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331 para elevar a produtividade, a competitividade e a lucratividade das empresas na economia capitalista. Organizações sindicais docentes como a FENPROF e a APEOESP põem-se como “obstáculos políticos” a este movimento, procurando, na correlação de forças, fazer prevalecer a bandeira da Escola Pública, Gratuita, Laica, de Qualidade e Socialmente Referenciada para os filhos dos trabalhadores. Essas organizações sindicais, que representam o interesse coletivo dos trabalhadores da educação, também se contrapõem às políticas de avaliação docente devido ao caráter meritocrático e individualista que as embasa. Em SP, as políticas de bonificação focam o mérito do indivíduo ou, no máximo, da equipe escolar, que representa um conjunto de indivíduos que, para fins de reconhecimento do mérito, torna-se momentaneamente coeso. Esta coesão grupal, com tempo de vida útil de um ano e anualmente renovável, dirige-se a satisfazer o objetivo financeiro do grupo de obter uma maior bonificação. Para Ferraz (2009), um dos ideólogos da remuneração por desempenho, o alcance das metas e dos respectivos bônus pressupõe não apenas coesão, mas também cooperação e confiança, tanto para elevar o esforço dos colegas, como para conter os ditos professores caronistas, ou seja, aqueles que pegam carona nos ombros dos professores esforçados. Apelando para grupos de indivíduos divididos por unidade escolar, as políticas de bonificação docente produzem colaboração e coesão instrumentais, funcionais, visando à conquista de maior gratificação. A meritocracia, princípio que as sustenta, reforça o individualismo, estimula uma falsa cooperação e nega a ação coletiva, subentendida no ideário dos intelectuais burgueses “modernos” (IOSCHPE, 2011; SOUZA, 2009) como algo ultrapassado. Por outro lado, essas políticas, contraditoriamente, podem produzir solidariedade e unidade na categoria docente. Em SP, elas juntam os trabalhadores de cada escola para premia-los diferentemente. O professor soma-se e mobiliza-se com os demais em seu local de trabalho para tentar fabricar uma complementação salarial que ajude a satisfazer as suas necessidades vitais. Nesta perspectiva, a noção de categoria docente não engloba mais o conjunto dos professores da rede estadual de ensino, mas tão-somente a equipe de professores da escola. Por trás disso, aparece a intenção política de um governo neoliberal de pulverizar pelas mais de cinco mil escolas da rede