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Freinet vai ao ensino médio no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo - Campus São Paulo
Carlos Alberto Vieira/Marlene das Neves Guarienti
para a aquisição de conhecimento, como
navegar pela internet – numa atualização
da aula passeio de Freinet – para pesquisar
as provas e as respectivas resoluções
nas páginas das universidades ou dos
cursinhos preparatórios. Em seguida, as
resoluções propostas eram analisadas
para verificar como o autor as tinha
desenvolvido, quais teorias usou, enquanto
que outras possíveis resoluções também
eram discutidas.
Nestas atividades, cabia a investigação
do aspecto histórico e cultural das teorias
envolvidas nas questões e em suas
resoluções, buscando o contexto de suas
descobertas e seu valor para o mundo da
ciência – elemento fundamental para a
proposta interdisciplinar.
A contextualização e a interdisciplinaridade eram, em grande medida, o foco da
pesquisa, e as questões que não atendiam
minimamente tais critérios eram retrabalhadas e modificadas, uma vez que adotamos
a premissa de que a contextualização e a
interdisciplinaridade são condição para a
busca do aprendizado significativo.
Sabemos que o parecer CEB nº 15/98
(1998 apud BRASIL, 1999, p. 91) vai ainda
mais longe, afirmando que “o tratamento
contextualizado do conhecimento é o recurso
que a escola tem para retirar o aluno da
condição de espectador passivo”, em uma
tentativa de romper a fragmentação do
conhecimento, tornando-o significante.
O Projeto “Jornal do Vestibular”
buscou alterar a condição de espectador
passivo, criando condições para o
surgimento de um protagonismo dos
alunos, a partir da ideia de colocá-los
diante da prática da análise e da crítica com
vistas a um objetivo mais abrangente no que
tange à sua apropriação de conhecimentos
interdisciplinares contextualizados
no seu cotidiano, e isto se processou
desde a pesquisa até a elaboração e
escrita efetivamente autoral dos
artigos publicados.
Os alunos, gradativamente, passaram
a modificar a relação com seus estudos e
o tratamento do conhecimento, revisando
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todos os conteúdos que já haviam estudado
anteriormente, mas sob uma outra ótica,
o que envolvia buscar uma interface
principalmente entre as disciplinas
Biologia, Física, Matemática e Química,
relacionando-as entre si e com o seu
cotidiano. Essa vivência vai ao encontro
do que escreve Ivani Fazenda (2005, p. 17)
sobre projetos: “(…) ter em mente que um
projeto interdisciplinar não é ensinado, e
sim, vivenciado”.
Entendemos que, com a prática da
reconstrução, os alunos são estimulados
a refletir sobre as teorias envolvidas nas
resoluções das questões, mas apoiando-se na
interdisciplinaridade e na contextualização,
tendo a liberdade e a oportunidade de
criar, com os seus colegas, seus próprios
exercícios e construir coletivamente os
seus conhecimentos.
Outro momento essencial acontecia
quando os alunos apresentavam os seus
resultados em seminários, atividade que
fomenta a iniciativa e a postura pró-ativa,
promove a socialização das pesquisas e
fortalece o pensamento crítico construtivo,
bem como o respeito às diferenças, e
desenvolve as práticas éticas.
A prática dos seminários representa
uma importante abertura de espaço
para participação, ao admitir perguntas,
sugestões, debates, trocas, atitudes de
fundamental importância na concepção
do projeto “O Jornal do Vestibular”, pois
contribuem com a capacitação do aluno
para a vida produtiva em sociedade.
Aos professores cabia estimular as
reflexões sobre os conceitos desenvolvidos,
complementar teorias que se faziam
necessárias para a compreensão dos
exercícios, sugerir adequações de postura
na apresentação e nas participações, entre
outros aspectos.
Após o fechamento da etapa dos
seminários, passava-se à preparação da
edição do jornal, quando eram acionados
principalmente os conhecimentos de
Língua Portuguesa, numa correção coletiva
que envolvia tanto os alunos quanto os
professores do projeto.
Sinergia, São Paulo, v. 12, n. 2, p. 199-204, maio/ago. 2011