995. Alguns momentos foram mais marcantes que outros mas, sem dúvida, que um dos
mais singulares foi o comando das Forças em Parada no dia do Regimento, em 1991.
Nesses anos o Regimento viveu, como sempre, um período marcado por acontecimentos que o definiram, mas que foram
também, indiscutivelmente, influenciados pela sua acção e determinação.
Recordo com apreço um Regimento integrado na comunidade que o rodeava. Exemplo disso foi a organização, em 1992, de
uma festa em conjunto com a Junta de Freguesia da Penha de França, no espaço do Quartel, com Ranchos Alentejanos. Esta
integração na comunidade revelou-se benéfica e foi sempre estimulada pela minha acção de Comando.
Foi também neste período que surgiram nas fileiras os primeiros militares do sexo feminino, no Exército, e também no Regimento. Houve necessidade de uma adaptação de posturas e de mudança de hábitos, mas as vantagens foram evidentes.
SEMPRE MELHOR
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Major-General Francisco José Ferreira Bastos Moreira
Uma das sensações mais fortes que tenho desse período, está relacionada com
os diversos convívios realizados com os militares e civis do Regimento, como
forma de alimentar e cimentar o espírito de corpo que se vivia e se sentia. Existia
verdadeiramente um ambiente franco e de camaradagem.
No espaço temporal a que me refiro, ocorreu uma transformação no Exército e, fruto da Lei Orgânica do Exército (LOE) de
1993, foi aprovado em 21 de Setembro o novo Quadro Orgânico do Regimento de Transmissões. Em consequência disso, e
dentro dos muros da Unidade, participámos na criação do Batalhão de Estruturas; fora do Regimento assistimos e demos
contributos para serem criados os Centros de Telecomunicações Permanentes, no seio dos Quartéis-Generais das Regiões
Militares (Norte e Sul), do Governo Militar de Lisboa, das Zonas Militares (Açores e Madeira), bem como nos Comandos
de natureza Territorial (CMSM e CTAT). Eram estas as novas estruturas responsáveis pela manutenção do SITEP, ao nível
nacional e regional, e que passaram a depender tecnicamente da DST.
No universo da Arma, parte das competências e responsabilidades que nos assistiam no modelo anterior, transitaram para
a CETEPE/DST, que assumiu o planeamento, projecto e fiscalização. Foi uma mudança significativa de separação de responsabilidades, com revisão total de procedimentos e rotinas existentes, comportando grandes custos, no desenvolvimento de novas formas de diálogo entre estas novas entidades, com o fito de nunca comprometer a missão do Regimento
ou afectar as comunicações do Exército, tal como veio a acontecer.
A esta distância é que se consegue verdadeiramente apreciar a dimensão do esforço do Regimento em algumas das missões que foram cumpridas nesse período. São várias as realizações dignas de menção, porventura a mais importante foi
a reunião e preparação, no Regimento, de todo o pessoal do BTm 4, o que deixou bastante debilitado o quadro de pessoal
desta Unidade. Foram também aqui realizadas as cerimónias de entrega do Estandarte Nacional ao BTm 4 e da sua posterior condecoração no fim da missão. Essas cerimónias foram presididas pelo 1.º Ministro da altura e actual Presidente da
República, Professor Aníbal Cavaco Silva, o que revela um agradecimento da Nação e o reconhecimento do dever cumprido,
numa missão que também sentimos como nossa.
Não menos importante foi a participação em novos projectos das Transmissões, das Forças Armadas e da NATO, nomeadamente: a substituição do Sistema de Comutação de Mensagens, CROSSROADS pela BEELINE em 1992; a inauguração
dos Links de Feixes Hertzianos Digitais, a 34 Mbits/s, Évora – Arraiolos – S. Mamede - Santa Margarida e Santa Margarida
– Montejunto – Arrábida – Lisboa, em 1993, concluindo o Sistema Primário de Transmissão do LINK SUL, bem como a
instalação de diversos links regionais, a 2 Mbits/s neste área para interligar as UEO ao SITEP; inicio da instalação do Sistema Primário de Transmissão do LINK NORTE em 1994, interligando Santa Margarida à Lousã, bem como a instalação de
diversos links regionais; a concepção do grande projecto do NODO do PORTO em 1993, posteriormente reajustado; a participação em reuniões de coordenação sobre o programa SICOM no EMGFA, e a realização, no Regimento, de uma reunião
sobre o BICES (Batterfield Information Communications and Explotation Systems) da NATO em 1995.
Mas a actividade do Regimento não se esgotou só no trabalho diário. Uma das sensações mais fortes que tenho desse período, está relacionada com os diversos convívios realizados com os militares e civis do Regimento, como forma de alimentar e cimentar o espírito de corpo que se vivia e se sentia. Existia verdadeiramente um ambiente franco e de camaradagem.
Foi nesse espírito que demos o nosso contributo na integração dos novos elementos, Cadetes da Academia Militar da Arma
de Transmissões, com a realização do Jantar do Ceptro de 1994.
Acabo esta viagem ao passado aproveitando estas linhas para reconhecer, uma vez mais, o sentimento de enorme gratidão
e estima que tenho por todos militares e civis que serviram sob o meu Comando no Regimento, de forma abnegada, com
grande dedicação, espírito de entreajuda e “SEMPRE MELHOR”, que sabemos ser o modo de sentir a missão do pessoal de
Transmissões.
198 > 199
Coronel Tm Eng.º
António João Mousinho dos Santos
(15JUN98 – 26JUN00)
O COR Tm Eng.º, na Reforma, Mousinho dos Santos nasceu a 8 de Fevereiro de
1946 na freguesia das Mercês em Lisboa.
Entrou para a Academia Militar em 6 de Outubro de 1964 para os Cursos de Engenharia, tendo concluído o Curso de Engenharia Electrotécnica para o Exército
(Transmissões) em Julho de 1971 e o Tirocínio em 1972.
Na sua folha constam os seguintes cursos: Curso de Promoção a Capitão em
1973, Curso Geral de Comando e Estado-Maior 1984/1985. Constam ainda os
Cursos de Informática de Gestão e o de Gestão de Projectos de Informática em
1986.
Serviu em Moçambique em 1972/1973.
Teve várias colocações entre as quais se destacam as seguintes: RTm, EPT, DAT/
DST, QG/GML, QG/RMC, DSFOE e EMGFA.
Como Subalterno e Capitão foi Comandante de Pelotão, Comandante de Companhia, Adjunto do Director de Instrução, Oficial de Segurança e Chefe do Núcleo de Guerra Electrónica.
Como Oficial Superior foi Chefe do Circuito de Televisão do EMGFA, Oficial de
Transmissões do Governo Militar de Lisboa e da Região Militar do Centro, Chefe
do Serviço de Feixes Hertzianos do STM, Comandante do Batalhão de Transmissões Permanentes do Regimento de Transmissões, Adjunto do Chefe da Secção
de ADP/DICE/EMGFA e representante do EMGFA no WG4 - ADSIA/NATO.
Em Maio de 1989 foi nomeado 2.º Comandante do Regimento de Transmissões.
De Setembro de 1991 a Julho de 1993 foi Chefe da Secção de Electricidade e
Instalações Especiais da Repartição de Estudos Técnicos da DSFOE. Após esta
data foi colocado na DAT e posteriormente na DST, nas funções de Chefe da Repartição de Logística, Representante do Exército ao PG6/TSGCE/NATO, e Chefe
das Telecomunicações Permanentes do Exército.
De 1998 a 2000 foi Comandante do Regimento de Transmissões.
Na sua folha de serviços constam ainda 3 louvores atribuídos por Cmdt/Dir/
Chefe e 8 atribuídos por Oficial General, e as seguintes condecorações: Medalha
Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas 1972/1973, Medalha de
Comportamento Exemplar (Prata e Ouro), Medalha Militar de Avis (Cavaleiro),
Medalha de Mérito Militar (2ª Classe), Medalha D. Afonso Henriques, Medalha
de Serviços Distintos (Prata).
O Regimento de Transmissões foi, desde sempre, a minha Unidade de referência. Quer no meu percurso académico quer
na minha vida activa foi a Unidade onde sempre desejei trabalhar e um dia mais tarde vir a comandá-la.
Assim, foi com muita honra e orgulho que, a 1 de Junho de 1998, assumi o Comando do Regimento de Transmissões. Foi
nele ou em situações muito ligadas ao RTm que passei grande parte da minha vida activa.
Unidade com grande história e tradição, o Regimento de Transmissões pelas funções que desempenha tem a particularidade de ser único nas Forças Armadas. É dele que dependem todas as Comunicações Permanentes do Exército, as ligações deste aos outros Ramos e ao EMGFA. De igual modo, o Regimento desempenhou um papel muito importante na
nomeação e formação de pessoal de Manutenção e de Exploração de Transmissões e ainda como elo de ligação às Forças
Portuguesas nos vários Teatros de Operações onde estas actuavam, integrando Missões de Paz ao serviço da ONU.
Sendo o Regimento de Transmissões uma Unidade eminentemente técnica, o comando viu-se por vezes confrontado com
situações complexas e de difícil resolução, para as quais se tornou necessário uma decisão rápida e adequada.
Durante os dois anos que comandei o Regimento vários foram os desafios que me surgiram. Tive a sorte de ter uma equipe de grande valia militar e técnica que sempre disponibilizou os seus conhecimentos ao serviço da Unidade e, com a qual
pude sempre contar nos momentos mais difíceis para levar a bom termo as tarefas em que estivemos envolvidos.
