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Enfermagem Brasil Janeiro / Fevereiro 2007;6(1) Desse modo, diante das importantes reformas ocorridas na normatização do ensino de enfermagem no Brasil, foram suscitados os seguintes questionamentos: • que estratégias a direção da EEAP adotou, frente à nova padronização do ensino de enfermagem, estabelecida com a regulamentação da lei n° 775/49 e Decreto n° 27.426/49, para que a formação profissional desta Escola mantivesse até então o padrão por ela conquistado?; • quais foram às adaptações adotadas no currículo da EEAP a partir do ano de 1950 a fim de atender aos novos requisitos da regulamentação do ensino de enfermagem no País? Para atender essas questões, foram formulados os seguintes objetivos: • identificar as circunstâncias da lei 775/49 que regulamentou o ensino de enfermagem no Brasil; • analisar as estratégias adotadas pela direção da EEAP para a formação profissional frente à ótica da nova padronização do ensino de enfermagem no país. Materiais e métodos Trata-se de um estudo de natureza históricosocial, utilizando a análise documental. Esta abordagem prioriza a experiência humana e os processos de diferenciação e individualização dos comportamentos e identidades coletivas na explicação histórica [6]. Nesta proposta metodológica adotamos a noção de que os documentos são portadores de um discurso, e assim considerados, não são vistos como fatos e fenômenos transparentes [7]. Dessa forma, é necessário ter uma postura crítica diante dele, pois o documento não é um fato isolado, é a resultante de várias situações próprias. A História, como ciência social, está ancorada no coletivo. Logo, o fato histórico é, antes de tudo, coletivo na medida em que a história não examina fatos individuais isolados, mas encadeamentos e relações de fatos [8]. Os acervos documentais utilizados foram: o Arquivo Setorial Enfª Maria de Castro Pamphiro da EEAP/UNIRIO e o Centro de Documentação da Casa de Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). As fontes primárias utilizadas foram fichas contendo as informações pessoais e o histórico escolar dos alunos matriculados no período de 1950 a 1956; relatórios dos anos de 1950 a 1956 elaborados pela diretora da EEAP, lei 775 e decreto 27.426 ambos de 1949 que dispõem sobre o ensino de enfermagem no país. As fontes secundárias referiram-se aos seguintes temas relativos à pesquisa: História do Brasil, Política de Educação e Saúde, História da Enfermagem Brasileira, especificamente da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto. Esta pesquisa desenvolveu-se no período de agosto de 2005 a julho de 2006. A coleta de dados foi realizada através de duas atividades complementares e concomitantes: a prática documental realizada através do contato com os acervos documentais e a atividade de contato com a produção teórica historiográfica referente ao tema geral da pesquisa [8]. Para a operacionalização da coleta e análise dos dados encontrados, foi elaborado um instrumento de coleta de dados baseado na grade curricular da lei 775 e da existência das matérias no currículo da EEAP no período de 1950 a 1956. Em relação ao aspecto ético da pesquisa, a busca baseou-se nas fichas dos alunos da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto dos anos de 1950 a 1956, sendo levantadas essas apenas em nível de coleta de dados, sem utilizar nomes ou endereços dos pesquisados, apenas dados sobre o currículo escolar. Os relatórios pesquisados são documentos referentes à Escola encontrados no arquivo Enfª Maria de Castro Pamphiro da EEAP/UNIRIO, sendo esses de livre acesso à visitação pública. Resultados e discussão As circunstâncias da legislação do ensino de enfermagem em meados do século XX A primeira tentativa de organização do ensino de enfermagem no Brasil começa com a fundação da Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras em 1890, dirigida por médicos alienistas, era anexa ao Hospício Nacional dos Alienados, no Rio de Janeiro. A escola foi criada com o objetivo de preparar enfermeiros e enfermeiras para o trabalho com doentes mentais em hospícios, hospitais civis e militares. Por se situar inteiramente no campo da psiquiatria, as reformas exercidas na Escola, em diferentes momentos históricos, foram sempre de encontro ao interesse dos psiquiatras. Quanto à organização do currículo da escola, era assim definido: O curso, além de noções de disciplinas médicas aplicadas em âmbito hospitalar, ministrava conhecimentos de administração e de 40 Enfermagem_v6n1.indb 40 22/3/2007 17:53:23