Download Cover Page

Transcript
190/423
Às vezes, tarde da noite, quando o ônibus passava lentamente pela estrada cheia de buracos, eu tirava meu visor e olhava pela janela. Nunca
havia saído de Oklahoma antes, e estava curioso para ver o resto do país.
Mas a paisagem era sempre feia, e todas as cidades superpopulosas e em
ruínas pelas quais passávamos se pareciam umas com as outras.
Por fim, quando parecia que estávamos nos arrastando por aquela estrada por meses, o horizonte de Columbus apareceu à frente, brilhando
como Oz no fim da estrada amarela de paralelepípedos. Chegamos próximo
ao pôr do sol e já havia mais luzes acesas juntas na cidade que eu jamais
tinha visto antes. Eu havia lido que enormes painéis solares estavam espalhados por toda a cidade, com duas plantas de energia heliostática em sua
margem. Elas retinham a energia do sol o dia todo, armazenavam-na e a
utilizavam à noite.
Quando entramos no terminal de ônibus de Columbus, minha conexão
do OASIS foi cortada. Quando tirei meu visor e desci do ônibus com os
outros passageiros, a realidade de minha situação finalmente começou a me
ocorrer. Eu era um fugitivo, vivendo com um nome falso. Pessoas poderosas estavam a minha procura. Pessoas que queriam me ver morto.
Ao sair do ônibus, senti um peso grande no peito. Senti dificuldade
para respirar. Talvez estivesse tendo um ataque de pânico. Eu me forcei a
respirar profundamente e tentei me acalmar. Só precisava chegar a meu
novo apartamento, acertar a conexão e entrar de novo no OASIS. E então
tudo ficaria bem. Voltaria para ambientes familiares. Estaria em segurança.
Peguei um autotáxi e registrei meu novo endereço na tela sensível ao
toque. A voz sintetizada do computador do táxi me disse que o percurso
duraria cerca de 32 minutos com as condições de tráfego naquele momento.
Durante o trajeto, olhei pela janela para as ruas escuras da cidade. Ainda me
sentia zonzo e ansioso. Ficava olhando para o contador para ver quanto
ainda tínhamos de percorrer. Por fim, o táxi parou diante de meu novo prédio, um monólito verde às margens do Scioto, perto do gueto de Twin
Rivers. Percebi um fraco contorno na fachada do prédio, onde antes ficava
o logo do Hilton, quando o local era um hotel.
Paguei a viagem e saí do táxi. Então, dei mais uma olhada ao redor,
respirei o ar fresco pela última vez e entrei com minha mala pela porta da
frente, na recepção. Quando entrei na cabine de segurança, minhas