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cultural e para se beneficiar dos resultados. Neste sentido, igualdade de gênero significa
que a sociedade atribui os mesmos valores às semelhanças e às diferenças entre mulheres
e homens e às diferentes funções de cada um. Para que isto aconteça, é necessário haver
ações específicas ou discriminação positiva. Igualdade de gêneros significa mais do que
equilíbrio de gêneros, ou seja, números iguais de mulheres e homens nas Câmaras
de Vereadores ou nos Comitês Municipais (embora isto seja muitíssimo importante!);
significa capacidade dos indivíduos de participar como cidadãos iguais.
Promover igualdade de gêneros não significa, necessariamente, tratar mulheres e homens
da mesma maneira. É aí que entra a equidade de gênero. Equidade de gênero refere-se
ao processo de promoção de justiça para mulheres e homens. O alvo da equidade de
gênero vai além da igualdade de oportunidades, pois exige transformação. A equidade
de gênero reconhece que podem ser necessárias medidas diferentes para mulheres e
homens, onde: a) eles possam refletir suas diferentes necessidades e prioridades; ou b)
sua situação atual significa que alguns grupos de mulheres ou de homens precisam de
medidas de apoio a fim de garantir que todos estejam no mesmo “pé de igualdade”. Isto
pode exigir ações específicas para promover igualdade de oportunidades para mulheres
e mulheres, ou homens e homens, ou mulheres e homens. Por exemplo, equidade implica
em fazer uma avaliação imparcial das políticas de pessoal e de emprego, ou mesmo nos
cronogramas de trabalho, a fim de levar em consideração as funções reprodutivas das
mulheres, de modo que o seu trabalho doméstico não seja uma barreira que impeça que
elas se engajem na esfera pública.
Neste ponto de nossa discussão, pode ser útil fazer uma breve avaliação do contexto
histórico da luta por igualdade entre mulheres e homens.
Gênero e desenvolvimento e mulheres em desenvolvimento
Gênero e Desenvolvimento (em inglês, GAD - Gender and Development) refere-se a um
conjunto de abordagens políticas à igualdade de gênero e aos direitos das mulheres,
que surgiu durante a década de 80 como resposta a alguns desafios enfrentados pelas
abordagens políticas das Mulheres em Desenvolvimento (em inglês, WID - Women in
Development) nos anos 70. Existem algumas diferenças importantes entre essas duas
abordagens.
O foco central de GAD é a necessidade de tratar da discriminação contra as mulheres
e a desigualdade de gênero no contexto das relações de gênero. Isto significa que,
mais do que trabalhar exclusivamente com mulheres, as abordagens GAD trabalham
estrategicamente com mulheres e homens, reconhecendo o fato de que as iniciativas de
promover igualdade de gênero exigem compromisso e mudanças de comportamento
de ambos os sexos. A abordagem GAD reconhece também que, embora as mulheres
estejam sujeitas à vasta maioria das desigualdades de gênero, em alguns contextos
ou setores específicos, os homens também podem ser marginalizados nos processos
de desenvolvimento. Por exemplo, em alguns países um número desproporcional de
meninos deixa a escola antes do ensino médio e, em algumas cidades, são principalmente
os meninos que se envolvem em violência urbana e crimes – o que significa que, em
alguns contextos específicos, essas categorias de homens e meninos precisam ser alvo de
intervenções para o desenvolvimento.
SEÇÃO 2: INTRODUZINDO GÊNERO
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