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Tecnociência,
Humanismo e Sociedade
ISBN 978-85-8167-135-2
De 14 a 18/09/2015
(...) a construção de uma bela imagem feminina, inclui dois aspectos respectivamente: o esforço inerente
à sua modelagem e o dispêndio financeiro e de tempo, ambos inerentes ao consumo dos tratamentos
voltados para esta área (VILHENA et al, 2005, p. 125).
Compreendida a moda como algo consumido para evidenciar a beleza da mulher é possível se chegar a
duas percepções sobre a relação corpo e moda. A primeira refere-se ao elemento externo da mulher, a roupa,
a moda, uma superfície revelada por cores, tecidos, texturas, estampas, a imagem do feminino refletida como
um processo de comunicação, onde seu derrame a apresenta para o mundo. A segunda, o interior, o corpo. Ao
mesmo tempo em que ele depende da moda para se projetar, a moda depende dele para se suportar, com seu
volume (SALTZMAN, 2007). Ambos unidos provocam sensações, criam aderências, competem para sanar das
necessidades um do outro. A beleza pode ser o alvo, mas a moda e o corpo se difundem numa fusão efetiva de
informação e conteúdo.
Modelos: o corpo da imagem da moda
A moda é modelada. Essa afirmação não se refere às técnicas de modelagem e modulagem, fundamentais
na criação da moda, apenas; ela na verdade confirma a popularização de uma profissão que virou verbo: a de
modelo. Modelar na contemporaneidade é desfilar, demonstrar, mostrar o que é a moda e o que ela é capaz
de apresentar quando unida ao corpo. Uma modelo é capaz de dar vida a moda, personificando o vestuário,
gerando o sonho nos consumidores do setor, tornando-a cada vez mais pujante aos olhos de quem vê.
O designer de moda quando propõe uma roupa ou acessório ele propõe e imagina também uma
personagem, alguém capaz de refletir o conceito esperado (JONES, 2005). O mesmo ocorre com os responsáveis
pela divulgação da moda, como publicitários e fotógrafos. A modelo ideal é fundamental para que a vida
imaginada possa se tornar realidade, nem que seja apenas na passarela ou em um estúdio fotográfico. Jones
(2005) confirma essa tese afirmando o desejo de quem produz a moda:
Eles querem ter suas roupas apresentadas pelos corpos mais desejáveis do momento, ou encontrar
alguma atitude irresistível que a modelo personifica. Quando uma modelo é chamada para o casting
(seleção da equipe de modelos) de um desfile, será solicitada a “andar”, dar alguns passos, virar, fazer
pose e voltar, simulando o que se espera dela na passarela. Também pode ser solicitada a vestir uma
roupa para ver como a peça interage com o corpo em movimento. Os tecidos podem se comportar de
modos muito diferentes quando vestidos no corpo - podem flutuar, ricochetar e arrastar, tremeluzir e
ofuscar (JONES, 2005, p. 80).
Para cumprir esse papel, transformar-se nessa personagem que muitas vezes necessita ter vida por
menos de 10 segundos em uma passarela, a modelo precisa se aperfeiçoar e treinar o próprio corpo para as
mudanças que a profissão lhe exige. É preciso controlar gestos, postura, reaprender a andar para que aquilo
que veste se torne mais importante do que sua própria carne no momento em que trabalha (JONES, 2005).
Expressar emoções, sentimentos, desejos em expressões não verbalizadas passam a ser fundamentais nessa
missão de vender a moda no contexto em que ela foi concebida e inserida.
Enquanto algumas críticas apontam para a facilidade de uma profissão que exige poucos movimentos do
corpo e restrita produção intelectual, banalizando um ofício tão digno quanto outros, as modelos, profissionais
envolvidas em todo processo da moda, possuem uma vida na luta de oportunidades, divididas entre testes que
cultuam os nomes famosos e a beleza impactante; e brigas diárias com a balança, tornando distúrbios como a
anorexia e a bulimia comuns entre essas mulheres.
Apresentada em um padrão difícil de ser seguido, mas cultuado pela sociedade, a magreza é requisito
básico para enfrentar as lentes das objetivas e os metros das passarelas. Jones (2005) ainda reforça que
Por sua própria natureza, a beleza é uma raridade, e por isso aquelas que consideramos belas não são
representativas em massa. Menos de 5% das mulheres têm as medidas de uma modelo de moda. Hoje
as modelos pesam 23% menos que a média das pessoas. Há vinte anos essa diferença era de 8%. Fomos
tão acostumados a ver modelos absurdamente magras nas revistas e nos anúncios que mulheres de peso
normal se consideram gordas. Somos irrealistas em relação ao aspecto verdadeiro do corpo. Muitos
comentaristas acusam os meios de comunicação e especialmente a indústria da moda de promover esse
corpo irreal (JONES, 2005, p. 80)
SUMÁRIO
Arte, Corpo e Escritura
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