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Olinda Maria Noronha
Esta realidade da contratação, consumo e exploração do trabalho vivo torna atual a análise de Marx, no Manifesto Comunista, quando este
considera que
[...] esses operários, constrangidos a vender-se diariamente,
são mercadoria, artigo de comércio como qualquer outro; em
conseqüência, estão sujeitos a todas as vicissitudes da concorrência, a todas as flutuações do mercado. (MARX; ENGELS,
1980a, p.16)
O trabalho sob a lógica do capital separa o ser humano do trabalhador e exige um trabalhador que seja capaz de ter o domínio dos
princípios gerais subjacentes a toda a produção, caracterizando a versatilidade exigida pelas atuais forças do mercado capitalista. É neste sentido
que a tese da “centralidade da educação e do trabalho” perde força, pois
ela
[...] é fundada em algo que é justamente, o epicentro da crise:
o trabalho. Não há imaginação capaz de demonstrar que a
escola pode vir a ser a força propulsora de uma pós-modernidade construída a golpes de mercado e de tecnologias
empresariais desempregadoras. (PEÑA CASTRO, 2007)
Mas o homem, o trabalho e a educação não podem ficar reduzidos a essa perspectiva produtivista de mundo. Recorremos novamente
a Marx para encontrar uma saída ontológica e gnosiológica.
Dois conceitos centrais emergem da análise de Marx como
princípios metodológicos de grande significado: 1) a de que o homem
só pode individualizar-se na sociedade, na materialização da dialética
individual-coletivo; 2) e, no conceito de práxis como trabalho criador
humano, em que a essência humana é constituída no âmbito de sua
ação, realizando a crítica radical ao trabalho alienado e a afirmação da
possibilidade histórica de um trabalho humanizado pela via da práxis.
Marx reafirma deste modo sua compreensão dialética de homem, de mundo e de sociedade, de trabalho, de ciência e de tecnologia
como relações sociais, ao criticar a ingenuidade dos economistas clássicos que consideravam a natureza humana e suas produções não como
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