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A alteridade nos grupos sociais proporciona as ‘marcas identitárias’ sociais que serão
apreendidas pelos membros dos grupos como parte de seu processo de identificação grupal.
Jovchelovitch (2008, p. 222) recorda que “o eu não está só; ele é um entre muitos
outros, cujas diferentes perspectivas e posições na vida social são tão legítimas quanto a sua
própria.” A alteridade se dá no reconhecimento da legitimidade da identidade dos outros
grupos, ou seja, no reconhecimento de que as ‘marcas identitárias’ características de cada
grupo, embora produzidas no mesmo tempo histórico e cultural, podem ser constituídas a
partir de categorias diferentes. Esta convivência tolerável entre as diferentes perspectivas
vividas pelos sujeitos no mesmo tempo histórico é que torna possível o processo de
identificação dos sujeitos e sua permanência nos grupos sociais.
Desta forma, na relação de alteridade que compõe o processo identitário, os sujeitos
carregam consigo ‘marcas identitárias’ produzidas pelos seus grupos de pertença em uma
determinada cultura e num momento histórico partilhado por toda a sociedade. Estas ‘marcas
identitárias’ são compostas por um conjunto de significados, valores, crenças, representações,
categorias com as quais os sujeitos buscam organizar os resultados da sua relação com o
‘outro’ tanto individual quanto socialmente.
Jovchelovitch (2008, p. 221) nos recorda que os “encontros entre o eu e o outro podem
produzir diferentes resultados, dependendo de como os interlocutores se comunicam e se
reconhecem mutuamente como parceiros legítimos em interação.” Ou seja, este
reconhecimento do outro no processo identitário está organizado a partir das formas
relacionais que os sujeitos possuem em suas estruturas cognitivas, herdadas das experiências
individuais e sociais, para se identificar ou diferenciar do ‘outro’ no meio social.
As representações sociais podem se apresentar como uma destas ‘marcas identitárias’
que auxiliam na identificação dos sujeitos em relação aos seus grupos. Pela sua capacidade de
condensar as estruturas com as quais os sujeitos organizam o pensamento a respeito de
determinado aspecto da vida social do grupo, as representações sociais se transformam em
uma das possíveis categorias identificatórias que mantém a coesão do grupo e a identificação
dos sujeitos na relação de alteridade.