Download DILTON- D
Transcript
(...), mas foi a Vila (escola) que realmente mexeu comigo, que deu aquela sacudida, uma sacolejada até para trazer questões da sua vida que você leva para..., não estou dizendo que foi o Vila que me ensinou ao sofrer, mas a mexer com o artístico, que ao mesmo tempo mexe com o teu desejo também. E foi o colégio que me deu isso, digamos me instigou a querer comer arte, querer cheirar arte, essa sinestesia todo de você querer entrar no colégio, sentir o cheiro do colégio, pisar na areia, entrar em contato com os amigos com outro clima. N6 (07) No sentido de promover o status da pintura, teremos no Renascimento, um período de destaque, poisaí se encontram os textos fundadores, de Alberti e Leonardo, funcionando como lembretes a excelência da pintura. Entendem eles que ela não poderia ser reduzida a uma prática específica, ainda que primorosa, mas que deveria se afirmar por meio da teoria – note-se que já se insere uma valorização conceitual. Este período esforçase em analisar e demonstrar que a arte de pintar é, em si, uma forma de conhecimento da realidade 4 – mesmo com sua relativa autonomia à época –, que ela é uma expressão superior das ideias e, até mesmo, um modo de pensamento; assim reivindicou Leonardo. Porém, conforme a autora, “as exigências teóricas não podiam ser por si só suficientes meio da teoria – note-se que já se insere uma valorização conceitual. Este período esforça-se em analisar e demonstrar que a arte de pintar é, em si, uma forma de conhecimento da nessa luta pelo reconhecimento intelectual e social da pintura compreendida por tratadistas e pintores”. Para que a arte de pintar pudesse reencontrar condição tão eminente quanto à da poesia e da música, era preciso evocar origens mais nobres, mais antigas, mais legítimas. Daí o recurso aos mitos, aos escritos, às lendas dos pintores, ao valor sempre reatualizados dos artistas da Antiguidade – Apeles, Protógenes, Zêuxis, cujos nomes apenas, na ausência das obras, bastam para evocar a ideia da perfeição da arte. (LICHTENSTEIN, 2004, p. 21) A partir do momento renascentista, à medida que se começa afirmação da autonomia do artista, o seu espaço de construção mítica vai secularizando-se, e, agora temos, na figura heroicizada do artista genial e solitário – que se faz pela fórmula das biografias e lendas exemplares –, o estereótipo último concebido na modernidade, que seria sua derradeira forma de topo. No entanto, esta secularização da arte provém, mesmo que indiretamente, do esgotamento da mitologia clássica grega. Este fato, ou melhor, esta mudança de paradigmas na forma de conceber a arte, segundo a autora, não influenciou do fim do mito, ou da desmitificação da arte, o que prova, em parte, o que viemos tratando _____________ 4 Uma leitura complementar que trata desse assunto, tendo a pintura como referência da análise social de uma época: “Uma sociedade desenvolve suas próprias capacidades e seus próprios hábitos, os quais tem uma dimensão visual, uma vez que o sentido da visão é o principal órgão de experiência, e essas capacidades e hábitos visuais tornam-se parte integrante do meio de expressão do pintor; da mesma forma, um estilo dá acesso às capacidades e aos hábitos visuais e, através destes, a experiência social típica de uma época”. Assim, refere-se Michael Baxandall ao estudar a período renascentista nesta perspectiva do olhar do pintor, no livro: “O olhar Renascente: Pintura e Experiência na Itália da Renascença”. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991. 76