SEMPRE MELHOR
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Coronel Tm Eng.º António João Mousinho dos Santos
O Regimento de Transmissões foi, desde sempre, a minha Unidade de referência.
Quer no meu percurso académico quer na minha vida activa foi a Unidade onde
sempre desejei trabalhar e um dia mais tarde vir a comandá-la.
A título de exemplo lembro: a substituição das Centrais do EME e HMP que exigiu a mobilização de várias equipes técnicas pois teve de ser totalmente executada num fim-de-semana; a substituição total dos Teleimpressores, a nível do
Exército, por Computadores com uma aplicação, desenvolvida por pessoal do RTm e de acordo com as Normas NATO; a
criação de um Centro de Gestão de Rede que permitiu antever as falhas técnicas dos Sistemas e que também permitiu
a Gestão Operacional das Redes; a implementação da Ligação via Satélite com as Forças Portuguesas em Timor. São de
referir ainda os ensaios, adaptação e/ou substituição dos Sistemas com vista a ultrapassar as possibilidades de inoperância com o chamado “bug” do ano 2000.
Na acção de comando propriamente dita, procurei inicialmente, dar continuidade às tarefas que vinham a ser desenvolvidas pelo anterior Comando. Dadas as características dos edifícios que constituíam o Regimento de Transmissões dinamizei e implementei um projecto de melhoramento das suas instalações, procurando adequá-las às novas exigências que se
nos impunham e, de modo a criar um ambiente favorável ao trabalho e bem estar do pessoal que a servia.
Tendo em mente o lema do Regimento “SEMPRE MELHOR”, procurei desempenhar com prontidão e eficácia todas as tarefas de que fui incumbido e, foi-me gratificante terminar a minha vida militar como Comandante no Regimento de Transmissões.
200 > 201
Major-General
José Ribeirinha Diniz da Costa
(26JUN00 – 19AGO02)
O MGEN Diniz da Costa é natural de Chaves, tem 58 anos de idade e 40 anos de serviço
efectivo. Foi promovido ao actual posto em 30 de Setembro de 2004.
Entrou para a Academia Militar em 1967, tendo concluído o Curso de Engenharia Electrotécnica Militar (Transmissões) em 1973 e o Tirocínio em 1974.
Ao longo da sua carreira militar frequentou, com aproveitamento, os seguintes cursos: Curso de Promoção a Capitão (1977/1978), Curso Promoção a Oficial Superior
(1986/1987) e Curso Superior de Comando e Direcção (2003/1904). Constam ainda da
sua folha de serviço, o Mestrado em Telecomunicações e Computadores (1981/1983) e
a Pós-Graduação em Gestão Avançada para Executivos em Telecomunicações e Tecnologias da Informação (2001/2002).
Teve várias colocações e funções entre as quais se destacam as seguintes:
> Chefe do Serviço Telegráfico do Serviço de Telecomunicações Militares (1976 a
1981);
> Direcção da Arma de Transmissões (1982 a 1983);
> Professor na Academia Militar (de 1983 a 1985, de 1987 a 1989 e de 1996 a 2000);
> Comandante do Destacamento de Tm / Chefe do Centro de Telecomunicações Permanentes da Zona Militar da Madeira e Oficial de Comunicações do Comando Operacional
da Madeira (AGO89 a AGO96);
> Comandante do Regimento de Transmissões (JUN00 a Ago02);
> Subdirector da Direcção dos Serviços de Transmissões (AGO02 a AGO03);
> Comandante Operacional da Madeira e Comandante da Zona Militar da Madeira
(05NOV04 a 15 DEZ07);
> Subdirector e Director do Departamento de Investigação e Doutrina no Instituto de
Estudos Superiores Militares (IESM) desde 17JAN07.
Exerceu as funções de docentes na Cooperativa de Ensino Superior (COCITE) e na Universidade da Madeira entre 1990 e 1996. Foi ainda Coordenador Técnico da Equipa de
projecto do Sistema Integrado de Comunicações de Segurança Emergência e Defesa
da Madeira (SICOSEDMA), para além de ter sido responsável por vários estudos e projectos no âmbito das Redes de Comunicações e Sistemas de Informação, bem como por
diversas actividades de formação e reestruturação orgânica no âmbito das Comunicações e do Ensino.
Na sua folha de serviços constam 3 louvores atribuídos por Cmdt/Dir/Chefe, 9 atribuídos por Oficial General e 1 por entidade civil, para além das seguintes condecorações:
Ordem de Avis - Grau Cavaleiro, 4 Medalhas de Serviços Distintos (Prata), Medalha D.
Afonso Henriques (1ª e 2ª Classes), Medalha de Mérito Militar (2ª Classe) e Medalha de
Comportamento Exemplar (Prata e Ouro).
O MGEN Diniz da Costa é casado e tem dois filhos.
Testemunhar sobre o passado realizado pelo próprio poderá parecer uma tarefa ingrata mas também não deixa de ser
um desafio aliciante. Poderá apresentar o risco de uma autoavaliação, com possibilidade de deslizar para um auto-elogio,
mas também tem a virtude de, com alguma distância em relação aos acontecimentos, permitir uma avaliação mais desapaixonada e quase com uma perspectiva histórica.
O que foi comandar o Regimento de Transmissões durante dois anos, de Junho de 2000 a Junho de 2002, para quem tinha
iniciado a sua vida profissional nessa unidade e tinha dedicado muito da sua carreira às Comunicações Permanentes, mais
conhecidas por Telecomunicações Militares?
Tendo iniciado a minha vida profissional no então Serviço das Telecomunicações Militares, nas funções especificas de
SEMPRE MELHOR
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Major-General José Ribeirinha Diniz da Costa
Considero que o meu Comando do Regimento de Transmissões se caracterizou
por uma vivência verdadeiramente apaixonante, desafiadora, estimulante e
envolvente, com causas ou projectos pelos quais valeu a pena trabalhar e lutar,
com sucessos e também insucessos.
Chefe do Serviço de Teleimpressores, nunca mais deixei de viver de forma intensa os problemas das Telecomunicações
Militares em especial o muito que se passava na sua Unidade mãe - o Regimento de Transmissões.
Era pois com alguma ansiedade, mas com muita vontade, que desejava assumir as funções de Comandante daquela que
tinha sido a minha principal Unidade.
Assumido o comando, desde logo me apercebi da principal dificuldade que teria de ultrapassar para realizar o meu projecto e alcançar os objectivos que me propus atingir.
Era evidente o confronto de mentalidades entre blocos geracionais, talvez potenciado pelo desfasamento de preparação,
e que balanceavam entre as vontades disponibilizadas para mudar os paradigmas da organização e funcionamento e o
comodismo que, a coberto do argumento de manter as tradições, os princípios e valores, escondiam deficiências, inacção
e resistência à mudança. A não resolução deste problema tenderia a bloquear todas as acções que se pretendessem levar
a cabo com sucesso.
Contrariando a tentação de provocar a rotura, imediata na decisão, mas de consequências negativas a prazo alargado,
optei por desencadear medidas que conduzissem à mobilização de todas as vontades e que levassem à inclusão de todos nos processos de realização da transformação que as circunstâncias exigiam. Não foi tarefa fácil, nem de sucesso
totalmente conseguido. Foi preciso muita determinação, muito trabalho, ponderação e bom senso e muita, mesmo muita,
paciência.
E foi neste clima de contradições e equilíbrios que se desenvolveu todo o meu Comando caracterizado muitas vezes pela solidão da decisão, por vezes penosa, mas também pelo inesquecível, estimulante e desafiante envolvimento a que
me obriguei para apoiar, estimular, enquadrar e integrar os impulsos reformadores de um conjunto de jovens Oficiais de
Transmissões. Com muito voluntarismo, generosidade, dedicação e competência, trabalharam com grande afirmação,
procurando diariamente e com afinco a eficiência, a eficácia e a valorização do serviço, com o consequente aumento da
produtividade e do prestígio para o Regimento de Transmissões e o Exército Português.
Recordo alguns dos projectos considerados mais relevantes e estruturantes: a implantação, no Continente e Regiões Autónomas da Rede Telegráfica, designada por STM3, que substituiu a clássica Rede Telegráfica baseada nos Teleimpressores de fita perfurada.
A profunda reestruturação da orgânica interna, destinada a substituir os desadequados Quadros Orgânicos de Pessoal de
1994, foi também um dos grandes objectivos perseguidos. Era urgente criar um Quadro Orgânico de referência ajustado
às novas missões e tarefas, mais simples e mais flexível.
Um dos projectos mais marcantes foi a implantação da decisão histórica do Exército em transferir a Segurança das Comunicações, no que diz respeito à concepção, produção distribuição e controlo das cifras do Exército Português, para a
Direcção dos Serviços de Transmissões, através da criação de um órgão próprio dentro da estrutura orgânica das Transmissões.
202 > 203
O projecto da Rede MMHS (Military Message Handling Systems), verdadeiramente estruturante para a Área da Exploração das Comunicações no Exército, destinava-se a substituir a Rede de Mensagens existente, criando uma rede perfeitamente interoperável e integrada com as redes equivalentes da Marinha, Força Aérea e Estado Maior General das Forças
Armadas. Infelizmente, para o Exército, não passou da fase de projecto.
Considero que o meu Comando do Regimento de Transmissões se caracterizou por uma vivência verdadeiramente apaixonante, desafiadora, estimulante e envolvente, com causas ou projectos pelos quais valeu a pena trabalhar e lutar, com
sucessos e também insucessos.
