Download Heron Lisboa de Oliveira
Transcript
196 religiões cristãs e de recriação das religiões de matriz africana (LUZ, 2000 apud BRASIL/SECAD, 2006, p.22). Dentro das práticas da medicina tradicional caseira, conhecimento que vem sendo ensinado aos jovens que demonstram esse interesse, já havíamos destacado a presença de benzedeiras/os e curandeiras/os durante todo o período da ocupação negra daqueles territórios até a atualidade. O trabalho das parteiras também faz parte da lembrança das famílias, pois por mais de um século as comunidades conviveram com esta realidade; ser parteira era atividade que naturalmente as mães ensinavam para as filhas, que ao aprender davam continuidade a esses conhecimentos. Atualmente não se divulga essa prática pelo acesso proporcionado à saúde da mulher em postos públicos de atendimento; no entanto moradoras mais antigas contam das dificuldades da gravidez, que por falta de chegar a tempo, “as distâncias e sem condução”, raramente iam a um hospital; assim, na hora do parto eram atendidas pelas parteiras da comunidade ou alguma da vizinhança. Na Mormaça, várias moradoras relembraram das parteiras que trabalharam até mais ou menos 1988. Quase todos os moradores até essa data, nasceram em casa pelas mãos dessas mulheres. “Me lembro até hoje, tinha várias partera, mas Tia Chica, eu era pequena, fazia parto de muita gente aqui e das vizinhança, dos italiano e dos outro também. O pessoal já se preparava, quando tava perto dexava amarrado dois cavalo e as ensilha por ali; quando a mulher dava sinal do parto iam busca Vó Chica. Ela vinha a cavalo com uma malinha na garupa e atrás notro cavalo, o pai da criança. Fez muito parto difícil, salvou mãe e filho já! Usava fazê lavagem com um chá de planta anti-inflamatória, era um chá poderoso pra mulher que ganha nenê em casa. Pra dor, fervia nozmoscada com cachaça e dava pra toma!” (N.O., 67, março de 2014). “Minha mãe falava da Vó Chica de quantos parto ela fez, ia sempre a cavalo, levava o material do parto; as veis chegavam na casa dela, ela tinha bebido umas, não tinha problema, montava no cavalo e devagarinho chegava, fazia sempre os parto bem certinho. Aqui tinha outras partera, a “Picucha” chamavam de “Bugra”, era filha do Vó Chica; a Iracema da