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69 De início, em apertada síntese, cite-se a clássica narrativa histórica do Direito do Trabalho dos países de capitalismo central, propugnada pelos espanhóis Leon Granizo e Mariano Gonzales 181 que contextualizaram historicamente a formação e consolidação do Direito do Trabalho consoante importantes eventos históricos ocorridos durante os últimos dois séculos, delimitado a sua evolução em quatros períodos: formação (1802 a 1848) 182 , intensificação (1848 a 1890) 183 , consolidação (1890 a 1919)184 e autonomia (1919 – atualidade)185. Especificamente no Brasil, a evolução histórica do Direito do Trabalho remonta ao início do Século XX, quando se iniciou a produção legislativa destinada a regular a relação entre capital e trabalho, decorrente das lutas de classes existentes nos cinquenta anos precedentes à Revolução de 1930, ano em que também se criou o Ministério do Trabalho e Emprego e que fora classicamente tido pela doutrina pátria como marco do nascimento do Direito do Trabalho no Brasil. A institucionalização se consolidou em 1943, com a compilação e ampliação da legislação sobre as relações laborais em um único diploma legal, a Consolidação das Leis do Trabalho.186 Essas sucintas citações das clássicas periodizações da formação legislativa do Direito do Trabalho, sem o intuito de tecer maiores reflexões sobre o assunto, servem como referências históricas para contextualizar a análise que segue sobre as ideologias que permeiam a relação entre capital e trabalho e que sustentam o modo de produção capitalista, justificando determinado modo de subordinação e, reflexamente, legitimando determinadas tutelas e garantias estatais às relações laborais. Para compreender o surgimento do Direito do Trabalho e de sua recontextualização contemporânea, socorrer-se-á às ideias mobilizadoras da 181 MARTIN-GRANIZO, Leon e GONZALES-ROTHVOSS, Mariano. In: DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 10ª ed. São Paulo: LTr, 2011. p. 93-94 182 Em 1802, na Inglaterra, tem-se o Ato da Moral e da saúde, que proíbe o trabalho de menores à noite e jornada acima de 12 horas. Em 1806, na França, restabeleceu os órgãos de solução de conflitos entre fabricantes e operários. Em 1813, na França, proibiu-se o trabalho de menores nas minas. Em 1839, editou-se normas de proteção do trabalho da mulher e da criança/adolescente. 183 Em 1848, publicou-se o Manifesto Comunista de Marx e Engels. 184 Em 1890, teve a Conferência de Berlim e em 1891, a edição da Encíclica Papal Rerum Novarum. 185 Em 1919, criou-se a Organização Internacional do Trabalho e também começou a constitucionalização do direito do trabalho com a Constituição alemã de Weimar. 186 BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. 6ª ed. rev. e ampl. São Paulo: LTr, 2010. p. 69-70.