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121 Principalmente no cenário atual de crise verifica-se o alto preço a pagar pela submissão impensada dos paises às imposições dos mercados financeiros. Não apenas em volume, mas também em importância, o capital especulativo acumula força suficiente para se proteger, mesmo em quadros economicamente desfavoráveis, sem qualquer preocupação com as conseqüências para a economia mundial. 340 Aliás, os quadros instáveis são cenários altamente lucrativos para os especuladores: considerando as facilidades do capital volátil, os especuladores transitam entre economias fragilizadas buscando as melhores taxas de câmbio para obtenção de lucro rápido e fácil. Não se investe, nem se solidifica, ou constrói, nem se estabelece: apenas de retira o lucro. Tal panorama traz muitas semelhanças com o período de exploração colonial brasileiro, no qual os poucos investimentos ocorriam apenas objetivando a manutenção da extração e dos lucros auferidos, sem qualquer preocupação efetiva com o bem estar da comunidade que se formava. Outro aspecto interessante é que o poder do capital especulativo também se assemelha ao poder que possuíam os grandes cafeicultores – que detinham cerca de 3/4 da produção mundial. Como aponta Celso Furtado, o preço do café se mantinha elevado em razão não da procura pelo produto, mas sim através da utilização de mecanismos artificiais de defesa (depreciação cambial). 341 Do mesmo modo, o capital volátil se mantém artificialmente, sem qualquer preocupação com as conseqüências de sua manifestação. Enoque Ribeiro dos Santos resume outros aspectos observados nas transformações do mercado de trabalho e seus impactos nas relações de trabalho, ressaltando os seguintes pontos: abertura de mercados, maior fluidez financeira, aumento de concorrência, transferência de propriedades e de tecnologia, introdução de novos procedimentos eletrônicos e de informatização, diminuição das margens de 340 CHESNAIS, François. Op. cit., p. 42. Situação descrita na obra de FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil, 30 ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2001. 341