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A FOCO A GESTÃO DA INTERNET DAS COISAS tecnologia da informação está revolucionando os produtos. Outrora compostos apenas de partes elétricas e mecânicas, os produtos se tornaram sistemas complexos que combinam hardware, sensores, armazenamento de dados, microprocessadores, software e conectividade em inúmeras formas. Esses “produtos inteligentes e conectados”— criados devido a grandes melhorias de processamento e na miniaturização de dispositivos e também pelos benefícios da onipresente conectividade sem fio — abriram uma nova era de competição. A oferta de produtos inteligentes e conectados amplia exponencialmente as oportunidades para criar novas funcionalidades, elevar consideravelmente a confiabilidade, aumentar acentuadamente a utilização e desenvolver capacidades que atravessam e transcendem as fronteiras tradicionais entre os produtos. A mudança de natureza dos produtos também está causando disrupção nas cadeias de valor, forçando as empresas a repensar e reformular quase tudo aquilo que fazem internamente. Esses novos tipos de produtos alteram a estrutura industrial e a natureza da competição, expondo as empresas a novas oportunidades e ameaças competitivas. Eles estão redefinindo as fronteiras industriais e criando setores totalmente novos. Em muitas empresas, os produtos inteligentes e conectados forçarão a formulação de uma pergunta fundamental: “Qual é o meu negócio?”. Os produtos inteligentes e conectados suscitam um novo conjunto de escolhas estratégicas em relação a como o valor deve ser criado e capturado, como a quantidade prodigiosa de dados novos (e sensíveis) que eles geram deve ser utilizada e gerenciada, como os relacionamentos com parceiros tradicionais de negócios devem ser redefinidos e que papel as empresas devem desempenhar em meio à expansão das fronteiras industriais. A expressão “internet das coisas” surgiu para refletir o crescente número de produtos inteligentes e conectados e destacar as novas oportunidades que podem representar. Mas esta expressão não é muito útil para entender o fenômeno ou suas implicações. A internet, quer envolva pessoas ou coisas, é apenas um mecanismo de transmissão de informações. O que torna os produtos inteligentes e conectados fundamentalmente diferentes não é a internet, mas a mudança de natureza das “coisas”. São as capacidades expandidas dos produtos inteligentes e conectados e os dados que geram que estão dando início a uma nova era de competição. As empresas devem olhar além das tecnologias em si e observar a transformação competitiva que está ocorrendo. Este artigo, em conjunto com outro que será publicado em breve, irá destrinchar a revolução dos produtos inteligentes e conectados e analisar suas implicações estratégicas e operacionais. A terceira onda de competição impulsionada pela TI Em outras duas ocasiões nos últimos 50 anos, a tecnologia da informação redefiniu radicalmente a competição e a estratégia. Hoje, estamos no limiar de uma terceira transformação. Antes do advento da moderna tecnologia da informação, os produtos eram mecânicos e as atividades da cadeia de valor eram realizadas usando processos manuais, em papel, e comunicação verbal. A primeira onda de TI, durante os anos 1960 e 1970, automatizou atividades individuais da cadeia de valor, do processamento de pedidos e pagamento de contas até o desenho assistido por computador e o planejamento dos recursos de manufatura (veja “Como a informação lhe proporciona vantagem competitiva”, de Michael Porter e Victor Millar, publicado originalmente em inglês na HBR de julho de 1985 e incluído no livro Revolução em tempo real: gerenciando a tecnologia da informação, da série Harvard Business Review, Editora Campus, 1997). A produtividade das atividades aumentou 46 Harvard Business Review Novembro 2014 44_67 Porter.indd 46 27/10/14 17:26