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Orientador (a): Antônio Máspoli de A. Gomes
ENCONTRO: O ESTAR-PRESENTE AFETIVO REALIZANDO A EXISTÊNCIA
NASCIMENTO, L. F.
A tese tem como tema o momento do encontro como a realização da existência.
O momento do encontro é mágico. Ultrapassamos o fato de sermos humanos, encarnados em um corpo finito, previsível e
racional. Estamos no momento em que o tempo é relativo ao que estou vivendo, só há o imprevisível, não controlo e não
tenho razão. Onde Ser torna-se possível. Após esse momento, parto de mim, de minha inclinação e de minha maneira de ser
e de minha experiência. Uma relação inteiramente minha, livre de previsões, convenções e costumes. Depois que encontrar
este ser existencial, não temerei mais me perder. A descoberta existencial é esta. Eu me defino existindo. Existir é viver em
presença, em comparecência. Comparecer é estar presente, vivendo em relação. Sou um ser empenhado em realizar a
possibilidade da minha existência no mundo onde me encontro.
Este estudo avalia os desencontros com o nosso Ser em um mundo que hoje valoriza o eu forte, independente, poderoso na
instância do ter e do possuir. Um mundo no qual as pessoas valem o quanto “pesam” socialmente e, por isso, valorizam
imagem, títulos e cargos. Um mundo onde não há espaço para a alma. Imbuída de tanto “peso”, a pessoa perde o contato
com sua essência. Os desencontros com o Ser começam a partir dessa dissociação.
A tese delimita-se ao campo do encontro – Eu-com, Eu-tu. A partir de reflexões sobre o próprio Ser, apóia-se na teoria
fenomenológica, na qual a subjetividade permeia toda a pesquisa. A bibliografia privilegia autores que tratam da existência.
Sobre tais conceitos, a tese levanta idéias questionáveis, que podem apontar tanto para várias soluções quanto para nenhuma
resposta definitiva.
A tese conclui que não há outro meio de viver uma existência plena, responsável, consciente e verdadeira senão pela
abertura ao Ser existencial. E essa abertura só se dá no encontro. O Ser que é existência e não que tem existência. É
importante distinguir os conceitos de “ter” e “ser”. Eu sou minha existência, pois é ela que me define e não sou eu quem a
define. Eu me manifesto no meu existir, no meu experimentar, no meu viver, no meu comparecimento no mundo. A
existência é um eterno vir a ser de meu Eu. Eu não a defino. Ela é processo. Por isso, digo que eu sou minha existência. Se
eu dissesse que “tenho uma existência”, ela seria uma essência e seria definível. Eu a definiria. Mas existência não é
essência e não é definível. Ela só se define por si mesma.
Os desencontros do mundo são atribuídos ao desencontro do homem consigo mesmo, ao não comparecimento de seu ser no
mundo. Para se reencontrar, o homem deve perder o medo e deixar o seu Ser existencial comparecer. No encontro, estando
presente e existindo conscientemente, encontrarei o meu Eu.
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