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até onde poderão suportar pressões corretivas, que problemas devem “ficar
para mais tarde”, em outras existências. Enfim, é um mundo de imponderáveis,
de incertezas e de probabilidades, nas quais inúmeras variáveis são postas em
discussão e avaliação, a fim de armar-se um esquema viável dentro do
possível, ainda que nem sempre o ideal.
No entanto quantas vezes, depois de tudo eqüacionado e montado, os
espíritos vêm para a carne e deixam de cumprir a parte que lhes toca e tudo se
desarma de novo!
Não obstante tais especulações mais ou menos teóricas serem da maior
utilidade, minha preferência sempre se dirige para a abordagem prática,
experimental, a experiência vivida e sentida, que nos proporciona exemplos
concretos, colhidos na vivência de cada um. Entendo mesmo que só se
aprende a viver vivendo, e não teorizando sobre a vida.
Por feliz entrelaçamento de circunstâncias, muitas e preciosas
oportunidades nos foram concedidas, ao longo dos anos, de “ver”
desdobrarem-se ante nossa atenta observação exemplos vivos dessa
desconfortável realidade de que, dificilmente, conseguimos levar a bom termo,
na carne, com a precisão e na extensão e profundidade desejadas, a tarefa
planejada no intervalo que vai de uma vida à seguinte.
Em uma oportunidade específica, contudo, um companheiro espiritual que
acabava de despertar de longo pesadelo de equívocos seculares abriu para
nós todo um riquíssimo acervo de experiências e observações maduramente
meditadas e, confesso, inesperadas, honestas, comoventes, na sua
impressionante sinceridade.
Como disse, vinha ele de um longo período de graves equívocos, através
de muitas existências sacrificadas às suas paixÕes desencontradas. No que
não está sozinho, infelizmente, pois esta tem sido, praticamente, a regra para
quase todos nós, até que uma espécie de terremoto íntimo nos sacode as
raízes do ser e, então, nunca mais seremos os mesmos.
O que se lê a seguir é, pois, um resumo comentado do que ele nos
relatou naquela noite.
- As vezes — começou ele — os compromissos perante a lei são tão
sérios que os espíritos acham que não há mais como retornar sobre seus
passos, a fim de reconstruir seus destroçados mundos íntimos. Foram muitos
os fracassos, no passado mais remoto e mais recente.
É certo que em tudo isso há sempre alguém disposto a ajudar, mas
também esse muitas vezes falha, como por exemplo a companheira que
combina voltar para uma vida de dificuldades comuns. Ela promete fidelidade,
que foi o ponto fraco, onde falhou mais gravemente. Monta-se um esquema
que atenda aquele mínimo de necessidades pessoais; de volta à carne, porém,
ela falha e volta a trair, movida por uma compulsão que ainda não aprendeu a
dominar. E ele falha porque, uma vez mais, não consegue ser tolerante e
compreensivo com as fraquezas alheias.
Esquemas programados para serem superados acabam gerando
situações irreparáveis, criadas, de início, não a partir de desentendimentos
propriamente ditos, mas de simples mal-entendidos, perfeitamente
contornáveis. Bastaria, para isso, uma pausa, um momento de reflexão, a fim
de tornar possível um debate sereno do problema, que não representa,
naquela fase, nenhuma dificuldade intransponível. Em vez disso, exaltam-se os
ânimos e complicam-se as coisas. Dificuldades superáveis viram impasses de