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Para que isso seja possível, as ações de extensão não podem se omitir das discussões do cotidiano e do vivido dos grupos incubados. Se isso ocorrer, estaremos pagando o preço: será difícil a emergência de resistências conscientes e organizadas, e aumentarão as possibilidades de controle que poderão tornar as pessoas menos autônomas e conscientes da necessidade de sua intervenção social (PÉREZ, 2003). Por tudo isso, destacamos a urgência de incorporarmos na metodologia de incubação os saberes multiculturais estruturados no diálogo entre grupos, na trajetória de vida, nas idas e vindas das famílias a procura de um lugar melhor para viverem. São mecanismos que possibilitarão o questionamento da “monocultura do saber”, da supremacia do saber científico que procura negar o “saber fazer” dos diversos grupos. Concordamos com a afirmação a seguir: Em nome da ciência moderna destruíram-se muitas formas de conhecimento alternativos e humilharam-se os grupos sociais que neles se apoiavam para prosseguir as suas vias próprias e autônomas de desenvolvimento [...]. Foi, em boa medida, graças aos recursos que lhe proporcionava a ciência que o poder imperial, nas suas várias manifestações históricas, conseguiu desarmar a resistência dos povos e grupos sociais conquistados (SANTOS; MENESES; NUNES, 2005, p. 28). Nos processos extensionistas e de metodologias de incubação, é fundamental instituir uma autorreflexão contínua para não se perder de vista o horizonte da economia solidária e da política emancipatória. Um horizonte que pode indicar a ressignificação dos ideais de uma sociedade justa, e nesta, as Incubadoras serão espaços políticos e culturais nos quais as experiências, as subjetividades, os sonhos e as aspirações serão fortalecidos e as resistências poderão se reestabelecer – se rearmar. As teorias e metodologias podem produzir um movimento entre o existente e o devir a favor da superação das condições de dominação e opressão na sociedade, indicando a possibilidade de que a cultura e os saberes populares sejam incorporados nas relações de produção, passando a orientá-las por um trabalho digno, justo, autônomo, reflexivo, crítico e libertador. Parece inatingível, mas o contato direto com os grupos incubados dos assentamentos indica os possíveis desses caminhos. Mesmo com conflitos, avanços e recuos, a intenção, a vontade e os desafios estão 37
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