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Didático (PNLD), do que decorre que muitas vezes constitui-se como o único material
sistematizado e escrito, acessível a alunos e professores em muitas realidades. Neste sentido
entendemos que o livro didático, além de ser elemento parte da história cultural da nossa
civilização é um material impresso, estruturado, destinado ou adequado a ser utilizado num
processo de aprendizagem ou formação. É um instrumento que deve ser usado numa situação
de ensino e aprendizagem e envolve a relação com vários sujeitos: o(s) autor(es), editor,
trabalhadores, gestores, e, sobretudo, professores e alunos.
Embora muitos autores prefiram chamar o livro de manual didático, na investigação
optei por concebê-lo enquanto livro didático, por considerar, mesmo apresentando
características de manual, que é um livro, provocador de leituras, que traz no seu interior a
escritura de textos circunscritos em contextos que podem também ser externos ao livro. É
livro porque traz a possibilidade de leituras e viagens e comunica uma história, mesmo que
fragmentada. È livro didático por ser artefato cultural e mesmo sendo um “objeto” é sujeito de
movimento.
O livro didático é um instrumento que, historicamente, está inserido num espaço
interacional e se constitui como um produto cultural, responsável pela transmissão, de certa
forma, de cultura e pelo apoio didático/material para o ensino. Ao assumir essas
responsabilidades, o livro didático, no contexto histórico, se impõe como elemento da cultura
escolar, organizando a seleção de conteúdos, interferindo e guiando as práticas docentes e
contribuindo para as formas de construção do conhecimento no âmbito escolar a partir do
cenário da sala de aula. Considerado um produto cultural e uma mercadoria, conforme
indicado por Apple (1995), o livro didático passa por um processo de produção, distribuição e
consumo que envolve autores, editoras e todo um segmento de mercado antes de chegar às
mãos dos professores e alunos. Ao longo da história o livro didático pôde ser focado como
amostra dos interesses políticos e ideológicos de uma nação, daí decorre uma corrida editorial
que acaba tirando o foco da qualidade dos produtos que chegam às escolas. Freitag, et al
(1993, p. 127) nos trazem uma análise crítica sobre o sistema mercadológico do livro e o peso
da produção nacional, diagnosticando que:
O livro didático insere-se, assim, em uma grande maquinaria na qual ele
parece exercer um papel insignificante, que à medida que vai sendo
elucidado revela-se de importância estratégica para a existência e o
funcionamento do sistema educacional como um todo, estendendo sua
influência a amplos setores do mercado editorial bem como a instituições
estatais. Funciona como um instrumento de ensino no processo pedagógico