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J. R. Ward Irmandade da Adaga Negra 11 Havia se passado muito tempo, talvez tempo demais, desde que Sola quis um homem. Não que ela nãos os achasse desejáveis como uma regra, ou que não houvesse ofertas para encontros horizontais de membros do sexo oposto, mas nada parecia valer o agravamento. E talvez porque, depois de um relacionamento que não dava certo, ela regredia à sua rigorosa criação brasileira — o que era irônico, considerando o que ela fazia para ganhar a vida. Este homem, no entanto, chamou a sua atenção. Em grande forma. O aperto em seu braço e pulso não era nada educado, e mais do que isso, não havia sido lhe dado nem um quarto, porque ela era uma mulher, as mãos dele apertando a tal ponto que a dor canalizava para o seu coração, fazendo‐o martelar. Da mesma forma, o ângulo que ele a forçou para trás estava testando os limites da capacidade de sua coluna vertebral, e suas coxas estavam queimando. Ficar excitada era... uma negligência rude de auto‐preservação. Na verdade, olhando para aqueles óculos escuros, ela estava ciente de que ele podia matá‐la ali. Arrancar seu pescoço. Quebrar seus braços apenas para vê‐la gritando antes de sufocá‐la na neve. Ou talvez nocauteá‐la e jogá‐la no rio. O forte sotaque da sua avó veio na mente dela: por que você não pode conhecer um bom rapaz? Um rapaz católico de uma família que nós conhecemos? Marisol você parte o meu coração com isso. — Eu só posso supor, — aquela voz sinistra sussurrou com um sotaque e uma imposição com os quais ela não estava familiarizada. — Que a mensagem não foi passada para você. Está correto? Benloise simplesmente não conseguiu transmitir a você a informação — e é por isso que, depois que eu expressamente indiquei minhas intenções, você ainda apareceu para olhar a minha casa? Eu acho que foi isso o que aconteceu — talvez um correio de voz que ainda tem que ser recebido, ou uma mensagem de texto — ou um e‐mail. Sim, acredito que a comunicação de Benloise se perdeu. Não é mesmo? A pressão sobre ela foi intensificada, o que sugeria que ele tinha força de sobra — o que era uma perspectiva assustadora, para dizer o mínimo. — Não é verdade. — Ele rosnou. — Sim, — ela falou arrastado. — Sim. Isso mesmo. — Então, eu posso esperar não encontrá‐la mais por aqui com seus esquis, não é mesmo? Ele a puxou de novo, a dor fazendo seus olhos se revirarem um pouco. — Sim, — ela engasgou. O homem cedeu o suficiente para que ela pudesse respirar um pouco. Então ele continuou falando, com aquela voz estranhamente sedutora. — Agora, há algo que eu preciso antes de deixá‐la ir. Você vai me dizer o que sabe sobre mim — tudo. Sola franziu o cenho, pensando que aquilo era bobagem. Sem dúvida, um homem como aquele estaria bem ciente de qualquer informação que um terceiro pudesse adquirir sobre ele. Então aquilo era um teste. Dado que ela queria muito ver sua avó novamente, Sola disse, — Eu não sei o seu nome, mas posso adivinhar o que você faz, e também o que você fez. 172