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livre dos sujeitos e nas trocas de conhecimento resultantes das relações sociais do sujeito em
todas as idades, desde a infância até a terceira idade.
Na educação social, a educação não-formal desponta em um grande crescimento
motivado pela própria sociedade nas suas instituições e organizações sociais do Terceiro
Setor. Neste âmbito educacional, centros de acolhida, educadores de rua, programas
pedagógicos de distintos interesses sociais – entre muitos outros – surgem como expressão do
desejo da organização social em resolver as situações de conflitos sociais utilizando-se,
primordialmente, da educação não-formal, como ação educativa possível para estas
realidades.
No âmbito da própria escola a educação não formal se faz presente através de propostas
educacionais não regradas localizadas no espaço físico da escola (como as atividades extracurriculares) ou das que servem de reforço para a educação formal dos espaços escolares
(como visita a museus, atividades em instituições ou projetos culturais).
Tudo isso amplia a nossa concepção sobre a importância e a relevância desta
modalidade no contexto educacional em nosso país. Afonso (2001, p. 32-33) nos recorda que
a educação informal, formal e não-formal sempre coexistiram em relação direta seja no
campo da educação escolar ou não-escolar. Desta forma, não há um sentido de rivalidade ou
contrapontos entre as modalidades da educação no aspecto de superioridade entre elas.
A educação não-formal carrega em sua história a tradição crítica da realidade social
perpetuada a partir do momento em que os diversos movimentos sociais e grupos específicos
da sociedade brasileira assumiram a educação não-formal como instrumento para a
disseminação de suas ideias e a organização de seus trabalhos sócio-educativos. Porém a
intenção nunca foi a substituição das modalidades a partir dos resultados apresentados no
campo educacional e social. Ao contrário, busca-se a integração de todas para a realização de
uma educação que abranja o ser humano em seus aspectos sociais, culturais e educacionais.
Desta forma, a educação não-formal escolhida pelas instituições, grupos e movimentos
sociais que, no contexto brasileiro são reconhecidos no campo do Terceiro Setor, fazem parte
da nossa história educacional e, na sua coexistência com outras modalidades, são
potencializadoras de uma prática educativa mais engajada com a crítica à realidade social
vivida pelos grupos, de maneira especial, os empobrecidos.