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Contexto ambiental conducente à saúde Situação actual Pouca atenção do sector da saúde à poluição atmosférica e alterações climáticas • As alterações climáticas, induzidas por factores antropogénicos, são principalmente devidas à acumulação dos gases com efeito de estufa (GEE), resultantes de actividades como a combustão de combustíveis fósseis, a desflorestação em grande escala e a rápida expansão da agricultura intensiva, os incêndios florestais e as queimadas agrícolas. São vários os impactos directos e indirectos previsíveis na saúde em resultado das alterações climáticas. Destaca-se o aumento potencial de mortes relacionadas com o calor, o aumento potencial de doenças transmitidas pela água e pelos alimentos, o aumento potencial de problemas relacionados com a poluição atmosférica, o aumento potencial do risco de doenças transmitidas por vectores e roedores. • Embora a diminuição do ozono estratosférico e as alterações climáticas possam ter uma análise independente, têm vários processos em comum. Por exemplo, os gases com efeito de estufa, especialmente os CFC, também destroem o ozono estratosférico, promovendo deste modo um aumento da proporção de radiação ultravioleta que atinge a superfície da Terra. Uma maior exposição a esta radiação provocará significativos impactos na saúde humana, designadamente, um aumento da incidência de cancros de pele em populações com pele mais clara ou em indivíduos com maior exposição. Pode também aumentar a incidência de lesões nos olhos, como as cataratas, e levar à fragilização do sistema imunitário. • Desconhece-se a dimensão do problema da poluição atmosférica e o seu impacto na saúde. A monitorização da qualidade do ar, que permite a obtenção de informação relativa à concentração de poluentes (ozono, óxidos de azoto, monóxido de carbono, dióxido de enxofre, compostos orgânicos voláteis, entre outros), ainda não é feita de uma forma que, sistematicamente, permita o seu relacionamento com possíveis efeitos na saúde. • A lista de substâncias monitorizadas para avaliar a qualidade do ar é extensa. Tome-se como exemplo, a situação relativa à poluição por ozono troposférico ocorrida em 2003. Até dia 10 de Setembro, e segundo os dados do serviço Qualar do Instituto do Ambiente (Base de Dados On-line sobre Qualidade do Ar), os níveis de ozono ultrapassaram os 180µg/m3 (“limiar de informação” à população) um total de 249 horas, situação sem comparação com os anos anteriores. O limiar de 240µg/m3, estabelecido como o novo “limiar de alerta” na Directiva 2002/3/CE, que revoga a legislação existente e que entrou recentemente em vigor em Portugal, foi mesmo excedido em 16 horas durante esse ano. Antes, o limiar de alerta era de 360 µg/m3. • Os altos valores podem ser parcialmente explicados pelas altas temperaturas que se fizeram sentir durante o mês de Agosto mas cabe às autoridades esclarecer a população sobre as outras causas (poluição atmosférica, circulação automóvel, combustões industriais, fogos florestais) e accionar os mecanismos de prevenção para proteger a população,especialmente, os grupos mais sensíveis, como crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios. • Uma situação desta gravidade merece mais atenção por parte das autoridades comparativamente àquela que actualmente é dispensada. Não existe um sistema nacional de informação ambiental capaz de, em tempo real, informar os cidadãos e accionar os mecanismos de prevenção. Existem postos de medição espalhados pelo País, embora a maior parte deles estejam concentrados nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Norte e, dentro destas regiões, nas zonas urbanas de Lisboa e Porto. Compete às Direcções Regionais de Ambiente e Ordenamento do Território efectuar as medições e dar o alerta sempre que se excedam os limiares estabelecidos. No entanto, este alerta é feito através de canais generalistas, não visando os grupos de maior risco. Uma tal falta de informação e estruturação, assim como a inexistência de mecanismos de prevenção, constituem, neste momento, um risco para a saúde pública. 60