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para elevar a produtividade, a competitividade e a lucratividade
das empresas na economia capitalista. Organizações sindicais
docentes como a FENPROF e a APEOESP põem-se como
“obstáculos políticos” a este movimento, procurando, na
correlação de forças, fazer prevalecer a bandeira da Escola
Pública, Gratuita, Laica, de Qualidade e Socialmente
Referenciada para os filhos dos trabalhadores.
Essas organizações sindicais, que representam o interesse
coletivo dos trabalhadores da educação, também se contrapõem
às políticas de avaliação docente devido ao caráter meritocrático
e individualista que as embasa. Em SP, as políticas de
bonificação focam o mérito do indivíduo ou, no máximo, da
equipe escolar, que representa um conjunto de indivíduos que,
para
fins
de
reconhecimento
do
mérito,
torna-se
momentaneamente coeso. Esta coesão grupal, com tempo de vida
útil de um ano e anualmente renovável, dirige-se a satisfazer o
objetivo financeiro do grupo de obter uma maior bonificação.
Para Ferraz (2009), um dos ideólogos da remuneração por
desempenho, o alcance das metas e dos respectivos bônus
pressupõe não apenas coesão, mas também cooperação e
confiança, tanto para elevar o esforço dos colegas, como para
conter os ditos professores caronistas, ou seja, aqueles que
pegam carona nos ombros dos professores esforçados. Apelando
para grupos de indivíduos divididos por unidade escolar, as
políticas de bonificação docente produzem colaboração e coesão
instrumentais, funcionais, visando à conquista de maior
gratificação. A meritocracia, princípio que as sustenta, reforça o
individualismo, estimula uma falsa cooperação e nega a ação
coletiva, subentendida no ideário dos intelectuais burgueses
“modernos” (IOSCHPE, 2011; SOUZA, 2009) como algo
ultrapassado. Por outro lado, essas políticas, contraditoriamente,
podem produzir solidariedade e unidade na categoria docente.
Em SP, elas juntam os trabalhadores de cada escola para
premia-los diferentemente. O professor soma-se e mobiliza-se
com os demais em seu local de trabalho para tentar fabricar uma
complementação salarial que ajude a satisfazer as suas
necessidades vitais. Nesta perspectiva, a noção de categoria
docente não engloba mais o conjunto dos professores da rede
estadual de ensino, mas tão-somente a equipe de professores da
escola. Por trás disso, aparece a intenção política de um governo
neoliberal de pulverizar pelas mais de cinco mil escolas da rede