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e a heterogeneidade de organizações sindicais docentes não
obstacularizaram a viabilidade da oposição à política de ADD do
ME. As dificuldades passaram a existir no momento em que a
Plataforma Sindical teve que formular uma contraproposta de
avaliação docente. Nesse instante, ela se desmembrou e as
organizações construíram individualmente as suas propostas,
sobretudo porque havia diferenças político-ideológicas entre elas
que resultavam em distintos apoios aos partidos no governo (PS
e PSD) e, consequentemente, implicavam na construção de
propostas divergentes de AD.
Em SP, as políticas de bonificação continuam até hoje,
embora o Secretário de Educação Herman VoorWald tenha se
predisposto, em agosto de 2013, a alterar o modelo por ser
contrário a utilizar o IDESP como critério para bonificação.
Além disso, foram identificados casos de fraude nas provas do
SARESP, quando os professores ajudaram seus alunos a
respondê-las visando a receber maiores bônus. O Secretário, que
afirma ouvir as organizações sindicais docentes, combinou com
as mesmas, também em agosto de 2013, que a prova do mérito, a
partir de 2014, se tornaria optativa para a promoção na carreira.
Voorwald fala da importância de dialogar com as organizações
sindicais docentes. No entanto, a criminalização do movimento
sindical docente em SP, em 2013, revela que essa importância
permanece no nível do discurso.
Vemos, portanto, que, tanto em SP, quanto em Portugal, a
estratégia adotada pelos governos para implementar as políticas
de avaliação docente foi a construção, “baseada em dados
estatísticos”, da imagem e a retórica contra o professor faltoso,
visando, com isso, conquistar a opinião pública. A construção do
consentimento não passou pela tentativa de dialogar com as
organizações sindicais docentes, de envolvê-las no desenho e na
avaliação da política, como sugeriu a OCDE (2009) para o
governo português. Pelo contrário, os governos que instauraram
as políticas de avaliação docente em Portugal e SP provocaram
conflitos intensos com as organizações sindicais. O objetivo era
enfraquecê-las, isola-las e desqualifica-las socialmente. Os
governos, com o apoio forte da mídia, tentaram jogar a
sociedade contra os sindicatos de professores, acusando-os de
corporativistas e de não estarem preocupados com a qualidade da
educação. Portanto, esses governos tentaram excluir as
organizações sindicais docentes portuguesas e paulistas do