Download A cidadania como projecto educacional

Transcript
2ª Sessão, 15 de Janeiro
Hoje teve lugar a 2ª sessão da oficina de formação. Comecei este segundo
encontro com os professores perguntando-lhes se queriam acrescentar alguma coisa ou
comentar algum assunto que consideraram ter ficado pendente na última sessão. Eles
afirmaram que não. Então pedi que se organizassem em grupos de 3 pessoas e a cada
grupo distribui um texto de Ruben Alves. O tamanho dos textos era variável dependia
da profundidade e da complexidade apresentadas, no entanto todos tinham em comum o
facto de se referirem a problemas, dilemas, pequenas provocações sobre o trabalho e a
função dos docentes. No fim de contas, estes textos eram o ponto de partida para uma
complexa maratona, a discussão, análise e reflexão do conceito de educação.
Após 20 minutos de leitura e troca de ideias em grupo, começamos por analisar
cada um dos textos em assembleia de oficina. Os professores identificaram os seus
sentimentos e as suas práticas com os relatos dos textos. Partindo do texto de Ruben
Alves que fala sobre o que é o pensamento, uma professora colocou um dilema pessoal
que está a vivenciar, o facto de este ano lectivo estar atrasada no programa, por se ter
dedicado mais a trabalhar por projectos interdisciplinares e a trabalhar os conteúdos da
sua disciplina partindo do contexto dos alunos, daquilo que lhes é mais significativo.
Perante o visível desconforto eu perguntei-lhe se ela se sentia incomodada por tal
facto, ela disse-me que não sabia, pois por vezes sentia-se mal com a situação e por
vezes não. Sentia-se bem porque os alunos estavam a gostar mais, estavam mais
motivados e mais participativos, perante esta descrição os olhos da professora
brilhavam de alegria e satisfação por estar a educar e não somente a cumprir um
programa, que os alunos muitas vezes o vê como vazio de sentido e utilidade. Por outro
lado, a professora também se sentia bem, porque se sentia livre de gerir o seu espaço e
tempo pedagógicos, ela referiu que pela primeira vez estava numa escola que lhe
permita escolher como dar o seu programa e que não sentia cobrança da coordenadora
de departamento. Então, eu perguntei-lhe porquê é que a coordenadora lhe dava
liberdade e a professora não me soube responder. Uma outra colega interveio e
perguntou-lhe se achava que os alunos estavam a aprender mais agora ou quando ela
apenas se limita a cumprir apressadamente o programa fechada na sua sala de aula. Ela
respondeu que era efectivamente agora, mas que sentia um peso na consciência.
Naquele momento, esta discussão fez-me pensar que quando falamos em
educação há sempre um binómio que se impõe: educar vs instruir. Fiz questão de referi