Download O amante

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Ele sabe muito bem o que vou dizer. Repito, as palavras agora mais compreensíveis
sem a escova, mas a presença da pasta ainda impede um discurso claro.
Ele revira os olhos e me pega no colo, me levando até o banheiro.
– Cuspa – ele ordena, enquanto me põe de pé.
Eu livro a boca da espuma e viro o rosto para o meu controlador irracional.
– O que é tudo isso? – faço um gesto grande com o braço na direção da casa toda.
Ele aperta os lábios para não sorrir e se inclina para lamber os resíduos de creme
dental em torno da minha boca, sua língua quente varrendo meu lábio inferior
lentamente.
– Pronto. O que é o quê? – ele leva a língua até minha têmpora e sopra seu hálito na
minha orelha. Eu me reteso quando ele fecha a mão sobre o meu sexo, espalhando
prazer por todo o meu corpo.
– Não! – eu o empurro. – Você não vai me manipular com a sua divindade deliciosa!
Ele dá o sorriso mais atrevido.
– Você acha que sou um deus?
Eu bufo, virando para o espelho. Ele está tão cheio de si que talvez eu tenha que me
atirar pela janela ou serei esmagada contra a parede.
Passando o braço pela minha cintura, ele me puxa e descansa o queixo no meu
ombro. Em seguida estuda meu re exo no espelho, insinuando seu pênis rijo entre
minhas coxas e fazendo círculos com o quadril, me obrigando a segurar a borda da pia.
– Não me importo de ser seu deus – ele sussurra.
– Por que minhas coisas estão aqui? – pergunto para o re exo dele, tentando fazer
meu corpo se comportar e não ceder à sua adorável divindade.
– Passei na casa da Kate para pegar algumas coisas mais cedo. Pensei em você passar
alguns dias aqui.
– Tenho direito a opinar?
Ele mexe aquele maldito quadril outra vez, arrancando um gemido de mim.
– E quando é que você tem?
Balanço a cabeça para ele no espelho, e um dos lados de sua boca se curva em um
sorrisinho safado, acompanhado de mais um giro do quadril. Não vou reagir ao quadril
sensual dele, porque sei que vai me deixar na mão de novo. E qual é a da Kate, deixando
ele mexer nas minhas coisas? Há muito mais que duas mudas de roupas penduradas
naquele armário. Qual é o jogo dele?
– Se apronte, baby. – Ele beija meu pescoço e me dá um tapinha no traseiro. – Vou
levar você para passear. Aonde quer ir?
Olho espantada para ele.
– Posso escolher?
Ele dá de ombros.
– Tenho que deixar você fazer alguma coisa, de vez em quando. – Seu rosto está
impassível. Ele está mesmo falando sério.
Eu deveria aproveitar a chance de ter um pouquinho de poder com unhas e dentes
enquanto ele está sendo exível, mas estou descon ada. Depois da reação ontem à
noite, do massacre ao vestido tabu e do silêncio, estou intrigada que ele tenha acordado