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60 Didático (PNLD), do que decorre que muitas vezes constitui-se como o único material sistematizado e escrito, acessível a alunos e professores em muitas realidades. Neste sentido entendemos que o livro didático, além de ser elemento parte da história cultural da nossa civilização é um material impresso, estruturado, destinado ou adequado a ser utilizado num processo de aprendizagem ou formação. É um instrumento que deve ser usado numa situação de ensino e aprendizagem e envolve a relação com vários sujeitos: o(s) autor(es), editor, trabalhadores, gestores, e, sobretudo, professores e alunos. Embora muitos autores prefiram chamar o livro de manual didático, na investigação optei por concebê-lo enquanto livro didático, por considerar, mesmo apresentando características de manual, que é um livro, provocador de leituras, que traz no seu interior a escritura de textos circunscritos em contextos que podem também ser externos ao livro. É livro porque traz a possibilidade de leituras e viagens e comunica uma história, mesmo que fragmentada. È livro didático por ser artefato cultural e mesmo sendo um “objeto” é sujeito de movimento. O livro didático é um instrumento que, historicamente, está inserido num espaço interacional e se constitui como um produto cultural, responsável pela transmissão, de certa forma, de cultura e pelo apoio didático/material para o ensino. Ao assumir essas responsabilidades, o livro didático, no contexto histórico, se impõe como elemento da cultura escolar, organizando a seleção de conteúdos, interferindo e guiando as práticas docentes e contribuindo para as formas de construção do conhecimento no âmbito escolar a partir do cenário da sala de aula. Considerado um produto cultural e uma mercadoria, conforme indicado por Apple (1995), o livro didático passa por um processo de produção, distribuição e consumo que envolve autores, editoras e todo um segmento de mercado antes de chegar às mãos dos professores e alunos. Ao longo da história o livro didático pôde ser focado como amostra dos interesses políticos e ideológicos de uma nação, daí decorre uma corrida editorial que acaba tirando o foco da qualidade dos produtos que chegam às escolas. Freitag, et al (1993, p. 127) nos trazem uma análise crítica sobre o sistema mercadológico do livro e o peso da produção nacional, diagnosticando que: O livro didático insere-se, assim, em uma grande maquinaria na qual ele parece exercer um papel insignificante, que à medida que vai sendo elucidado revela-se de importância estratégica para a existência e o funcionamento do sistema educacional como um todo, estendendo sua influência a amplos setores do mercado editorial bem como a instituições estatais. Funciona como um instrumento de ensino no processo pedagógico