Muitos foram os sucessos e alguns os insucessos, mas haverá algo mais reconfortante, mais gratificante, que ver jovens
Oficiais envolverem-se, trabalharem, lutarem com determinação para conseguirem e ganharem conhecimentos, autoconfiança e auto-estima, verdadeiras alavancas para o seu futuro, não só como militares, mas como cidadãos responsáveis,
confiantes e determinados?
Todos nós somos também produto das influências positivas ou negativas daqueles que nos comandaram e se constituem
como referências, a seguir ou evitar.
Seria injusto não referir que esta forma, como diz Charles Handy, de lançar sementes douradas, foi marcada por anteriores comandantes que com os seus contínuos estímulos, constantes desafios, conselhos e apoios, mobilizavam vontades e
orientavam tendências. Lançavam as sementes da confiança, do gosto pelo risco, da vontade de mudança, transformando
os desafios em oportunidades, assumindo os riscos e as responsabilidades dessa mudança.
Sem negar as influências positivas de outros comandantes, merecem especial referência os então Coronel Pedroso de
Lima e Coronel Geraldes, Comandantes do RTm, com quem tive a honra e privilégio de trabalhar sob as suas ordens, os
quais se constituíram como referência ao longo da minha carreira. Foi a sua forma de organizar, de planear, estimular e
incentivar a aceitar os constantes desafios que constituíram faróis de orientação referencial da minha conduta diária.
Foi a permanente reflexão sobre os projectos, a organização, o funcionamento com eficiência e eficácia, mas sobretudo
pensando nos homens que comandava, não só no seu dia a dia, mas procurando que cada dia representasse um dia de
preparação para o futuro, como melhores militares, praticantes e defensores dos valores e princípios da instituição, que
marcaram o meu dia a dia dos dois anos do Comando do RTm. Procurei que cada dia fosse uma pequena valorização na
preparação do seu futuro como cidadãos, com gosto pela assunção de responsabilidades, gosto pela mudança, inovação e
desafios. Não sei se o consegui mas pelo menos tenho a consciência de o ter tentado.
Antes de terminar gostaria de transmitir alguns conselhos de vida a quem terá de comandar. Tudo na vida deve assentar
num projecto exequível, pelo qual valha a pena lutar, com objectivos claros para o próprio e para aqueles que o vão executar. Mas a chave do sucesso é sobretudo a determinação e o não recuo perante as adversidades ou os obstáculos muitas
vezes fabricados. Mas a determinação deve estar caldeada pelo equilíbrio e bom senso, capaz de aceitar mudanças sem
perder os objectivos finais.
SEMPRE MELHOR
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Major-General Edorindo dos Santos Ferreira
Major-General
Edorindo dos Santos Ferreira
(21AGO02 – 17FEV04)
O MGEN Edorindo Ferreira nasceu em Pombal em 1950 e foi promovido ao actual posto
em 28 de Setembro de 2005.
Ingressou na Academia Militar em 1968, tendo concluído a Licenciatura em Engenharia
Electrotécnica para o Exército (Transmissões) em 1975. Está habilitado, entre outros,
com o Curso de Oficial de Segurança (1976), Curso de Actualização e Aperfeiçoamento
para Capitães (1977/1978), Curso Geral de Comando e Estado-Maior (1987/1988) e Curso Superior de Comando e Direcção (2004/2005), bem como com diversos Cursos e Estágios Civis e da NATO no âmbito das Comunicações e Sistemas de Informação.
Como Capitão, esteve colocado na Escola Prática e no RTm, em Lisboa, onde desempenhou
as funções de Comandante de Companhia, Oficial de Segurança, Chefe do Centro de Guerra Electrónica, Chefe das Secções de Informações e de Operações, Chefe do Serviço de
Som e Chefe do Laboratório do Serviço de Telecomunicações Militares (STM), entre 1975
e 1981. Ainda como Capitão, foi Chefe da Secção de Electricidade e Mecânica da DSFOE,
entre 1979 e 1984 (os dois primeiros anos em acumulação com o RTm), e Oficial de Transmissões e Chefe da 7.ª Secção do STM, no QG/ZMM, em 1984 e 1985.
Como Major, de 1986 a 1989, exerceu as funções de Comandante do Batalhão de Transmissões Permanentes e de Chefe da Divisão de Instalações, Reabastecimento e Manutenção do STM, no RTm, e no início de 1990 assumiu o cargo de Director da Estação Ibéria
NATO (EIN).
Foi promovido a Tenente-Coronel em finais de 1992 e, após terminar as funções na EIN,
em Julho de 1993, foi nomeado Chefe da Secção de Operações e Comunicações da 3.ª
Repartição do EME. Em Agosto de 1994 tomou posse como Chefe da Divisão de Sistemas
de Informação e Comunicações da Direcção-Geral de Infra-Estruturas do Ministério da
Defesa Nacional, cargo que exerceu até Junho de 1999. De Agosto de 1999 a Julho de
2002 desempenhou as funções de Chefe da Repartição de Telecomunicações e Sistemas
de Informação da EUROFOR, em Florença, Itália.
Foi promovido a Coronel em Novembro de 1999, tendo assumido as funções de Comandante do RTm em Agosto de 2002, imediatamente após o regresso a Portugal. Ainda como
Coronel, foi Chefe de Estado-Maior do QG do GML, de Fevereiro a Agosto de 2004, data
em que iniciou o Curso Superior de Comando e Direcção no Instituto de Altos Estudos Militares, concluído em Julho de 2005.
Desde 27 de Setembro de 2005 desempenha as funções de Chefe da Divisão de Informações Militares do Estado-Maior General das Forças Armadas, acumulando com a Divisão
de Comunicações e Sistemas de Informação desde 1 de Março de 2007.
Da sua folha de serviços constam 15 louvores, dos quais um concedido pelo Ministro da
Defesa Nacional, dois pelo CEMGFA, três pelo CEME e sete por outros Oficiais-Generais.
Foi condecorado, entre outras, com as Medalhas de Prata de Serviços Distintos (quatro),
de Mérito Militar de 2ª Classe e de Comportamento Exemplar.
O MGEN Edorindo Ferreira é casado com Maria Isabel Gonçalves Garcia Ferreira e tem
uma filha.
No fim da Primavera de 2002, durante um Exercício da EUROFOR, a decorrer no Sul da Sardenha, fui informado por telefone de que tinha sido nomeado Comandante do Regimento de Transmissões. Tão longe, mas tão perto, foi com enorme
satisfação que recebi a notícia, a qual representava o primeiro e o mais relevante passo para se concretizar o ansiado
“regresso a casa”.
Depois de seis anos de Academia Militar, iniciei a minha carreira na Arma de Transmissões no “Quartel de Telegrafistas”.
Decorria o Verão de 1974, período algo conturbado, mas simultaneamente aliciante e muito enriquecedor, quando, conjuntamente com três jovens e promissores Tenentes (o Melo Azevedo, o Sousa Maia e o Oliveira Ferreira), me apresentei na
então Escola Prática de Transmissões para iniciar o Tirocínio.
204 > 205
Seguiram-se quinze anos em que, com pequenos interregnos, exerci variadas
funções na Unidade, de onde viria a sair no final de 1989 para exercer o cargo
de Director da Estação Ibéria NATO. Mas nunca deixei de acompanhar “a vida”
do Regimento, pelo que foi com muita honra, enorme alegria e alguma ansiedade
que, em 21 de Agosto de 2002, voltei a cruzar a Porta de Armas para ser “O Comandante”.
Conhecia bem as características da Unidade, os seus valores, as suas tradições e
o seu reconhecido prestígio no domínio das Telecomunicações Permanentes. Tal
como a deixara, em 1989, a Unidade mantinha-se coesa, disciplinada e altamente
empenhada em servir o Exército da melhor forma possível, continuando os seus
quadros a demonstrar elevada competência técnica.
Mas os tempos eram outros e notavam-se algumas diferenças. Havia menos
Oficiais, em especial engenheiros, e algumas das anteriores competências do
Regimento tinham sido absorvidas pela Direcção dos Serviços de Transmissões
(DST). De facto, na sequência da publicação da Lei Orgânica do Exército de 1993,
haviam sido introduzidas significativas alterações à organização e à missão da
Unidade, em especial nas vertentes de planeamento e projecto, com a inerente
redução do pessoal especializado.
Em contrapartida, por razões circunstanciais, já que tal não constava na legislação, haviam-lhe sido atribuídas novas e importantes missões, do antecedente da
responsabilidade do Centro de Informática do Exército (CIE), do Depósito Geral
de Material de Transmissões, do Batalhão de Informações e Segurança Militar, e
mesmo da DST e do Estado-Maior do Exército. Mas o Quadro Orgânico não tinha
sido alterado, nem o pessoal colocado em conformidade.
De entre essas novas atribuições realço a responsabilidade pela Rede de Dados
do Exército, herdada do CIE, e a Secção de Exploração e Segurança (SES) que,
embora sendo um órgão da DST, se encontrava instalada (e na prática integrada)
no Regimento.
Relevo, a importância desta Secção, pela sua missão de coordenar e fiscalizar
a exploração dos meios do Sistema Integrado de Telecomunicações do Exército Português (SITEP), incluindo a componente de cifra, bem como a respectiva
logística. Depois de muitas “batalhas”, a criptografia tinha sido finalmente integrada na Arma de Transmissões. No Dia da Unidade de 2002, menos de um mês
após ter assumido o Comando, foram inauguradas as novas instalações da SES
(1.ª fase), que tinham sido iniciadas pelo meu antecessor. Parecia que tudo caminhava sobre rodas, mas ainda iriam ser necessários muitos esforços, em várias
frentes, para levar a bom porto o desiderato lógico de produzir os documentos
de autenticação e de gerir o material cripto do Exército.
