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É importante frisarmos que o que mais nos interessa nesse processo formativo não é a sua contingência, como uma simples mão-de-obra colocada no mercado para suprir uma demanda, agora imposta pela lei. Acima de tudo, o que precisamos é zelar pela qualificação do professor de artes visuais em termos de qualidade de sua formação, principalmente porque é no sentido qualitativo que se poderá chegar às idealidades deste campo, tanto na valorização do seu professor como do seu aluno. Em outras palavras, necessitamos do mito, do bom mito do professor; parece que já o valorizamos (mitificamos) em outro momento da história educacional brasileira, quando, pelo menos, ele era venerado socialmente longe de ser agredido, dentro e fora da sala de aula. A história nos é pertinente quando seus fatos inquirem a realidade presente, desta forma é que instigamo-nos a movimentá-la, a promover mudanças. Portanto, ainda segundo a análise de Coutinho (2003), visualizamos um quadro estático, que não progrediu em relação ao passado, pois conforme ela, numa avaliação da Comissão de Especialistas do Ensino das Artes (CEEARTES) das Comissões do MEC e da própria Federação de Arte Educadores do Brasil (FAEB), observou-se a necessidade de fazer cumprir a nova LDB, Lei 9394/96 e os Parâmetros Curriculares Nacionais de 1998. Tal fato, consequentemente,ao nosso entender, provocou um superfaturamento de diplomas, aliado à má formação; então, o que se deu foi uma correria em busca da adequação à Lei e não em busca da qualidade de ensino de arte. Coutinho conclui que, “na maioria dos casos, as tentativas de adequação dos cursos de formação de professores de Arte tem se operado apenas na superfície e não nas estruturas curriculares”; assim, como alguns novos cursos na Lei vigente trazem “fortes resquícios dos cursos polivalentes de Educação Artística, das Licenciaturas de Desenho e Plástica ou dos cursos das escolas de Belas-Artes”. O “professor reflexivo” que abordamos com Contreras (2002), quando esse diz haver uma exacerbação inadequada do uso do termo “reflexivo”, ao ponto de transformá-lo em um slogan, relaciona-se diretamente ao que pode estar ocorrendo, e que ocorreu com a formação do professor em arte: parece haver nessa corrida desenfreada pela adequação da lei, o comprometimento da qualidade. Essa compreensão se aproxima do ponto de vista de Pimentel, em “Limites em Expansão: Licenciatura em Artes Visuais”: A mudança no rótulo não reflete necessariamente a mudança na essência dos currículos e das disciplinas. Para que haja uma efetiva atualização na concepção dos currículos se faz necessário um maior compromisso dos educadores em Arte envolvidos no processo, um compromisso coletivo com a transformação (Pimenta, 1999). A solução é complexa e não se 170