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A metonímia “Esse equilíbrio é uma coisa que não é de hoje para amanhã. Eles não
entendem isto” externa que o processo de construção da noção de ‘afetividade’, na interação
social com esta população, pode alcançar os extremos da dissociação, quando entendida como
‘desprezada’ e ‘necessária’ no discurso epidíctico a respeito dos grupos sociais fora da
educação não-formal. Se, por um lado o termo I ‘afetividade’ aparece como ‘desprezada’ e
colocada como secundária na educação formal e, desta forma, atribuída como tarefa da
educação não-formal; pelo outro, o termo II, aparece como ‘necessária’, e procurada pelos
profissionais da educação formal nas ONGs caritativas – com suas práticas organizadas a
partir de valores e conceitos humano-cristãos – como parte da solução das demandas não
atendidas pelo sistema formal. Assim, a metonímia demonstra um processo de organização de
suas práticas com a camada empobrecida que é desconhecida pelos outros grupos educativos,
por mais que eles consigam visualizar, em sua prática, uma ferramenta educacional
importante para o atendimento às demandas das camadas empobrecidas.
Outra atribuição importante realizada pelo educador social, que legitima o espaço de
‘diferenciação’ da educação não-formal, justifica a importância da construção da ‘afetividade’
como parte da ferramenta educativa deste profissional e decodifica a polissemia expressa
neste termo aparente do discurso dos educadores. É quando o educador discursa sobre a
atribuição feita pela família dos educandos-pobres.
Zacarias, ao utilizar a metonímia, “Eles (os pais) olham para a gente enquanto
educador, instituição, assim... é... a gente é o caminho para ajudar nesse processo da família
deles” reafirma que o grupo social ‘família’, assim como a escola, atribui aos educadores,
através da instituição, a responsabilidade de uma formação que vai além dos conteúdos dados
pela educação formal. A figura metonímica do ‘caminho’ está ligada diretamente à expressão
‘família deles’, ou seja, é esperado que o educador, com sua prática educativa, afete aos
educandos-pobres de forma a auxiliá-los no processo de desenvolvimento de seus vínculos,
familiares e sociais, que estão corrompidos pela pobreza e causam a modificação dos
‘comportamentos’ e a fragmentação dos sujeitos, como expresso por Jó, no discurso anterior.
A diferenciação, marcada pela ‘afetividade’ como filtro sociocognitivo, auxilia na
organização da prática educacional do educador social frente este grupo empobrecido. Na
metáfora “você pode usar da credibilidade da educação para o filho dele de alguma forma...”
percebemos que Zacarias tem a mesma preocupação de valorizar a ‘afetividade’ como
ferramenta do seu grupo social a partir do termo ‘credibilidade’. Este último é oriundo da