Desde 1873 - data da inauguração da primeira Rede Telegráfica Militar - foi longa a caminhada das Transmissões Permanentes ao serviço da interligação das
Unidades, Estabelecimentos e Órgãos do Exército nos Territórios Continental,
Insular e Ultramarino e, mais recentemente, das Forças Nacionais Destacadas
(FND). Ao longo de todos estes anos foi-se construindo uma Escola de Formação
SEMPRE MELHOR
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Major-General Edorindo dos Santos Ferreira
Técnica e Humana de diversas gerações, a que nos orgulhamos de pertencer e
que sempre visaram cumprir o lema do Regimento, servindo SEMPRE MELHOR.
Com este espírito e atitude, exerci o Comando do Regimento, durante um período relativamente curto, algo condicionado pela exigência da gestão criteriosa
dos escassos recursos financeiros e humanos, bem como pelo facto de existirem
algumas competências sobrepostas com a DST (consagradas nas respectivas
missões legais), especificamente com a Chefia das Telecomunicações Permanentes (CETEPE). Mas, com o esforço, dedicação, brio e profissionalismo dos
Oficiais, Sargentos, Praças e Civis, o Regimento continuou a sua nobre missão
(...) com o esforço, dedicação,
brio e profissionalismo dos
Oficiais, Sargentos, Praças e
Civis, o Regimento continuou
a sua nobre missão de
assegurar o funcionamento
das Telecomunicações
Permanentes do Exército (...)
de assegurar o funcionamento das Telecomunicações Permanentes do Exército,
no Território Nacional e em apoio às FND, melhorando-se as suas infra-estruturas na medida do possível, embora com alguma amargura por não ter sido viável
fazer mais e melhor.
E sendo o Regimento uma das Unidades do Governo Militar de Lisboa continuou
a prestar Guardas de Honra aos Tribunais e Cemitérios, a apoiar exercícios, a
efectuar inúmeras instalações sonoras de apoio a entidades militares, civis e religiosas, a elaborar vários processos de justiça e a alojar e alimentar quase três
dezenas de deficientes moçambicanos.
Não pretendo concluir este meu contributo para a “História do Regimento” sem
fazer uma referência especial ao Museu das Transmissões. No dia da Unidade de
2002 lancei um repto a Oficiais e Sargentos na Reserva e na Reforma no intuito
de reactivar esta jóia da memória histórica de todos nós, então fechada devido ao falecimento do Cor Bastos Moreira. Graças ao trabalho e dedicação de um
grupo, reduzido mas empenhado, liderado pelo Coronel Jorge Costa Dias, foi possível proceder à sua reabertura um ano depois.
A minha derradeira passagem pelo Regimento foi interrompida um pouco antes
do que estava à espera. De facto, no início de 2004 fui convidado pelo Tenente-General Governador Militar de Lisboa para Chefe de Estado-Maior do Quartel-General. Como este honroso convite era obviamente irrecusável, em 17 de
Fevereiro desse ano terminei o Comando do Regimento, com a consciência de
mais um dever cumprido.
206 > 207
Coronel Tm Eng.º
José António Henriques Dinis
(30MAR04 – 15FEV06)
O COR Tm Eng.º Henriques Dinis, nasceu em 18 de Janeiro de 1954 na freguesia de Fiais da
Beira – Concelho: Oliveira do Hospital.
É Auditor do Curso de Defesa Nacional 2000/2003 no Instituto da Defesa Nacional.
Mestre em Gestão de Projectos, pela Universidade Aberta, concluído em DEZ97, com a
Dissertação intitulada “A Gestão de Projectos de I&D, o caso do Projecto de um Sistema
C3I, no âmbito dos Projectos de I&D da Defesa Nacional”.
Entrou para a Academia Militar em Outubro de 1973, onde obteve a Licenciatura em Engenharia Electrotécnica Militar (Transmissões), no ano lectivo de 1979/1980.
Autor do livro “Guerra de Informação – Perspectivas de Segurança e Competitividade,
Edições Sílabo, 2005.
É membro Fundador do Centro de Investigação da Academia Militar, da Associação Portuguesa de Gestão de Projectos, do Project Management Institute, EUA e da Ordem dos
Engenheiros.
Actualmente, desde 03JAN2007, Sub-director da Direcção de Educação, do Comando da
Instrução e Doutrina e em acumulação docente na Academia Militar, na Pós-Graduação
em Guerra de Informação.
Desempenhou as seguintes funções: Presidente da Comissão Liquidatária do Comando
e Quartel-General do Governo Militar de Lisboa (15JUL a 15DEZ06); Chefe do EstadoMaior do QG do GML (15FEV a 15JUL06); Comandante do RTm (30MAR04 a 15FEV06);
Docente na Academia Militar (SET92 a MAR04) e, em acumulação, desempenhou funções
de Director dos Cursos de Transmissões, Director do Projecto da Rede Informática, Chefe
do Centro de Informática, Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia de Engenharia e Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Guerra de Informação; Comandante da
Companhia de Transmissões da 1.ª Brigada Mista Independente (JUN90 a SET92); Oficial
de Transmissões da Região Militar de Lisboa (SET89 a JUN90). Esteve também colocado
no Depósito Geral de Material de Transmissões (DGMT), em Linda-a-Velha, entre 1982
e SET89 onde desempenhou diversas funções, nomeadamente como responsável pelo
Projecto das Cabinas do Sistema de Comunicações Tácticas do Exército Português. Entre
1980 e 1982 foi Comandante de Companhia de Instrução e Instrutor de Métodos de Instrução na EPT, no Porto.
A minha passagem pelo Regimento de Transmissões manifestou-se perante três circunstâncias diferenciadas: como convidado para o Dia da Unidade e Festas de Natal; como acompanhante de alunos da Academia Militar (AM), em visitas de
estudo da disciplina de Transmissões e Guerra Electrónica; e, finalmente, como Comandante deste Regimento, função
que muito me honrou ter exercido, desde 30 de Março de 2004 a 15 de Fevereiro de 2006. Realço e testemunho de forma
sentida, que nas visitas de estudo ao Regimento, sobressaía sempre o carinho com que o Sr. Coronel Bastos Moreira, na
passagem pelo “Museu das Transmissões”, tratava o Futuro da Arma (os Alunos da AM) e o seu passado (as Tecnologias
das Transmissões), perante o belíssimo património deste núcleo museológico da nossa Arma.
A minha entrada nesta Unidade como Comandante, sem antes ter prestado serviço neste Regimento, constituiu para mim
um desafio muito especial. No entanto, fazendo uma breve retrospectiva das minhas colocações anteriores, na EPT no
Quartel de Arca d’Água, no Porto, no DGMT, em Linda-a-Velha, no QG da Região Militar de Lisboa; na Companhia de Transmissões da 1.ª Brigada Mista Independente e na Academia Militar, constituíram de uma forma geral, uma base de diversidade de funções que me permitiu enfrentar mais este desafio de forma muito tranquila. Assim, no puzzle da minha vida
militar, como Oficial de Transmissões, foi muito gratificante ter exercido as funções de Comandante deste RTm.
No meu discurso do Dia da Unidade, no primeiro ano do meu comando, em 17SET2004, referia-se que “Nas últimas décadas transitámos, de uma situação em que as pessoas passavam e as tecnologias ficavam, para uma nova realidade, em
que as tecnologias passam e as pessoas permanecem, neste mundo confrontado com a globalização e uma interactividade condicionante dos nossos hábitos e comportamentos”. Durante o exercício do meu Comando, constatei que assim
é. Encontrei neste Regimento alguns Oficiais e Sargentos que ainda tinham trabalhado com a antiga e famosa “BEELINE”,
Central da Rede Telegráfica do Exército, e que já fazia parte do “Museu das Transmissões”. Este Sistema tinha sido substituído por um Computador e uma Aplicação Informática, conjunto conhecido por Sistema de Comutação Automático de
SEMPRE MELHOR
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Coronel Tm Eng.º José António Henriques Dinis
“As Pessoas são o que de melhor tem o nosso Regimento.”
Mensagens Militares (SCAMM). Releva-se o facto de o SCAMM ter sido desenvolvido por um Sargento da Arma de Transmissões, ocupando agora este equipamento um espaço de um Computador Pessoal e, assim, bastante mais reduzido. Referia-se ainda nesse meu discurso que “As Pessoas são o que de melhor tem o nosso Regimento”, o que neste testemunho
reafirmo convictamente, e, desta forma, exorto a todos que no exercício das suas funções no RTm, possam também estar
convictos da importância que a sua acção e actividades desenvolvidas têm na vida e na história deste Regimento.
Comandar estes militares no início do Século XXI, foi para mim muito diferente de comandar noutras circunstâncias há
trinta anos, outros militares. Em primeiro lugar, a entrada das mulheres na vida militar, levou a algumas adaptações, não
só das infra-estruturas, mas também de alteração de preconceitos e de mentalidades. Neste caso, o facto de a situação
das instalações dos alojamentos femininos serem mais modernos, que os dos praças masculinos, não constituiu um factor de instabilidade interna, pela compreensão que esta situação a isso justificava no seio desta instituição militar. Julgase, no entanto, que se tenha de equacionar uma modernização global das instalações e condições de habitabilidade, que
na altura estava fora do âmbito das responsabilidades e possibilidades dos recursos do Regimento. Em segundo lugar,
a passagem do Regime de Serviço Efectivo Normal (SEN) para o Regime de Voluntários e Contratados (RV/RC). Realçase que o dia 17 de Setembro de 2004, Dia da Unidade, ficou assinalado pelo fim do SEN. Por um lado, as comemorações
deste Dia da Unidade foram as últimas em que tivemos no nosso convívio, militares em Regime de SEN, e, por outro lado,
este dia foi o último dia, de actividade normal, ainda com a prestação do SEN, no Exército. Foi assim um dia histórico para
este Regimento e para o Exército.
