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frisando os autores que é urgente aplicar nos cursos de Medicina as técnicas de discussão de dilemas morais. “Uma das propostas cujos achados empíricos têm demonstrado melhores resultados neste sentido é a discussão de dilemas” (FEITOSA, 2013, p.12). Ou seja, se a conclusão da leitura do livro O Juízo Moral na Criança de Piaget fosse a necessidade de tornar as instituições educativas ambientes democráticos e cooperativos, estaríamos de acordo. No entanto, o que resulta das pesquisas e propostas analisadas nesse campo são proposições de aplicação de técnicas de desenvolvimento de juízo moral, proposições essas que apresentam sérios limites e que são, potencialmente, contraproducentes, na medida em que permitem que as instituições e as contradições da sociedade permaneçam intocadas. Todos os artigos são convergentes na discussão sobre a educação moral; eles adotam a definição de juízo moral proposta por Kohlberg e objetivam o desenvolvimento moral dos participantes. Não foram encontrados artigos que fizessem críticas aos procedimentos de educação moral e aos seus limites. Em relação à teoria do juízo moral de Piaget, Kohlberg não elabora um outro conceito de juízo moral, somente se dedica ao aperfeiçoamento dos estágios morais. O conceito de juízo moral permanece o mesmo em ambos e é a partir desse conceito que Kohlberg elabora uma tecnologia de educação moral, com testes que visam o diagnóstico do estágio em que se encontram os estudantes, e com os dilemas morais, destinados à educação moral. Ao deixar de lado as contradições morais que existem no mundo real, os dilemas morais se apresentam de forma abstrata. Elegendo o dilema de Heinz como exemplo, não há em nenhum momento um questionamento sobre o significado da indústria farmacêutica no mundo. Ao apontarmos o dilema de Heinz como abstrato, dizemos que esse dilema se apresenta como um problema vivenciado por um ser humano hipotético, isolado, e sua contradição social é vivenciada como se fosse uma questão de escolha pessoal entre a regra social e um bem pessoal. Notamos que todos os autores compreendem os dilemas morais como se fossem dilemas individuais. No dilema moral abstrato há como, aparentemente, solucionar o conflito no âmbito individual. Por exemplo, ao roubar o remédio, Heinz pode se justificar, pois sua ação vai salvar uma vida. No entanto, uma ação individual não resolve em nada o problema que persiste que seria, por exemplo, uma sociedade que educa sujeitos para lucrar (o farmacêutico do dilema de Heinz) com a doença de outro ser humano, nem discute a questão sobre o monopólio de conhecimento que indústrias farmacêuticas possuem para conseguir explorar pessoas em situações de doença. O juízo moral adequado implica a equilibração no sujeito, o desenvolvimento lógico 66