Download O PODER DOS JOGOS E OS JOGOS DE PODER:
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67 programa de marketing do COI, em seu livro “A virada Olímpica”, onde apresenta os desafios enfrentados e as estratégias adotadas para retirar o Movimento Olímpico de uma condição de quase falência no início dos anos 1980 e torná-lo o proprietário da marca da mais valorizada do mundo. Há uma tensão obvia entre os princípios idealistas e comerciais que ressoam com a filosofia olímpica moderna e a necessidade de sustentar financeiramente o maior evento atlético e de mídia do planeta. Cada vez mais, os críticos olímpicos admitem que essa tensão não é mais conflito, mas tornou-se equilíbrio dinâmico no qual a identidade dos jogos, como a incorporação de um conjunto especial de valores envolve uma dança delicada com entidades comerciais ansiosas por usá-la para vender o seu produto” (PAYNE, 2006, p. 32) A chave utilizada para resolver o paradoxo foi promover e tornar hegemônica dentro do Movimento Olímpico a ideia de que era perfeitamente possível conciliar o mercado que o sustenta e os valores morais do olimpismo. Isto foi alcançado através de um revolucionário programa de marketing que se apoia fundamentalmente em duas estratégias: de um lado, o controle centralizado da venda do direito de exclusividade para a transmissão televisiva em cada território do mundo; de outro lado, a venda do direito exclusivo, por categoria de produto, de associar uma determinada marca à marca Olímpica. Nesse programa, que constitui uma das maiores viradas da história do mundo empresarial, a mercadoria mais valorizada é exatamente o conjunto de valores não comerciais associados ao olimpismo. Os Jogos Olímpicos possuem um conjunto de atributos inegavelmente valorizados para qualquer um que lide com o marketing. Os Jogos Olímpicos valorizam a honra, a integridade, a determinação e o compromisso com a excelência, qualidades que a maioria das empresas deseja para si. Os Jogos Olímpicos são descritos com adjetivos como “dignos”, “cosmopolitas”, “globais”, “modernos”, “multiculturais” – e que repercutem muito bem junto aos patrocinadores, além de projetarem uma imagem positiva (Payne, 2006 p. 289). Embora de modo muito menos institucionalizado, com regras igualmente menos claras e com uma menor preocupação em manter imaculados os valores da passou a se estabelecer entre o mundo dos negócios, a mídia e o esporte a partir desse momento. Foi ele o responsável pela implementação do projeto de marketing que culminou na criação do Programa The Olympic Partners (TOP) de patrocínio, que determinou a revolução comercial dos Jogos Olímpicos. Em 1988, Payne foi contratado para ser o primeiro diretor de marketing do COI, estabelecendo um departamento na entidade. Até 2002 Payne permaneceu no comitê como um dos responsáveis pelos grandes contratos publicitários da entidade. Ver Payne (2006). Desde então tem trabalhado com consultoria de marketing sendo um dos responsáveis pela apresentação da Candidatura do Rio de Janeiro aos Jogos Olímpicos de 2016, como será visto no capítulo 5.