A transição do Regime SEN coexistente com o Regime RV/RC, levou temporariamente a uma redução efectiva de algumas dezenas de militares, nomeadamente ao nível das Praças. Este facto obrigou a tomar algumas medidas de excepção,
onde se identifica a decisão de fechar o Bar de Oficiais, implicando para os seus utentes passarem a utilizar o Bar de
Sargentos. Foi uma decisão que tive de tomar, observada a situação apresentada, mesmo contra a minha própria vontade
pessoal, colocando em primeiro lugar os interesses colectivos face aos de natureza individual. Relevo este facto, no entanto, esta e outras dificuldades foram ultrapassadas de forma satisfatória, em poucos meses, tendo em conta a reposição de alguns efectivos, mas também pelo empenho, espírito de sacrifício e vontade do cumprimento da missão por parte
do Pessoal Militar e Civil desta Unidade. Quero aqui prestar a minha homenagem e o sentido de respeito às pessoas que
comandei, pelo seu profissionalismo, desde o pessoal dos Serviços de Apoio da Unidade (Alimentação, Logística, Manutenção da Unidade) e em particular ao pessoal do Batalhão de Estruturas, que muitas vezes fizeram “das tripas coração”
para cumprirem a missão, nomeadamente nos apoios de manutenção do SITEP. O meu bem-haja a todos que ajudaram a
transformar as dificuldades em oportunidades de forma a conseguirem-se soluções aos diversos níveis.
O Dia da Unidade, no segundo ano do meu comando, em 16SET05, ficou assinalado com a inauguração da “Sala DGMT” no
“Museu das Transmissões”, com a presença de antigos Directores do DGMT, ficando como testemunho da memória daquele Órgão Logístico da Arma de Transmissões, que teve uma participação activa na modernização e transformação dos
Sistemas de Comunicações Tácticos do Exército Português. O nosso agradecimento ao “Grupo dos Amigos do Museu das
Transmissões” por esta iniciativa e pela sua concretização, com o apoio da Direcção dos Serviços de Transmissões e em
que o RTm participou dentro das suas possibilidades e vontade de bem servir a Arma de Transmissões.
Como Comandante desta Unidade, constatei ser muito gratificante para o Regimento, o facto de o “Grupo de Trabalho
para a História das Transmissões” reunir neste Regimento em sessões de trabalho periódicas, onde presenciei a vontade
e o querer deste grupo de trabalho “levar a Carta a Garcia” com esta obra, de uma importância inestimável para a História
Militar. O nosso agradecimento aos excelentíssimos Oficiais Generais e Oficiais de Transmissões que puseram mãos a esta obra. A minha saída das funções de Comandante deste Regimento ocorreu inesperadamente, quando o excelentíssimo
TGEN Comandante do GML, de quem esta Unidade dependia hierarquicamente, me chamou para exercer funções de Chefe de Estado-Maior daquele Comando e QG, o que ocorreu a partir de 15 de Fevereiro de 2006.
Faço votos que esta Unidade, agora na dependência hierárquica da Direcção de Comunicações e Sistemas de Informação,
do Comando Operacional, continue a cumprir a sua missão “SEMPRE MELHOR”, em prol do Exército e das Forças Armadas, ao serviço de Portugal.
208 > 209
Tenente-Coronel Tm
António José Caessa Alves do Sacramento
(15FEV06–28AGO06)
O TCOR Tm Alves do Sacramento, nasceu
em Viseu em 1956. Foi incorporado na
EMEL em 1980, onde cumpriu o Serviço
Militar Obrigatório, como Oficial Miliciano,
vindo a ingressar na Academia Militar no
ano lectivo de 1981/1982, onde obteve a
Licenciatura em Ciências Militares com a
Especialidade de Transmissões.
Além das qualificações exigíveis à sua patente, possui diversas especializações, das
quais se destacam o Curso de Operações
Irregulares (CIOE), Curso de Segurança
Militar (BISM), Curso Geral de Segurança
de Matérias Classificadas (GNS), Curso de
Material e Segurança Cripto (BISM), NATO
Site Security Officer (NCISS-JALLC) e
NATO Crypto Custodian (NCISS).
Ao longo da sua carreira serviu em várias
Unidades do Exército, tendo desempenhado diversas funções de Comando e Chefia. Foi Comandante de Pelotão na Escola
Prática de Transmissões (1986/1987) e na
Companhia de Transmissões da 1.ª Brigada
Mista Independente (1987/1989). No Depósito Geral de Material de Transmissões
(1989/1998), como Capitão e Major, foi
Comandante da Companhia de Comando e
Serviços, desempenhou funções na Divisão
de Manutenção e foi Chefe da Secção de
Operações, Informações e Segurança. No
Quartel-General da Região Militar do Sul
(1998/2000) foi Chefe do Centro de Telecomunicações Permanentes e do Centro
de Informática. Na Direcção dos Serviços
de Transmissões (2000/2002) foi Chefe
da Secção de Exploração e Segurança da
Chefia das Telecomunicações Permanentes do Exército, instalada no Regimento de
Transmissões.
Como Tenente-Coronel, manteve a Chefia da Secção de Exploração e Segurança, desempenhando também funções de
NATO COMSEC OFFICER e de Custódio do
Material Cripto do Exército, vindo a ser co-
locado no Regimento de Transmissões em
03JUL02. Em 18OUT04 passou a exercer
a função de 2.º Comandante. Em 15FEV06
assumiu o Comando Interino do Regimento
de Transmissões, para o que foi nomeado
por escolha. Desde 28AGO06 é o Chefe da
Repartição de Segurança da Informação
da Direcção de Comunicações e Sistemas
de Informação.
Da sua folha de serviços constam quatro
louvores de Oficial General, três de comandante de Unidade, duas referências
elogiosas e as seguintes condecorações:
Medalha de Mérito Militar de 2.ª Classe,
Medalha de D. Afonso Henriques – Mérito
do Exército de 2.ª Classe e a Medalha de
Prata de Comportamento Exemplar.
O TCOR Sacramento é casado com Maria
João de Figueiredo Agostinho Caessa Sacramento e tem uma filha, a Maria da Graça
Figueiredo Agostinho Caessa Sacramento.
Quando exercia a função de 2.º Comandante do Regimento de Transmissões, após nomeação do seu Comandante para outro cargo, fui nomeado, por escolha, Comandante Interino do Regimento de Transmissões, por Despacho de S. Ex.ª o General Chefe do Estado-Maior do Exército, de 22MAR06, com efeitos reportados a 15FEV06, ocorrência que julgo constituir
situação singular na História deste Regimento.
Ao assumir o Comando, sabia que exerceria essa função por cerca de seis meses, correspondentes ao tempo previsto
para apresentação do meu sucessor, em conclusão de missão no estrangeiro. Entendi dever pautar a minha acção de Comando pelo respeito da manutenção das linhas gerais traçadas pelo meu antecessor e em não descuidar o estudo e preparação de algumas tarefas que me inspiravam especiais atenções.
Na acção de manter as linhas gerais, comandei um Regimento de características únicas no Exército Português que, para
além das normais actividades de Comando, Estado-Maior e de Apoio de Serviços, engloba militares técnicos especialistas que instalam, gerem, supervisionam e mantêm as Comunicações e os Sistemas de Informação do Exército, enquadrados no Batalhão de Estruturas e trabalham em parceria com outros técnicos especialistas de Segurança da Informação,
enquadrados na Secção de Exploração e Segurança.
Nesta conjugação de esforços, garantem a infra-estrutura de voz e dados que constitui o suporte do Sistema C4I do Exército, com os requisitos exigíveis de segurança, bem como a sua interligação com as infra-estruturas do EMGFA, Marinha,
Força Aérea e Civis, tal como a ligação aos diversos Teatros de Operações em que o Exército Português está empenhado
(Bósnia, Kosovo e Afeganistão).
SEMPRE MELHOR
TESTEMUNHOS DE EX-COMANDANTES
Tenente-Coronel Tm António José Caessa Alves do Sacramento
A mais valia do Regimento assenta no valor e empenho demonstrados pelos
seus Homens e Mulheres, Militares e Civis, capazes de comportamentos de
dedicação e abnegação exemplares, que tornavam fácil a acção de comando e o
cumprimento da Missão do Regimento de Transmissões.
Diariamente enfrentam as dificuldades com entusiasmo, apesar das adversidades relacionadas com as condições de
transporte e obtenção dos materiais e equipamentos indispensáveis à manutenção da infra-estrutura, garantindo um
elevado grau de fiabilidade. A mais valia do Regimento assenta no valor e empenho demonstrados pelos seus Homens
e Mulheres, Militares e Civis, capazes de comportamentos de dedicação e abnegação exemplares, que tornavam fácil a
acção de comando e o cumprimento da Missão do Regimento de Transmissões.
