Download educador - Biblioteca Digital da PUC-SP

Transcript
105
trabalho social. A gestação conceitual de sua profissão promove, no espaço educacional
brasileiro, a confluência de objetivos, práticas e conceitos oriundos de diferentes grupos
profissionais – da área de educação, saúde, direito, assistência social, entre outros – que se
colocam sobre uma mesma categoria profissional (educador social) determinada pela
legislação brasileira às instituições sócio-educativas do Terceiro Setor.
O diálogo entre as representações dos educandos em estado de pobreza e a identidade
do educador social nas instituições do Terceiro Setor se faz imprescindível no sentido de
poder entender como este último assimila o seu trabalho e suas relações interpessoais – e
profissionais – em seu grupo e nos demais grupos envolvidos na educação não-formal. Este
movimento ajudará a compreender como se constitui o processo de sua identidade
profissional e como esta se torna a marca característica, ou não, da existência e pertença
grupal dos educadores que se movimentam neste ambiente pedagógico caracterizado pelas
constantes mudanças sociais que determinam diretamente a realização, ou não, de suas
práticas.
Assim, investigar as possíveis representações sociais de ‘educando-pobres’ destes
educadores, poderá auxiliar na compreensão de como são vivenciadas as suas relações de
alteridade, fundamental no seu trabalho educativo com as camadas empobrecidas, e como
estas representações se apresentam como ‘marcas identitárias’ em seu processo identitário de
formação do ‘ser profissional’ nas ONGs caritativas católicas.
2.3. Lançando moedas para o ar: a ‘cara’ da alteridade e a ‘coroa’ das representações
sociais no jogo de negociação da identidade profissional.
O processo identitário é um tema correntemente vivido no interior dos grupos sociais.
Por meio dele, os sujeitos se organizam em um movimento de diferenciação entre si e os
outros, no interior dos grupos. Deschamps e Moliner (2009, p. 23) frisam bem, ao colocar a
identidade como um processo que “remete ao fato de que o indivíduo se percebe como
semelhante aos outros de mesma pertença (o nós), mas ele remete também a uma diferença, a
uma especificidade desse nós em relação aos membros de outros grupos ou categorias (o
eles).”