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RESUMO
O processo de formação identitária do educador social carrega as marcas tanto da sua prática
educativa não-formal quanto do seu relacionamento com os ‘outros’ que constituem o seu
ambiente educacional. O estudo das representações de ‘educando-pobre’ torna-se uma
importante ferramenta para entender o processo identitário que o faz se reconhecer como
educador frente a um ‘outro’ que se constitui parte dos relacionamentos, em seu campo de
atuação sócio-educacional do Terceiro Setor. Assim, esta pesquisa objetivou identificar a
relação entre as representações de ‘educando-pobre’ e a identidade profissional dos
educadores atuantes no campo da educação não-formal de duas instituições sócio-educativas –
uma no subúrbio do Rio de Janeiro-RJ, e outra na periferia de Belo Horizonte-MG – de uma
rede de ONGs caritativas do Terceiro Setor, administrada pela Igreja Católica Apostólica
Romana. A partir da análise retórica das entrevistas semidirigidas realizadas junto aos
educadores sociais de cada uma das ONGs caritativas (em um quantitativo proporcional a
20% de educadores de cada instituição), dos registros documentais e do diário de campo do
pesquisador, identificou-se a existência de um modelo figurativo de ‘resgate social’,
partilhado por duas representações sociais – a de ‘educando-pobre’ e a de ‘ONG caritativa’ –
que organizam, orientam e condicionam o processo de ‘atribuição e pertença’ entre as
distintas categorias sociais presentes na negociação entre os educadores sociais e os outros
grupos sociais, em suas práticas sócio-educativas com os educandos-pobres. No contexto
sócio-educativo-religioso das ONGs católicas, o ‘educando-pobre’ se apresenta como o pobre
‘Lázaro’ que, organizado pelo modelo figurativo das representações sociais, é o ‘pobre
fragmentado’ – econômica, social e moralmente – pela sua condição de pobreza. Este será
reconhecido como o ‘estegano-outro’, assumindo a função de ‘mascarar’ as reais demandas
sociais e educacionais do educando-pobre. Desta forma, as representações sociais de
‘educando-pobre’ e ‘ONGs caritativas’, no processo identitário do educador social, legitimam
a existência das instituições sócio-educativas católicas no Terceiro Setor e a criação de uma
‘iconidentidade profissional’ que reafirma a importância dos educadores sociais como
profissionais responsáveis pela integração das camadas empobrecidas à sociedade civil, por
meio de práticas sócio-educativas.
PALAVRAS-CHAVES: Identidade profissional. Representações sociais. Pobres. Educador
social.