Das actividades que me inspiraram especiais preocupações, saliento a continuação do estudo da reestruturação do Regimento de Transmissões, visando a elaboração de uma proposta de Quadro Orgânico, tarefa que continuei, mas não foi
concluída no meu comando. Saliento igualmente a ocorrência de um conjunto de condições propícias que levaram à elaboração da proposta de atribuição da primeira condecoração do Regimento de Transmissões, que fazendo então vinte e
nove anos de existência, não ostentava qualquer condecoração no seu Estandarte Nacional. A resolução desta proposta
também não teve desfecho no meu período de comando.
O servir o Exército no Regimento de Transmissões durante seis anos, constituiu uma experiência muito enriquecedora e
marcante da minha vida profissional. Tornou-se especialmente inesquecível quando os últimos seis meses foram desempenhados como seu Comandante Interino, na patente de Tenente-Coronel, porque vivi uma honra que nunca poderia ter
sido prevista nas mais optimistas perspectivas da minha carreira.
210 > 211
SEMPRE MELHOR
GLOSSÁRIO
BIBLIOGRAFIA
212 > 213
GLOSSÁRIO
ABSM > Agrupamento Base de Santa Margarida
CCITT > Comite Consultatif Internationale de Telegraphie et Telephonie
ACP > Allied Communications Publication
CCom > Centro de Comunicações
ACR > Access Control Record
CCp > Centro Cripto
ADFA > Associação de Deficientes das Forças Armadas
CCS > Companhia de Comando e Serviços
ADM > Add-Drop Multiplexer
CCSP > Centro de Classificação e Selecção do Porto
AM > Academia Militar
CEDN > Conceito Estratégico de Defesa Nacional
AMAS > Área Militar Amadora Sintra
CEME > Chefe do Estado-Maior do Exército
AMSJ > Área Militar de S. Jacinto
CEP > Corpo Expedicionário Português
AqAL > Aqueduto das Aguas Livres
CETEPE > Chefia das Telecomunicações Permanentes do Exército
ARNOL > Área Nodal de Lisboa
CEU > Centro Emissor Ultramarino
ARTEL > Área Telemática de Lisboa
CExpl > Companhia de Exploração
ASCII > American Standard Code for Information Interchange
CFEx > Centro de Finanças do Exército
BA > Batalhão de Adidos
CFG > Centro de Finanças Geral
BAI > Brigada Aerotransportada Independente
CFP > Curso de Formação de Praças
BAM > Batalhão de Administração Militar
CSFM > Casa de Saúde da Família Militar
BAS > Batalhão de Apoio de Serviços
CHAT > Chefia de Abonos e Tesouraria
BC 5 > Batalhão de Caçadores n.º 5
CHESMATI > Chefia do Serviço de Material de Intendência
BCSI > Batalhão Comunicações e Sistemas Informação
CHT > Comissão de História das Transmissões
BER > Bit Error Rate
CIAAC > Centro de Instrução de Artilharia Anti-Aérea de Cascais
BEstr > Batalhão de Estruturas
CIE > Centro de Informática do Exército
BFE > Brigada de Forças Especiais
CINCIBERLANT > Comando Chefe da Área Ibero-Atlântica
BiH > Bósnia e Herzegovina
CIOE > Centro de Instrução de Operações Especiais
BISM > Batalhão de Informações e Segurança Militares
CISM > Centro de Informações e Segurança Militar
BLI > Brigada Ligeira Independente
CLog 6 > Companhia Logística n.º 6
BMI > Brigada Mecanizada Independente
CM > Colégio Militar
BRIGMEC > Brigada Mecanizada
CMan > Companhia de Manutenção
BRT > Batalhão Reconhecimento das Transmissões
CmdInstr > Comando da Instrução
BSGE > Batalhão do Serviço Geral do Exército
CmdLog > Comando da Logística
BSI > Batalhão do Serviço de Intendência
CmdPess > Comando de Pessoal
BSM > Batalhão de Serviço de Material
Cmdt > Comandante
BSS > Batalhão de Serviço de Saúde
CMEFED > Centro Militar de Educação Física e Desportos
BST > Batalhão do Serviço de Transportes
CML > Câmara Municipal de Lisboa
BT > Batalhão de Telegrafistas
CMSM > Campo Militar de Santa Margarida
BTC > Batalhão de Telegrafistas de Campanha
CNT > Contingente Nacional em Timor
BTm 4 > Batalhão de Transmissões n.º 4
COFT > Comando Operacional das Forças Terrestres
CAT > Conselho da Arma de Transmissões
COMSEC > Communications Security / Segurança das Comunicações
SEMPRE MELHOR
GLOSSÁRIO
COp > Comando Operacional
DIMIL > Divisão de Informações Militares
COR > Coronel
DIRM > Divisão de Instalações, Reabastecimento e Manutenção
CPAE > Centro de Psicologia Aplicada do Exército
DIVEX > Divisão de Exploração
CR > Centro de Recrutamento
DNS > Domain Name System
CS > Conselho de Segurança
DR > Direcção de Recrutamento
CSDE > Conselho Superior de Disciplina do Exército
DRM > Distrito de Recrutamento Militar
CSI > Centro de Segurança da Informação
DRMMT > Destacamento de Reabastecimento e Manutenção de
CSP > Centro de Selecção do Porto
Material de Transmissões
CTA > Campo de Tiro de Alcochete
DSEFE > Direcção do Serviço de Educação Física e Equitação
CTAT > Comando de Tropas Aerotransportadas
DSF > Direcção do Serviço de Finanças
CTE > Centro de Transmissões do Exército
DSFOE > Direcção do Serviço de Fortificações e Obras do
CTI > Comando Territorial Independente
Exército
CTIA > Comando Territorial Independente dos Açores
DSI > Direcção da Serviço de Intendência
CTIM > Comando Territorial Independente da Madeira
DSIE > Direcção de Serviço de Informática do Exército
CTm > Centro de Transmissões (no passado) e Companhia de
DSJD > Direcção do Serviço de Justiça e Disciplina
Transmissões (actualmente)
DSM > Direcção do Serviço de Material
CTm 5 > Companhia de Transmissões n.º 5
DSP > Direcção dos Serviços de Pessoal
CTP > Companhia de Telegrafistas de Praça
DSS > Direcção do Serviço de Saúde
CTP > Centro de Telecomunicações Permanentes
DST > Direcção dos Serviços de Transmissões
CTT > Correios, Telégrafos e Telefones
DTav > Destacamento de Tavira
CW > Onda Continua
EID > Empresa de Investigação e Desenvolvimento de Electrónica
DAA > Direcção da Arma de Artilharia
ELFc > Esquadrão de Lanceiros do Funchal
DAE > Direcção da Arma de Engenharia
EMA > Estado-Maior da Armada
DAMP > Direcção de Administração e Mobilização de Pessoal
EME > Estado-Maior do Exército
DASP > Direcção de Apoio dos Serviços de Pessoal
EMEL > Escola Militar de Electromecânica
DAT > Direcção da Arma de Transmissões
EMFA > Estado-Maior da Força Aérea
DCSI > Direcção de Comunicações e Sistemas de Informação
EMGFA > Estado-Maior General das Forças Armadas
DDHM > Direcção de Documentação e História Militar
EPA > Escola Prática de Artilharia
DestSan 7 > Destacamento Sanitário n.º 7
EPAM > Escola Prática de Administração Militar
DFA > Deficientes das Forças Armadas
EPC > Escola Prática de Cavalaria
DFin > Direcção de Finanças
EPE > Escola Prática de Engenharia
DGME > Depósito Geral de Material de Engenharia
EPI > Escola Prática de Infantaria
DGMG > Depósito Geral de Material de Guerra
EPS > Escola Prática dos Serviços
DGMI > Depósito Geral de Material de Intendência
EPSM > Escola Prática de Serviço Material
DGMT > Depósito Geral de Material de Transmissões
EPST > Escola Prática do Serviço de Transportes
DHCP > Dynamic Host Configuration Protocol
EPSVM > Escola Prática do Serviço de Veterinária Militar
214 > 215
EPT > Escola Prática de Transmissões
ISDN > Integrated Services Digital Networks
ESE > Escola de Sargentos do Exército
ISM > Instituto Superior Militar
ESPE > Escola Superior Politécnica do Exército
ITU-T > International Telecommunication Union–Telecomunications
ESSM > Escola de Serviço de Saúde Militar
IXBOX > Internet Exchange Box
ETAT > Escola de Tropas Aerotransportadas
KFOR > Kosovo Force / Força Kosovo (JUN99 - ...)
