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Revista SODEBRAS – Volume 10
N° 109 – JANEIRO/ 2015
CARACTERIZANDO A HISTÓRIA: O ENSINO DE LÍNGUAS
ESTRANGEIRAS NO BRASIL
LUCIANA LOPES CYPRIANO BARRETO¹; PROFª. DRª. SONIA MARIA DA COSTA BARRETO2
1 – MESTRANDA DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO SCRICTO SENSU – MESTRADO
PROFISSIONAL EM GESTÃO SOCIAL, EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL – FACULDADE
VALE DO CRICARÉ – FVC; 2 – PROFESSOR TITULAR DO MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO
SOCIAL, EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL - FACULDADE VALE DO CRICARÉ
[email protected]; [email protected]
Resumo – O objetivo deste trabalho é descrever o lugar das
línguas estrangeiras no contexto educacional do Brasil.
Pretende-se mostrar de onde viemos, resgatando parte da nossa
história, e tentar descrever onde estamos, mostrando o contexto
político da questão. Nesse percurso histórico é possível observar
também que questões políticas sempre estiveram atreladas à
incorporação das línguas estrangeiras como disciplinas
escolares.
Palavras-­‐ chave: Ensino de Línguas Estrangeiras. Educação
Brasileira. Inglês.
Abstract - The work aims at describing the setting of foreign
languages in the educational context in Brazil. It intends to show
where it comes from, bringing up part of the history and
attempting to describe where it is, showing the political context in
issue. In this historical way it is also possible to verify that
political issues have always been attached to the adding of
foreign languages as school subjects.
Keywords: Brazilian Education. Foreign Languages Teaching.
English.
I. INTRODUÇÃO
No Brasil a origem das instituições escolares pode ser
localizada em 1549 com a chegada dos jesuítas que criaram,
na época colônia portuguesa, “a primeira escola brasileira”.
(MATTOS, 1958, p.37). A periodização da história das
instituições escolares brasileiras, esboçada por Saviani
(2007) foi a seguinte: 1º período (1549-1759) dominado
pelos colégios jesuítas; 2º período (1759-1827) representado
pelas “Aulas Régias” instituídas pela reforma pombalina; 3º
período (1827-1890) início da organização da educação pelo
poder público; 4º período (1890-1931) marcado pela criação
das escolas primárias; 5º período (1931-1961)
regulamentação em âmbito nacional, das escolas superiores,
secundárias e primárias e 6º período (1961- dias atuais)
unificação da regulamentação da educação nacional
abrangendo a rede pública e a rede privada. Saviani salienta
ainda que ao longo dos quatro primeiros períodos, as
instituições escolares no Brasil eram restritas a pequenos
grupos, emergindo somente a partir da década de 1930, a
escola de massa.
A história do ensino de LE no Brasil, segundo
documento citado nas Diretrizes Curriculares Estaduais de
Língua Estrangeira Moderna (2008), inicia-­‐se no período
colonial, tendo como disciplinas dominantes o grego e o
latim. Desde o início da colonização, o Estado português se
preocupava com a promoção da educação e como isso
facilitaria o processo de dominação e expansão do
catolicismo. Dessa forma, os jesuítas foram os responsáveis
pelo ensino do latim como exemplo de língua culta aos
povos que habitavam o território.
II. O ENSINO NO BRASIL
O ensino de Línguas Estrangeiras na Educação Básica
do Brasil teve seu auge durante as décadas de 1940 e 1950,
precisamente a partir da reforma do ensino promovida pelo
ministro Gustavo Capanema, face ao momento político que
passava o país. A série de seis reformas que ficaram
conhecidas pelo nome do titular do Ministério da Educação
e Saúde, Capanema, iniciou-se com a Lei Orgânica do
Ensino Industrial (Lei nº 4073, de 30 de janeiro de 1942).
Foi instituído, desta forma, o ensino industrial em dois
ciclos. O primeiro ciclo previa quatro modalidades de
ensino: o ensino industrial básico (quatro anos); o ensino de
mestria (dois anos); os ensinos artesanal e de aprendizagem,
este último destinado aos aprendizes das plantas industriais
instaladas no país. O segundo ciclo do ensino industrial, de
grau médio, previa o ensino técnico industrial, a ser
concluído em três anos, e o ensino pedagógico, que visava
formar os docentes responsáveis pelas escolas deste ramo de
ensino. Além dos cursos ordinários deste sistema de ensino,
em seus dois ciclos, a formação industrial era
complementada com cursos extraordinários e avulsos, que
permitiriam
a
continuidade,
aperfeiçoamento
e
especialização do aluno.
Mantendo ainda outra normatização já prevista no
período anterior, o acesso ao ensino superior, aos
concluintes de cursos técnicos industriais, ficava restrito a
cursos universitários afins. Entre as escolas surgidas para
viabilizar esta rede de ensino — escolas industriais
(primeiro ciclo) e escolas técnicas industriais (segundo
ciclo) — foi criado também o Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial (SENAI), em 1942, dirigido pela
Volume 10 – n. 109 – Janeiro/2015
ISSN 1809-3957
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