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experiência subjetiva do som, e ocorre mais no
nível dos caminhos dos nervos associativos no
cérebro cercando mais a real recepção do som
do que o registro do som em si mesmo.
Portanto, a percepção do som é o contexto em
que se leva a cabo a audição, e a sensação é o
contexto do som3 (COHEN, 2008, p. 95, trad.
nossa).
Para ela, portanto, a percepção do som é uma conexão entre os
processos físicos da audição com uma experiência subjetiva de
audição, particular para cada ser humano e construída na
conjunção entre o cérebro e as outras partes do corpo,
envolvendo aprendizado, emoções, subjetividade, cultura.
Assim como é possível dizer que duas pessoas podem não ver a
cor vermelha do mesmo modo, é possível dizer que duas
pessoas ouvindo um mesmo som poderão perceber de formas
distintas a partir de sua individualidade.
Deste modo, é possível dizer que existem duas dimensões da
escuta na experiência do indivíduo: o processo físico de ouvir,
que conecta corpo e cérebro em sua fisiologia, processo esse
quase inevitável em uma pessoa de audição normal, e um
processo subjetivo de ouvir, que conecta o som ouvido com a
subjetividade do indivíduo e que evidencia o modo ou
qualidade com que se ouve. Sobre isso, Alfred Tomatis
também faz uma diferenciação: “o fato de escutar e escutar-se é
um ato voluntário, é uma aquisição tardia e humana da
3
“The hearing or sensing of the sound has to do with the auditory organ (the ear)
and the auditory nerve to the auditory cortex in the brain, i.e., the objective physical
reception of the stimulus. The perception of the sound, on the other hand, is our
subjective experience of that sound, and occurs more on the level of the associative
nerve pathways in the brain surrounding the actual sound reception than in the
registering of the sound itself. Thus the perception of the sound is the context which
hearing takes place, and the sensing is the context of the sound” (COHEN, 2008, p.
95).