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o uso pode no entanto ser ocasião de confrontos entre as disciplinas que partilham do
campo da comunicação” (Chambat, 1994a: 263).
Philippe Mallein e Yves Toussaint interessados sobre os processos de integração das
tecnologias da informação no domínio familiar estudaram a natureza das significações
explícitas e latentes através os usuários constroem social os seus usos propuseram uma
grelha de análise do usos das tecnologias da informação, na qual destacam a
importância das significações dos usos na apropriação dos objectos técnicos, elaborada
a partir do uso de objectos apropriados ao longo dos anos 90: videogravador, teletexto,
computador e CD-Rom. Os investigadores mostraram que ...a inserção social das
tecnologias da informação, a sua integração no quotidiano dos usuários, dependiam
menos das suas qualidades técnicas “intrínsecas”, dos seus desempenhos e da sua
sofisticação, que dos significados de uso projectados e construídos pelos usuários sobre
o dispositivo técnico que lhes era proposto." (Mallein e Toussaint, 1994: 318).
Os investigadores analisaram a forma como os usuários alteraram as utilizações
prescritas pela indústria através das práticas e realizações próprias definindopor essa
forma os diferentes modos de apropriação dos objectos técnicos. Distinguiram dois
grandes tipos de racionalidade na oferta industrial que definem um determinado tipo de
problematização dos usos: uma “racionalidade da coerência sóciotécnica” e uma
“racionalidade de resultado tecnicista”. A primeira considera que “o novo dispositivo e
os produtos/serviços que lhe são associados devem encontrar o seu lugar neste qualquer
conjunto social, cultural, técnico, organizacional, familiar, relacional (preexistente)”
(ibid: 319). Ou seja procuram estabelecer uma aliança com a procura. A segunda, em
contrapartida - a racionalidade do resultado tecnicista - considera a aliança estabelecida
a partir do momento em que é feita tábua rasa da situação actual: “...designa-se aos
utilizadores os lugares que vão ocupar, as práticas novas que vão desenvolver e as
representações ideais às quais se devem inclinar” (ibid: 320), de acordo com a qual esta
segunda forma de racionalidade procura combinar os projectos dos utilizadores com os
da oferta. Por fim assinalam os autores, de cada uma destas formas de racionalidade
decorre uma série de conceitos que permitem analisar os diferentes factores
determinantes da integração efectiva das tecnologias ao nível dos indivíduos:
banalização versus idealização; hibridação versus substituição; evolução social versus
revolução social; identidade activa versus identidade passiva (ibid: 320-328).
Os processos de banalização e o seu contrário de idealização da técnica e do objecto
permitem distinguir a forma como certas inovações podem integrar-se nas práticas
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