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evidenciando a alienação do sujeito real. Para Maia, essa evidência coloca em separado as duas morais. Segundo ele: “Resulta, portanto, um dualismo que, se de um lado salva a metafísica e os conceitos universais no campo da moralidade, de outro a condena a ser separada da vida real dos homens, de suas reais ações.” (MAIA, 2012, p.78). Podemos entender que existe um verdadeiro abismo entre a metafísica e o real, no que diz respeito à moral kantiana. Porém, na leitura que Piaget faz de Kant, a moral encontra-se em estágios que se sucedem evolutivamente. O formalismo lógico dessa leitura de Piaget, deixa de lado justamente o elemento crítico kantiano que possibilitaria contrapor a sujeito real, heterônomo, e o sujeito ideal, que age de acordo com os imperativos categóricos, explicitando assim sua contradição. Como se pode constatar, partindo de Durkheim e Bovet, Piaget não considera que o desenvolvimento provém da interiorização da atividade realizada pelo sujeito e o que ele chama de constru-interacionismo, parte muito mais do indivíduo para a sociedade do que da sociedade para o indivíduo. Contrariamente a Piaget, a Teoria Crítica, enfatiza o movimento predominante na formação do sujeito, do social para o individual, e vice-versa, dialeticamente. Como nesta passagem em que Adorno discute a influência dos veículos de comunicação no aprendizado de “bons costumes”, ele diz que: “[...] tal como os autênticos processos de formação, avançam muito mais de fora para dentro do que inversamente, como pretende a ideologia” (ADORNO, 2006, p.84). Para Piaget, o processo de desenvolvimento é um processo de socialização, que parte do individual para o sujeito ser socializado. Na Teoria Crítica, a dialética entre indivíduo e sociedade vai além da alternativa “de dentro para fora – de fora para dentro”. A citação abaixo auxilia a esclarecer que o indivíduo evidentemente se constitui a partir do social, mas são as características totalitárias do social atualmente que fazem com que ele se isole e se torne exemplar de um padrão que reproduz o mundo externo sem poder se diferenciar. Os autores da Teoria Crítica colocam que: Rigorosamente falando, a socialização afeta o “homem” como pretensa individualidade exclusivamente biológica, não tanto desde fora, mas, sobretudo, na medida em que envolve o indivíduo em sua própria interioridade e faz dele um mônade da totalidade social. Nesse processo, a racionalização progressiva, como padronização do homem, faz-se acompanhar de uma regressão igualmente progressiva. O que outrora talvez acontecesse aos homens de fora para dentro, têm eles agora de sofrê-lo também em seu íntimo. É justamente por isso que tal “socialização interna” dos indivíduos não ocorre sem atritos, o que, por seu turno, gera conflitos 85