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336 e a heterogeneidade de organizações sindicais docentes não obstacularizaram a viabilidade da oposição à política de ADD do ME. As dificuldades passaram a existir no momento em que a Plataforma Sindical teve que formular uma contraproposta de avaliação docente. Nesse instante, ela se desmembrou e as organizações construíram individualmente as suas propostas, sobretudo porque havia diferenças político-ideológicas entre elas que resultavam em distintos apoios aos partidos no governo (PS e PSD) e, consequentemente, implicavam na construção de propostas divergentes de AD. Em SP, as políticas de bonificação continuam até hoje, embora o Secretário de Educação Herman VoorWald tenha se predisposto, em agosto de 2013, a alterar o modelo por ser contrário a utilizar o IDESP como critério para bonificação. Além disso, foram identificados casos de fraude nas provas do SARESP, quando os professores ajudaram seus alunos a respondê-las visando a receber maiores bônus. O Secretário, que afirma ouvir as organizações sindicais docentes, combinou com as mesmas, também em agosto de 2013, que a prova do mérito, a partir de 2014, se tornaria optativa para a promoção na carreira. Voorwald fala da importância de dialogar com as organizações sindicais docentes. No entanto, a criminalização do movimento sindical docente em SP, em 2013, revela que essa importância permanece no nível do discurso. Vemos, portanto, que, tanto em SP, quanto em Portugal, a estratégia adotada pelos governos para implementar as políticas de avaliação docente foi a construção, “baseada em dados estatísticos”, da imagem e a retórica contra o professor faltoso, visando, com isso, conquistar a opinião pública. A construção do consentimento não passou pela tentativa de dialogar com as organizações sindicais docentes, de envolvê-las no desenho e na avaliação da política, como sugeriu a OCDE (2009) para o governo português. Pelo contrário, os governos que instauraram as políticas de avaliação docente em Portugal e SP provocaram conflitos intensos com as organizações sindicais. O objetivo era enfraquecê-las, isola-las e desqualifica-las socialmente. Os governos, com o apoio forte da mídia, tentaram jogar a sociedade contra os sindicatos de professores, acusando-os de corporativistas e de não estarem preocupados com a qualidade da educação. Portanto, esses governos tentaram excluir as organizações sindicais docentes portuguesas e paulistas do