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Principalmente no cenário atual de crise verifica-se o alto preço a pagar pela
submissão impensada dos paises às imposições dos mercados financeiros.
Não apenas em volume, mas também em importância, o capital especulativo
acumula força suficiente para se proteger, mesmo em quadros economicamente
desfavoráveis, sem qualquer preocupação com as conseqüências para a economia
mundial. 340
Aliás, os quadros instáveis são cenários altamente lucrativos para os
especuladores: considerando as facilidades do capital volátil, os especuladores
transitam entre economias fragilizadas buscando as melhores taxas de câmbio para
obtenção de lucro rápido e fácil. Não se investe, nem se solidifica, ou constrói, nem se
estabelece: apenas de retira o lucro.
Tal panorama traz muitas semelhanças com o período de exploração colonial
brasileiro, no qual os poucos investimentos ocorriam apenas objetivando a manutenção
da extração e dos lucros auferidos, sem qualquer preocupação efetiva com o bem estar
da comunidade que se formava.
Outro aspecto interessante é que o poder do capital especulativo também se
assemelha ao poder que possuíam os grandes cafeicultores – que detinham cerca de
3/4 da produção mundial. Como aponta Celso Furtado, o preço do café se mantinha
elevado em razão não da procura pelo produto, mas sim através da utilização de
mecanismos artificiais de defesa (depreciação cambial). 341 Do mesmo modo, o capital
volátil se mantém artificialmente, sem qualquer preocupação com as conseqüências de
sua manifestação.
Enoque Ribeiro dos Santos resume outros aspectos observados nas
transformações do mercado de trabalho e seus impactos nas relações de trabalho,
ressaltando os seguintes pontos: abertura de mercados, maior fluidez financeira,
aumento de concorrência, transferência de propriedades e de tecnologia, introdução de
novos procedimentos eletrônicos e de informatização, diminuição das margens de
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CHESNAIS, François. Op. cit., p. 42.
Situação descrita na obra de FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil, 30 ed. São Paulo:
Companhia Editora Nacional, 2001.
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