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271 4.1 MODERNIDADE: CONSTITUIÇÃO DE UMA SOCIEDADE EDUCATIVA Seguindo a tese de que a educação tornou-se uma das principais artes de governo desde começos do século XVI, acredito que seja pertinente revisar algumas análises feitas por diferentes autores para estabelecer como e quais as práticas educativas, orientadas ao governamento de si, se articularam às estratégias de governamento modernas. Nesse sentido, parece possível fazer uma leitura da Modernidade na perspectiva da educação, e assim, tentar descrever como operaram algumas práticas de condução e, portanto, de individualização, no processo de constituição de uma Sociedade educativa. De acordo com Noguera-Ramírez (2011), em tal processo é possível perceber três modos de pensar e praticar a educação e o ensino. O primeiro modo, correspondente aos séculos XVII e XVIII, teve a forma de uma sociedade ensinante ou da Razão de Estado ensinante, e nele, a Didática constituiu-se no saber principal e o Homo docilis na forma subjetiva privilegiada; um indivíduo dócil que, na linguagem pedagógica da época, significava o indivíduo capaz de aprender e de ser ensinado. O segundo modo, de início do século XIX até meádos do século XX, corresponde a uma forma chamada de Estado educador, momento de emergência do conceito de educação no vocabulário pedagógico e de expansão da educação e da instrução pública nos distintos setores e grupos sociais. Nesse segundo modo, os conceitos de educação e formação (Bildung), por uma parte, e as tradições pedagógicas modernas (as ciências da educação francófonas, os Estudos do Currículo anglo-saxônicos e a Pedagogia ou Ciência da Educação germânica), por outra, foram as formas do saber, sendo o Homo civilis, o indivíduo civilizável, a sua principal figura subjetiva. Finalmente, o terceiro modo, constituído nos alvores do século XX, foi o período de estabelecimento das bases conceituais do que conhecemos como sociedade da aprendizagem e da forma subjetiva do Homo discens: um indivíduo aprendente que já não só deve aprender senão, também, aprender a aprender. Para esse modo de pensar, a psicopedagogia (francófona e anglo-saxônica) tornou-se a principal forma do saber. Nessa perspectiva de análise, podemos pensar que, para cada momento e para cada forma de subjetividade, se acomodaram e se ajustaram um conjunto de práticas de si que, cada vez mais, ocuparam lugares destacados nos discursos pedagógicos. Nesse processo de constituição da sociedade educativa, as técnicas de si tiveram um lugar de destaque que se expressou na relevância que o indivíduo, sua própria atividade, seus interesses e suas necessidades começaram a ter, bem como na dominância que os discursos sobre a
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