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desenvolvimento da moralidade, os autores brasileiros procuraram adaptar e colocar em
prática exercícios e procedimentos criados por Piaget e seus discípulos:
Este pensamento reforça o salutar papel da escola para a construção de uma
sociedade mais ética, solidária e justa. Diante de uma sociedade marcada
pela intolerância, precisamos propagar nossas vozes em prol da necessidade
da educação moral no âmbito da escola (OLIVEIRA, 2010, p.7).
Para a realização desses estudos brasileiros, os principais instrumentos de avaliação
moral precisaram ser traduzidos, adaptados e validados, de acordo com nosso contexto. Eles
serviram como referência para praticamente todos os estudos sobre moralidade realizados no
país mais recentemente. Mais uma vez, podemos perceber a grande influência dos estudos
sobre moralidade de Piaget e Kohlberg e como seus pressupostos filosóficos e teóricos foram
tomados sem o questionamento de alguns pontos fundamentais, que discutiremos no próximo
capítulo:
As pesquisas sobre o desenvolvimento moral, fundamentadas em Kohlberg,
geraram a elaboração de alguns instrumentos de avaliação de juízo moral e
da competência moral, que foram traduzidos e adaptados para a realidade
brasileira, dentre os quais se destacam a entrevista semiestruturada de
Kohlberg (MJI), o Defining Issue Test (DIT) e o Moral Judgment Test
(MJT) (BATAGLIA, 2010, p.1).
Uma das experiências educacionais mais conhecidas no Brasil foi a chamada
“Comunidade Justa”, modelo de experimento de Kohlberg aplicado por Biaggio em 1995,
numa escola particular de Porto Alegre – RS. Uma das características principais deste modelo
de educação era a de que se realizavam reuniões entre todos os participantes (professores e
alunos) e nessas reuniões, todas as questões de regras eram discutidas e predominava o voto
da maioria.
Outra importante característica deste modelo, referia-se aos métodos de discussão para
o desenvolvimento moral do grupo, os quais também eram baseados em técnicas de Kohlberg.
Às vésperas das reuniões eram formados “grupos conselheiros”, constituídos de pequenos
grupos de alunos e professores, que discutiam quais assuntos seriam mais propícios para uma
discussão moral, relacionados à manutenção ou à violação das regras na comunidade, como
coloca Biaggio:
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