FHz > Feixes Hertzianos
LAN > Local Area Network /Rede de Área Local
FND > Força Nacional Destacada
LMPQF > Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos
FO > Fibra Óptica
LOE > Lei Orgânica do Exército
FOT > Frequência Óptima de trabalho
LPM > Lei de Programação Militar
FS > Forças de Segurança
MAC > Media Access Control / Controlo de Acesso ao Meio
GAC > Grupo de Artilharia de Campanha
MDN > Ministério da Defesa Nacional
GAG > Grupo de Artilharia de Guarnição
ME > Ministério do Exército
GALE > Grupo de Aviação Ligeira do Exército
MFA > Movimento das Forças Armadas
GCR > Centro de Gestão de Redes
MGEN > Major-General
GE > Guerra Electrónica
MM > Manutenção Militar
GEN > General
MMHS > Military Message Handling System
GML > Governo Militar de Lisboa
MONUA > United Nations Observer Mission In Angola / Missão de
GNR > Guarda Nacional Republicana
Observação das Nações Unidas em Angola (JUN97 – FEV99)
HF > High Frequency / Altas Frequências
MOST 4 > Message Oriented Service Technology
HMB > Hospital Militar de Belém
NMS > Network Management System
HMDIC > Hospital Militar de Doenças Infecto-Contagiosas
NSE > National Support Element
HMP > Hospital Militar Principal
OGFE > Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento
HMR > Hospital Militar Regional
OGME > Oficinas Gerais de Material de Engenharia
IAEM > Instituto de Altos Estudos Militares
ONU > Organização das Nações Unidas
IFOR > Implementation Force / Força de Implementação
ONUMOZ > United Nations Operation In Mozambique / Operação das
(20DEC95 – 20DEC96), Bósnia e Herzegovina
Nações Unidas em Moçambique (DEC92 - DEC94)
IGDN > Inspecção Geral da Defesa Nacional
OTAN / NATO > Organização do Tratado do Atlântico Norte / North
IGEO > Instituto Geográfico
Atlantic Treat Organization
IGeoE > Instituto Geográfico do Exército
PACE > Pocket Sized Automanual Crypto Equipment
IMPE > Instituto Militar dos Pupilos do Exército
PALOP > Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa
INDEP > Industrias Nacionais de Defesa, E.P.
PAR > Pontos de Acesso Rádio
INETI > Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação
PCE > Publicações de Comunicações do Exército
IP > Internet Protocol
PCM/TDM > Pulse Code Modulation / Time Division Multiplexing
ISAF > International Security Assistance Force / Força
PDH > Plesiochronous Digital Hierarchy / Hierarquia Digital
Internacional de Assistência à Segurança (6DEC01 - ...),
Plesiócrona
Afeganistão
PMAB > Prédio Militar da Avenida de Berna
SEMPRE MELHOR
GLOSSÁRIO
PMAF > Prédio Militar da Avenida de França
RIE > Regimento de Infantaria de Elvas
PPCA > Posto Privativo de Comutação Automática
RIF > Regimento de Infantaria de Faro
PPCAE > Posto Privativo de Comutação Automática e Electrónica
RIFc > Regimento de Infantaria do Funchal
PR > Presidência da República
RIP > Regimento de Infantaria do Porto
PSCE > Publicações de Segurança das Comunicações do Exército
RIT > Regimento de Infantaria de Tomar
PSP > Policia de Segurança Pública
RIVR > Regimento de Infantaria de Vila Real
PTAP > Projecto Tipo de Área Piloto
RL 2 > Regimento de Lanceiros n.º 2
PU > Pequenas Unidades
RLL > Regimento de Lanceiros de Lisboa
QG > Quartel-General
RM/ZM > Região Militar / Zona Militar
QMG > Quartel Mestre General
RMC > Região Militar Centro
QO > Quadro Orgânico
RML > Região Militar de Lisboa
RA > Regimento de Artilharia
RMN > Região Militar Norte
RA 1 > Regimento de Artilharia n.º 1
RMS > Região Militar Sul
RAAA 1 > Regimento de Artilharia Anti-Aérea n.º 1
RSS > Regimento do Serviço do Saúde
RAC > Regimento de Artilharia de Costa
RTm > Regimento de Transmissões
RAL > Regimento de Artilharia de Leiria
RV/RC > Regime de Voluntariado / Regime de Contrato
RALIS > Regimento de Artilharia de Lisboa
SCAMM > Sistema de Comutação Automático de Mensagens
RAPC > Rádio Personal Computer
Militares
RASP > Regimento de Artilharia da Serra do Pilar
SCE > Serviços Cartográficos do Exército
RATL/RATT > Rádio Telegrafia / Rádio Teletipo
SEN > Serviço Efectivo Normal
RCB > Regimento de Cavalaria de Braga
SES > Secção de Exploração e Segurança
RCE > Regimento de Cavalaria de Estremoz
SFN > Sistema de Forças Nacional
RCmds > Regimento de Comandos
SFOR > Stabilization Force (Janeiro de 1996 – Dezembro de
RDE > Rede de Dados do Exército
2005), Bósnia e Herzegovina
RE 1 > Regimento de Engenharia n.º 1
SICCE > Sistema de Informação para o Comando e Controlo de
REE > Regimento de Engenharia de Espinho
Exército
REL > Regimento de Engenharia de Lisboa
SICOM > Sistema Integrado de Comunicações Militares
RFW > Recursos Financeiros para Windows
SIE > Serviço de Informática do Exército
RG 2 > Regimento de Guarnição n.º 2
SIGDN > Sistema de Informação de Gestão da Defesa Nacional
RI > Regimento de Infantaria
SITEP > Sistema Integrado de Telecomunicações do Exército
RI 1 > Regimento de Infantaria n.º 1
Português
RIAH > Regimento de Infantaria de Angra do Heroísmo
SMOR > Sargento-Mor
RIAv > Regimento de Infantaria de Aveiro
SSE > Serviço de Segurança Electrónica
RIB > Regimento de Infantaria de Beja
SSFA > Serviços Sociais das Forças Armadas
RIC > Regimento de Infantaria de Coimbra
STM > Sigla inicialmente utilizada pelo Serviço Telegráfico Militar
RICB > Regimento de Infantaria de Castelo Branco
criado em 1908, posteriormente, após a sua extinção e com a
216 > 217
criação do Serviço de Telecomunicações Militares em 1951, foi
também adoptada por este Serviço
STM 3 > Sistema de Tratamento e Manuseamento de Mensagens
Militares
TA > Terminal de Acesso
TCOR > Tenente-Coronel
TerRAS > Terminal de Redes de Alta Segurança
TGEN > Tenente-General
Tm > Transmissões
TMTL > Tribunal Militar Territorial
TN > Território Nacional
TO > Teatro de Operações
TPF > Transmissão Por Fio
TSF > Transmissão Sem Fio
TTy > Teleimpressor
UNAVEM III > United Nations Angola Verification Mission / Missão
de Verificação das Nações Unidas em Angola (FEV95 - 30JUN97)
UNIFIL > United Nations Interim Force in Lebanon / Força de
Interposição das Nações Unidas no Libano (1978, reforçada em
2006)
UNMISET > United Nations Mission of Support in East Timor /
Missão das Nações Unidas de Apoio em Timor Lest (20MAI02 - ...)
UNTAET > United Nations Transitional Administration In East
Timor / Administração Transitória das Nações Unidas em Timor
Leste (25OUT99 – 20MAI02)
UPS > Uninterruptible Power Supply / Sistema de Alimentação
Ininterrupta
UU/EE/OO; UEOE ou UEO > Unidades, Estabelecimentos e Órgãos;
Unidades, Estabelecimentos e Órgãos do Exército
VCEME > Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército
VHF > Very High Frequency
VSAT > Very Small Aperture Terminals
WAN > Wide Área Network
ZMA > Zona Militar dos Açores
ZMM > Zona Militar da Madeira
SEMPRE MELHOR
BIBLIOGRAFIA
BIBLIOGRAFIA
LEGISLAÇÃO
> DAT, 1985, “Projecto de QO do Regimento de Transmissões Permanentes”, 30 de Abril de 1985.
> Decreto-Lei n.° 46/92 de 4 de Abril, “Estandarte Nacional”.
> Decreto-Lei n.° 50/93 de 26 de Fevereiro, “Lei Orgânica do Exército”.
> Decreto-Lei n.° 61/06 de 21 de Março, “Lei Orgânica do Exército”.
> EME, 1993, QO 5.8.350/EME – Despacho de Sua. Ex.ª o General CEME de 21 de Setembro de 1993.
> EME, 1994, Despacho n.º 182/94 de Sua Ex.ª o General CEME de 5 Setembro de 1994, “Articulação Técnico-Funcional das Telecomunicações
Permanentes do Exército”, publicado na OE n.º 9, págs 511 a 513.
> EME, 1997, Directiva 58/CEME/97, “Criação do Serviço de Segurança Electrónica (SSE)”.
> EME, 2000, Despacho do Sua Ex.ª o General CEME de 28 de Maio de 2000, “Criação do Serviço de Exploração e Segurança (SES)”, 1.ª Fase.
> EME, 2005, Despacho do Exmo TGEN VCEME de 5 de Dezembro de 2005, “Criação da Secção de Produção da SES”.
> EME, 2007, QO 34.0.00/EME – Despacho de Sua Ex.ª o General CEME de 22de Maio de 2007.
> ME, Ordem do Exército n.º 1, 1ª Série, 18 de Janeiro de 1908, “Regulamento do Serviço Telegráfico Militar”, págs 13 a 36.
> ME, Ordem do Exército n.º 1, 1.ª Série, 29 de Fevereiro de 1952, “Regulamento do STM” (Portaria 13.888, de 18 Março de 1952), págs 121 a 134.
> ME, Ordem do Exército n.º 5, 1.ª Série, 31 de Maio de 1977, “Criação Extinção de UEO no Exército – Transferência da Escola Prática de
Transmissões para o Porto e do Regimento de Transmissões para Lisboa” (Decreto-Lei n.º 181/77 de 1 de Fevereiro).
> ME, Ordem do Exército n.º 7, 1.ª Série, 31 de Julho de 1972, “Colocação STM na Dependência da Arma de Transmissões” (Decreto-Lei n.º 237/72
de 18 de Julho), págs 394 e 395.
> ME, Ordem do Exército n.º 7, 1.ª Série, 31 de Julho de 1972, “Extinção do Batalhão de Telegrafistas e criação da Escola Prática de Transmissões,
em Lisboa” (Portaria 382/71 de 19 de Julho).
