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Enfermagem Brasil
Janeiro / Fevereiro 2007;6(1)
das mães-adolescentes, a solução para as
dificuldades o que implica em valorizar a
capacidade das mesmas”.
O cuidado materno deve ser desenvolvido
não de uma forma solitária pela adolescente, mas
com apoio do pai, da família e dos profissionais
de saúde. Pensamos que a inclusão da família no
processo possibilitará o aumento da resiliência e
capacidade adaptativa da adolescente à situação,
influindo positivamente na vivência do período
gravídico-puerperal.
Cabe ao enfermeiro atuar junto às mães adolescentes, trabalhando suas potencialidades para
cuidar, e, paralelamente desenvolver no pai e família
a idéia de que a responsabilidade sobre a criança é
de todos, e, portanto, de que o cuidado compartilhado é a única maneira de garantir a integralidade
do cuidado à criança.
A gestação na adolescência é um fenômeno
reconhecido mundialmente, cuja compreensão está
associada a fatores culturais dos indivíduos envolvidos no processo, ao período histórico e ambiente
em que ocorre. Assim, as reações à gravidez podem
manifestar-se de formas diferentes, dependendo das
experiências anteriores vividas pelo adolescente e da
aceitação do novo papel – antes adolescente e agora
adolescente gestante, como também da assistência
prestada à gestante adolescente [23,24].
Desse modo, se a gestação impede a adolescente de buscar realizações e felicidade, ou seja,
adaptar-se, certamente lhe trará prejuízos nos campos psicológicos e afetivos durante todo o curso de
sua vida, pois estará marcada por lutos simbólicos
derivados da vivência de contínuas perdas. No entanto, caso a gestante adolescente encontre apoio e
segurança durante o processo gestacional, a gravidez
se configurará num desafio e a maternidade num
processo de viver e dar a vida ao outro de modo
consciente e responsável.
Conclusão
Reiteramos que o biológico é o menor e mais
contornável problema no enfrentamento da gravidez
e maternidade pela adolescente, e que o principal
impacto para o adolescente se constitui no psicosocial. A vida do adolescente e suas necessidades de
saúde são, de fato, processos intrinsecamente ligados
à questão social que se estruturam na medida que
interagem com os diversos componentes – físicos,
culturais, econômicos, institucionais, políticos e
éticos [25,26].
Em vista disso, a prática assistencial dedicada
às mães adolescentes precisa valorizar o contexto em
que elas estão inseridas, captando as diversidades e
modificações desta fase, de forma que possa subsidiar o planejamento de uma assistência integral,
educativa e social, preparando-as para o cuidado
de seus filhos.
No que diz respeito a este apoio , o enfermeiro
tem um importante papel, pois é o profissional que
está próximo à adolescente e família, tendo condição, portanto, de criar vínculo e confiança, conseguindo orientá-las a fim de superar as dificuldades
que permeiam o ciclo gravídico-puerperal.
Espera-se com a pesquisa contribuir para fundamentação teórica necessária para instrumentalizar
o enfermeiro na atuação junto à adolescente, pois
este conhecimento o aproxima do universo de transformações que ocorre no adolescer e dos processos
que abarcam a história de vida destas mulheres, que
estão modificando seus espaços internos e externos,
a partir das relações com o mundo da gestação e da
maternidade, como também o remete à percepção
da mãe adolescente, como pessoa que necessita de
cuidados diferenciados.
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