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condição de solidez de uma proposta educacional que procura formar homens felizes. Nos
tempos de hoje, onde a incerteza parece operar em todos os âmbitos, e o conceito clássico de
tempo, formado por presente, passado e futuro foi substituído pelo presentismo (Benedeto
Croce, 1972), o bom-senso no sentido freinetiano é entendido como uma barreira para a
prática da novidade e também para a adoção desmedida de modismos pedagógicos.
Exaltando a importância e sabedoria dos jardineiros e criadores, por meio de nova
analogia Freinet revela que os pais tendem a queixar-se do quanto gastam para que suas
crianças tenham asseguradas condições de prosperidade, revelando a insensibilidade dos
mesmos. Ledo engano acreditar que estes pais e adultos estão corretos. Engano semelhante é
verificado por meio da prática do hospitalismo, que fazia os médicos acreditarem que os bebês
e crianças tratados nas clínicas e hospitais com cuidados metódicos com horários estritos,
alimentação medida e assepsia minuciosa estavam pertos de chegar à perfeição, sem
perceber, porém, que lhes faltava a presença da mãe e o contato com a magia dos elementos
do ambiente, o que fazia com que essas crianças não se desenvolvessem, apesar de tudo
aquilo, de maneira natural.
“A ciência pedagógica pretende regular, com a mesma minúcia
cronometrada, o alimento intelectual das crianças que isola num
meio especial que é a escola: silêncio, frieza neutra as lições e
dos deveres, supressão sistemática de todos os contatos com o
meio de vida natural ou familiar, silêncio, asseio, ordem,
mecanismo. A carência é inegável: alimento mal digerido, aversão
pela alimentação intelectual, podendo ir até à anorexia,
recalcamento do indivíduo, desadaptação em face da vida,
hostilidade para com a falsa cultura da escola. Essa carência é o
escolatismo.” (Freinet, 1973:91)
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