> ME, Ordem do Exército n.º 8, 1.ª Série, 19 de Novembro de 1959, “Organização Geral do Ministério do Exército - Criação da Direcção da Arma de
Transmissões”, págs 569 a 672.
> ME, Ordem do Exército n.º 8, 1.ª Série, 31 de Agosto de 1970, “Criação da Arma de Transmissões” (Decreto-Lei n.º 364/70), págs 222 a 228.
> ME, Ordem do Exército n.º 8, 1.ª Série, 31 de Dezembro de 1951, “Criação do Serviço de Telecomunicações Militares (STM)” (Decreto n.º
38.568), págs 306 a 307.
LIVROS
> ALMEIDA, Jaime Fragoso de, 2004, “O Pombo-Correio – Mensageiro com Historia”, CTT, Janeiro de 2004, ISBN 972-9127-84-0.
> FALCÃO, COR Cav Conde, 2004, “Imagens da I Guerra Mundial”, Exército Português, Abril de 2004, ISBN 972-97400-1-X.
> MOREIRA, COR Eng. Guilherme Bastos Moreira, 1980, “Notas Sobre as Transmissões em Portugal”, Lisboa, Volumes 1, 2 e 3.
> PAÇO, Tenente Afonso do, 1938, “As Comunicações Militares de Relação em Portugal – Subsídios para a sua História”, Lisboa.
> PINTO, Brigadeiro Antonio A. Pereira, 1976, “Reflexões sobre a Problemática da Arma e Transmissões, I – Situação e Conceitos”, Direcção da
Arma de Transmissões, Lisboa.
> PINTO, Brigadeiro Antonio A. Pereira, 1976, “Reflexões sobre a Problemática da Arma e Transmissões, II - Perspectivas”, Direcção da Arma de
Transmissões, Lisboa.
218 > 219
REVISTAS E ARTIGOS
> ALVES, TCOR Tm Eng. Martins, 1992, “2. As Comunicações Permanentes – Ano 2000”, Semana da Arma de Transmissões de 1992, DAT, Vol. II.
> Comando do RTm, 1981, “Situação e Perspectivas do Regimento de Transmissões”, Semana da Arma de Transmissões de 1981, DAT,1º Volume.
> CORREIA, General Francisco J. Pinto, 1984, “Discurso de Encerramento da V Semana da Arma de Transmissões”, Semana da Arma de
Transmissões de 1984, DAT.
> FERNANDES, COR Tm Eng. Manuel da Cruz,1987, “Herança Histórica do Regimento de Transmissões”, 9 de Agosto de 1987, Lisboa.
> FERNANDES, COR Tm Eng. Manuel da Cruz, 1988, “Reunião de Comando – O SITEP”, 13 de Maio de 1988, Queluz.
> FERNANDES, COR Tm Eng. Manuel da Cruz e FERREIRA, MAJ Tm Eng. Edorindo, 1988, “O Sistema Integrado de Telecomunicações do Exército
Português (SITEP)”, Semana da Arma de Transmissões de 1988, DAT, Vol. I.
> FERNANDES, COR Tm Eng. Manuel da Cruz, 1987, “O Sistema Integrado de Telecomunicações do Exército Português (SITEP – Da Concepção à
Realização Concreta)”, VIII Semana da Arma de Transmissões, DAT, Vol. I.
> FERREIRA, MAJ Tm Eng. Edorindo, 1987, “PTAP – Cenário Envolvente (Feixes Digitais – LinkSul)”, VIII Semana da Arma de Transmissões, DAT,
Vol. I.
> FERREIRA, MAJ Tm Eng. Edorindo, 1987, “PTAP – Projecto e Implantação”, VIII Semana da Arma de Transmissões, DAT, Vol. I.
> FERREIRA, COR Tm Eng. Oliveira e STONE, COR Tm (Eng) Câmara, 2001, “O SICOM e a Relação com o SITEP”, Semana da Arma de Transmissões
de 2001, DAT.
> FERREIRA, MAJ Tm Eng. Oliveira, 1987, “PTAP – Descrição”, VIII Semana da Arma de Transmissões, DAT, Vol. I.
> FERREIRA, MAJ Tm Eng. Oliveira, 1987, “PTAP – Evolução para ‘ISDN’ (Rede Digital de Serviços Integrados)”, VIII Semana da Arma de
Transmissões, DAT, Vol. I.
> GERALDES, COR Tm Eng. Araújo, 1980, “Estudo de Situação do Comando do Regimento de Transmissões”, Semana da Arma de Transmissões de
1980, DAT, Vol. I.
> GERALDES, COR Tm Eng. Araújo, 1980, “Relatório de Comando – Período 24SET79 a 15OUT80”, 15 de Outubro de 1980, RTm.
> LIMA, Brig Pedroso, 1988, “Discurso de Abertura da IX Semana da Arma de Transmissões”, Semana da Arma de Transmissões, DAT, Vol. I.
> MOREIRA, COR Eng. Guilherme Bastos Moreira, 1984, “Museu da Arma de Transmissões”, Revista Militar n.º 16, Outubro de 1984, págs 713 a
721.
> MOREIRA, COR Eng. Guilherme Bastos Moreira, 1985, “As Telecomunicações no Exército Português / Breves Notas Históricas”, Revista Baluarte
(Revista das Forças Armadas Portuguesas), n.º 02/85, págs 6 a 15.
> MOREIRA, COR Eng. Guilherme Bastos Moreira, 1986, “Breves Apontamentos sobre o Mensageiros Alado”, Revista Militar n.º 10, Outubro, págs
847 a 853.
> MOREIRA, COR Eng. Guilherme Bastos Moreira, 1986, “O Serviço de Telecomunicações Militares”, Revista Militar n.º 3, Março, págs 165 a 173.
> MOREIRA, COR Eng. Guilherme Bastos Moreira, 1987, “Breves Apontamentos Históricos (2) - A Primeira Unidade de Campanha de
Transmissões”, Jornal do Exército n.º 325, Janeiro, pág. 44.
> MOREIRA, COR Eng. Guilherme Bastos Moreira, 1987, “Breves Apontamentos Históricos (4) – Emblemas e Distintivos”, Jornal do Exército n.º
329, Maio, pág. 49.
> MOREIRA, COR Eng. Guilherme Bastos Moreira, 1987, “Colaboração da Arma de Transmissões em Actos Eleitorais”, Revista Militar n.º 12,
Dezembro, págs 965 a 970.
SEMPRE MELHOR
BIBLIOGRAFIA
> MOREIRA, COR Eng. Guilherme Bastos Moreira, 1988, “Breves Apontamentos Históricos - A Companhia de Projectores (1927)”, Jornal do
Exército n.º 340, Abril, pág. 49.
> MOREIRA,COR Eng. Guilherme Bastos Moreira, 1989, “Viatura Auto-Pombal”, Jornal do Exército n.º 354, Junho, pág. 32.
> MOREIRA, COR Eng. Guilherme Bastos Moreira, 1990, “Algumas Notas Históricas sobre o Aquartelamento da Cruz dos Quatro Caminhos, em
Lisboa”, Revista Militar n.º 4, Abril, págs 243 a 257.
> MOREIRA, COR Eng. Guilherme Bastos Moreira, 1991, “Apontamentos Históricos – A Arma de Transmissões e seus Preâmbulos”, Jornal do
Exército n.º 375, Março, pág. 31.
> MOREIRA,COR Eng. Guilherme Bastos Moreira, 1992, “Apontamentos Históricos – Unidades de Arosteiros”, Jornal do Exército n.º 387, Março,
pág. 33.
> PINTO, General Pereira, 1980, “A Arma de Transmissões – Situação e Perspectivas em 1980”, Semana da Arma de Transmissões de 1980, DAT,
1º Volume.
> PINTO, General Pereira, 1980, “Directiva Técnica à Arma para 1980”, Semana da Arma de Transmissões de 1980, DAT, 1º Volume.
> PINTO, General Pereira, 1981, “Directiva Técnica à Arma para 1981”, Semana da Arma de Transmissões de 1981, DAT, 1º Volume.
> PINTO, General Pereira, 1982, “A Arma de Transmissões – Situação e Perspectivas em 1982”, Semana da Arma de Transmissões de 1982, DAT,
4º Volume.
> PINTO, General Pereira, 1982, “Directiva Técnica à Arma para 1982”, Semana da Arma de Transmissões de 1982, DAT, 4º Volume.
> PINTO, General Pereira, 1983, “A Arma de Transmissões – Situação e Perspectivas em 1983”, IV Semana da Arma de Transmissões - 1983, DAT,
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> PINTO, General Pereira, 1983, “Directiva Técnica à Arma para 1983”, IV Semana da Arma de Transmissões - 1983, DAT, 6º Volume.
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> AAVV, “Agrupamento de Transmissões de Angola, entre 1972 e 1974”, disponível na WWW: <URL: http://atma.com.sapo.pt/>.
> AAVV, “Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra”, disponível na WWW: <URL: http://www.apvg.pt/>.
> AAVV, “Batalhão de Transmissões n.º 4”, disponível na WWW: <URL: http://btm4.no.sapo.pt/>.
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> AAVV, “1º Batalhão de Infantaria-Pára-Quedista (Reforçado), UNTAET”, disponível na WWW: <URL: http://militaresemtimor.no.sapo.pt/>.
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SEMPRE MELHOR
BIBLIOGRAFIA
DIVERSOS
Diversos documentos pessoais gentilmente cedidos por:
- Grupo dos Amigos do Museu das Transmissões.
- Militares de Transmissões que estiveram integrados nas diversas FND.
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