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IR PARA O ÍNDICE renovação da licença, a EL realiza nova vistoria prévia para verificação do cumprimento das condições fixadas anteriormente no alvará de licença o que, conjuntamente com a declaração do operador segundo a qual a operação será realizada de forma integralmente conforme com a anteriormente licenciada e nos termos da legislação e regulamentação aplicáveis, é tido como condição suficiente para assegurar a conformidade aos princípios e regras ambientais aplicáveis30. A licença atribuída no fim dos procedimentos atrás aludidos constitui, naturalmente, um ato favorável ao requerente, permitindo-lhe realizar uma atividade até então relativamente proibida. No entanto, neste como noutros domínios, atento o peso intenso que o interesse público na tutela do ambiente compreende, o efeito estabilizador do ato de licenciamento é comprimido quase ao seu mínimo, justificando a natureza precária do ato autorizativo de licenciamento da atividade de tratamento de resíduos31. O regime é portanto, dada a especificidade dos bens a tutelar pelo procedimento de licenciamento, particularmente diverso do regime geral da revogação e alteração de atos administrativos. Não se discute aqui a revogação ou a prática de atos saneadores secundários que incidam sobre licenças inválidas, aos quais é aplicável o regime constante do artigo 141.º e seguintes do CPA. Trata-se aqui, ao invés, de delinear o regime de revogação e modificação (e, por maioria de razões, a suspensão) de licenças validamente emitidas, em relação às quais tenha sobrevindo um qualquer facto acionador do princípio da prossecução do interesse público ambiental que legitime a afetação da estabilidade da licença de gestão de resíduos. A Lei dos Resíduos designa os fatores de precariedade do ato autorizativo: (i) a adaptabilidade (modificabilidade) da licença; (ii) a suspensão da licença e (iii) a revogação da licença. (i) Adaptabilidade da licença e alteração objetiva do alvará Em rigor, a alteração subjetiva (transmissibilidade) da licença não configura, neste contexto, um fator de precariedade daquela, na medida em que apenas opera quanto ao elemento subjetivo (titular) da licença mantendo-se todas as condições estipuladas no alvará, como demonstra a obrigatoriedade de o transmissário declarar que “a operação será realizada nos termos licenciados e de acordo com a legislação e regulamentação aplicáveis” e “a identificação do responsável técnico da operação licenciada e das respectivas habilitações profissionais”. 30 31 124 fr. artigo 35.º, n.os 1 e 6, da Lei dos Resíduos. C Sobre o efeito estabilizador do ato administrativo, ligado ao princípio da tutela da confiança, H.-J. Blanke, Vertrauensschutz im Deutschen und Europäischen Verwaltungsrecht, Erfurt, 2000 (2008), pp. 171 e ss. Direito dos resíduos Nos termos do disposto no artigo 34.º da Lei dos Resíduos, a EL é competente para impor, mediante decisão fundamentada, a adoção de medidas adequadas para minimizar efeitos negativos imprevistos para o ambiente ou saúde pública decorrentes das operações de gestão de resíduos realizadas na instalação32. O enunciado referido denuncia uma amplíssima margem de livre apreciação e discricionariedade criativa por parte da EL onde as ciências exteriores ao direito jogam um papel fundamental. A EL é competente para, avaliando os efeitos negativos imprevistos para o ambiente e saúde pública (= margem de livre apreciação), impor quaisquer medidas que entenda adequadas para a resolução desses efeitos negativos (= discricionariedade criativa)33. No fundo, a faculdade de impor uma adaptação da licença é o espelho da sujeição à adaptação progressiva, por parte do operador, da utilização das melhores técnicas disponíveis. Sublinhe-se técnicas, o que extravasa as meras tecnologias. Por outro lado, o recurso às melhores técnicas disponíveis deve, como aliás já resulta do artigo 6.º, sob a epígrafe “Princípio da protecção da saúde e do ambiente”, ser enquadrado no contexto dos “custos economicamente sustentáveis”34. O conceito de melhores técnicas disponíveis (MTD) é (relativamente) densificado, noutro contexto, pelo artigo 2.º, al. l), do Decreto-Lei n.º 173/2008, de 26 de agosto (regime de prevenção e controlo integrados da poluição), pese embora subsistam, naturalmente, con ceitos vagos atributivos de margem de livre apreciação à Administração Pública. Assim: por “melhores técnicas disponíveis” (MTD) entende-se a “fase de desenvolvimento mais avançada e eficaz das actividades e dos respectivos modos de exploração, que demonstre a aptidão prática de técnicas específicas para constituir, em princípio, a base dos valores limite de emissão com vista a evitar e, quando tal não seja possível, a reduzir de um modo geral as emissões e o impacte no ambiente no seu todo, entendendo-se por: i) ‘melhores’ as técni cas mais eficazes para alcançar um nível geral elevado de protecção do ambiente no seu todo; ii) ‘técnicas’ o modo como a instalação é projectada, construída, conservada, explorada e desactivada, bem como as técnicas utilizadas no processo de produção; iii) ‘disponíveis’ fr. C. Amado Gomes, Risco e modificação do acto autorizativo concretizador de deveres C de protecção do ambiente, Coimbra, 2007, pp. 716 ss. 33 Cfr. M. Rebelo de Sousa e A. Salgado de Matos, Direito Administrativo Geral, Vol. I, Lisboa, 2008, 3.ª ed., reimp. (2010), pp. 195 ss. 34 Sobre a amplitude da palavra “técnicas”, C. Amado Gomes, Risco e modificação do acto autorizativo concretizador de deveres de protecção do ambiente, Coimbra, 2007, pp. 447 ss. Sobre a razoabilidade na aplicação desta norma de atualização permanente, A. Aragão, “Direito Administrativo dos Resíduos” in P. Otero e P. Gonçalves (coord.), Tratado de Direito Administrativo Especial, Vol. I, Coimbra, 2009, p. 79. 32 LICENCIAMENTO DE OPERAÇÕES dE TRATAMENTO DE RESÍDUOS 125